Natan Rufino | Áudio
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Natan Rufino | Áudio episodes

  • Estudo, Trabalho, Dedicação e Esforço | Natan Rufino
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    Certa vez li um livro e também já ouvi alguém dizer que existem na Bíblia aproximadamente 215 versículos sobre fé, 218 versículos sobre salvação, 500 versículos sobre oração e 2085 versículos sobre dinheiro. Além disso, das 40 parábolas que Jesus contou, 17 delas envolvem o conceito do dinheiro, prosperidade e questões financeiras; ou seja, 47% de todas as parábolas que temos registradas tratam especificamente sobre esse assunto.
    O texto do parágrafo acima não tem o objetivo de provar que o dinheiro ou a prosperidade financeira seja o assunto mais importante da Bíblia, muito pelo contrário. Talvez isso indique este seja um dos assuntos que mais causam problemas àquele que se propõe em servir a Deus.
    Parece-me que boa parte dos crentes já entenderam que o dinheiro não é a raiz de todos os males, o que, de certa forma, traz algum avanço para o Cristianismo; todavia, alguns parecem ter esquecido que o amor ao mesmo dinheiro ainda continua sendo a raiz de todos os males. No Novo Testamento só existem duas coisas das quais somos instruídos a fugir: a imoralidade e a idolatria; esta última, por sua vez, sendo reconceituada nas páginas do Novo Testamento como: “avareza”, “amor do dinheiro”, “cobiça”, “querer ficar rico”.
    Existe sim uma posição saudável para o dinheiro na vida de uma pessoa de Deus, mas um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo jamais poderia esquecer que “a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui” (Lucas 12.15).
    Deus sempre deixa disponível um caminho melhor e mais excelente para todas as áreas da nossa vida. Segundo as Escrituras a maneira estabelecida por Deus para alcançarmos os bens ou recursos que precisamos é o trabalho. Com trabalho vem a prosperidade e a abundância de tudo quanto tempos.
    Após a abundância de bens devemos ter o “cuidado de nunca nos esquecermos do Senhor nosso Deus pois ele é quem nos dá forças para adquirirmos tais riquezas” (Deuteronômio 8.5-19). O dízimo é apenas um dos elementos que faz parte do sistema divino para o nosso próprio bem. Além de sustentar as pessoas que Deus chama e estabelece no ministério e promover o avanço dos planos de Deus nesta terra, o dízimo também protege da avareza e da sórdida ganância ao seu doador.
    Dar o dízimo, como oferta a Deus, é fazer manutenção da lembrança de que Deus me deu forças e inteligência para conquistar tudo que eu tenho. Além disso o dízimo é também parte da fonte financeira para os avanços do Evangelho nessa terra. A cada nova doação todo crente deveria trabalhar seu coração para manter a mesma atitude do rei Davi ao fazer uma oração de agradecimento por ter tido condições de contribuir com a obra de Deus: “No entanto, o meu povo e eu não podemos, de fato, te dar nada, pois tudo vem de ti, e nós somente devolvemos o que já era teu” (1 Crônicas 29.14, NTLH).
    1 hr 3 min
  • O Evangelho e a Prosperidade | Natan Rufino
    A mensagem do Evangelho não é "garantia de sucesso e prosperidade na área financeira". Ainda que a Bíblia ensine inúmeros princípios pelos quais a prosperidade financeira possa vir a ser alcançada pelos homens, essa não foi "a grande revelação" que Cristo veio trazer à terra. Creio de todo coração quando a as Escrituras dizem que "Deus tira o homem do monturo e o faz sentar com os príncipes", mas não vejo isso sendo ensinado na Bíblia como um "passe de mágica ungido" que multiplicará o dinheiro do crente que dá ofertas e dízimos para a obra do Senhor. Por favor, não me entenda mal. Creio na generosidade, creio no princípio de semeadura e colheita inclusive na área financeira, creio na importância dos dízimos e ofertas, creio que repousa uma bênção sobre a cabeça de todo aquele que tem alegria em abençoar. O fato é que os princípios realmente bíblicos para a prosperidade financeira estão muito bem fundamentos na capacidade humana que fora divinamente concedida a este quando Deus o fez à sua imagem e semelhança. Observe:
    Gênesis 1.26, 28
    26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; TENHA ELE DOMÍNIO SOBRE OS PEIXES do mar, SOBRE AS AVES dos céus, SOBRE OS ANIMAIS domésticos, SOBRE TODA A TERRA e SOBRE TODOS OS RÉPTEIS que rastejam pela terra.
    28 E Deus os abençoou e lhes disse: SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAI-VOS, ENCHEI A TERRA e SUJEITAI-A; DOMINAI sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
    Gênesis 2.5
    Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o SENHOR Deus não fizera chover sobre a terra, E TAMBÉM NÃO HAVIA HOMEM PARA LAVRAR o solo.
    Gênesis 2.15
    Tomou, pois, o SENHOR Deus AO HOMEM e O COLOCOU NO JARDIM do Éden PARA O CULTIVAR E O GUARDAR.
    Gênesis 2.19
    Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, TROUXE-OS AO HOMEM, PARA VER COMO ESTE LHES CHAMARIA; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles.
