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A importância de escrever bem o cenário!
Busque informações sobre o tipo de terreno que será apresentado.
Chega de falar nos personagens, ao menos por enquanto. Nossa próxima dica é muito importante para os autores interessados em fazer mundos fictícios ou retratar longas jornadas em terras inóspitas, e provavelmente despertará aquele cartógrafo amador dormente em cada amante da fantasia (não se esconda, eu sei que você está aí!).
Em algumas obras, o próprio cenário parece um ator, dada a sua relevância no enredo e no desenvolvimento dos personagens, pois uma longa e dura jornada molda o caráter de muitas pessoas. Mas o cenário de nada servirá na jornada se não receber uma boa retratação. Não é necessário ser um geólogo ou cartógrafo para fazer um cenário/terreno convincente na fantasia, mas uma dose razoável de pesquisa é bem vinda.
Vamos pegar um exemplo básico: imagine que os personagens necessitam atravessar um vasto deserto. Não basta apenas citar a areia, afinal mesmo os desertos possuem suas diferenças; o Saara, na África, não é igual ao Atacama, na América do Sul, ou ao Gobi, na Mongólia e na China. Como é a vegetação, caso ela esteja presente? Que animais e perigos aguardam pelos personagens? E se um dos personagens for nativo desse deserto, deverá ser destacada a resiliência dele frente aos obstáculos do deserto, em comparação com seus parceiros desacostumados à aridez.
Alguns autores gostam de ir mais além ao construírem seus mundos de fantasia, e pesquisam aspectos avançados na geografia, tais como movimentos das placas tectônicas, efeitos das montanhas no surgimento de desertos e deslocamento de geleiras; outros se inspiram na arquitetura de cidades existentes para construírem localidades fictícias similares. Esse preciosismo é uma forma excelente de tornar o cenário fictício mais plausível, porém nada impede o autor de fazer uma montanha solitária no meio do nada e afirmar que ela está ali devido a uma decisão dos deuses desse mundo, ou “porque um mago assim o quis”.
Todos esses detalhes na construção do cenário ajudam a fortalecer os três pilares da fantasia: o enredo seguirá enquanto os personagens se tornarão mais fortes, após superarem os obstáculos; a descrição do cenário atravessado, por sua vez, irá complementar o folclore de seu mundo fictício. Com os três pilares trabalhando juntos (não necessariamente de forma equitativa), mais coerente o seu mundo fictício ficará.
Autor: Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
*Mateus, o autor do Podcast de hoje, é gaúcho da cidade de Santa Maria/RS, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor dos livros "Taquarê -- Entre a Selva e o Mar" e "Taquarê: Entre um Império e um Reino".
*Mateus Bülow está em parceria e colaboração com Tatyana Casarino no Podcast "Literatura em Ação" no Spotify e no YouTube. O objetivo do Podcast "Literatura em Ação" é compartilhar dicas e conselhos para jovens escritores.
*Mateus também é colunista do Blogue "Recanto da Escritora" de Tatyana Casarino. Confiram o texto que ele escreveu sobre Literatura Fantástica no Blogue da Taty:
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/08/dicas-de-escrita-fantasia.html
Monte o projeto do seu livro - Parte II
Como montar o projeto do seu livro?
Não sente à frente do computador para escrever palavras soltas e formar uma história que você não sabe qual será o rumo dela. Não fique perdido no fluxo da sua história nem fique sem saber onde as palavras levarão você. O erro de muitos jovens escritores é achar que só a imaginação é a rainha da literatura. A imaginação é o sabor mágico da literatura, mas a rainha da literatura é a estrutura. Para ser uma "fábrica de sonhos" no meio literário, é preciso unir imaginação e estrutura. E, para escritores iniciantes, uma estrutura simples e equilibrada é a melhor opção para cativar o leitor no início da sua jornada literária.
