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  • Novo livro de 'Téo & o Mini Mundo' traz mais leveza sem deixar críticas sociais de lado

    O garoto Téo e a borboleta Eulália estão de volta no terceiro livro da série de história em quadrinhos criada por Caetano Cury. Com o nome de “Quentinho no Coração”, o artista volta a manifestar em seus traços a sensibilidade que marca o trabalho ‘Téo & o Mini Mundo’, iniciado em formato de webtirinhas distribuídas nas redes sociais há 10 anos. Com lirismo e profundidade, o livro propõe uma viagem para o mini mundo, em que o leitor é convidado a visitar a si mesmo e seus pensamentos, inclusive diante de temas sensíveis.

    “Eu gosto de jogar uma luz de uma forma que ela vai iluminar e não ofuscar, não cegar. Tento falar de coisas duras e que podem causar divisão através de metáforas, que é uma forma mais sutil de provocar um pensamento, mesmo que, talvez, inconsciente”, divide o autor. 

    “Téo & o Mini Mundo” nasceu a partir da ideia de criar um menino que observa os detalhes da vida por meio das lentes de um microscópio, onde tudo pode acontecer. Nas tirinhas, amor, humor e autoconhecimento são retratados pelas aquarelas em um processo artesanal do quadrinista. 

    “O Téo tem uma amiga, companheira, que é a borboleta Eulália, uma espécie de voz da consciência dele. Então eles conversam sobre todas as questões emocionais que o Téo tá vivendo, em diálogos que são desenvolvidos em cenários rurais, que remetem às minhas origens, Guaxupé, Guaranésia, sul de Minas Gerais”.

    Ao lado dos personagens principais Téo e Eulália, há uma dezena de outros criados para transmitir mensagens produzidas em 2020, 2021 e 2022 em 90 pequenas narrativas distribuídas em 120 páginas.


    9 min
  • O que é florestania?

    Exibido em novembro deste ano, o filme “Pisar Suavemente na Terra” , de Marcos Colón, foi um dos destaques da 46ª Mostra de Cinema em São Paulo. No documentário, três lideranças indígenas da Amazônia apresentam formas de resistência às constantes ameaças à vida na floresta. Com narração do ativista indígena e filósofo Ailton Krenak, o filme aborda o conceito de florestania como alternativa à destruição que tem imperado no território amazônico.

    “No final dos anos 80, começo dos anos 90, o discurso da florestania foi se alargando como uma afirmação de possibilidade de vida cidadã dentro da floresta. Esse termo nasceu do movimento social com Chico Mendes, com a Aliança dos Povos da Floresta que a gente integrou junto; com os indígenas, com todo mundo que estava na defesa da floresta”, explica Krenak.

    No documentário, pelas histórias de resistência das três lideranças indígenas que narram suas lutas para manter viva a cultura ancestral de seus povos, são apresentados alguns dos ataques à florestania, como a grande mineração, o monocultivo, o garimpo, a exploração de petróleo, a extração de madeira e a construção de usinas hidrelétricas.

    “Quando Krenak fala que ‘o futuro é ancestral’ nos remete a uma memória, a uma relação com a terra. Pisar suavemente na terra, pensar florestania, implica reconfigurar o nosso olhar e as nossas percepções”, afirma o professor da Universidade Estadual da Flórida e diretor de documentários sobre a Amazônia Marcos Colón.

    “É possível um desenvolvimento humano dentro da floresta com outras tecnologias, com outros horizontes de vida social, de muitas alternativas de dentro da floresta, que não seja essa única que vem de fora e que sugere que cidadania é uma coisa de quem vive nas cidades”, conclui Krenak.

    9 min
  • A vida de um pretinho: uma mensagem de fim de ano com esperança e representatividade

    Como já se tornou tradição, o Instituto Claro mais uma vez produz um audiodrama para transmitir sua mensagem de fim de ano. O livro “Se eu quiser falar com Deus”, do professor Paulo Henrique Gonçalves, lançado em novembro deste ano, serviu de inspiração para a realização deste cartão sonoro que pretende trazer reflexão e aprendizado.

    Na história, Irene é uma mulher preta que ensina desde cedo ao seu filho Zé Carlos que “a vida de um pretinho é composta por batalhas diárias”. Ela tem na conhecida canção “Se eu quiser falar com Deus”, de Gilberto Gil, um alento em sua pesada rotina e a canta como se fosse uma oração noturna.

    Já o menino encontra forças e identificação nas histórias que a mãe conta sobre pessoas pretas que transformaram o mundo. E assim enfrenta os preconceitos na escola, onde “precisa ensinar o valor da diversidade e pintar mais uma página da história. Agora, a sua, que promete ser de lutas, mas também de glória!”.

    No podcast, a voz de Zé Carlos é feita pelo próprio Paulo Henrique Gonçalves, enquanto Walkíria Brit interpreta a mãe. A trilha sonora é de Reynaldo Bessa e o roteiro de Marcelo Abud.