    Em todos os textos acima, que tratam sobre realidades anteriores ao momento do pecado e queda espiritual humana, podemos observar a capacidade e responsabilidade humana na tarefa que deveria ser realizada por ele na terra: Dominar, ser fecundo, multiplicar-se, encher a terra, sujeitá-la, cultivar, guardar, nomear, classificar, categorizar, etc. O potencial para a prosperidade está embutido nos versículos acima, que demonstram claramente que o homem deveria seguir o impulso divinamente concedido para agir, realizar, produzir. Deus fez mesmo o homem para trabalhar; e a prosperidade da obra humana na terra seria a consequência lógica em se obedecer a Deus fazendo o que ele quis que fosse feito pelo homem com os recursos que ele mesmo havia concedido. Penso que a forma número um para a prosperidade não mudou, e duvido muito que um dia mudará, ao contrário, creio que continua sendo a mesma: o trabalho!
    Até mesmo aqueles que trabalham no ministério de tempo integral por chamado divino precisam demonstrar por meio do seu trabalho que são merecedores de receber uma boa remuneração.
    I Timóteo 5.17
    Devem ser considerados MERECEDORES de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.
    Ora, se os ministros devem ser o modelo dos fiéis, inclusive na responsabilidade financeira e profissional, por assim dizer, seria correto que eles pudessem "prosperar pela fé" mesmo sendo negligentes em seus trabalhos? Ou, ainda usando o raciocínio do texto acima como base, poderíamos nos questionar da seguinte forma: Será mesmo que a prosperidade bíblica vem ao homem pela fé somente? Se assim o fosse, então, por quê Paulo fala sobre "aumento salarial" atrelado à ideia de um bom trabalho desempenhado? Por favor não desconsidere a lógica simples apresentada no texto acima, que até uma criança de 12 anos poderia entender: "Se a pessoa trabalha bem, merece receber bem". Sabe qual a real dificuldade para alguns pregadores e pastores aceitarem isso? Por que eles finalmente entendem que não poderiam usar a desculpa que "ficarão ricos pela fé", mas sim que qualquer futura "remuneração duplicada", que venham a receber, deverá ser por causa do bom trabalho que vierem a desempenhar.
    Paulo disse: "devem ser considerados merecedores de dobrados honorários". Sabe o que significa? Tem quem merece, mas tem quem não merece. Quem merece? "Os que presidem bem", e, "com especialidade, os que se afadigam na palavra e no ensino". É interessante que a palavra usada no versículo traga a ideia de "fadiga", pois todo aquele que estuda as Escrituras e ministra as verdades absorvidas desta atividade, sabe o quão fatigante é passar horas, dias e semanas em um único ponto, que, futuramente, fará parte de uma mensagem, que algum dia, será ministrada a um grupo de irmãos. Observe também que a fadiga está na ocasião do estudo da palavra e não ocasião de ensiná-la. "Se afadigar na palavra" é aquele momento secreto em que o desgaste acontece, somente depois vem o momento do ensino. Eu gosto de dizer que não deveríamos estudar para ensinar, mas que deveríamos estudar para compreender, e, quando surgir a oportunidade de compartilhar a palavra, deveríamos tentar ensinar apenas aquilo que já compreendemos. Até hoje alguns cristãos ainda tem dificuldade de entender que o ministério é um trabalho, e que, todo trabalhador é digno do seu salário. Que o ministério é um trabalho fica bem claro na declaração feita por Paulo em 1 Coríntios 9.1 quando ele disse: "Vocês são o que são como resultado do meu trabalho no Senhor". Pode não ser um trabalho secular, pode não ter relação com as profissões de carreira a exemplo do que encontramos no mundo, mas não deixa de ser um "trabalho no Senhor.'
    O trabalho é a lei universal para a prosperidade. Lei estabelecida por Deus que nivela os homens a uma única verdade universal e bíblica: "aquele que não trabalha, também não coma" e que "o trabalhador é digno do seu salário".
    Alguém poderia perguntar: "E onde entra a fé para a prosperidade nessa questão?" Bem, para mim isso parece muito simples: Como seria possível empreender esforço nos estudos e nas atividades profissionais sem acreditar que Deus me deu forças, inteligência e condições para adquirir riquezas? Como agir como quem sabe que tem capacidade para dominar, sujeitar e administrar as obras das mãos de Deus sem a fé? Como desempenhar as tarefas para as quais tenho vocação se não creio que fui divinamente capacitado para isso? Existe porventura fé verdadeira sem atividades correspondentes? Ou, como indagaria Tiago: Tu tens fé sem nenhum tipo de obra? Pois mostra-me essa tua fé, sem obras, que eu, pela minhas obras, vou te mostrar como realmente tenho fé (Tiago 2.18).
    1 hr 14 min
  • 1.875 Vidas | Natan Rufino
    O Perdão Impossível
    Mateus 18.23,24
    23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
    24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
    Jesus deliberadamente optou por usar essa quantia exorbitante de dez mil talentos. O talento era a mais alta unidade monetária da época. Havia talentos de prata e ouro. Um talento de prata correspondia a 6 mil denários. O talento de ouro, por sua vez, valia pelo menos 30 vezes mais do que o de prata. Supondo que o talento da história contada por Jesus fosse de prata, que é o de menor valor, a dívida do homem equivaleria a 60 milhões de denários (10 mil talentos vezes 6 mil denários).