E como dar essa estrutura? Primeiramente, crie um bloco de notas no computador e separe um caderno para anotar o projeto do seu livro. Antes mesmo de escrever a sua história, escreva o projeto dela. Eu costumo chamar o projeto de "Preparação da história", pois é onde o escritor vai estruturar os desafios dos seus personagens e os elementos principais do seu livro. Nesse projeto, você, caro escritor, vai preencher os seguintes itens inicialmente:
1) O título do meu livro será:
2) Os protagonistas serão:
3) As características dos protagonistas serão as seguintes:
4) Os desafios que os protagonistas enfrentarão serão os seguintes:
5) O foco da minha história será:
6) Local da história (aqui você indicará o nome da cidade, do país real ou da terra imaginária da sua história):
7) Tempo da história (aqui você indica se a sua história será contemporânea ou de época):
8) Mensagem moral da minha história (muitos escritores fazem histórias apenas com o foco no lazer literário do leitor, mas histórias profundas e cativantes costumam ter mensagens morais nas entrelinhas):
9) Elementos psicológicos da minha história (se você quer conquistar a psique do leitor, é interessante estudar um pouco de Psicologia e comportamento humano para colocar elementos e reflexões sobre os sentimentos e as reações psicológicas dos seres humanos através dos seus personagens):
10) Críticas sociais (a literatura precisa ter mais conteúdo e também poder ser uma forma de refletir sobre a sociedade, pois bons autores criticam as hipocrisias sociais e criam personagens autênticos e diferentes do senso comum):
11) O que quero mostrar com a com a minha obra literária? Onde quero chegar?
12) Uma frase para resumir a minha história:
13) Músicas que podem ser a "Trilha Sonora" da minha história (item divertido e que pode inspirar o jovem autor):
Escreva com músicas tocando em seu ambiente de trabalho! A música pode abrir a fonte da inspiração. Crie uma Playlist para o seu livro no YouTube ou no Spotify e mergulhe em boas inspirações musicais!
14) Vilão da minha história (aqui você indicará se o enredo terá vilões e como eles serão):
Separe um tempo para responder as questões ou itens do projeto do seu livro antes de escrever a sua história. Você verá que não será perda de tempo esse exercício, mas ganho de tempo. A organização e a disciplina do projeto representarão gestão de tempo, estrutura e produtividade para a sua escrita. Você verá como tudo ficará mais fácil após o planejamento. Você terá mais consciência da sua escrita e não ficará mais perdido, pois a sua inspiração terá estrutura.
Tatyana Casarino.
Leia o texto sobre o projeto de um livro no blogue da autora:
https://tatycasarino.blogspot.com/2020/09/como-montar-o-projeto-do-seu-livro.html
Saiba unir personagens!
Excesso de personagens? Hora de unir alguns deles em um único personagem!
Se os leitores e ouvintes passaram pela minha análise do livro Vera Cruz – Sonhos e Pesadelos, no blog da Taty, talvez lembrem que eu critiquei o excesso de personagens, quase todos baseados em estereótipos rasos. Os arquétipos não são necessariamente ruins, porém eles servem como ponto de partida ao elaborar personagens, e não compõem todo o trajeto; é preciso dar um passo além na concepção.
Não existe um número fixo de personagens em um romance de fantasia, porém o autor deve fazer um balanço da influência deles na trama, e então decidir quais são mais importantes ou irrelevantes. Mesmo assim, pode ser uma decisão difícil para alguns autores, especialmente quando não conseguem se decidir entre cortar apenas um ou então vários personagens do enredo.
Felizmente, existem alternativas interessantes. Uma delas é unir as características mais relevantes de um personagem com outro, ou mesmo mais de três deles, a fim de conceber outro personagem. Não é necessário construir uma amálgama perfeita, e é melhor nem tentar fazer isso; uma construção natural envolve balancear as características mais condizentes com o novo personagem que aparecerá, a fim de tornar o mesmo plausível.
Para quem deseja fazer uma fusão envolvendo mais de dois personagens, seria vantajoso começar aos poucos. Por exemplo: você quer fundir três deles de uma vez, porém não sabe quais características individuais deveriam ser combinadas; o melhor seria unir dois personagens por vez, até alcançar o resultado desejado. Existe um meme sobre essas junções, chamado “Hexafusion”; procure pela internet, e logo você encontrará fusões surpreendentes (algumas delas hilárias) de personagens famosos.
Autor: Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
*Mateus, o autor do Podcast de hoje, é gaúcho da cidade de Santa Maria/RS, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor dos livros "Taquarê: Entre a Selva e o Mar" e "Taquarê: Entre um Império e um Reino".
*Mateus Bülow está em parceria e colaboração com Tatyana Casarino no Podcast "Literatura em Ação" no Spotify e no YouTube. O objetivo do Podcast "Literatura em Ação" é propiciar dicas e conselhos para jovens escritores.
*Mateus também é colunista do Blogue "Recanto da Escritora" de Tatyana Casarino.
