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O programa de hoje é uma homenagem a um artista especial, que contribuiu com a trilha sonora de nossas vidas: Tavito.
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Quando ouço uma porção de intelectuais que têm um repertório infinito de referências e que parece que viveram uma vida anterior só lendo livros, eu fico agoniado. Nunca terei condições de “alcançá-los”, tenho menos tempo de vida do que livros pra ler… e acabo me sentindo um verdadeiro mané.
Tentando encontrar uma válvula de escape para aliviar essa angústia, eu acabei fazendo um paralelo. Você já ouviu falar em Freestyle Football? O Freestyle é um malabarismo em que os praticantes fazem miséria com uma bola de futebol. São chamados de “atletas do asfalto” e exibem-se pelo mundo. Assistindo a suas exibições, eu tive uma ideia: os intelectuais que citei são praticantes do Freestyle cognitivo. Quando dominam a bola é um espetáculo, ficamos embasbacados com sua habilidade, parece mágica o que eles fazem… Não dá pra fazer como eles, e se você tentar tirar-lhes a bola, cairá de bunda no chão.
Agora, experimente colocá-los para jogar uma partida de futebol de verdade, num time profissional. Coloque-os lá na ponta esquerda, no ataque, e veja o que acontece. Provavelmente nada que um jogador mediano não faça. Aquela habilidade fantástica que nos maravilha, não se aplica ao jogo real, onde a consciência de equipe, a obediência tática, a preparação física, a visão de jogo, a interação com os companheiros é que fazem o craque.
O Freestyle inspira um Neymar a criar jogadas e dribles maravilhosos, mas é só isso. Inspiração. Fragmentos de genialidade que alguém tem de aplicar em seu dia a dia. Um jogador profissional de futebol toma um olé de um praticante de Freestyle. Mas um craque do Freestyle pouco ou nada faz num time profissional de futebol.
Agora vindo aqui para o nosso mundinho: bote um desses intelectuais aí para carregar o piano, para assumir um cargo no executivo ou no legislativo, para dirigir uma organização, para liderar uma equipe… E você verá um sujeito normal, que erra, que toma decisões medíocres, que tem limitações, angustiado porque toda aquela sua habilidade maravilhosa tem pouca aplicação no campo onde se joga o jogo real.
Mas eles são lindos de ouvir e de ler.
Pois é. Você aí no seu pedaço tem valor, viu? E faz coisas que os malabaristas do Freestyle cognitivo jamais fariam.
É isso que acalma minha angústia.
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Neste programa contamos um pouco da história de um disco que abriu caminho para o negócio bilionário da música dos anos 70. É Tapestry, de Carole King.
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O que seria de nós se não fossem nossos amigos, hein? Que coisa interessante é esse sentimento que une as pessoas: a amizade, não é?
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O programa de hoje chama-se Pinxado no Muro 2. E a continuação do Pinxado no Muro 1, e é surpreendente pela forma como a história se desenvolveu.
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Estou publicando o Podsumário do livro O Poder do Mau (mau com u mesmo), que tem um trecho delicioso:
Por volta de 1918 o jornalista H.L.Mencken escreveu que “O objetivo da prática da política é manter a população alarmada (e assim clamando para ser liderada para a segurança), ameaçando-a com uma série infindável de espíritos do mal, a maioria deles imaginários.”
Esses espíritos variam conforme a ideologia, mas políticos de todos os espectros exploram as mesmas inclinações cognitivas. Nos alarmando com terroristas, imigrantes, novas tecnologias ou catástrofes ambientais, todos concordam que nosso futuro é apocalíptico por conta de uma ameaça sem precedentes. Eles anseiam por restaurar as glórias de antigamente, quando os cidadãos eram virtuosos, a nação era grande, o planeta era virgem. Essa é uma visão compreensível, pois o poder do mau é amplificado no presente, ao mesmo tempo em que aplicamos filtros nas coisas ruins do passado.
Eu já usei em podcasts um exemplo de um vídeo de Chico Buarque no qual ele diz que é injusto comparar os jogadores de futebol de hoje com os que ele viu jogar quando era jovem. Nenhum jogador de hoje pode ser comparável ao Pelé, Gerson e Zico da memória. Eles jogam em dimensões diferentes, na memória da gente, são super humanos.
Por isso seu pai, seu avô e até você mesmo sempre dizem que no seu tempo é que era bom... Essa é a Falácia da Era de Ouro, que tem iludido as pessoas por milhares de anos. É uma forma má de nostalgia: olhar o passado como um lugar muito melhor ao qual jamais conseguiremos retornar.
No entanto, vivemos na era mais pacífica da história da humanidade, mais confortável, com menos pobreza, mais saúde e harmonia. Nunca houve uma época assim. Todos indicadores de evolução humana estão melhores, exceto um.
A esperança.
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O programa de hoje chama-se Pinxado no Muro. E o legal, é um programa que foi elaborado a partir de uma carta de uma ouvinte que tinha 12 anos de idade, cara… 12 anos… Imagina!
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Um experimento realizado pelo psicólogo da University of British Columbia no Canadá, Azim Shariff, estudou os índices de violência em diversos países e descobriu que a quantidade de homicídios está mais relacionada às crenças religiosas do que à pobreza ou desigualdade.
Sua pesquisa com mais de 15 mil pessoas em 67 países utilizou questões separadas entre céu e inferno. Nos países onde mais pessoas acreditavam no céu que no inferno, a taxa de homicídios costumava ser maior que a média. Nos países onde mais gente acreditava no inferno que no céu, era o oposto. A promessa da vida no paraíso não era suficiente para deter os assassinos, a perspectiva de ir para o inferno, sim. O poder do mau se estende para outros mundos.
O incentivo pelo medo do inferno é mais forte que o incentivo da recompensa pelo reino do céu.
A palavra incentivo vem do latim incentivus, aquilo que move ou faz qualquer coisa se mover. As publicações sobre liderança dizem que o incentivo pode ser algo real como dinheiro ou simbólico como um tapinha nas costas. Mas nunca dizem se o incentivo é uma recompensa ou uma punição. Nós é que tendemos a sempre levar para o lado bom... Agora lembre de sua infância, quando sua mãe pegava o cinto e você ia correndo tomar o banho que não queria... O cinto era um incentivo. A perspectiva de levar uma cintada no lombo fazia com que você obedecesse imediatamente a mamãe, não é? Portanto é importante que fique claro: você pode ser incentivado pelo mau ou pelo bom.
É por isso que está comprovado que campanhas de saúde públicas baseadas no medo são mais eficientes que aquelas que promovem a saúde.
A ameaça do inferno é mais eficiente que a recompensa do céu.
Entendeu?
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Leonard Cohen, autor canadense, um dia nos presenteou com uma daquelas obras primas que impactam a vida da gente, a canção Hallelujah. É sobre ela o programa de hoje. Olha, este é um daqueles programas que você deve ouvir quietinho, no seu canto…
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