Livros, personagens, autores e mercado editorial são o tema dessa semana. O LADO BI traz para o estúdio o autor Alexandre Willer de Mello, a escritora Cristina Judar e o professor e doutorando Fernando Morato para discutir Literatura. Entre vários temas letrados, eles questionam: por que a sexualidade dos grandes autores ainda é ocultada? Duvido que revelações sobre a sexualidade de autores como Mario de Andrade afetem suas obras, positiva ou negativamente, afirma Alexandre. É errado reinterpretar obras consagradas sob vieses LGBT contemporâneos? De jeito nenhum; essa é a prova dos nove das grandes histórias: resistir a novas leituras, lembra Fernando. Personagens sagrados da literatura brasileira são colocados sob escrutínio: Bentinho, de Dom Casmurro, seria na verdade um gay apaixonado por seu melhor amigo, Escobar? E o que muda se considerarmos que Diadorim, de Grandes Sertões: Veredas, de Guimarães Rosa, era um homem trans? Mais: a dita literatura queer, tem que ser calcada no erotismo e no sexo? Infelizmente tem muita gente que pensa isso, mas há muito mais elementos que definem a identidade gay que apenas o sexo, e que podem ser utilizadas ao se compor uma narrativa, alerta Cristina.