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A quinta-feira foi de ganhos para as ações asiáticas (exceção ao índice Shangai, na China), com os futuros em Wall Street operando no terreno positivo, impulsionadas pelos ganhos na véspera, uma vez que o otimismo sobre um eventual avanço nas negociações sobre o teto da dívida dos EUA fortaleceu o apetite por ativos de risco.
Nas negociações asiáticas, as ações de tecnologia subiram em Hong Kong e no Japão, com o Alibaba Group ganhando 2,6% antes da divulgação de resultados nesta quinta-feira. Os fabricantes de chips estavam entre os de melhor desempenho no índice Nikkei 225, depois que o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, se reuniu com executivos globais para impulsionar o setor doméstico de semicondutores do país.
Automóveis, tecnologia e energia lideraram o avanço na Europa, embora o BT Group tenha caído 10% depois que a maior operadora de rede do Reino Unido disse que planeja cortar sua força de trabalho em até 42% até o final da década.
Um indicador de ações asiáticas da Bloomberg subiu, com o índice Topix do Japão estabelecendo a máxima em 33 anos, com o aumento das exportações e um sentimento de enfraquecimento do iene.
O presidente Joe Biden expressou confiança de que não haverá inadimplência dos EUA, e o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, disse que chegar a um acordo esta semana é " factível ". O chefe do JPMorgan, Jamie Dimon, disse que o governo dos EUA "provavelmente" não dará calote em sua dívida depois que ele e outros líderes bancários se reuniram em Washington para discutir o limite da mesma.
O clima mais calmo nas ações se refletiu no índice CBOE VIX, que mede a volatilidade do mercado de ações, que caiu abaixo de 17 para fechar no nível mais baixo desde o início do mês. Na Europa, os mercados dos países nórdicos e da Suíça estão fechados para feriados nesta quinta-feira.
A atenção dos investidores se volta mais tarde para os dados iniciais de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que podem fornecer pistas sobre o que o Federal Reserve pretende fazer a seguir em sua campanha de aperto da política monetária.
Por aqui, dois dispositivos inseridos pelo relator do novo arcabouço fiscal na Câmara, Cláudio Cajado (PP-BA), vão permitir que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva possa ampliar as despesas em cerca de R$ 80 bilhões adicionais nos próximos dois anos, segundo estimativas do mercado financeiro. Técnicos da Câmara que assessoram o parlamentar admitem a expansão, mas projetam um valor bem menor, ao redor de R$ 42 bilhões.
Na prática, os mecanismos abrem espaço para o governo inflar os gastos nos dois primeiros anos da regra. Ao Estadão, Cajado afirmou que os dispositivos foram incluídos para compensar os efeitos da desoneração dos combustíveis em 2022, no governo Jair Bolsonaro.
No primeiro ano de funcionamento do novo marco fiscal, em 2024, o governo poderá ampliar as despesas primárias no limite máximo permitido pela regra: 2,5% acima da inflação. A previsão não constava do texto original do Ministério da Fazenda e, segundo parlamentares, foi fruto de negociação de Cajado com a equipe econômica.
No final da tarde de ontem, a Câmara dos Deputados aprovou, por 367 votos a 102, que o projeto do arcabouço fiscal tramite em regime de urgência. Isso garante que a nova regra para controlar as contas públicas fure a fila de votação e possa ser colocada em apreciação diretamente no plenário, sem passar por comissões. A votação do mérito – ou seja, do texto em si – está prevista para a próxima terça-feira, 23, ou quarta, 24. A votação teve quórum de 471 deputados.