*Confiram o texto que ele escreveu sobre a Literatura Fantástica no Blogue da Taty (o texto também relata como unir vários personagens em um único personagem):
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/08/dicas-de-escrita-fantasia.html
*Confiram também a análise crítica que o Mateus Bülow fez a respeito do Livro "Vera Cruz -- Sonhos e Pesadelos":
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/01/vera-cruz-sonhos-e-pesadelos-analise.html
Monte o projeto do seu livro - Parte I
Como montar o projeto do seu livro?
Não sente à frente do computador para escrever palavras soltas e formar uma história que você não sabe qual será o rumo dela. Não fique perdido no fluxo da sua história nem fique sem saber onde as palavras levarão você. O erro de muitos jovens escritores é achar que só a imaginação é a rainha da literatura. A imaginação é o sabor mágico da literatura, mas a rainha da literatura é a estrutura. Para ser uma "fábrica de sonhos" no meio literário, é preciso unir imaginação e estrutura. E, para escritores iniciantes, uma estrutura simples e equilibrada é a melhor opção para cativar o leitor no início da sua jornada literária.
E como dar essa estrutura? Primeiramente, crie um bloco de notas no computador e separe um caderno para anotar o projeto do seu livro. Antes mesmo de escrever a sua história, escreva o projeto dela. Eu costumo chamar o projeto de "Preparação da história", pois é onde o escritor vai estruturar os desafios dos seus personagens e os elementos principais do seu livro. Nesse projeto, você, caro escritor, vai preencher os seguintes itens inicialmente:
1) O título do meu livro será:
2) Os protagonistas serão:
3) As características dos protagonistas serão as seguintes:
4) Os desafios que os protagonistas enfrentarão serão os seguintes:
5) O foco da minha história será:
6) Local da história (aqui você indicará o nome da cidade, do país real ou da terra imaginária da sua história):
7) Tempo da história (aqui você indica se a sua história será contemporânea ou de época):
Separe um tempo para responder as questões ou itens do projeto do seu livro antes de escrever a sua história. Você verá que não será perda de tempo esse exercício, mas ganho de tempo. A organização e a disciplina do projeto representarão gestão de tempo, estrutura e produtividade para a sua escrita. Você verá como tudo ficará mais fácil após o planejamento. Você terá mais consciência da sua escrita e não ficará mais perdido, pois a sua inspiração terá estrutura.
Tatyana Casarino.
Leia o texto sobre o projeto de um livro no blogue da autora:
https://tatycasarino.blogspot.com/2020/09/como-montar-o-projeto-do-seu-livro.html
Dicas para a Escrita Fantástica.
Sobre a construção do herói do seu livro.
Sempre existe uma pessoa antes do Herói.
É comum o autor imaginar o protagonista antes de todos os outros personagens ao conceber uma história. Obviamente, existem tramas complexas sem um único protagonista, caso de Guerra dos Tronos; mas para autores iniciantes, o mais recomendável seria fazer histórias centradas no ponto de vista de um personagem, e ir modelando o restante de acordo com esse passo inicial.
Nada impedirá que o protagonista possa ser concebido ao lado do folclore interno ou da trama, pois esta é uma forma interessante de estabelecer limites iniciais, e então seguir com elementos posteriores. No meu primeiro livro, chamado Taquarê – Entre a Selva e o Mar, criei o protagonista e a ambientação em torno de uma ideia básica: a história teria de se passar em um Brasil inspirado nas criaturas mitológicas do folclore, e o antagonista seria outra nação rival; o enredo, por sua vez, seria desenvolvido seguindo esses delimitadores.
Um ditado antigo afirma que mesmo o mais poderoso guerreiro surgiu como um bebê indefeso, e este pensamento é importante ao modelar o herói. Obviamente, isto não significa começar a história logo após o nascimento do protagonista, e sim demonstrar o que ele fazia antes do chamado da aventura.
Ele vivia sozinho, ou com parentes ou amigos? Qual era sua profissão ou ocupação, e como esta forma de ganhar a vida influenciará na jornada? Quais eram seus sonhos e aspirações, antes de sua vida dar uma guinada brusca? Esses detalhes são importantes para tornar o herói mais palpável. Entretanto, não tente fazer históricos únicos para todos os seus personagens. É necessário balancear o seguimento da trama.
Autor: Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
*Mateus, o autor do Podcast de hoje, é gaúcho da cidade de Santa Maria/RS, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor dos livros "Taquarê -- Entre a Selva e o Mar" e "Taquarê: Entre um Império e um Reino".
