O culto ao corpo é intenso na cultura de hoje em geral, mas a comunidade gay é conhecida por exercê-lo com ainda mais afinco. Essa semana o LADO BI discute como o ideal de corpo afeta a vida cotidiana e como os padrões do corpo ideal podem variar de grupo para grupo. No estúdio, Chris Martinez, autora do blog Cansei de Ser Gorda, e Marcelo Cia, assessor de imprensa que há quatro anos investe várias horas de seus dias a cultivar um corpo saudável. Eles discutem acusações de que preocupar-se com a forma física é sinônimo de gordofobia: Muita gente me acusa de gordofobia no meu blog. Dá sim pra ser feliz sendo gordo, mas buscar entrar em forma não é preconceito, afirma Martinez. Ao mesmo tempo em que existe uma idolatria pelos musculosos no mundo gay, existe muita gente que aprecia gordos, por razões estéticas ou afetivas, lembra Cia. Ele também acredita que muito dessa fixação por um tipo de corpo deve-se à vontade de pertencer a um grupo: as pessoas buscam ter um corpo que seja aceito pelo grupo do qual querem fazer parte. Mesmo dentro das baladas dos musculosos tem o grupo dos ursos, dos afeminados coloridinhos. A gente acha que não é democrático, mas dentro da comunidade existem grupos que permitem que você tenha outras estéticas. Acontece uma certa segregação, mas também há muita intersecção entre esses grupos. Martinez compara a vida gay com a da mulher hétero: É claro que entrar em forma melhora não só sua saúde, também traz autoconfiança. Na balada gay isso é mais explícito, mas também vale pra gente. Quando você está seguro, pode vir a mulher mais linda do mundo, tô nem aí, eu arraso.