Natan Rufino | Áudio
Download on the App Store

Natan Rufino | Áudio episodes

  • A Mensagem Mais Desprezada no Cristianismo | Natan Rufino
    Mateus 18.23,24
    23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
    24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
    Jesus deliberadamente optou por usar essa quantia exorbitante de dez mil talentos. O talento era a mais alta unidade monetária da época. Havia talentos de prata e ouro. Um talento de prata correspondia a 6 mil denários. O talento de ouro, por sua vez, valia pelo menos 30 vezes mais do que o de prata. Supondo que o talento da história contada por Jesus fosse de prata, que é o de menor valor, a dívida do homem equivaleria a 60 milhões de denários (10 mil talentos vezes 6 mil denários).
    Conhecedores do assunto dizem que um trabalhador comum na época de Jesus ganhava um denário por jornada diária de trabalho.Se um denário equivalia ao trabalho de um dia, e um ano judeu tinha 360 dias, podemos dizer que 60 milhões de denários divididos por 360 dias daria o total aproximado de 166 mil anos. Se fizermos as contas direitinho, veremos que o servo da história de Jesus precisaria trabalhar aproximadamente 150.000 anos (166 Mil para ser exato), ganhando essa quantia, para que pudesse pagar os dez mil talentos que devia àquele senhor. Veja bem, não seriam 150 anos, mas sim 150 mil anos! Como uma vida tem em média uns 80 anos, dividindo 150 mil anos por 80, teremos o resultado de 1.875 vidas de 80 anos! Esta é a quantidade de vidas que o homem precisaria viver até os 80 anos para conseguir pagar aquela dívida se economizasse um denário por dia. O que Jesus queria enfatizar é que aquele homem possuía uma dívida impossível de ser paga. Na parábola de Jesus esta dívida representa a dívida do homem para com Deus, simplesmente impossível de ser paga.
    Mateus 18.25,26
    25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.
    26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei.
    Era uma dívida tão exorbitante, que, para tentar fazer que a dívida fosse paga, o rei ordenou a venda dele, da mulher e dos filhos como escravos, além da venda de tudo que ele possuía. O servo, então desesperado, ajoelhou-se diante do senhor. Jesus não diz apenas que o homem se ajoelhou, mas menciona o fato de que ele se ajoelhou com reverência. O homem não parecia ser um irresponsável e irreverente qualquer. Até o momento, este homem não apresenta qualquer traço de maldade, muito pelo contrário, parecia ser um pai de família responsável que se importava com o bem estar dos seus familiares. Quando ele se ajoelha reverentemente perante o rei, ele não o faz para pedir a anulação da dívida ou para dizer que seria impossível pagá-la, ou mesmo que a cobrança era injusta. Ele não pede para ser perdoado, ele pede paciência ao seu credor para poder pagar o que deve.
    Comovido com a situação dos seus familiares, não importando o quão utópica fosse a sua promessa, aquele homem se humilhou e pediu tempo para que pudesse tentar resolver a situação. A promessa do devedor de quitar a sua dívida era absolutamente impossível de ser cumprida, mas a sua atitude diante do rei tocou o coração do soberano.
    Mateus 18.27-30
    27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
    28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.
    29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei.
    30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
    O que tocou o coração do rei não foi outra coisa senão a atitude comovente de humildade e reverência que o servo tomou. Mesmo que fosse impossível cumprir a promessa de quitar a dívida, sua atitude foi suficiente para que o rei tivesse compaixão da sua vida.
    Que história linda teria aquele homem para contar ao chegar em casa! Ele viraria o herói dos seus filhos e teria o respeito e a admiração da sua mulher. Esta história seria passada aos seus netos e de geração em geração.
    Acredito que a ideia clara na história é tentar mostrar o quão maravilhosamente aquele homem havia sido agraciado pelo rei e de como isto, por si só, deveria ser suficiente para que ele tivesse uma vida totalmente diferente a partir de então. Uma vida meditativa por meio da qual pudesse refletir a sabedoria que teria absorvido da sua experiência pessoal.