*Mateus Bülow está em parceria e colaboração com Tatyana Casarino no Podcast "Literatura em Ação" no Spotify e no YouTube. O objetivo do Podcast "Literatura em Ação" é propiciar dicas e conselhos para jovens escritores.
*Mateus também é colunista do Blogue "Recanto da Escritora" de Tatyana Casarino. Confiram o texto que ele escreveu sobre Literatura Fantástica no Blogue da Taty:
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/08/dicas-de-escrita-fantasia.html
05 Dicas para você aperfeiçoar a sua escrita:
1) Leia muito e leia diversos textos em todas as fontes que você puder: revistas, jornais, gibis, livros, sites e blogues;
2) Treine a sua capacidade de interpretação de texto;
3) Desenvolva um estilo original;
4) Tenha espírito crítico, seja verdadeiro com os seus leitores e veja as críticas como sinais positivos do poder de impacto do seu texto;
5) "Especialize-se" em um tema, ganhe sabedoria nesse tema e compartilhe a sua sabedoria com todos os leitores.
Autora: Tatyana Casarino.
*Leia sobre o assunto no blogue da autora:
https://tatycasarino.blogspot.com/2020/09/05-dicas-para-voce-aperfeicoar-sua.html
*Confira o trabalho da autora Tatyana no YouTube também:
https://www.youtube.com/channel/UCsftxoZ2tD-YaV9EaQPXxZw?view_as=subscriber
*Música de fundo:
Artista: Dereck Fiechter
https://www.youtube.com/channel/UCVRJdMxf_nuCR6C1ZMgn7Ug
https://open.spotify.com/artist/01Er12nK5rrnHx8usFPJAs?si=yYc28i4jRcWL_rNVadUKug
Dicas de Escrita de Fantasia pelo escritor Mateus Bülow - 2.
Seja direto nas descrições.
Se você pensa em escrever fantasia, inevitavelmente deixará boa parte do foco sobre aspectos inexistentes em nosso mundo, e que fazem parte do folclore interno de seu mundo fantástico. Como esses aspectos não são previamente conhecidos pelos leitores de sua obra, será necessário dar atenção extra em suas descrições.
Alguém no fundo da sala provavelmente está pensando: “Ora essa! Todo mundo sabe o que é um dragão!”. Mas e como é esse dragão? Ele anda sobre duas ou quatro patas? Possui asas, ou não? Qual a cor das suas escamas? A face dele parece a de um crocodilo, uma serpente, ou um cachorro branco, como no filme da História sem Fim? O mesmo é válido para edificações importantes na trama: Quantas torres tem o castelo onde o vilão instalou sua base? Existe algo estranho na ponte a ser atravessada, causando receio nos heróis?
Uma boa forma de treinar descrições é colecionando figuras de monstros, castelos, ruínas, cenários e outros elementos típicos da fantasia. Observe as imagens e tente descrevê-las em um parágrafo de quatro a cinco linhas, deixando o foco nos aspectos mais chamativos, dignos de nota, e cortando detalhes irrelevantes. Cenas de filmes de fantasia também podem servir de referência a autores, ao descreverem ações de personagens.
Os personagens relevantes à trama também necessitam boas caracterizações, de preferência nas primeiras cenas deles, embora alguns autores gostem de quebrar essa regra e não dar nenhuma descrição física, ou apenas demonstrá-las perto do final, como é o caso do americano Robert Anson Heinlein, autor de Tropas Estelares. Entretanto, se o leitor tiver uma visão razoável da aparência do protagonista, será mais fácil retratá-lo movendo-se, lutando, se esgueirando por espaços estreitos, etc...
Contudo, ponderação é bem vinda, pois não é necessário dar todos os detalhes físicos de um personagem. Se você descrever o protagonista como um rapaz alto de pele bronzeada, com cabelos curtos e negros, já parece meio caminho andado, não é verdade? Detalhes extras, tais como a cor dos olhos, a vestimenta, cicatrizes e afins, podem ser adicionados mais tarde; porém é bom deixar o leitor imaginar personagens e não exagerar detalhes nas descrições.
Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
Mateus, o escritor da postagem, é gaúcho da cidade de Santa Maria/RS, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor dos livros "Taquarê -- Entre a Selva e o Mar" e "Taquarê: Entre um Império e um Reino".
