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Solange Aparecida Emilio é psicóloga, psicanalista clínica, professora e estudiosa das diversas modalidades de intervenções no tecido social. A sua experiência no trabalho com grupos, instituições, famílias foi mobilizada para pensar a especificidade do fenômeno da empresa familiar. Todos nós somos herdeiros de expectativas, mandatos, contratos conscientes e inconscientes mesmo antes de nascermos. Numa família empresária tal arranjo ganha outra camada de complexidade, uma vez que existe a realidade concreta de um negócio - com todo seu horizonte de realizações, responsabilidades e desafios. "Todo grupo tem uma finalidade" aponta Solange - e o cuidado para que a mesma possa ser cultivada é um processo vivo. O binômio "inclusão-exclusão" nos contornos convenientes para todos foi um dos aspectos pincelados na nossa conversa. Veio à tona também a noção de Malhagem - filiação e afiliação desenvolvido por Pierre Benghozi: a imagem de um "tecido" que nos ancora a partir do grupo de origem da nossa família e dos grupos diversos que construímos no decorrer da vida na "dança" que compõe a saga de todos nós - seres endogâmicos e exogâmicos que somos. Vale conferir
Cristiana Bertolucci é designer industrial, empresária e alguém inspiradora para pensar nas pautas que atravessam famílias empresárias. Numa época em que o design industrial brasileiro era incipiente como campo, ela tem a oportunidade de desenvolver seu trabalho na empresa do seu pai. Ela sintetiza o que é um ecossistema virtuoso em uma família que escolhe trabalhar junta: "foi algo 'mais- mais': eu ganhei o contexto de uma indústria e a empresa ganhou a minha expertise como designer ". Depois de 25 anos trabalhando no negócio do pai, Cristiana decide empreender sua própria marca. O cuidado com uma transição gradual neste movimento é um dos pontos de destaque: novas rotas são sempre possíveis nos contextos de famílias empresárias e quando podem se dar com parcimônia há condições mais favoráveis para todos. Sua tranquilidade para navegar em um contexto desconhecido e acreditar que as respostas serão encontradas no devir dos acontecimentos também é inspiradora. Vale conferir tanto a conversa como seu lindo trabalho.
Maria de Lourdes Feriotti é terapeuta ocupacional, educadora, estudiosa de psicanálise, coordenadora do grupo GEITO e uma profunda conhecedora da obra de Edgar Morin. Não é nada fácil traduzir de modo acessível e fidedigno a quebra de paradigmas sustentada pela obra de Morin:" o todo é mais é também menos e é diferente da soma das partes"; "o dialógico é diferente do dialético"; "a lógica do disciplinar setorizado é distinta da lógica do inter e do transdisciplinar"; "é necessário distinguir individualidade de individualismo"; "o desviante é quem aponta para horizontes transformadores". De forma didática e consistente, com a bela imagem de uma colcha de retalhos, Lourdes oferece brilhantes insights para acompanharmos a travessia pela seara do paradigma da Complexidade - viés tão caro para quem vive e/ou trabalha com famílias empresárias. Vale conferir.
Claudia Tondo é desbravadora do campo hoje bastante conhecido como "Governança em Famílias Empresárias". Psicóloga, Doutora e uma das responsáveis pelo primeiro capítulo FBN Brasil, Claudia partilha a sua experiência, trajetória, vinhetas de casos e um compromisso muito profundo em fazer da sua vocação uma contribuição efetiva. Salta aos olhos a serenidade em transmitir com muita clareza dimensões tão sensíveis e intangíveis deste trabalho. "Este é um trabalho que muita gente não sabe que existe"; "o consultor que decide trabalhar neste campo precisa se trabalhar muito"; "as famílias necessitam de um ambiente no qual possam criar as suas próprias soluções" são alguns dos pontos de destaque da conversa. Há muitos outros. Vale conferir.
Candoca compartilha a sua experiência como líder e guardiã da governança no contexto do grupo empresarial Miriri - negócio de uma família numerosa e complexa. Faz uma retrospectiva das escolhas e acontecimentos no devir do tempo: o falecimento do pai; o momento da contratação da consultoria (AJA); a arte de sustentar um processo de avanços e retrocessos; as conquistas que permitem uma nova agenda futura; o seu divórcio. Os valores são sinalizados como "cimento" que assegura a coesão do grupo e dá forças para seguir em frente. A sua capacidade de observação é sinalizada como aliada para o exercício da sua função. A conversa também dá chances para pincelar no que consiste uma proposta de consultoria com a abordagem psicodinâmica. Vale conferir.
Nayana Brettas conta a sua história como idealizadora e empreendedora do Projeto Imagina C - uma proposta de transformar as cidades e a educação infantil a partir do olhar criativo e participativo das crianças. Neste caminho, Nayana foi capaz de "dar tempo ao tempo" para os processos envolvidos na construção de qualquer obra. A articulação com muitos atores também foi decisiva: "ninguém faz nada sozinho". A crença no estabelecimento de vínculos virtuosos de confiança é outro aspecto central. A capacidade de imaginar mundos é tema precioso na conversa: um processo de sucessão não deixa de ser permeado por este imperativo também. Vale conferir
Silvia Pedrosa compartilha a sua trajetória de vida e entusiasmo com fazer parte do propósito FBN: a missão de fomentar um espaço seguro de trocas e experiências de valor para membros de famílias empresárias. A vocação sucessória destes grupos é o ingrediente decisivo para encontrar ressonância com a oferta da instituição (FBN). A sua vivência como executiva de um grupo familiar também enriquece seus múltiplos vértices: não é trivial construir maneiras eficazes e criativas de fomentar a comunicação. FBN é uma instituição internacionalizada e pensar na "variável Brasil" na interface com os negócios familiares foi outro ponto de destaque da conversa. Vale conferir
Boris Berenstein elegeu como vocação o compromisso de contagiar outros membros de empresas familiares acerca do valor e importância de uma cultura de Governança e de um processo sucessório cuidadosamente encaminhado. Nesta conversa, Boris compartilha momentos chave de sua história, a difícil decisão de vender a empresa que fundou com muito esforço, o legado judaico de força e exemplo dos seus ancestrais, a complexidade de uma família "mosaico" ( filhos de distintas companheiras) . Rita Lee aparece como sábia inspiração e o investimento em consultorias como valiosa escolha. Vale conferir.
A vasta experiência de Wilson Carnevalli oferece elementos para pensar os princípios da Governança de maneira muito acessível e simples ( sem descaracterizar a complexidade e sofisticação da pauta em questão). A distinção entre o domínio da gestão e o da governança; a reflexão acerca da cultura corporativa que a governança forja; o executivo não familiar na empresa comandada por uma família; o desafio de fomentar a flexibilidade neste arranjo; a reflexão acerca dos métodos de controle e a preservação de um ambiente de confiança... impossível resumir! Vale conferir.
Teresinha Marcelino compartilha a sua experiência de agregada- executiva no contexto da Prominas há 32 anos. Destaca a realização ao imprimir a sua marca na construção do empreendimento que passou por profundas transformações nestes anos. Uma empresa familiar é um contexto de liberdade de experimentação ao mesmo tempo que mobiliza um profundo senso de responsabilidade e compromisso- uma vez que está em jogo a palavra e a imagem sustentada perante a sociedade e o mercado. Destaca a importância dos valores como baliza para o futuro e o processo sucessório como a transmissão desta postura de engajamento e reconhecimento a partir da obra da empresa. Muitas outras coisas foram ditas.
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