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    7 min
  • Competências socioemocionais diminuem agressividade e promovem melhoria da saúde mental de alunos

    Um levantamento da Nova Escola, realizado entre 8 e 22 de julho deste ano, com 5.305 professores e professoras, revela que 65,8% deles percebem maior agressividade em estudantes no retorno às aulas após o período de isolamento social por conta da pandemia de covid-19.

    “É como se grande parte dos alunos tivesse desaprendido como é estar em sala de aula. Nesse sentido, ter uma maneira de cuidar do seu estresse, da sua alimentação, da sua qualidade de sono tem implicação fundamental para o neurodesenvolvimento e também para conseguir lidar com todas essas adversidades”, explica o psicólogo e doutor em psicologia experimental pela Universidade de São Paulo (Usp) Henrique Akiba.

    Por ser um ambiente de socialização, a escola promove interações constantes entre professores e estudantes. Isso exige que estejam invariavelmente lidando com emoções e questões que envolvem a saúde mental.

    “O desenvolvimento de competências socioemocionais pode atuar como forte aliado na prevenção e promoção em saúde mental, especialmente no momento que a gente está vivenciando - no pós-vacina -, que tem trazido uma série de desafios aos professores, porque de fato o isolamento social acabou atuando de maneira muito disruptiva no processo fundamental de socialização desses jovens e adolescentes”, pontua o psicólogo.

    No áudio, Akiba fala da importância das habilidades socioemocionais na escola, como os professores podem se preparar para trabalhar essas habilidades com estudantes e que ganhos elas trazem para toda a comunidade escolar.

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    9 min
  • Em novo livro, Christian Dunker aponta práticas do neoliberalismo que geram sofrimento psíquico

    O livro “Neoliberalismo como gestão do sofrimento” é o resultado de três anos de estudos do Laboratório de Pesquisas em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip) da Universidade de São Paulo (USP). Organizado pelo psicanalista Christian Dunker e os professores Vladimir Safatle, da filosofia, e Nelson da Silva Junior, da psicologia social, a obra aborda o neoliberalismo não apenas como modelo socioeconômico. 

    “Em linhas gerais, o neoliberalismo é uma teoria que vai se expandindo para uma forma de psicologia, uma forma de moralidade, de resolver os conflitos humanos, pensar a religião, a arte, a vida. E é isso que esse livro aborda, ao falar do neoliberalismo como uma forma de vida interessada em gerir – no duplo sentido, de produzir e administrar – sofrimento”, afirma Dunker.

    O estudo conclui que o neoliberalismo é baseado em um conjunto de práticas de gerenciamento do mal-estar, como a individualização da culpa, o repúdio ao fracasso, o louvor ao mérito e a criação de um estado de crises e reformulações. 

    “Sofrendo mais, a pessoa produz mais. Sofrendo mais, eu percebo e me aproprio do capital do sofrimento como valência produtiva para maior engajamento no trabalho, para aumentar a extensão do tempo de trabalho, para empreitar a própria formação do indivíduo nas costas dele mesmo e não mais na empresa protetora, não mais no Estado protetor”, argumenta o pesquisador.

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    9 min
  • Livro ‘Clara dos Anjos’ de Lima Barreto aborda racismo na sociedade brasileira

    “Clara dos Anjos” é um dos livros mais conhecidos de Lima Barreto. Ele foi escrito no início do século XX e publicado após a morte do autor. A obra conta a história de uma jovem negra do subúrbio para denunciar o racismo na sociedade brasileira.

    “Também se destaca bastante a questão do abuso das elites diante da necessidade das pessoas mais pobres, da ignorância muitas vezes que elas têm dos seus direitos, entre outras questões que são comuns inclusive ainda hoje, como o racismo, a misoginia e outras formas de abuso e de discriminação”, afirma o professor de literatura Claudio Caus.

    A obra está inserida no contexto do pré-modernismo. É realista e chega a ter um tom próximo de uma crônica jornalística, com linguagem coloquial. “Sem contar, a qualidade literária dele (Lima Barreto) que é ímpar. Embora também bastante incompreendido e até discriminado naquele tempo, por valorizar uma linguagem mais oral, próxima do dia a dia das pessoas, que, inclusive, seria padrão, digamos assim, dos modernistas”, explica Caus.

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    9 min
  • Audiodescrição no futebol permite que deficientes visuais acompanhem detalhes de partidas

    A audiodescrição de partidas de futebol abre mais oportunidades para entender o que acontece em campo não só para pessoas cegas ou com baixa visão, mas para todos que amam o esporte. Isso porque essa ferramenta, além de passar a emoção do evento pela locução, descreve detalhes do jogo e dos lances.

    Alguns canais já disponibilizavam esse recurso de acessibilidade, mas a tendência deve crescer com a Copa do Mundo. Entre as iniciativas, pelo canal 533 da grade de programação da Claro TV+, o torcedor contará com um QR code na tela da televisão para acessar a audiodescrição e a adaptação da transmissão para Libras.