Mateus Bülow colabora com o Podcast "Literatura em Ação" da Tatyana Casarino no YouTube e no Spotify. Mateus Bülow também é colunista do blogue da Tatyana Casarino e escreve textos sobre curiosidades históricas e listas diversas com dicas culturais e literárias.
Leia o texto do Mateus Bülow sobre dicas de literatura fantástica no blogue da Taty Casarino:
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/08/dicas-de-escrita-fantasia.html
Revele a sua escrita para o mundo!
Áudio na voz da escritora e advogada Tatyana Casarino. Peço desculpas por qualquer chiado ou falha no áudio. Esse Podcast é novo, mas pretendemos melhorar e evoluir. Gratidão pela compreensão! Acredito que, se o ouvinte ficar atento ao assunto, a mensagem será captada!
Não há pretensão na exibição de um dom. Revelar a escrita não quer dizer que sou uma pessoa "metida", mas uma pessoa que segue o fluxo da sua vocação com naturalidade. Tudo na natureza existe para ser exibido. Nós não conheceríamos a beleza do pavão se ele não exibisse o colorido das suas penas. Os pássaros exibem o seu canto, a água exibe o seu refresco, o fogo exibe o seu calor, o dia exibe o sol, a noite exibe a lua e as suas estrelas, a flor exibe a sua beleza e o seu perfume para atrair polinizadores e etc. Por que os escritores não podem exibir a sua escrita? Por que os poetas não podem exibir a sua poesia? Eu acredito que tudo o que segue a sua própria natureza não é errado. O orgulho nasce do medo, da pretensão de ser mais do que a própria natureza e da falsa identificação com as posses efêmeras desse mundo. Revelar algo que é próprio da nossa natureza e vocação não é orgulho, mas naturalidade. A humildade está justamente em seguir a própria natureza sem medo, tendo a coragem de pisar no desconhecido para entregar-se absolutamente ao dom da nossa vocação.
Afirmar "sou escritor" pode ser espontâneo e libertador. Não há nada de errado com isso nem é soberba alguma revelar aquilo que a sua vocação naturalmente aponta que você é. Você não precisa ter livros publicados nem ser um escritor famoso para afirmar que é escritor. Vejo muitos escritores iniciantes dizendo que são "aspirantes a escritor" e fico pensando como o excesso de modéstia e insegurança atrapalha a firmeza dos passos iniciais na vocação. É preciso ter força, ousadia e coragem para afirmar "eu sou escritor", pois os outros só reconhecerão você se você se reconhecer como escritor primeiro. Essa afirmação autoconfiante abre portas, garante mais oportunidades e realmente transforma você em um escritor. Antes mesmo de você ser um escritor de sucesso, você precisa acreditar que você é um escritor. Diversas vezes, na vida, precisamos ter a valentia de um "leão" para acreditar em nosso trabalho antes de qualquer outra pessoa e para enfrentar as lutas de evolução da nossa vocação nos ambientes mais inesperados.
Tatyana Casarino.
https://tatycasarino.blogspot.com/2020/08/como-revelar-sua-escrita-para-o-mundo.html
Dicas de Escrita de Fantasia pelo escritor Mateus Bülow - 1.
Os três pilares da literatura fantástica.
Assim como uma casa é iniciada pelas suas fundações, a literatura fantástica possui uma base estrutural. Esses três pilares da fantasia são o Enredo, os Personagens e o Folclore; todas as dicas seguintes serão influenciadas pela presença desses elementos.
O enredo, grosso modo, trata do rumo dos acontecimentos, incluindo até mesmo fatos anteriores ao presente estágio da história. Sua comparação poderia ser a de uma estrada na qual os personagens viajam, deparando-se com tudo o que for relevante ao desenvolvimento, até alcançarem a conclusão.
Os personagens são como atores de uma peça teatral ou filme, construindo o rumo dos acontecimentos e fazendo a história ter vida, sem aparentar um teatro de fantoches ou de marionetes. Nem todos os atos dos personagens necessitam influenciar diretamente o enredo, e tais ocorrências devem ser estimuladas pelo autor, a fim de aprofundá-los e tornar suas ações plausíveis.
O folclore, às vezes chamado apenas de “lore”, é o universo fictício em si, onde o enredo será desenvolvido e os personagens vivem. Enquanto em outros gêneros o folclore é mínimo ou irrelevante, na fantasia e em seus subgêneros ele não pode ser desprezado, pois este pilar carrega os aspectos responsáveis por definir uma obra como tal. O folclore na fantasia pode ser caracterizado de diversas formas: criaturas mitológicas estranhas, terras diferentes do nosso mundo, magia, superpoderes, mortos que voltam à vida, realidades históricas alternativas... Caberá ao autor definir.
