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Em julho de 2023, levamos o Mundaréu para conhecer iniciativas feministas de pesquisa na Argentina. Nessa série com quatro episódios, vocês vão conhecer pesquisadoras com um pé na antropologia, outro nas perspectivas e militâncias feministas.
Em abril, um episódio por semana!
No campo dos estudos sociais das ciências, as pesquisas sensíveis às temáticas de gênero foram precursoras de abordagens teóricas e metodológicas inovadoras, que foram mais recentemente se consolidando nas diferentes disciplinas que o compõem: a situacionalidade do conhecimento (Harding, 1986, 2015; Haraway, 1995; Anzaldúa, 1987); a importância das materialidades na abordagem crítica sobre as ciências (Barad, 2007; Butler, 1993); a especificidade da América Latina na geopolítica mundial, e nos tipos de conhecimentos produzidos pelas universidades latino-americanas (Vessuri, 1987; Medina et. al., 2014 ; Pérez-Bustos, 2017; Roca, 2010). As perspectivas feministas dialogam com outros recortes importantes nos estudos socioantropológicos das ciências como arte e tecnologia; humanos e não humanos; questões de gênero, raça e etnia (Rohden e Monteiro, 2019).
Esse episódio encerra a quarta temporada do podcast Mundaréu e reproduz a gravação de uma Mesa Redonda realizada na XIV Reunião de Antropologia do Mercosul, que aconteceu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em agosto de 2023. Procuramos na ocasião discutir temas, questões e problemas a partir da situacionalidade e trajetória de cada uma das três pesquisadoras palestrantes. Esses temas foram tratados à luz dos seguintes problemas: como comunicar resultados, disputar sentidos, conversar sobre as pesquisas feitas sobre ciência e tecnologia na América Latina?; como se negocia a perspectiva feminista no âmbito da pesquisa, e como os resultados são produzidos e comunicados?; e em que medida o desenvolvimento científico/tecnológico atende a prioridades efetivamente coletivas, populares e locais, conectadas a perspectivas politicamente situadas?
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Expediente:
Agradecimentos: Ana Cláudia Rodrigues da Silva, Alejandra Roca, Fabíola Rohden, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Nicholas Simões Martins, Hugo Menezes, Comissão Organizadora da XIV RAM.
Rosiane Oliveira é doula, Débora Allebrandt é antropóloga. As duas têm refletido sobre os direitos reprodutivos das mulheres no estado de Alagoas. Em especial, elas têm lutado para que toda mulher possa desenhar a sua gestação, o seu parto e puerpério. Apostam num modelo de cuidados que considere também as nossas vulnerabilidades, que é inspirado pelo trabalho da socióloga Ruha Benjamin.
Mas também percebem que, no cotidiano hospitalar, doulas e antropólogas são vistas como profissionais “café com leite”. Embates com outros cientistas são comuns, discordâncias sobre a autonomia das mulheres, também. Ali dentro, elas precisam reforçar continuamente a importância do acompanhamento respeitoso e feminista do parto e da problematização do modelo biomédico de atendimento obstétrico. São ainda muitas as travessias a serem feitas!
Mais informações:
Materiais extras:
Expediente:
Agradecimentos: Olívia Allebrandt Maureira, Débora Allebrandt, Felipe Benedet Maureira, Rosiane Oliveira, Sarah Oliveira, Nadia Meinerz, Telma Low Junqueira, Camila Anselmo, Fernanda Mariath, Nicholas Martins, Sabrina Bastos, Irene do Planalto.
O poder de decidir sobre nossos corpos é uma agenda feminista há muito tempo. As biociências e a biomedicina costumam dar os parâmetros do que é considerado “normal” ou “saudável” para os corpos em diferentes momentos da vida. E isso faz do corpo um campo de tensões e disputas. Nesse episódio, vamos falar desse tema a partir de perspectivas de crianças que passam pelos hospitais. Vamos tratar de casos de crianças que não nascem ou não se desenvolvem de acordo com aquilo que é considerado “normal”: crianças intersexo, crianças gordas, crianças transexuais.
Visitamos o Instituto de Psicologia e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e conversamos sobre os dilemas de pesquisa com a antropóloga Paula Sandrine Machado, a doutoranda em Psicologia Social e Institutional, Amanda de Almeida Schiavon, e a assessora do Conselho Federal de Psicologia, Rafaela Vasconcelos Freitas. Quais são as questões que se colocam para pesquisadoras das humanidades que querem pensar os processos que acontecem com essas crianças dentro dos hospitais e espaços de saúde? Quem decide sobre os corpos das crianças? As crianças também têm espaço para serem ouvidas? Como são definidos os tratamentos e procedimentos? E o corpo das pesquisadoras, importa? Vem com a gente ouvir um pouco dessa conversa.