    Conhecedores do assunto dizem que um trabalhador comum na época de Jesus ganhava um denário por jornada diária de trabalho.Se um denário equivalia ao trabalho de um dia, e um ano judeu tinha 360 dias, podemos dizer que 60 milhões de denários divididos por 360 dias daria o total aproximado de 166 mil anos. Se fizermos as contas direitinho, veremos que o servo da história de Jesus precisaria trabalhar aproximadamente 150.000 anos (166 Mil para ser exato), ganhando essa quantia, para que pudesse pagar os dez mil talentos que devia àquele senhor. Veja bem, não seriam 150 anos, mas sim 150 mil anos! Como uma vida tem em média uns 80 anos, dividindo 150 mil anos por 80, teremos o resultado de 1.875 vidas de 80 anos! Esta é a quantidade de vidas que o homem precisaria viver até os 80 anos para conseguir pagar aquela dívida se economizasse um denário por dia. O que Jesus queria enfatizar é que aquele homem possuía uma dívida impossível de ser paga. Na parábola de Jesus esta dívida representa a dívida do homem para com Deus, simplesmente impossível de ser paga.
    Mateus 18.25,26
    25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.
    26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei.
    Era uma dívida tão exorbitante, que, para tentar fazer que a dívida fosse paga, o rei ordenou a venda dele, da mulher e dos filhos como escravos, além da venda de tudo que ele possuía. O servo, então desesperado, ajoelhou-se diante do senhor. Jesus não diz apenas que o homem se ajoelhou, mas menciona o fato de que ele se ajoelhou com reverência. O homem não parecia ser um irresponsável e irreverente qualquer. Até o momento, este homem não apresenta qualquer traço de maldade, muito pelo contrário, parecia ser um pai de família responsável que se importava com o bem estar dos seus familiares. Quando ele se ajoelha reverentemente perante o rei, ele não o faz para pedir a anulação da dívida ou para dizer que seria impossível pagá-la, ou mesmo que a cobrança era injusta. Ele não pede para ser perdoado, ele pede paciência ao seu credor para poder pagar o que deve.
    Comovido com a situação dos seus familiares, não importando o quão utópica fosse a sua promessa, aquele homem se humilhou e pediu tempo para que pudesse tentar resolver a situação. A promessa do devedor de quitar a sua dívida era absolutamente impossível de ser cumprida, mas a sua atitude diante do rei tocou o coração do soberano.
    Mateus 18.27-30
    27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
    28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.
    29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei.
    30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
    O que tocou o coração do rei não foi outra coisa senão a atitude comovente de humildade e reverência que o servo tomou. Mesmo que fosse impossível cumprir a promessa de quitar a dívida, sua atitude foi suficiente para que o rei tivesse compaixão da sua vida.
    Que história linda teria aquele homem para contar ao chegar em casa! Ele viraria o herói dos seus filhos e teria o respeito e a admiração da sua mulher. Esta história seria passada aos seus netos e de geração em geração.
    Acredito que a ideia clara na história é tentar mostrar o quão maravilhosamente aquele homem havia sido agraciado pelo rei e de como isto, por si só, deveria ser suficiente para que ele tivesse uma vida totalmente diferente a partir de então. Uma vida meditativa por meio da qual pudesse refletir a sabedoria que teria absorvido da sua experiência pessoal.
    Alguém que um dia foi humilhado sabe a dor que sente aquele que passa por humilhação. O normal é esperar que aquele que foi humilhado não humilhe. Quem um dia passou fome não tem prazer em ver alguém na mesma situação porque sabe como é se sentir assim. De fato, é possível que esta pessoa não consiga ficar indiferente ao sofrimento do outro. Normalmente, quem passou fome não quer que outros passem. Semelhantemente, quem um dia foi perdoado conhece o refrigério interior que é proporcionado pelo amor expresso através do perdão. O natural é esperar que aquele que foi perdoado, perdoe.
    O rei desta história representa o Senhor Deus Todo-Poderoso, e Jesus revela graciosamente o seu coração generoso e pronto para perdoar. No entanto, a intenção clara de Jesus é mostrar que todo aquele que tem a experiência de provar a compaixão de Deus, deve passá-la adiante tendo compaixão pelos outros também.
    A compaixão é, sem dúvida, um dos mais belos atributos divinos com o qual temos o privilégio de conviver. Não apenas somos privilegiados em poder usufruir dela, quando Deus é compassivo conosco, como somos ainda mais privilegiados quando assumimos “o papel de Deus” e a liberamos sobre a vida de um semelhante.
    No verso 28, Jesus conta que aquele homem perdoado encontrou um conhecido que lhe devia apenas 100 denários, e no mesmo momento, aquele admirável homem justo e reverente que conhecemos, desapareceu por completo. Jesus diz que ele mal tinha saído da presença do rei e já passou a agarrar e sufocar o seu devedor. Que situação triste. Não dá vontade de chorar?
    O que eram 100 denários em comparação aos 60 milhões de denários dos quais ele havia sido perdoado?
    Além do mais, quando o seu conservo lhe pediu paciência, prometendo-lhe pagar a dívida, era uma declaração crível, totalmente possível. Situação bem diferente da sua quando esteve diante do rei. Neste caso, ,em pouco mais de três meses tudo estaria pago!