    Alguém que um dia foi humilhado sabe a dor que sente aquele que passa por humilhação. O normal é esperar que aquele que foi humilhado não humilhe. Quem um dia passou fome não tem prazer em ver alguém na mesma situação porque sabe como é se sentir assim. De fato, é possível que esta pessoa não consiga ficar indiferente ao sofrimento do outro. Normalmente, quem passou fome não quer que outros passem. Semelhantemente, quem um dia foi perdoado conhece o refrigério interior que é proporcionado pelo amor expresso através do perdão. O natural é esperar que aquele que foi perdoado, perdoe.
    O rei desta história representa o Senhor Deus Todo-Poderoso, e Jesus revela graciosamente o seu coração generoso e pronto para perdoar. No entanto, a intenção clara de Jesus é mostrar que todo aquele que tem a experiência de provar a compaixão de Deus, deve passá-la adiante tendo compaixão pelos outros também.
    A compaixão é, sem dúvida, um dos mais belos atributos divinos com o qual temos o privilégio de conviver. Não apenas somos privilegiados em poder usufruir dela, quando Deus é compassivo conosco, como somos ainda mais privilegiados quando assumimos “o papel de Deus” e a liberamos sobre a vida de um semelhante.
    No verso 28, Jesus conta que aquele homem perdoado encontrou um conhecido que lhe devia apenas 100 denários, e no mesmo momento, aquele admirável homem justo e reverente que conhecemos, desapareceu por completo. Jesus diz que ele mal tinha saído da presença do rei e já passou a agarrar e sufocar o seu devedor. Que situação triste. Não dá vontade de chorar?
    O que eram 100 denários em comparação aos 60 milhões de denários dos quais ele havia sido perdoado?
    Além do mais, quando o seu conservo lhe pediu paciência, prometendo-lhe pagar a dívida, era uma declaração crível, totalmente possível. Situação bem diferente da sua quando esteve diante do rei. Neste caso, ,em pouco mais de três meses tudo estaria pago!
    Mesmo que o homem que fora perdoado não passasse para frente a mesma compaixão perdoando completamente a dívida do seu devedor, se ele simplesmente tivesse sido paciente e gentil com ele, esperando que lhe pagasse, não seria considerado um homem mau. Porém, Jesus propositalmente contou a história do jeito que a conhecemos porque sabia bem como é a natureza humana. Seu objetivo era ensinar exatamente isso: Amamos receber perdão, mas somos carrascos quando chega nossa vez de fazer o mesmo por outra pessoa que também não merece.
    O conservo implorava por paciência. Ele não queria o perdão da dívida, só queria tempo até que tudo fosse resolvido. Porém, o abençoado que agora também poderia abençoar, simplesmente não quis fazê-lo! Isso é muito corriqueiro, infelizmente. Recebemos o perdão de Deus para uma dívida que não teríamos como pagar, e, hoje, quando temos a chance de igualmente perdoar alguém que nos feriu, nós simplesmente não queremos.
    Jesus, com sabedoria cirúrgica, compara o pecado dos homens contra os seus semelhantes com uma pequena dívida que poderia ser paga em três meses. No entanto, compara o pecado dos homens contra Deus como uma dívida que levaria 1.875 vidas de 80 anos para ser paga! Deus quis nos perdoar e perdoou. Nós, por outro lado, tão mesquinhos e fúteis, não queremos perdoar o outro e muitas vezes acabamos realmente não perdoando.
    O protagonista da história contada por Jesus fora tão reverente na hora de se prostrar e de pedir compaixão por si e pelos seus, que poderíamos admirá-lo pela sua coragem e compromisso em proteger a sua família. No entanto, quando teve oportunidade de pôr em prática o que tinha aprendido com o perdão da sua dívida, ele deixou o mal presente na natureza humana prevalecer.
    O comportamento daquele homem inicialmente nos fez pensar que ele amava a sua vida e sua família de forma nobre, mas o seu comportamento para com os outros nos mostrou que ele não passava de um egoísta. Preocupava-se apenas com os seus e mais ninguém. Sua única preocupação estava em sua própria vida e no seu mundinho particular.