Apesar de contarem com igual relevância na fantasia, os três pilares não costumam receber a mesma atenção. A maior parte das histórias de fantasia é focada no enredo e nos personagens, enquanto o folclore servirá de “palco” ou “plano de fundo”; entretanto, alguns autores buscam incorporar maior atenção ao folclore interno de suas obras, a fim de complementar a percepção de plausibilidade em seus mundos fictícios.
Essa atenção redobrada ao folclore durante a escrita pode se tornar uma armadilha para escritores deslumbrados com a própria criatividade, e aqui eu falo por experiência própria: nem sempre aquele detalhe genial terá seu espaço em uma história, e a insistência em colocá-lo no livro pode prejudicar os dois pilares anteriores. A melhor forma de contornar esse obstáculo talvez seja combinar a apresentação do folclore com o andamento da trama, como fez John Ronald Reuel Tolkien, autor de O Hobbit e Senhor dos Anéis.
Autor: Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
*Mateus, o autor do Podcast de hoje, é gaúcho da cidade de Santa Maria/RS, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor dos livros "Taquarê -- Entre a Selva e o Mar" e "Taquarê: Entre um Império e um Reino".
*Mateus Bülow está em parceria e colaboração com Tatyana Casarino no Podcast "Literatura em Ação" no Spotify e no YouTube. O objetivo do Podcast "Literatura em Ação" é fornecer dicas e conselhos para jovens escritores.
*Mateus também é colunista do Blogue "Recanto da Escritora" de Tatyana Casarino. Confiram o texto que ele escreveu sobre Literatura Fantástica no Blogue da Taty:
https://tatycasarino.blogspot.com/2019/08/dicas-de-escrita-fantasia.html
Todo início vocacional requer um delicado equilíbrio entre humildade e autoconfiança. Devemos ser humildes para saber que precisamos de tempo para crescer dentro da nossa vocação e que é preciso muito trabalho e prática para alcançar uma boa qualidade na nossa atividade por mais que sejamos vocacionados e talentosos. Mas também devemos ser autoconfiantes para responder ao chamado vocacional e para saber que somos dignos do nosso chamado e que temos o nosso valor e a nossa importância dentro da nossa atividade. Se somos chamados para a escrita, isso naturalmente simboliza que somos capazes de escrever e que temos sim "alma" de escritor.
Todo início vocacional também requer a nossa entrega absoluta ao chamado. Não pense em como será a opinião das pessoas sobre a sua escrita, não fique refletindo se você será um escritor de sucesso ou não nem especule o que virá depois que você aceitar o seu chamado. Entregue-se "cegamente" ao seu chamado e deixe a própria vocação ser a "professora" do seu destino. Simplesmente escreva e confie no desenvolvimento da sua escrita através da prática.
Todos os inícios vocacionais exigem a nossa entrega absoluta, o nosso voto de confiança e até mesmo um impulso "cego" para que as nossas primeiras "sementes" vocacionais germinem em um território novo e desconhecido. Sem esse "impulso cego" e um ímpeto de coragem e autoconfiança, não conseguiremos iniciar nada diferente e especial. O início da escrita precisa de um "impulso cego", uma obediência "cega" ao seu chamado que leva você a transformar os seus pensamentos em palavras.
Não fique especulando se você é capaz de transformar pensamentos em palavras. Apenas siga o impulso de escrever, escreva e confie no seu chamado. As palavras sairão naturalmente de você e seguirão o seu próprio fluxo. Até mesmo a história de um livro segue misteriosamente o seu próprio fluxo, e muitos escritores relatam que apenas registraram o que a história "pedia" e que se sentiam viajando no desconhecido ao escrever. Não se preocupe com perfeição no início. O aperfeiçoamento vem com o tempo. A prática naturalmente vai melhorar a sua escrita. No início da sua vocação, tudo é descoberta. Desbrave o território da sua vocação! Tenha coragem!
Tatyana Casarino.
Visite o Blogue da escritora Taty Casarino:
https://tatycasarino.blogspot.com/
Leia um texto sobre esse assunto no Blogue da Taty:
https://tatycasarino.blogspot.com/2020/08/a-vocacao-do-escritor-e-o-inicio-da.html
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