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No Anuário de Competitividade Mundial 2020 (World Competitiveness Yearbook – WCY), o Brasil está em último lugar no fator educação. A posição do país é a de 63, duas abaixo de 2019. Entre outros fatores, o resultado se explica pelo mau desempenho do país no que diz respeito aos gastos públicos totais em educação. Segundo a pesquisa, quando avaliado em termos per capita, o mundo investe em média R$ 34,5 mil por estudante anualmente, enquanto o Brasil aplica apenas R$ 10,6.
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Hoje bato um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem gaúcho, que em 2016 juntou-se a Lucas Ferrugem e Felipe Valerim para fundar a produtora Brasil Paralelo.
A Brasil Paralelo vem causando polêmica com seus documentários que abordam a história e temas de relevância social sob pontos de vista originais. E a história de empreendedorismo deles é sensacional. Vamos nessa hoje?
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Por muitos anos fomos silenciosamente contaminados por um discurso que prega o relativismo absoluto, uma contradição em termos. Afinal, o relativo não pode ser absoluto, não é?
Mas peço licença para usar essa contradição, pois não encontro outra forma de definir estes tempos, a não ser como de relativismo absoluto. Tudo passou a ser relativo, em todas as instâncias. Já não sei se um indivíduo é homem ou mulher. Não sei se um bandido é mau ou apenas vítima das circunstâncias. Não sei se alguém que faz uma benevolência é uma alma boa ou um oportunista. Não sei nem mesmo se um artista que faz músicas horríveis é bom ou ruim. Tudo depende.
E o simples fato de eu levantar essa questão, de dizer “não sei”, já me coloca na alça de mira dos relativistas absolutos. Provavelmente vou apanhar à direita, à esquerda, acima e abaixo.
O relativismo absoluto incorpora uma tolerância cínica para com a ignorância. Ele nivela um técnico com 40 anos de estudo a um semiadolescente dono de canal no Youtube. Nivela um gênio da música a um emissor de ruídos ininteligíveis. Transforma o belo em mera questão de opinião.
O relativismo absoluto faz com que fatos sejam menos importantes do que o que as pessoas sentem sobre os fatos. E quando temos uma opinião diferente do que o outro sente, imediatamente somos considerados agressivos, ofensivos e intolerantes. Danem-se os fatos, ferimos o sentimento do outro.
Por isso a busca pela verdade e as ideias corretas por meio do debate honesto e respeitoso e da argumentação rigorosa, que é uma tarefa nobre, nunca foi tão difícil. Até mesmo impossível.
Se eu não for forte, seguro e consciente de minha individualidade, vou acabar abrindo mão da busca pela qualidade, pelo belo, pelo resultado. Só para não ferir os sentimentos do jovem esperto.
Isso vai dar merda.
Versão no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=D_7quSj8b8U
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O que você faz quando valores morais entram em conflito com interesses políticos? Talvez seja esse o grande desafio do novo milênio: o convívio civilizado entre interesses conflitantes. Estamos lidando com isso o tempo todo, e de uma forma que jamais foi tão hipócrita. Os discursos vão para um lado e as atitudes para outro.... E não é só em política, mas em todos os segmentos de nossas vidas.
O diretor da escola diz que se preocupa com a qualidade do ensino e força a professora de artes plásticas a dar aula de teatro. O executivo diz que “pessoas são nossos ativos mais importantes” e assina a demissão de centenas, às vésperas do natal. O político diz que se preocupa com seus eleitores e troca a votação da lei importante por um carguinho que renda poder e dinheiro. O advogado jura defender as leis a as utiliza para manter o bandido rico fora da cadeia. O diretor artístico jura que quer qualidade na programação e programa pra tocar axé-corno, funk-corno, e aquelas coisas horrorosas todas. O jornalista jura imparcialidade e não se cansa de contar só o lado da história que lhe interessa.
É da natureza humana discursar para um lado e andar pro outro. Uma espécie de desonestidade intelectual e política, considerando que política é a arte de interagir com as pessoas, não apenas aquela coisa que se faz em Brasília.
Afinal, em que tipo de solo você acha que brota a honestidade política? Só pode ser num solo adubado por uma cultura de tolerância, disciplina, solidariedade e justiça social. Um solo tratado com carinho, respeitado e cultivado por todos.
Você acha que o solo do Brasil é assim? Eu acho.
Mas também acho que estamos deixando que ele seja tomado por ervas daninhas, que fique seco, sem nutrientes, sem água, sem sol, sem sombra... E num solo assim, valores morais não brotam. Já pensou?