    Pessoas assim parecem estar focadas em como podem tirar proveito de qualquer situação. Se elas são favorecidas, ótimo, mas na cabeça delas isso não quer dizer que tenham de favorecer alguém. Elas conseguem apreciar o perdão recebido, mas não estão prontas para proporcionar a mesma alegria na vida de outras pessoas perdoando também, pois não conseguem ver o que ganhariam com isso.
    Acontece também que em algumas ocasiões, a pessoa que se sente incapaz de perdoar age assim porque sabe que o perdão fará bem a quem lhe feriu, e ela simplesmente não quer isso! Principalmente se ela continua se sentindo mal pelo que lhe fizeram, tal pessoa não suportaria ver o “algoz” feliz enquanto ela ainda estivesse triste e magoada. Em suma, um egoísta acredita que é sempre maravilhoso e divino uma pessoa receber o perdão quando não se merece, desde que esta pessoa seja ela mesma.
    Eu sei que é um sentimento muito feio, e causa certo desconforto ter que deixá-lo tão explícito como estamos fazendo, mas é exatamente por causa de sentimentos como este que não conseguimos perdoar aos que nos ofenderam ou nos magoaram. O melhor que temos a fazer é reconhecer o problema para que o enfrentemos se ele estiver presente. Bem melhor do que fingir que ele não existe e sermos depois repreendidos por Cristo por causa disso.
    Mateus 18.31-35
    31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo q
    1 hr 41 min
  • A Predestinação na Salvação: Os Parentes Debaixo da Promessa | Natan Rufino
    “Crê no Senhor Jesus e Serás Salvo, Tu e Tua Casa” (Atos 16.31). Acredito que todos devem lembrar que esta foi a resposta dada por Paulo e Silas ao serem abordados pelo carcereiro em Filipos, que lhes perguntou: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” e então, foi-lhe dita esta frase já tão conhecida de todos nós: “Crê no senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”
    A princípio, parece não haver complicação alguma para o entendimento desta frase tão simples. No entanto, devemos considerar que, mesmo de uma frase tão simples, é possível que se tire as mais diversas conclusões a seu respeito.
    Por que os apóstolos disseram isto? É uma promessa para todo filho de Deus? Significa que, se aceitarmos Jesus, todos os nossos parentes serão salvos? Teria sido uma Palavra de Sabedoria sobre um futuro inevitável para a vida daquele homem? Estariam eles falando sobre ser salvo de algum incidente natural, como, por exemplo, uma punição romana qualquer, ou sobre a salvação espiritual? Afinal de contas, o que esta resposta realmente significa?
    Meu objetivo com esta mensagem é ajudar os irmãos a lembrar de outros textos que nos oferecem alguns princípios que nos guiarão a uma interpretação equilibrada desta porção das Escrituras.
    1 hr 11 min
  • "Tomar a Ceia em Pecado" | Natan Rufino
    A segunda metade de 1 Coríntios 11 é um texto onde Paulo demonstra sua indignação pelo comportamento indevido dos irmãos para com outros membros do Corpo de Cristo. É por causa deste texto que compreendemos o que realmente a Ceia representa aos olhos de Jesus Cristo. Paulo diz que sua percepção sobre a santa ceia tinha sido recebida do próprio Cristo ressurreto em pessoa; e acrescenta que enquanto os irmãos estivessem se “ajuntando para pior” ou “vivendo em divisões” e “menosprezando e envergonhando os irmãos”, “sem discernir os membros do Corpo”, eles estariam “bebendo e comendo juízo para si mesmos”, ainda que ingenuamente pensassem que estivessem “comendo a ceia”.
    O mandamento claro da Nova Aliança é amar os outros “como Jesus nos amou” (João 15.12, 13.34). Qualquer injustiça é pecado, mas pecados espirituais que vão de encontro a este mandamento devem ter um peso maior do que pecados carnais. A Bíblia diz que “aquele que odeia o seu irmão é assassino, e nenhum assassino tem a vida eterna permanente em si”. Participar da Ceia sem discernir os membros do Corpo de Cristo é tornar-se réu do “corpo e do sangue” de Jesus; e todo réu, quando julgado, padecerá as consequências impostas pelo justo juiz. Por esta razão, dizia Paulo, havia muitos crentes na igreja em Corinto que estavam fracos, doentes e morrendo prematuramente. A grande lição que deve servir de alerta a todos nós é que “se nos julgarmos a nós mesmo não seremos julgados, mas quando não nos julgamos, seremos disciplinados pelo Senhor”.
    1 hr 6 min
  • O Anticristo, O Espírito Santo, Os Judeus
    Daniel 9.26,27
    26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e O POVO de um PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR DESTRUIRÁ A CIDADE E O SANTUÁRIO, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. 27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.
    Que cristão estudante de Escatologia nunca leu o texto acima ou que nunca o ouviu sendo citado como ponto crucial na identificação do futuro inimigo de Israel no tempo do fim? É crença evangélica comum aceitar esse texto como uma das indicações da identidade do Anticristo.
    O Ungido mencionado no versículo 26, que seria morto, fala especificamente de Jesus Cristo, e, logo em seguida, ele acrescenta que um príncipe virá e menciona que o povo deste príncipe destruiria a cidade e o santuário dos judeus.
    Seria possível gastar um bom tempo falando sobre alguns dos aspectos apresentados apenas nos dois versículos que lemos, mas a parte que me interessa para este texto que escrevo é aquele que diz: “O povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade [de Jerusalém] e o santuário”.
    Acredito que todos concordariam em dizer que o povo mencionado por Daniel não seria o próprio povo judeu, pois tudo parece indicar que Daniel falava de um povo que atacaria o seu povo e não que seu próprio povo “se atacaria”. O povo mencionado não seria judeu, assim também o príncipe que virá não poderá ser judeu.
    Desde quando Daniel proferiu essas palavras até o dia em que o santuário mencionado fora realmente destruído, passaram-se centenas de anos. A história nos conta que a destruição mencionada se deu apenas no ano 70 d.C. durante a liderança de Tito, imperador romano.
    Exatamente por isso a “conclusão óbvia” por parte de inúmeros cristãos a respeito do texto de Daniel foi: “Se o príncipe que virá é o Anticristo previsto, e o povo que destruiria a cidade e o templo seria o povo do Anticristo, então, provavelmente o Anticristo será um líder romano, já que foram os romanos que destruíram o templo como profetizado por Daniel”.
    Com base nesse raciocínio a igreja cristã assimilou e propagou a ideia de um futuro Anticristo italiano, dando até margem para romances cristãos e filmes evangélicos que expressam essa percepção.
    Meu objetivo aqui não é ser controverso com qualquer um dos meus irmãos que pensam diferente, mas a meu ver tem algo de errado na interpretação que temos feito do texto de Daniel, e vou explicar porquê.
    Primeiro, se vamos confiar nos dados históricos para desenvolver o raciocínio em torno desse texto, devemos manter consistente nossa consideração da história. Muitos até consideram o fato histórico da destruição do templo sob o período do domínio romano, mas não consideram as circunstâncias nas quais isso realmente aconteceu.
    Muitos gostam de citar o historiador Flávio Josefo para confirmar seus argumentos quanto à destruição do templo por parte dos romanos. No entanto, é o próprio Flávio Josefo quem nos ajudará a decifrar esse enigma. Iossef ben Matitahu ha-Cohen, mais conhecido em português por Flávio Josefo, nasceu no ano 37 d.C. e faleceu por volta do ano 100 d.C. Nascido em Jerusalém, e de família sacerdotal, foi criado na melhor tradição judaica, recebendo boa educação para os padrões da época. Segundo sua autobiografia, seu conhecimento era minucioso quanto aos ensinamentos nos textos tradicionais da Torá; sendo que mais tarde, Josefo procurou por iniciativa própria, os ensinamentos dos saduceus, fariseus e essênios. Ainda jovem, chegou a ser um dos líderes do reduzido exército que se rebelou contra os invasores romanos e depois da derrota entregou-se aos romanos, caindo nas graças de Vespasiano – comandante das legiões romanas – ao profetizar que este se tornaria imperador. Como sua profecia se confirmou, ele tornou-se protegido do imperador romano, recebeu o título de cidadão e foi nomeado Flávio, o nome da dinastia dominante na época. Passou a residir em Roma e escreveu algumas obras históricas, entre elas “A Guerra dos Judeus” onde relata os pormenores do conflito que resultou na destruição da cidade de Jerusalém e do templo. Tendo sido testemunha ocular de todo o processo de invasão e destruição, dedicou o término dos seus dias à história da catástrofe nacional: A destruição do Segundo Templo e o despovoamento da Judéia.
    Enquanto alguns supõem que os romanos invadiram e atacaram conscientemente a cidade e o templo de Jerusalém, Flávio Josefo registra algo bem diferente em seu livro “A Guerra dos Judeus”. No tomo de número seis, encontramos as seguintes declarações:
    Parágrafo 256:
    “CÉSAR INDICAVA com sua voz e com sua mão direita aos combatentes QUE APAGASSEM O FOGO, mas eles, com seus ouvidos aturdidos pelo ruído ainda maior, não ouviram suas palavras nem prestaram atenção aos sinais da sua mão, pois uns estavam distraídos pela luta, e outros, pela sua própria cólera”.
    Parágrafo 257:
    “Nem os conselhos NEM AS AMEAÇAS FREARAM o ímpeto DAS LEGIÕES que se dirigiam até ali, sendo que o furor capitaneava a todos...”
    Parágrafo 258:
    “Quando os soldados estavam próximos do Templo, agiam como SE NEM SEQUER OUVISSEM AS ORDENS DE CÉSAR e animavam os que iam adiante a jogar o fogo no interior”.
    Parágrafo 260:
    “CÉSAR, COMO FOI INCAPAZ DE CONTER O ÍMPETO DE SEUS SOLDADOS, que estavam cheios de entusiasmo, e o fogo que ia se estendendo, se dirigiu com seus oficiais ao interior...”
    Parágrafo 261:
    “Como as chamas não tivessem ainda alcançado o interior, mas assolavam as acomodações que rodeavam O SANTUÁRIO, TITO pensou, o que realmente era verdade, que ainda podia SALVAR-SE ESTA OBRA, e saiu fora.
    Parágrafo 262:
    “ELE MESMO TENTOU CONVENCER OS SOLDADOS PARA QUE APAGASSEM O FOGO e ORDENOU a Liberálio, centurião de seus lanceiros, OBRIGAR A GOLPES OS QUE DESOBEDECIAM”.
    Parágrafo 263:
    “NO ENTANTO, SEU FUROR, SEU ÓDIO CONTRA OS JUDEUS e um feroz ímpeto guerreiro ESTIVERAM ACIMA DO RESPEITO A CÉSAR e do medo à pessoa que os castigava”.
    Parágrafo 265:
    “Um dos que tinha entrado no interior, quando CÉSAR SAIU PARA CONTER AOS SOLDADOS, se apressou a deixar na escuridão a tocha ardendo nos umbrais da porta”.
    Parágrafo 266:
    “Então a chama brilhou imediatamente no interior. Os generais se retiraram junto com Tito, e NADA IMPEDIU OS SOLDADOS de fora continuarem com o fogo. Desta forma, CONTRA A VONTADE DE CÉSAR, O TEMPLO FOI INCENDIADO”.
    Parágrafo 268:
    “Há de admirar-se nesta circunstância a exatidão da coincidência temporal. Como lhes disse, a destruição se cumpriu no mesmo mês e dia em que antes tinha sido incendiado o Templo pelos babilônicos”.
    Parágrafo 269:
    “Desde sua primeira construção, que levou a cabo o rei Salomão, até a ruína de hoje, no segundo ano do principado de Vespasiano, passaram-se 1130 anos, sete meses e quinze dias”.
    Parágrafo 270:
    “E desde sua reconstrução posterior, feita por Ageo (N.T.: Esdras 5.1) no segundo ano do reinado de Ciro, até a conquista de Vespasiano temos seiscentos e trinta e nove anos e quarenta e cinco dias”.
    Roma, na pessoa do imperador Tito Flávio Vespasiano Augusto, não planejou, não incentivou e não concordou com a destruição do Templo! Os soldados das legiões presentes tomados por um ódio natural que lhes era comum contra os judeus, assolaram e destruíram a cidade e o Templo.
    Neste momento alguém poderia se perguntar: Mas por quê soldados de Roma teriam tanto ódio assim dos judeus? A questão é exatamente essa: Os soldados não eram de Roma! O fato é que do ano 15 em diante o império romano restringiu os soldados italianos apenas à chamada "guarda pretoriana", uma guarda especial responsável por guardar o imperador e as tendas dos generais. Todos os outros soldados arregimentados durante esse período eram de províncias locais debaixo do império.
    Outro historiador famoso chamado Públio Cornélio Tácito falando sobre o ataque romano à Jerusalém, nos dá informações importantes sobre as legiões que participaram do acontecimento: “Tito César... encontrou na Judéia três legiões: a 5ª, a 10ª, e a 15ª... a estas ele acrescentou a 12ª da Síria, e alguns homens que pertenciam às legiões 18ª e 3ª, que ele havia retirado da Alexandria. Esta força estava acompanhada por um poderoso contingente de Árabes, que odiavam os Judeus com o ódio comum de vizinhos”.
    Todas as legiões que atacaram e destruíram Jerusalém e o Templo eram do Oriente Médio. Todas elas consistiam majoritariamente de soldados orientais: Árabes, Sírios, Egípcios, etc. Por volta do ano 70 d.C. não apenas as legiões das províncias orientais, mas literalmente o exército inteiro chegou a ser dominado pelos “soldados provincianos”.
    Estas são as legiões mencionadas nos parágrafos acima:
    V Macedônia (Judéia);
    X legião fretensis – décima legião do estreito marítimo (Síria);
    XV Apollinaris (Síria);
    XVIII (Egito);
    III Gálica (Síria);
    XII Fulminata (Ásia Menor, Síria).
    Lembre-se que Roma era uma cidade europeia pertencente à Itália. A maioria esmagadora dos soldados que destruíram a cidade e o Templo eram Árabes, Sírios e descendentes de Ismael e Esaú!
    Alguém poderia pensar: “Tudo bem que os soldados das legiões romanas tenham sido árabes, mas eles estavam sob autoridade de comandantes italianos, então a responsabilidade deve recair sobre os romanos de qualquer forma!”. No entanto, já vimos que o imperador Tito jamais ordenou ou sequer aprovou o comportamento dos soldados em relação a destruição do Templo. Além disso, outro detalhe importante deve ser observado.
    A questão é que diferentes povos eram romanos, inclusive os judeus, mas não eram italianos ou europeus. O próprio Apóstolo Paulo, hebreu de pais hebreus, era cidadão romano desde o nascimento, ao passo que o comandante militar de Atos 22.28 teve que gastar grande soma de dinheiro pelo título de cidadão romano,...
    1 hr 5 min
  • A Importância do Batismo no Espírito Santo
    Em vários lugares das Escrituras encontramos passagens que fazem referência ao fato de Deus ter prometido que um dia seu Espírito seria concedido livremente aos homens. Um dos textos mais populares se encontra em Joel 2.28,29 quando Deus disse “Acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. Inclusive esta foi a passagem usada por Pedro quando quis explicar que os discípulos não estavam embriagados como alguns estavam pensando, e foi com este texto bíblico que Pedro explicou que aquilo não era outra coisa senão o cumprimento da profecia do derramamento do Espírito Santo que havia sido prometido por Deus.
    Além dos inúmeros textos do Antigo Testamento que fazem alusão a esta promessa, também encontramos outros textos no Novo Testamento que também a mencionam, demonstrando assim a sua importância para a vida cristã na atual Aliança. Em Efésios 1.3 Paulo disse: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tenho nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito PROMETIDO”. Em Gálatas 3.14 Paulo diz: ” Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito PROMETIDO”. O próprio Jesus mencionou esta importante promessa: “Eis que envio sobre vós a PROMESSA de meu Pai” (Lucas 24.49). Atos 2.33 diz que “[Após Jesus ter sido] exaltado, à destra de Deus, tendo recebido do Pai A PROMESSA DO ESPÍRITO SANTO, derramou isto [as línguas] que vedes e ouvis”. Para concluir, o povo em Atos 2 depois de ter ouvido a explicação de Pedro sobre as línguas que os confundia, lhe perguntaram no versículo 37: “O que devemos fazer irmãos?” e Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO. Pois para vós outros é a PROMESSA, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2.38,39). O Espírito que fora prometido por Deus é para todos quantos o Senhor chamar!
    Ora, se Deus prometeu, certamente é porque ele desejava dar o que fora prometido! Deus quis, planejou e fez questão de gerar expectativa ao longo dos anos de que um dia o seu Espírito habitaria o coração do homem e o seu poder estaria sobre todos aqueles que nele cressem. Por meio de Ezequiel o Senhor disse: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ezequiel 36.26,27). Quando Jesus mencionou a vinda do Espírito Santo ele disse: “O Pai vos dará outro Consolador, afim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber… vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (João 14.16,17).
    Quando os cerca de 120 irmãos foram cheios do Espírito Santo pela primeira vez e falaram em línguas Pedro disse que se tratava do cumprimento da antiga promessa de que “Nos últimos dias Deus derramaria do seu Espírito sobre toda carne” (Atos 2.17). Se o dia de Pentecostes foi o primeiro dia em que crentes receberam o Espírito Santo, com a evidência bíblica de falar em outras línguas, então, aquele foi o primeiro dia dos últimos dias! O Batismo no Espírito Santo é uma característica necessária para todo crente que viverá durante o período bíblico chamado de “últimos dias”. Deus não fez planos para que seus servos vivessem os últimos dias sem os recursos e benefícios advindos da oração em línguas, consequência direta do Batismo no Espírito Santo.
    Infelizmente alguns cristãos tem experimentado apenas uma parte do que Deus planejou para eles; influenciados talvez por uma pregação parcial a respeito do Batismo no Espírito Santo, muitos estão experimentando apenas parte do que houvera sido prometido. Um relato no capítulo 19 do livro de Atos exemplifica muito bem o que acabei de dizer. Do Versículo 1 ao 6 diz que “Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam”. Estes irmãos de Éfeso não tinham sido batizados no Espírito Santo porque “sequer tinham ouvido falar a respeito”. Esta sempre é a razão porque alguns cristãos não experimentam tudo que poderiam, pois nem sempre tem tido a sorte de ouvir uma pregação bem fundamentada nas Escrituras, sem os floreios e intervenções do preconceito humano.
    Observe que Apolo era aquele que ministrava os estudos da palavra aos irmãos em Éfeso antes da chegada de Paulo. Numa determinada ocasião em que Apolo estava viajando por Corinto e Paulo passou pela cidade de Éfeso, aconteceu o que lemos no parágrafo acima; mas, a única coisa que explica o porquê daqueles irmãos estarem vivendo aquela experiência cristã parcial, limitada, incompleta é que o seu pregador oficial, Apolo, muito provavelmente não entendia muito sobre Batismo no Espírito Santo. E é exatamente isso o que as Escrituras confirmam, observe versículos anteriores ao acontecimento registrado no capítulo 19: “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áqüila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (Atos 18.24-26). Os irmãos de Éfeso disseram a Paulo: “Fomos batizados no batismo de João” e “nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo” (Atos 19.3,2) porque o pregador a quem eles ouviam por mais que fosse “eloquente e poderoso nas Escrituras” conhecia apenas o batismo de João! Ninguém pode dar aquilo que não tem!
    É uma tristeza ter que dizer isso, mas nós vemos a mesma história se repetir hoje em dia também. Muitos pregadores dos nossos dias também trazem consigo caraterísticas louváveis em seu “pedigree espiritual”. São homens eloquentes, poderosos nas Escrituras, instruídos no caminho do Senhor, fervorosos de espírito, falam e ensinam com precisão, mas não entendem o batismo no Espírito Santo! Meu conselho é: Tenhamos misericórdia destes irmãos pregadores e sejamos compassivos, pois eles são preciosos pregadores de Cristo, ainda que não entendam sobre o Batismo no Espírito. Por outro lado, devemos inspirar os cristãos, de forma geral, a serem como os irmãos de Éfeso que ousaram aprender um pouco mais pela influência de alguém como Paulo, que por sua vez sabia o que lhes ensinar a respeito do assunto, e como ajudá-los a receber o Espírito Santo.
    Sim, é possível ensinar alguém o suficiente para que esta pessoa possa então receber o Espírito Santo! Em Atos 8 está escrito que muitos em Samaria deram ouvidos a Filipe, que os evangelizava, e iam sendo batizados, tanto homens como mulheres. De fato, espíritos imundos eram expulsos, paralíticos e coxos eram curados e houve grande alegria naquele cidade (Atos 8.12,7,8). Observe, porém, que a despeito desta maravilhosa experiência cristã, eles ainda não tinham sido batizados no Espírito Santo. Quando os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ouviram que Samaria tinha recebido a Palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João para que orassem por eles para que recebessem o Espírito Santo! Por que isso? Porque o Espírito não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas SOMENTE HAVIAM SIDO BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS (Atos 8.14-16). Acredito que você percebe que poderíamos fazer inúmeros comentários pertinentes com as frases do texto bíblico citado, mas, para o propósito imediato do nosso argumento, quero apenas chamar sua atenção para o seguinte: Pedro e João viajaram de Jerusalém para Samaria para orar pelos irmãos para que eles recebessem o Espírito Santo! Se o Batismo no Espírito Santo, o recebimento do Espírito Santo, fosse uma experiência que estivesse completamente nas mãos de Deus, como julgam alguns, Pedro e João não teriam tomado tal iniciativa para que os irmãos recebessem por meio de sua ajuda e influência, certo? Assim como Paulo fez em Éfeso, Pedro e João fizeram pelos irmãos em Samaria.
    Lembre-se daquilo que Paulo perguntou em Gálatas 3.2: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”. Esta é uma pergunta retórica. Paulo, os gálatas e nós, sabemos qual é a resposta! Os irmãos da Galácia, assim como qualquer outro irmão, jamais receberam o Espírito por praticarem as obras da lei e sim pela pregação da fé. Ou seja: existe uma pregação certa que produz a fé necessária no coração do ouvinte que o faz receber o Espírito Santo! Os irmãos de Éfeso não tinham sido batizados no Espírito Santo porque não tinham ouvido uma pregação que os ajudasse nesse assunto; mas, a partir do momento que Paulo lhes corrigiu esta doutrina com a sua pregação, eles foram cheios do Espírito Santo! Glória a Deus!
    Como diz Gálatas 3.14: “É pela fé que recebemos o Espírito que fora prometido”, mas não podemos esquecer que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus! Oremos por comunidades e ajuntamentos cristãos onde seja realmente pregada cada vez mais a verdadeira p
    1 hr 20 min
  • Crescimento Espiritual | Ana Gaia Rufino
    Ana participa dos grupos de música na igreja em que congrega, prega a palavra nas reuniões onde é convidada e ministra aulas no Centro de Treinamento Bíblico RHEMA Brasil. Além de suas atividades na igreja local também viaja pelo Brasil ministrando seminários em diversas denominações e ensinando a Palavra de Deus na unção do Espírito Santo.
    48 min
  • ESCATOLOGIA: O Dia do Senhor e a Apostasia antes do Anticristo
    Em relação a palavra “apostasia”, que aparece em 2 Tessalonicenses na forma de substantivo, eu compreendo o porquê de tanta confusão na cabeça do povo, pois nas versões que temos disponíveis hoje em dia eles pararam de traduzi-la e passaram a fazer das duas uma: ou eles “interpretam” a palavra ou simplesmente (e menos mal) a “transliteram” para o Português. Transliterar consiste basicamente em substituir cada letra grega por uma letra do idioma Português que melhor a represente. Assim surgiu a palavra “apostasia” em nosso idioma, com o significado próprio que a nossa cultura lhe atribuiu.
    Assim como a palavra “Apóstolo”, que não é uma tradução, mas uma transliteração que ganhou um “significado próprio”, o mesmo aconteceu com a palavra apostasia. Por isso ao ler 2 Tessalonicenses muita gente fica perdida por não imaginar um possível significado diferente ao que está acostumada a ouvir. A maioria do povo só conhece um dos sentidos que a palavra grega possui, e parece nunca ter estudado à fundo sobre o assunto para obter uma compreensão melhor ou diferente. