As ações asiáticas encerraram a terça-feira em alta (exceção ao índice Hang Seng, em Hong Kong), com os futuros em Wall Street operando levemente no terreno negativo, à medida que os investidores vão ponderando os dados fracos das fábricas americanas contra as preocupações com a inflação, depois do anúncio do plano da Opep+ de cortar sua produção de petróleo.
Na Ásia, as quedas nas ações de tecnologia chinesa derrubaram o índice de referência Ásia-Pacífico da MSCI Inc. em cerca de 0,3%, mesmo com ganhos no Japão e na Austrália. Enquanto isso, a Autoridade Monetária de Hong Kong comprou o dólar local pela primeira vez desde meados de fevereiro, depois que a moeda passou do ponto fraco de sua banda de negociação. A inflação sul-coreana diminuiu mais do que o esperado em março, reduzindo a pressão sobre o banco central para retomar o aperto da política e ajudando o indicador de ações Kospi a subir.
Nos EUA, o presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse à Bloomberg Television que a decisão da OPEP+ de cortar a produção foi inesperada e um aumento nos preços do petróleo pode tornar o trabalho do Fed de reduzir a inflação mais desafiador. “Se isso terá um impacto duradouro, acho que é uma questão em aberto”, disse ele.
Com a possibilidade de uma recessão econômica se cristalizando no horizonte, a próxima temporada de resultados ganha ainda mais importância e pode marcar o primeiro de muitos trimestres desafiadores.
No decorrer da semana, o relatório mensal de emprego do governo dos EUA (payroll) deve fornecer uma imagem mais completa do mercado de trabalho. Os swaps vinculados às expectativas da taxa de juros do Fed mostraram uma alta de um quarto de ponto em maio no centro das apostas.
Entre as commodities, o West Texas Intermediate avançou para US$ 81 o barril e o Brent ultrapassou os US$ 85, depois que ambos subiram mais de 6% na segunda-feira. Por aqui, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que alinhou informações com o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto. Os dois se reuniram na tarde desta 2ª feira no Ministério da Fazenda. Haddad afirmou se tratar de um encontro de rotina para alinhar e estabelecer protocolos de como trocar informações, sem dar maiores detalhes do encontro.
Enquanto isso, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que “passou da hora” de o Banco Central reduzir a taxa de juros no país. Para Alckmin, não há nada que justifique o país ter a taxa de juros de 13,75%.
“Já passou da hora [de reduzir juros]. Não tem razão para termos a maior taxa de juros do mundo. É difícil de entender. Em 2020, a taxa de juros era 2%. Hoje, 13,75%. Não tem justificativa“, disse nesta 2ª feira.
Para Alckmin, há 3 motivos pelos quais a indústria brasileira perdeu relevância nos últimos 50 anos: câmbio, impostos e juros altos. Dessa forma, a redução da Selic ajudaria a alavancar a atividade industrial no país.
“Esperamos que com a nova ancoragem que foi apresentada, a ancoragem fiscal, a gente entre numa curva de redução da taxa de juros“, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.