    Mesmo que o homem que fora perdoado não passasse para frente a mesma compaixão perdoando completamente a dívida do seu devedor, se ele simplesmente tivesse sido paciente e gentil com ele, esperando que lhe pagasse, não seria considerado um homem mau. Porém, Jesus propositalmente contou a história do jeito que a conhecemos porque sabia bem como é a natureza humana. Seu objetivo era ensinar exatamente isso: Amamos receber perdão, mas somos carrascos quando chega nossa vez de fazer o mesmo por outra pessoa que também não merece.
    O conservo implorava por paciência. Ele não queria o perdão da dívida, só queria tempo até que tudo fosse resolvido. Porém, o abençoado que agora também poderia abençoar, simplesmente não quis fazê-lo! Isso é muito corriqueiro, infelizmente. Recebemos o perdão de Deus para uma dívida que não teríamos como pagar, e, hoje, quando temos a chance de igualmente perdoar alguém que nos feriu, nós simplesmente não queremos.
    Jesus, com sabedoria cirúrgica, compara o pecado dos homens contra os seus semelhantes com uma pequena dívida que poderia ser paga em três meses. No entanto, compara o pecado dos homens contra Deus como uma dívida que levaria 1.875 vidas de 80 anos para ser paga! Deus quis nos perdoar e perdoou. Nós, por outro lado, tão mesquinhos e fúteis, não queremos perdoar o outro e muitas vezes acabamos realmente não perdoando.
    O protagonista da história contada por Jesus fora tão reverente na hora de se prostrar e de pedir compaixão por si e pelos seus, que poderíamos admirá-lo pela sua coragem e compromisso em proteger a sua família. No entanto, quando teve oportunidade de pôr em prática o que tinha aprendido com o perdão da sua dívida, ele deixou o mal presente na natureza humana prevalecer.
    O comportamento daquele homem inicialmente nos fez pensar que ele amava a sua vida e sua família de forma nobre, mas o seu comportamento para com os outros nos mostrou que ele não passava de um egoísta. Preocupava-se apenas com os seus e mais ninguém. Sua única preocupação estava em sua própria vida e no seu mundinho particular.
    Pessoas assim parecem estar focadas em como podem tirar proveito de qualquer situação. Se elas são favorecidas, ótimo, mas na cabeça delas isso não quer dizer que tenham de favorecer alguém. Elas conseguem apreciar o perdão recebido, mas não estão prontas para proporcionar a mesma alegria na vida de outras pessoas perdoando também, pois não conseguem ver o que ganhariam com isso.
    Acontece também que em algumas ocasiões, a pessoa que se sente incapaz de perdoar age assim porque sabe que o perdão fará bem a quem lhe feriu, e ela simplesmente não quer isso! Principalmente se ela continua se sentindo mal pelo que lhe fizeram, tal pessoa não suportaria ver o “algoz” feliz enquanto ela ainda estivesse triste e magoada. Em suma, um egoísta acredita que é sempre maravilhoso e divino uma pessoa receber o perdão quando não se merece, desde que esta pessoa seja ela mesma.
    Eu sei que é um sentimento muito feio, e causa certo desconforto ter que deixá-lo tão explícito como estamos fazendo, mas é exatamente por causa de sentimentos como este que não conseguimos perdoar aos que nos ofenderam ou nos magoaram. O melhor que temos a fazer é reconhecer o problema para que o enfrentemos se ele estiver presente. Bem melhor do que fingir que ele não existe e sermos depois repreendidos por Cristo por causa disso.
    Mateus 18.31-35
    31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado,...
    52 min
  • Sou Obrigado a Perdoar? | Natan Rufino
    AMOR É UMA COISA QUE SE APRENDE
    João 13:35
    Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
    No texto acima Jesus estava dizendo que a principal característica de um cristão seria o amor. De fato, Jesus falou que as pessoas “saberiam que eles tinham sido alunos de Jesus, se eles tivessem amor uns pelos outros”. O interessante desta declaração de Cristo é que isso significa que o mundo saberia que os seguidores de Jesus teriam aprendido a amar com seu mestre. Ora, se o amor revela que os cristãos são aprendizes de Cristo, isto significa duas coisas: que Jesus ensinava a amar e que o amor é uma coisa que pode ser aprendida.
    Jesus, o grande professor do amor, ensinou aos discípulos como amar não apenas com teorias e ilustrações abstratas, mas também por meio da sua própria vida. No ápice dos sofrimentos que ele enfrentava por parte dos seus perseguidores, pendurado na cruz, Jesus só foi capaz de orar pedindo a Deus que os perdoasse por causa do amor que ele sustentou em seu coração mesmo nos momentos mais difíceis. Amar não é uma tarefa fácil, nem automática, mas é um exercício que acaba por se transformar em hábito na vida daquele que a prática.
    Alguns lembram bem daquilo que disse Jesus, que devemos "amar nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem", e eu costumo dizer que antes de tentar amar os inimigos, talvez já passe da hora para começamos a tentar tratar melhor os nossos amigos. Uma forma simples e prática para se fazer isso é perdoá-los pelos erros que porventura cometeram contra nós, pois sem dúvida alguma, o perdão é uma das mais belas expressões de amor.