    “Uma audiodescrição é você descrever as cenas que o cego não pode acompanhar”, explica Felipe Augusto Diogo, deficiente visual total e comentarista de futebol. “E aí é que a gente como audiodescritor entra em cena para poder falar como que foi determinada jogada”, completa Leandro Massoni, audiodescritor dos canais ESPN e Star +.

    Enquanto em uma narração tradicional a preocupação principal é em transmitir emoção, com a audiodescrição, a pessoa cega ou de baixa visão acompanha também o que está acontecendo detalhamente. “Aí a gente tem que entrar neste complemento de ‘jogador carrega a bola pela direita, toca na bola em profundidade, passa pelo adversário pela esquerda’. Isso seria, no caso, o drible da vaca”, exemplifica Massoni.

    Além das entrevistas com os audiodescritores, o podcast traz trechos dos bastidores de uma transmissão de partida de futebol com a audiodescrição feita por Leandro Massoni.


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    8 min
  • Gigantes do passado: livro revela mamíferos habitantes do Brasil durante a Idade do Gelo

    Com o desaparecimento dos dinossauros, grandes mamíferos passaram a ocupar o planeta. O livro “Gigantes do Passado” traz uma aprofundada pesquisa de quem foram esses animais que habitaram, inclusive, o atual território brasileiro, na Idade do Gelo.

    “Há mais ou menos uns dois milhões de anos, tivemos momentos de glaciações e entre uma glaciação e outra, há um momento que nós chamamos de interglacial, que é o momento mais quente. Então quando a gente pensa em glaciação, pensa em gelo, mas no miolão do mundo, lá na linha do Equador e nessa região tropical, não tivemos gelo praticamente”, explica o professor de paleontologia na Universidade Estadual do Norte do Paraná Ariel Milani Martine, um dos autores do livro.

    Várias espécies surgiram nesse período. Onde hoje fica o Brasil, viviam preguiças-terrestres, ursos-de-cara-curta, cavalos pré-históricos e poderosos tigres-dentes-de-sabre.

    “O tigre-dente-de-sabre era do tamanho de um tigre, um pouco maior, mais robusto, talvez com a cauda mais curta, mas com aqueles dentes caninos superiores enormes que eles utilizavam para abater a presa. Foram encontrados fósseis em Minas Gerais”, descreve o biólogo, professor e escritor Guilherme Dominichelli, do Canal Animal TV do Youtube.

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    9 min
  • Projeto de alfabetização oferece novas perspectivas a mães e crianças de escola pública de Cabrobó-PE

    O projeto “Distantes sim, Desconectados não. Família e Escola projetando Sonhos, promovendo a Inclusão” levou a Escola Municipal Evandro Ferreira dos Santos, de Cabrobó (Pernambuco), à segunda colocação na categoria Superação da Adversidade com Projetos Inovadores do Prêmio World’s Best School Prizes (“Melhores Escolas do Mundo”). O anúncio foi feito em 19 de outubro, em Londres. A ação tem inspiração em Paulo Freire e, a partir de 2021 visa a capacitação e alfabetização de mães de estudantes, a fim de que consigam um maior envolvimento com a educação de filhos e filhas.

    9 min
  • Crianças promovem resistências negras na internet

    O ativismo de crianças negras na mídia ganha um novo alcance com vídeos que viralizam na internet. Um estudo do programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisa como a tecnologia tem sido utilizada por ativistas antirracistas no sentido de oferecer ações de empoderamento que se espalham com rapidez por diferentes cantos do país. Esses exemplos se refletem na visão que as crianças negras têm de si mesmas.

    “A gente precisava dizer para a criança [negra], desde bebê, que o corpo, a pele, o cabelo eram tão dignos como o padrão branco que a gente tinha. E isso a gente vai percebendo agora. Tem crescido o número de audiovisuais que produzem essa imagem positiva da criança negra”, avalia a coordenadora do ErêYá Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações Étnico-Raciais da UFPR, Lucimar Rosa Dias, que orientou a pesquisa realizada pela professora Andrea Barbosa de Andrade.

    O estudo “Resistências negras infantis no ciberespaço” analisa perfis de crianças influenciadoras e ativistas negras e conclui que suas falas são construídas a partir de diferentes linguagens e estratégias, como a leitura, a dança e a música. “É um discurso antirracista, a partir das linguagens infantis. E não é à toa que quando as crianças falam, viraliza. A gente tem uma escuta para a infância, as pessoas param pra ouvir, se comovem com crianças”, afirma Dias.

    No podcast, ela traz exemplos de crianças que ganharam voz na internet com discursos antirracistas, como Elis MC , Tatielly Lima e Carolina Monteiro. “Só o fato de elas estarem ali a gente já considera uma fissura nesse racismo estrutural. Porque o racismo estrutural determina um lugar para as pessoas, especialmente para as crianças negras, que é o espaço da invisibilidade”, pontua Dias.


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    8 min

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