De quem será a responsabilidade por manter nosso solo rico e pronto para plantar?
Putz... acho que é minha...
Versão no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=PVvwAHfw0qc
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Publiquei um post em minha página do Facebook, dizendo assim: “Esclarecendo as regras para block nesta página: entrou aqui sujando postagens com coisas como "bolsonarista", "genocida", "gado" e outras demonstrações de estupidez, é block na hora. E junto vão os que curtirem o comentário. Hoje já foram quatro, um estúpido e três curtidores. O termo é "livramento".”
O post viralizou, provocou o block de mais uns 20 haters e centenas de comentários de pessoas dizendo que não suportam mais os ataques de ódio em redes sociais. Vamos nessa hoje.
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Nos anos noventa, ao mudar de escritório, comprei um cesto de lixo lindo e coloquei dentro dele todos os troféus e prêmios que havíamos recebido. E deixei bem na entrada do departamento. Muita gente estranhou, mas a mensagem era explícita: os êxitos do passado não garantem os êxitos do futuro. Mas fui mais longe. Outro dia, limpando minha caixa postal encontrei um e-mail:
“Olá Luciano. Sobre os livros apresentados, não tivemos sinalização positiva de nosso Conselho Editorial. Agradecemos sua atenção e estamos à disposição. Atenciosamente, Fulana de Tal”.
Era uma resposta de uma grande editora, que me havia sido indicada por um conhecido como uma possível editora para meus livros. O recado implícito do e-mail era:
“Luciano, seu trabalho não nos interessa”.
Formatei o e-mail bem bonitinho, imprimi e pedi para emoldurar. Minha assistente estranhou: “Pô, mas o conteúdo é negativo!” Pois é. Esse quadrinho pendurado na minha parede me lembrará diariamente que tem gente que não se encanta com meu trabalho, que o fracasso faz parte de meu dia a dia, que sou falível como qualquer ser humano. Que não estou com a bola toda. E cada vez que eu entrar em minha sala e encontrar o quadrinho, vou me sentir provocado e desafiado:
”Ah é, é? Vou mostrar pra eles!”
Isso é o que eu chamo de “celebrar o fracasso”: aprender com nossos insucessos, transformar os momentos em que quebramos a cara em novos pontos de partida. Receber um “não”, não como uma derrota, mas como um desafio. Inverter o sinal, transformando o que deveria ser um fator desmotivador, numa provocação capaz de incendiar meu espírito e – acima de tudo – me inspirar.
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Como jovem profissional, eu ficava extasiado com a capacidade de tomar decisões, comandar equipes e lidar com problemas complexos dos executivos mais velhos. Mas eu achava que tinha mais coragem que eles, que podia tudo, pois eu tinha 24 anos! Com o tempo fui calibrando meu ímpeto, aprendendo com meus erros e sendo aceito pelos mais maduros. Foi um período de profundo aprendizado, que durou até meus 28 ou 30 anos.
Na maturidade, percebi que não conseguiria mudar o mundo sozinho. Eu dependia de uma equipe que me permitisse combater os que não faziam e não deixavam fazer. Na maioria, “velhos ranzinzas que detinham o poder”. Percebi a importância de liderar equipes, motivando e desafiando, servindo de exemplo e orientando os fedelhos impertinentes para canalizar a energia na direção certa. E fui me aproximando dos quarenta anos. E dos velhos ranzinzas. Foi um período de conquistas que durou até os 45 anos.
Após essa idade os acomodados começam a envelhecer, no pior sentido. Viram figuras quase decorativas, assistindo às besteiras sendo feitas e esperando sua hora chegar. Mas os inconformados ativos experimentam uma coisa louca: a bolsa escrotal perde a elasticidade. Ficam sem saco para ouvir absurdos, lidar com idiotas, dar murro em ponta de faca. Tornam-se contestadores, implicantes, chatos e negativos. E começam a incomodar o sistema. E são vagarosamente colocados para escanteio como se tivessem vencido seus prazos de validade, a maioria na plenitude da capacidade, mas cometendo o pecado mortal de não ter mais saco para a comédia corporativa. Velhos ranzinzas.
Se no reino animal é a degeneração física que torna os mais velhos obsoletos, no reino humano são os estereótipos. Os mais velhos “são cheios de defeitos e manias já não têm energia para o trabalho, é mais difícil comandá-los, pois têm opinião e contestam. Além disso, têm família, dores e compromissos que os mais novos não têm. Os mais velhos são mais caros estão por fora das novas tecnologias e ondas do mercado. Em geral são mais feios, mais lerdos e… ranzinzas”. Já ouviu isso? Pois é.