    Lembre-se, porém, que você nunca terá que perdoar uma pessoa que lhe faz bem! Perdão é uma dádiva concedida a pessoas que fazem o que é errado e que não merecem recebê-la. Se uma pessoa que me feriu merecesse meu perdão, não seria uma demonstração de amor e misericórdia, seria na verdade o pagamento de uma dívida ou a entrega de uma recompensa por justo merecimento. As pessoas que você irá perdoar, serão exatamente aquelas que não merecem o seu perdão.
    53 min
  • Liderança Abusiva | Natan Rufino
    No meio evangélico é comum se dizer que não existe “pecadinho e pecadão, pois tudo é pecado diante de Deus”, mas esta não é uma completa verdade à luz das Escrituras. João diz que mesmo que toda injustiça seja pecado, ainda assim existem pecados que não são para a morte daquele que o pratica (1 João 5.17 ). Isto por si só já revela uma distinção entre um pecado e outro.
    Além disso, João acrescenta que se um irmão cometer um pecado que não é para a morte, outro poderá orar por ele e Deus lhe concederá vida; por outro lado, se o pecado do irmão for para a morte, João aconselha a não orar por ele (1 João 5.16 ).
    Paulo disse que “qualquer outro” pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo (1 Coríntios 6.18 ). Isso também faz uma distinção entre alguns pecados, não faz?
    Em certa ocasião Jesus disse a Pilatos que quem o havia entregado a ele tinha cometido um pecado maior que o seu (João 19.11). Em passagens do Antigo Testamento encontramos expressões que fazem alusão à ideia de “pecado grande” (Êxodo 32.30, 1 Samuel 2.17).
    Jesus disse que todo pecado será perdoado aos homens, mas o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste mundo, nem no porvir (Mateus 12.31,32 ).
    Em relação aos diversos pecados com os quais teremos que lidar, a Bíblia ensina que por uns podemos orar, mas por outros não. Ensina que alguns pecados não são para morte, mas outros são. Ensina que alguns pecados serão perdoados, mas nem todos serão. Ora, tudo isto torna evidente que há certa classificação em relação à gravidade dos pecados que podem ser cometidos.
    Algumas pessoas não entendem que a Bíblia diz que o Espírito Santo convence O MUNDO do pecado e não o cristão. Com isto não quero dizer que os cristãos não pequem de forma alguma, ou que não exista um “dispositivo” divino que o advirta de seu pecado; mas, a convicção de pecado na vida do cristão acontece de forma um pouco diferente.
    Alguns ensinam que os cristãos devem rejeitar toda e qualquer condenação, pois, em sua mente confusa, alegam que toda e qualquer condenação seja destrutiva e a real causadora de todas as fraquezas na vida do crente. Os que pensam assim demonstram desconhecimento das Escrituras e falta de bom senso a respeito das coisas da vida. A condenação que um crente sente em seu coração quando comete um pecado é um recurso divino para que ele se arrependa e mude de vida enquanto é tempo.
    1 JOÃO 3.21 (NVI)
    Amados, se o nosso coração NÃO NOS CONDENAR, temos confiança diante de Deus.
    Um cristão só tem permissão pelas Escrituras de ter confiança diante de Deus quando seu próprio coração recriado não o condena!
    Quando um cristão peca e se sente bem, isso é mal; mas quando o cristão peca e se sente mal, isso é bom! Isto pode ser comparado com alguém que tem hanseníase no braço, e ao encostá-lo em uma panela quente “não sente dor alguma”. Alguns poderiam pensar que sentir a dor é uma coisa ruim, mas no caso do nosso exemplo, a dor momentânea pode livrar a pessoa de um prejuízo permanente. Alguém saudável ao sentir o calor da panela já removeria o braço rapidamente, evitando assim uma queimadura grave. Da mesma forma, o cristão é abençoado com a condenação que vem de um coração recriado.
    As Escrituras Sagradas dizem claramente que os cristãos devem fazer aquilo que é correto, inclusive com respeito às suas obrigações civis, NÃO APENAS POR CAUSA DO TEMOR DA PUNIÇÃO, mas também por causa do dever que nos impõe a nossa própria consciência (Rm 13.5).
    O temor da punição é uma ferramenta divina muito útil para ajudar o cristão a andar nos trilhos. É pelo temor de não ser atropelado que uma pessoa que tem bom senso não atravessa uma grande avenida sem antes olhar para os dois lados. É pelo temor de ser eletrocutado que uma pessoa prudente lida com a eletricidade com muita cautela. Na passagem bíblica acima aprendemos que devemos fazer o que é certo NÃO SOMENTE por causa do temor, mas o texto não diz que devemos ser pessoas sem temor algum.
    Tenha cuidado com os ensinamentos que usam textos da Bíblia para lhe fazer ficar cada vez mais longe das verdades dela.
    1 hr 3 min
  • Pastores não deveriam tratar o povo de forma abusiva | Natan Rufino
    A força do hábito religioso, em seu sentido negativo, é capaz de moldar o pensamento teológico de incontáveis gerações, nos induzindo assim por caminhos que muitas vezes não tem fundamentação realmente bíblica. Ainda por cima, tudo isso acontece sem que de fato percebamos o que estamos fazendo.