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Referências:
Materiais extras:
Expediente:
Agradecimentos: Paula Sandrine Machado, Sandra Helena Machado, Rafaela Vasconcelos Freitas, Amanda de Almeida Schiavon, Isabela Soares Pinto, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Nicholas Martins, Sabrina Bastos, Luana Ainoã Souza, Joana Amaral.
Em nossa disciplina, muitos antropólogos foram lidos, reconhecidos e transformados em referência. Mas sempre existiram muitas antropólogas, mesmo no início do século XX, que foram marginalizadas. Por exemplo, Berta Gleizer Ribeiro, Charlotte Sophie Rosenbaum (Charlotte Sophie Baumwald), Dina Dreyfus, Karla Kozák, Maureen Bisilliat, Ruth Landes Vilma Chiara e Wanda Hanke passaram, trabalharam, viveram no Brasil. Elas todas produziram imagens e/ou ajudaram a criar coleções etnográficas no início da Antropologia por aqui.
Seguir os rastros que elas deixaram é o que Fabiene Gama e sua equipe de pesquisa têm feito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Rever e repovoar a ideia de “clássico” é também recanonizar a Antropologia.
Mais informações:
Algumas fotógrafas, cinematógrafas, antropólogas estrangeiras no Brasil do século XX:
Ruth Landes
Berta Gleizer Ribeiro
Dina Dreyfus
Charlotte Sophie Rosenbaum/Charlotte Sophie Baumwald
Karla Kozák
Maureen Bisilliat
Vilma Chiara
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Expediente:
Agradecimentos: Fabiene Gama, Stella Gama, Debora Wobeto, Giovanna do Nascimento Schneider, Laura Aggens Schmidt, Luisa Pitanga, Maria Eugênia Nunes Ferreira, Natalia Lazzarotto; Roque Laraia; Bruna Martins, Camila Anselmo, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Gabriel Marçal, Nicholas Martins, Rai Magalhães e Sabrina Neves.
Era o final de uma manhã chuvosa no campus da Unicamp. Almoçamos juntas, as convidadas e a equipe do Mundaréu, e depois caminhamos até o Instituto de Computação. Sentamos pra conversar num espaço colorido, com grandes murais, o rosto pintado de Ada Lovelace e frases inspiracionais.
Uma computeira, uma antropóloga. Foi assim que Sandra Avila e Marisol Marini se apresentaram para nós. Uma treina algoritmos; outra dialoga com criadores de tecnologia. Ambas vêm ajudando a construir máquinas mais diversas e menos desiguais para jovens, mulheres, negras, estudantes em formação.
Pessoas criando ciência para pessoas. Ciência criando pessoas para a ciência. É sempre sobre pessoas?
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Expediente:
Agradecimentos: Janine Mathias, Sandra Avila, Marisol Marini, LABJOR/Unicamp, FAPESP, Rádio Kere-Kere. E à animada equipe do Mundaréu da UnB e da Unicamp.
Episódio 7: “Quando uma epidemia e uma pandemia se encontram”
A cena pode parecer comum: nota-se a circulação de um vírus desconhecido e respostas científicas precisam ser organizadas e construídas para dar conta dos novos acontecimentos. No entanto, depois de um período em que o Zika já estava em circulação, sendo estudado no Brasil e no exterior, surgiu o COVID-19.
E o que acontece quando há um encontro de epidemias? Uma que coloca em risco parte da população e outra que ganha uma dimensão planetária. Neste episódio, refletimos sobre essas implicações e destacamos alguns pontos semelhantes – e outros nem tão parecidos assim! – entre os movimentos das ciências que estudaram o Zika e depois o COVID.
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Expediente:
Agradecimentos: Alan Chaves Dos Santos, Bernadete Pérez Coêlho, Maysa Kênnia Viana e Silva. A equipe do projeto “Uma Antropologia da Ciência do Zika: Resultados, retornos e epistemologias”: Caroline Franklin, Isadora Valle, Laura Coutinho, Mariana Petruceli, Soraya Fleischer e Thais Valim. E a equipe do Mundaréu da UnB e da Unicamp.
Episódio 6: “O que seria uma ciência responsável?”
