As ações asiáticas encerraram a quinta-feira em alta (exceção ao índice Nikkei, no Japão), com os futuros em Wall Street igualmente no terreno positivo, com os dados da inflação dos EUA em julho abaixo das estimativas, o que alimentou especulações de que o Federal Reserve poderá adotar um ritmo mais lento em relação às taxas de juros.
O índice Stoxx 600 da Europa avança pelo segundo dia, depois de atingir o nível mais alto em dois meses após o relatório do CPI, com as ações de tecnologia e construção como destaques. Os futuros dos EUA subiram depois que o S&P 500 atingiu seu nível mais alto em três meses, enquanto o Nasdaq encontra-se 20% acima de seu ponto mais baixo, em junho.
As ações de tecnologia estimularam uma alta de 1% em um índice de ações asiático. As bolsas da China avançaram mesmo com os investidores digerindo um aviso de seu banco central sobre ameaças de inflação e uma promessa de evitar estímulos maciços.
A inflação americana acumulou 8,5% em julho, abaixo dos 9,1% de junho, o maior percentual em quatro décadas. As pressões sobre os preços ainda são intensas e as autoridades do Fed foram rápidas em enfatizar que mais aumentos de juros estão por vir. Eles também sinalizaram que os investidores devem repensar as expectativas de cortes no próximo ano.
O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari , disse que quer a taxa básica de juros do Fed em 3,9% até o final deste ano e em 4,4% até o final de 2023. Kashkari disse que não é realista concluir que o Fed começará a cortar as taxas no início do próximo ano, quando a inflação provavelmente ultrapassará a meta de 2%.
O colega de Chicago, Charles Evans, disse que a inflação permanece "inaceitavelmente alta" e que "estaremos aumentando as taxas no resto deste ano e no próximo ano".
As apostas referentes à reunião do Fed em setembro, trouxeram um aumento de meio ponto nos juros volta ao jogo, em oposição a um movimento maior, verificado majoritariamente até a sessão de ontem. Uma parte importante da curva de juros do Tesouro permanece profundamente invertida, um padrão amplamente considerado como sinal de risco de recessão.
Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 9, que a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) aumentará o nível de investimento estrangeiro na economia. Segundo Guedes, a demora para a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia diminuirá a relevância econômica do velho continente com os países da América Latina.
Guedes também relatou uma conversa que teve com um ministro francês, que criticou as queimadas na Amazônia. “E vocês que não conseguem proteger um quarteirão, deixaram queimar Notre-Dame?”, disse o ministro, referindo-se à histórica catedral gótica, em Paris.
“Vocês [França] estão ficando irrelevantes para nós. É melhor vocês nos tratarem bem porque senão vamos ligar o ‘f**a-se’ para vocês”, disse o Paulo Guedes sobre negócios com o país europeu.
Apesar da declaração de Guedes , o país europeu é o maior empregador estrangeiro e o terceiro que mais investe em território brasileiro. Além disso, as exportações para a França vêm crescendo 18% neste ano.
De acordo com dados da embaixada da França em Brasília, o número de empresas francesas no Brasil chegou a 1.042 em 2019, último dado disponível, empregando 471.784 funcionários e um volume de negócios de 66,1 bilhões de euros.
Dados do Banco Central mostram ainda que, em 2020, o investimento francês no Brasil somou US$ 32,255 bilhões, 6% do total investido no setor produtivo por outros países. Os franceses ficaram atrás apenas dos Estados Unidos, com investimento de US$ 123, 853 bilhões (24%) e Espanha, com US$ 58,215 bilhões (11%).