    Costumo dizer que “saímos do Catolicismo, mas o Catolicismo não saiu da gente”. O que quero dizer com isso é que perpetuamos sistemas religiosos, já viciados, porque os herdamos de nossos professores de escola dominical sem nunca realmente compará-los com as Escrituras.
    Hoje temos uma emaranhada rede ministerial codificada por meio de títulos e termos que, em alguns casos, chegam a ser engraçados. Através de uma cadeia de Hierarquias eclesiásticas que se sobrepõem umas às outras, os relacionamentos simples e realmente bíblicos vão desaparecendo cada vez mais. Pronomes de tratamento e títulos cada vez mais sofisticados são inseridos nessa equação e a distância intencional entre o “clero” e aqueles que foram “separados para o sacramento da ordem” só faz aumentar.
    Talvez por medo de serem desrespeitados muitos ministros do Evangelho impuseram barreiras de aproximação através destes títulos numa tentativa de evitar qualquer possível relacionamento íntimo e livre entre os líderes e os liderados; todavia, esse não é o exemplo que Jesus nos deixou. Além dele mesmo ter lavado os pés de seus alunos e ter dito que este é o comportamento que ele esperava ver replicado por todos eles quando também ocupassem posição de autoridade, Jesus foi bem claro ao ensinar sobre a atitude que líderes cristãos deveriam ter em comparação às hierarquias montadas com base em padrões mundanos, veja:
    Mateus 20.25-28
    Mas Jesus os chamou e disse: “VOCÊS SABEM que OS GOVERNADORES desse mundo DOMINAM O POVO, e os oficiais USAM A SUA AUTORIDADE SOBRE ELES. Mas NÃO DEVE SER ASSIM ENTRE VOCÊS. Quem quiser ser um líder entre vocês tem que ser servo de todos, e quem quiser ser o primeiro entre vocês, tem que se tornar seu escravo. ASSIM COMO o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.”
    Infelizmente, hoje em dia, muitos pastores se sentem ofendidos e alguns até repreendem e punem os irmãos se estes ousarem se dirigir a eles pelo seu próprio nome sem que usem, antes de qualquer coisa, a “alcunha” de “Pastor” ou “Bispo” ou alguma outra designação que subentenda uma espécie de posição hierárquica superior. Por mais estranho que isso possa parecer, não existia esse tipo de tratamento entre os irmãos da igreja cuja vida diária está registrada no Novo Testamento. O que vemos são cristãos imitando e obedecendo a Cristo em seus relacionamentos, inclusive ao se dirigirem uns aos outros: Paulo chamava Barnabé de Barnabé (Gl 5.1); chamava Tito de Tito (Gl 5.3); chamava Pedro de Pedro (Gl 5.7). Lucas chamava Paulo de Paulo (At 15.12); chamava Barnabé de Barnabé (At 15.2); chamava Tiago de Tiago (At 15.13) e Simão de Simão (At 15.14). Pedro chamava Paulo de Paulo (2 Pe 3.15) e assim por diante. Não que desconsiderassem os dons ou ministérios nos quais cada um atuava, pois vemos que isso era reconhecido (Atos 15.6, At 13.1, At 14.4, etc), mas os primeiros cristãos não transformaram os dons em “pronome de tratamento” ou “alcunha” eclesiástica ministerial.
    A história conta que a criação da hierarquia de forma institucionalizada veio a tomar corpo na época do Catolicismo Romano mais ou menos durante o surgimento dos metropolitanos e a sua evolução para o sistema Papal. De lá pra cá, perdemos a referência cristã de relacionamentos e de liderança nos moldes de Cristo. Acredito que seria bom se considerássemos esta questão com carinho e humildade e nos perguntássemos como realmente nos sentimos quando alguém nos trata fora do padrão religioso convencional e age com simplicidade nos chamando “apenas” de “amados irmãos” em vez de Pastor, Bispo, Apostila ou outra coisa semelhante. Acredito que hoje em dia estejamos carentes de mais simplicidade entre os protagonistas do ministério cristão.
    54 min
  • Amando como Jesus amou | Natan Rufino
    De todos os fundamentos importantes do Cristianismo, há pelo menos três que merecem ser citados pelo nome: Fé, Esperança e Amor. Dos três, o amor, sem dúvida, é o maior deles. Pela fé podemos mudar as circunstâncias ao nosso redor; a esperança muda o semblante e a vida daquele que a possui; mas, somente o amor é capaz de ir além e mudar a vida de outras pessoas com as quais temos contato.
    Paulo diria que a ninguém podemos dever coisa alguma, mas, por outro lado, já entramos no reino de Deus com uma dívida generalizada: a de nos amarmos uns aos outros (Romanos 13.8). Não podemos dever coisa alguma, a não ser o amor. O amor é uma dívida, uma obrigação cristã.
    "Amar ao próximo como a si mesmo" não é exatamente o que poderíamos chamar de "Novo Mandamento", pois esta ordenança pode ser encontrada em Levítico 19.18, terceiro livro de nossas Bíblias. Como Jesus ou os cristãos do primeiro século poderiam chamá-lo de "novo" sendo tão antigo? O Novo Mandamento relacionado ao amor deve ter sido outro diferente daquele, pois como o sublime mandamento cristão poderia ser o mesmo mandamento antigo e ainda assim ser chamado de novo? De fato, o novo mandamento é o mandamento que Jesus deixou e não aquele antigo mandamento deixado por Moisés. Jesus disse: O MEU MANDAMENTO é este: que vos ameis uns aos outros, assim COMO EU vos amei (João 15.12). O mandamento de Jesus, não o de Moisés, é o mandamento novo! De fato, está escrito: "NOVO MANDAMENTO vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim COMO EU vos amei, que também vos ameis uns aos outros (João 13.34). O novo mandamento não é "amar o próximo como nos amamos" e sim: "amar o outro (não apenas o próximo) como Jesus nos amou".
