Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Eu sou o mar - Elisabete Tsukada
    Eu sou o mar
    Na imensidão vasta e azul
    Um cardume de peixes gira
    Manjubas se abrigam num ouriço
    A tartaruga verde dorme na areia
    A raia manteiga voa na água
    A raia prego ronda o naufrágio
    Peixinhos porcos dançam
    O cofre, o frade a moréia
    Golfinhos acompanham um barco
    Uma fragata sai do ovo
    Eu gasto mais ar que os outros
    E o cinturão brilha delicado
    Borboletas e estrelas
    Corais e um ermitão
    Preciso de uma nadadeira maior
    Preciso reduzir meus movimentos de mão
    Uma craca cortou meu dedo
    Meu sangue juntou com sal
    No pacto de amor eterno
    Selado entre nós
    O mar e eu
    O mar sou eu.
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    3 min
  • F. da P. - Solano Trindade
    Amor
    um dia farei um poema
    como tu queres
    dicionário ao lado
    um livro de vocabulário
    um tratado de métrica
    um tratado de rimas
    terei todo o cuidado
    com os meus versos
    Não falarei de negros
    de revolução
    de nada
    que fale do povo
    Serei totalmente apolítico
    no versejar...
    Falarei contritamente de Deus
    do presidente da República
    como poderes absolutos do homem
    Nesse dia amor
    Serei um grande F. da P.
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    2 min
  • Poema do Aviso Final - Torquato Neto
    Torquato Pereira de Araújo Neto foi um poeta brasileiro, jornalista, letrista de música popular, experimentador ligado à contracultura.
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    2 min
  • O Velho e o Mar - Neuma Rozendo
    Escritora e Poetisa, Neuma Rozendo entre seus brilhantes poemas escreveu esse especificamente inspirada no primoroso Romance do Nobel Ernest Miller Hemingway.
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    4 min
  • Em medio del camino - Carlos Drummond de Andrade
    En medio del camino había una piedra,
había una piedra en medio del camino,
había una piedra,
en medio del camino habia una piedra.

Nunca me olvidaré de ese acontecimiento
en la vida de mis retinas tan fatigadas.
Nunca me olvidaré que en medio del camino
había una piedra,
había una piedra en medio del camino
en medio del camino había una piedra.
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    2 min
  • Coisinhas do chão - Manuel de Barros
    Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
    É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
    É  um olhar para o ser menor, para o
    insignificante que eu me criei tendo.
    O ser que na sociedade é chutado como uma
    barata – cresce de importância para o meu
    olho.
    Ainda não entendi por que herdei esse olhar
    para baixo.
    Sempre imagino que venha de ancestralidades
    machucadas.
    Fui criado no mato e aprendi a gostar das
    coisinhas do chão –
    Antes que das coisas celestiais.
    Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
    tanto quando as soberbas coisas ínfimas.
    ---
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    2 min
  • A Prisão do Orgulho - Rabindranath Tagore
    Choro, metido na masmorra
    do meu nome.
    Dia após dia, levanto, sem descanso,
    esse muro à minha volta;
    e à medida que se ergue no céu,
    esconde-se em negra sombra
    o meu ser verdadeiro.
    Este belo muro
    é o meu orgulho,
    que eu decoro com cal e areia
    para evitar a mais leve fenda.
    E com este cuidado todo,
    perco de vista
    o meu ser verdadeiro.
    Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
    Tradução de Manuel Simões
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    1 min
  • Cai fora! - Manuel Bandeira
    Teresa, se algum sujeito
    bancar o sentimental em cima de você
    E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
    Se ele chorar
    Se ele se ajoelhar
    Se ele se rasgar todo
    Não acredita não Teresa
    É lágrima de cinema
    É tapeação
    Mentira
    CAI FORA.
    ---
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    1 min
  • Brisa - Manuel Bandeira
    Vamos viver no Nordeste, Anarina.
    Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
    Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
    Aqui faz muito calor.
    No Nordeste faz calor também.
    Mas lá tem brisa:
    Vamos viver de brisa, Anarina.
    ---
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    1 min

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