No universo profissional dos medíocres, os jovens têm futuro enquanto os velhos só têm passado. É assim que o processo funciona. Seria apenas triste, se não fosse burro…
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O Brasil é um grande país, que precisa de um povo unido para resolver seus problemas. Mas parece que existe uma conspiração para desunir o país. Para dividir o povo em castas, em classes, em raças, em grupos. E fazer com que um seja inimigo do outro. Que loucura, né? Pois é.
O programa de hoje é a revisita a um episódio publicado em Janeiro de 2010, cara... 11 anos atrás.
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Na série Game Of Thrones, depois de uma sucessão de aventuras e de matar o clã dos Freys, Arya Stark, a adolescente que acabou se tornando a personagem principal da série, encontra um grupo de soldados na estrada, com os quais compartilha uma refeição. Curioso, um dos soldados pergunta por que “uma garota legal” estava indo para Porto Real? Arya responde: “Eu vou matar a rainha”.
Todos caem na risada, inclusive ela. Ninguém acredita na menina, que revelou precisamente sua intenção. Para você, Arya mentiu? Para aqueles soldados, obviamente, sim.
Para que uma afirmação seja mentira, a pessoa que a divulga tem de acreditar que é mentira. E tem de pretender que você acreditará nela. Ela precisa querer enganar você.
Arya em momento algum mentiu para si. Mas sua afirmação era tão absurda, que os soldados levaram na brincadeira. Fosse hoje, diriam que Arya era terraplanista ou adepta de teorias da conspiração. E isso facilitaria que ela chegasse até a rainha.
Estamos mergulhados na sociedade da mentira, e tem gente para todo lado usando fragmentos da verdade para que você pense que é mentira. O que fazer então? Ficar esperto pra não cair nas mentiras? Mais que isso.
Uma passagem do livro Os Irmão Karamazov, de Dostoiéviski, traz uma reflexão preciosa sobre a mentira:
“O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira, chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade, nem em si, nem nos outros, e portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais. Se respeitar ninguém, deixa de amar e, sem amor, para se ocupar e se distrair, entrega-se a paixões e a prazeres grosseiros e acaba na total bestialidade em seus vícios, e tudo isso movido pela contínua mentira para os outros e para si mesmo.”
É isso. Tem tanta mentira em volta da gente, que acabamos mentindo para nós mesmos.
E aí o estrago está feito.
Versão no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=wMZHOj37ImA
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'Suspensão da descrença' é um termo cunhado pelo poeta inglês Samuel Taylor Coleridge em 1817.
Coleridge escreveu assim: “... meus esforços deveriam ser dirigidos a pessoas e personagens sobrenaturais, ou pelo menos românticos, mas de forma a transferir de nossa natureza interior um interesse humano e uma aparência de verdade suficiente para obter para essas sombras da imaginação aquela suspensão voluntária da descrença naquele momento, que constitui a fé poética. "
'Suspender a descrença' é aceitar temporariamente como verossímeis eventos ou personagens que normalmente seriam vistos como incríveis. É isso que você faz voluntariamente quando assiste um filme e vê um sujeito voando. Ou aquele revólver que dá 30 tiros sem recarregar. Ou aquela vaga para estacionar o carro na frente do tribunal. A gente sabe que nada daquilo pode ser real, mas concorda em suspender a descrença para poder curtir a história. E assim, voluntariamente aceitamos como reais as propostas dos autores, para vivenciar plenamente o que o artista está tentando transmitir. O dinossauro, o gorila de 50 metros, o menino mágico, o morto-vivo ou o dragão que cospe fogo, existem! E durante algumas horas, vivemos momentos mágicos.
Entendeu? Suspensão da descrença.
Olha, eu consigo suspender a descrença e aceitar que a Charlize Theron, com um braço só, dê uma surra no Tom Hardy. Consigo aceitar que o Robert Downey tenha uma armadura de ferro que o faz voar. Consigo aceitar que o Henry Cavill voe com capa e tudo, e quando coloca um terno e óculos não seja reconhecido por ninguém. Consigo aceitar até que Nicholas Cage se transforme numa caveira com a cabeça de fogo.
Mas aceitar que Renan Calheiros, Omar Aziz ou Randolph Rodrigues sejam paladinos da moralidade repletos de boa vontade e defendendo nossos interesses, é demais pra mim.
Aí não é suspensão de descrença. É ser um otário mesmo.
Versão no Youtube: https://youtu.be/TU9oTNCEzsM
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