A pesquisa científica se tornou uma importante aliada da saúde pública durante a epidemia do Zika Vírus. Desse modo, muitos foram os cientistas que investigaram o vírus e seus desdobramentos. Mas você sabia que mesmo entre os cientistas mais respeitados a maneira com que essa resposta científica é produzida pode variar bastante? Como é formada a equipe científica? Quem são os participantes de pesquisa? Como eles são convidados, integrados, tratados? Quais são os resultados esperados?
Neste episódio, ouviremos as pesquisadoras Delâine de Melo e Bernadete Perez Coêlho, ambas da UFPE, conversarem sobre algumas das responsabilidades assumidas pela equipe que elas integraram no Ambulatório de Zika em Recife, Pernambuco. E saberemos como elas se relacionam com o tipo de ciência que estava sendo produzida à época.
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Expediente:
Agradecimentos: Gostaria de expressar minha gratidão aos cientistas que compartilharam suas histórias conosco, em especial às professoras Delâine de Melo e Bernadete Perez que participaram deste episódio. Também quero agradecer à Professora Mariana Toledo por participar da minha banca de TCC e me ajudar a discutir as responsabilidades científicas. Além disso, agradeço à equipe do projeto “Ciências do Zika” pela parceria e competência no trabalho que realizamos juntas no podcast e além dele. Por fim, gostaria de agradecer à equipe do Mundaréu, tanto de Brasília quanto de Campinas, pela oportunidade de compartilhar minha pesquisa e muitas outras!
Episódio 5: “Fome de pesquisador”
Emergências sanitárias, revistas de alto fator de impacto, descobertas que vão para o mundo. Esse é o quinto episódio da série “Ciências do Zika” e vamos conhecer como a epidemia de vírus Zika, que aconteceu em Recife entre 2015 e 2017, acelerou as oportunidades de publicar artigos científicos.
Carine Carolina Wiesiolek, Igor Daniel Florêncio de Melo e Mariana de Carvalho Leal nos mostram os desafios enfrentados para planejar, escrever e publicar artigos. Estes são importantes produtos escritos que tanto ajudam a alavancar a carreira de cada pesquisadora e a validação das descobertas científicas, como também podem gerar resultados para combater uma infecção, enfrentar uma epidemia e compreender e tratar diferentes deficiências.
Afinal, cientistas têm fome de quê?
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Expediente:
Agradecimentos:
Agradeço, em primeira mão, à equipe do podcast Ciências do Zika. Enfrentar os desafios de novos projetos se torna mais leve dentro desse grupo, onde o trabalho coletivo, a troca de ideias e as sugestões nos ajudam a crescer e a aprender muito. Agradeço ao Marcos Duarte, meu parceiro que está sempre ao meu lado me apoiando com sua escuta ativa e com suas opiniões determinadas. Agradeço especialmente à Mari Petruceli, por me acolher em sua casa e me ajudar com a etapa de corte dos áudios. E à Irene do Planalto, aquela que nos guiou nesse projeto inédito que foi produzir uma série de podcast. Também agradeço especialmente à Soraya Fleischer, aquela que está sempre nos propondo coisas novas e confiando em nós, estudantes, para que ampliemos nossos voos. Agradeço à equipe do Mundaréu de Brasília e de Campinas que também esteve nos ajudando a melhorar nossa série e agradeço enormemente às nossas interlocutoras de Recife que, além de terem nos possibilitado vias de diálogo, emprestaram suas vozes para que esse projeto se tornasse possível.
“O Zika me concedeu dois títulos importantes, o de especialista da família e o de mestra em saúde da criança e do adolescente. Mas, além dos títulos, eu me considero uma profissional mais humana e essa questão da humanização foi um diferencial na minha carreira”. Foi assim que Olga Sophia Martins Sousa, estudante de Nutrição à época da epidemia do Vírus Zika, percebeu o impacto de um novo vírus na sua cidade e na sua formação como profissional da saúde.
Projetos de extensão e de iniciação científica, bolsas, estágios, residências em saúde, equipes multidisciplinares. Olga e suas colegas, Maria Lúcia Galvão, Fernando Oliveira e Afonso Tavares Netto, tiveram muitas oportunidades para aprender, para atender e, mais do que tudo, para refletir sobre o tipo de profissional que é formado em tempos de emergência sanitária e humanitária.
Mais informações:
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Expediente:
Agradecimentos: Aos entrevistados gentis e generosos; à equipe fabulosa do projeto de pesquisa e sua coordenadora, Thais Valim; à Irene do Planalto e Mariana Petruceli que produziram a série; à equipe do Mundaréu, em especial, a parceira querida Daniela Manica; ao Departamento de Antropologia e Universidade de Brasília que me oferecem excelentes condições para trabalhar, conviver, pesquisar e produzir resultados.
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