    1 João 5.1
    Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.
    O texto acima diz que "todo aquele que ama a Deus, que o gerou, também amará os outros a quem Deus tenha gerado". Em outras palavras, se amo a Deus por ter sido gracioso comigo, vou amar os outros que estão vivendo a mesma experiência que eu. Até porque, poderíamos dizer que quem é amado terá amor para dar, quem é perdoado, provavelmente também perdoará.
    Sei que alguns cristãos são bem preconceituosos quanto a isso e não aceitam que precisem de mais amor para se comportarem como Jesus determinou. Há quem pense que "todo amor de Deus já foi derramado em seu coração e que por isso ele só precisa praticar essa verdade". No entanto, vários textos do Novo Testamento ensinam que o amor na vida de alguém pode oscilar para mais ou para menos. O amor pode aumentar ou diminuir, ser fortalecido ou enfraquecer. Paulo mesmo disse que "orava para que o amor dos filipenses aumentasse mais" (Filipenses 1.9). Engraçado é que se você disser isso hoje em dia em alguns círculos cristãos, alguns irão te criticar e dizer que você é uma pessoa "que não tem fé". Contudo, Paulo não disse apenas que nosso amor deve aumentar, mas disse também que nós devemos ORAR PARA QUE ELE AUMENTE.
    Além de todas essas profundas verdades cristãs, com base nas quais nos sentimos motivados a amar mais e melhor; é bom que se diga que o amor ainda traz recompensas àqueles que o praticam. Jesus disse em Mateus 5.46: "Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?". Que recompensa terei se eu amo quem me ama? A resposta é "recompensa nenhuma". Mas, por outro lado, quando amamos os inimigos, os perseguidores, aqueles que nos maltratam e falam contra nós, receberemos um galardão por esta atividade tão cristã, ainda que indesejada por muitos. No grande texto do amor de 1 Coríntios 13, no versículo três, Paulo falou que "ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará". Paulo está falando do mesmo princípio abordado por Jesus no texto de Mateus 5: "o amor traz proveito para quem o pratica, traz recompensas". Toda ação, pequena ou grande, se for motivada por amor, trará galardões ao seu praticante.
    Todo cristão conhece o que Jesus disse sobre o dever que temos de amar nossos inimigos, porém, costumo dizer que se não conseguimos sequer tratar um pouco melhor os nossos amigos, que nos amam, como conseguiremos amar aqueles que supostamente nos odeiam?
    54 min
  • Pecadinho, Pecadão, Condenação e Amor | Natan Rufino
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    No meio evangélico é comum se dizer que não existe “pecadinho e pecadão, pois tudo é pecado diante de Deus”, mas esta não é uma completa verdade à luz das Escrituras. João diz que mesmo que toda injustiça seja pecado, ainda assim existem pecados que não são para a morte daquele que o pratica (1 João 5.17 ). Isto por si só já revela uma distinção entre um pecado e outro.
    Além disso, João acrescenta que se um irmão cometer um pecado que não é para a morte, outro poderá orar por ele e Deus lhe concederá vida; por outro lado, se o pecado do irmão for para a morte, João aconselha a não orar por ele (1 João 5.16 ).
    Paulo disse que “qualquer outro” pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo (1 Coríntios 6.18 ). Isso também faz uma distinção entre alguns pecados, não faz?
    Em certa ocasião Jesus disse a Pilatos que quem o havia entregado a ele tinha cometido um pecado maior que o seu (João 19.11). Em passagens do Antigo Testamento encontramos expressões que fazem alusão à ideia de “pecado grande” (Êxodo 32.30, 1 Samuel 2.17).
    Jesus disse que todo pecado será perdoado aos homens, mas o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste mundo, nem no porvir (Mateus 12.31,32 ).
    Em relação aos diversos pecados com os quais teremos que lidar, a Bíblia ensina que por uns podemos orar, mas por outros não. Ensina que alguns pecados não são para morte, mas outros são. Ensina que alguns pecados serão perdoados, mas nem todos serão. Ora, tudo isto torna evidente que há certa classificação em relação à gravidade dos pecados que podem ser cometidos.
    Algumas pessoas não entendem que a Bíblia diz que o Espírito Santo convence O MUNDO do pecado e não o cristão. Com isto não quero dizer que os cristãos não pequem de forma alguma, ou que não exista um “dispositivo” divino que o advirta de seu pecado; mas, a convicção de pecado na vida do cristão acontece de forma um pouco diferente.
    Alguns ensinam que os cristãos devem rejeitar toda e qualquer condenação, pois, em sua mente confusa, alegam que toda e qualquer condenação seja destrutiva e a real causadora de todas as fraquezas na vida do crente. Os que pensam assim demonstram desconhecimento das Escrituras e falta de bom senso a respeito das coisas da vida. A condenação que um crente sente em seu coração quando comete um pecado é um recurso divino para que ele se arrependa e mude de vida enquanto é tempo.
    1 JOÃO 3.21 (NVI)
    Amados, se o nosso coração NÃO NOS CONDENAR, temos confiança diante de Deus.
    Um cristão só tem permissão pelas Escrituras de ter confiança diante de Deus quando seu próprio coração recriado não o condena!
    Quando um cristão peca e se sente bem, isso é mal; mas quando o cristão peca e se sente mal, isso é bom! Isto pode ser comparado com alguém que tem hanseníase no braço, e ao encostá-lo em uma panela quente “não sente dor alguma”. Alguns poderiam pensar que sentir a dor é uma coisa ruim, mas no caso do nosso exemplo, a dor momentânea pode livrar a pessoa de um prejuízo permanente. Alguém saudável ao sentir o calor da panela já removeria o braço rapidamente, evitando assim uma queimadura grave. Da mesma forma, o cristão é abençoado com a condenação que vem de um coração recriado.
    As Escrituras Sagradas dizem claramente que os cristãos devem fazer aquilo que é correto, inclusive com respeito às suas obrigações civis, NÃO APENAS POR CAUSA DO TEMOR DA PUNIÇÃO, mas também por causa do dever que nos impõe a nossa própria consciência (Rm 13.5).
    O temor da punição é uma ferramenta divina muito útil para ajudar o cristão a andar nos trilhos. É pelo temor de não ser atropelado que uma pessoa que tem bom senso não atravessa uma grande avenida sem antes olhar para os dois lados. É pelo temor de ser eletrocutado que uma pessoa prudente lida com a eletricidade com muita cautela. Na passagem bíblica acima aprendemos que devemos fazer o que é certo NÃO SOMENTE por causa do temor, mas o texto não diz que devemos ser pessoas sem temor algum.
    Tenha cuidado com os ensinamentos que usam textos da Bíblia para lhe fazer ficar cada vez mais longe das verdades dela.
    49 min
  • A Exegese da Comunhão | Natan Rufino
    AJUNTANDO-SE PARA PIOR
    A segunda metade de 1 Coríntios 11 é um texto onde Paulo demonstra sua indignação pelo comportamento indevido dos irmãos para com outros membros do Corpo de Cristo. É por causa deste texto que compreendemos o que realmente a Ceia representa aos olhos de Jesus Cristo. Paulo diz que sua percepção sobre a santa ceia tinha sido recebida do próprio Cristo ressurreto em pessoa; e acrescenta que enquanto os irmãos estivessem se “ajuntando para pior” ou “vivendo em divisões” e “menosprezando e envergonhando os irmãos”, “sem discernir os membros do Corpo”, eles estariam “bebendo e comendo juízo para si mesmos”, ainda que ingenuamente pensassem que estivessem “comendo a ceia”.
    O VERDADEIRO SENTIDO DA CEIA
    Por causa das intrigas e divisões na igreja de Corinto Paulo disse: “quando vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis” (1 Coríntios 11.20). A Ceia do Senhor também é chamada de “Santa Comunhão”, isto é, uma “comunhão santa, sagrada”.  À primeira vista pode parecer redundante a expressão “santa comunhão” por parecerem duas palavras positivas e que dariam a mesma ideia, mas a verdade é que nem toda comunhão é sagrada. Pessoas podem ter comunhão em torno do mal, e, como disse Paulo, pessoas também podem “se ajuntar para pior”. O conceito de Comunhão só é positivo quando a afinidade envolvida no conceito aponta para o bem; da mesma forma, “estar juntos” não é uma indicação de que algo bom vai sair daquela “união”. O mandamento claro da Nova Aliança é amar os outros “como Jesus nos amou” (João 15.12, 13.34). Qualquer injustiça é pecado, mas pecados espirituais que vão de encontro a este mandamento devem ter um peso maior do que pecados carnais. A Bíblia diz que “aquele que odeia o seu irmão é assassino, e nenhum assassino tem a vida eterna permanente em si”. Participar da Ceia sem discernir o Corpo (a igreja de Cristo) é tornar-se réu do “corpo e do sangue” de Jesus; e todo réu, quando julgado, padecerá as consequências impostas pelo justo juiz. Por esta razão, dizia Paulo, havia muitos crentes na igreja em Corinto que estavam fracos, doentes e morrendo prematuramente. A grande lição que deve servir de alerta a todos nós é que “se nos julgarmos a nós mesmo não seremos julgados, mas quando não nos julgamos, seremos disciplinados pelo Senhor”
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    1 hr 21 min
  • Raul Seixas, Calvinismo, Esquizofrenia e Libertação | Natan Rufino
    Natan Rufino é casado com Ana Gaia e pai do Theo. Exerce um ministério de ensino da Palavra de Deus desde 1991 após ter sido milagrosamente curado de esquizofrenia paranóide. Após um período hospitalizado e quase um ano de remédios controlados, a revelação da Palavra de Deus trouxe-lhe finalmente a cura.
    Além da formação técnica em programação de computadores, é escritor, tradutor, bacharelando em Teologia e viaja pelo Brasil ministrando seminários em diversas instituições cristãs.
    1 hr 16 min

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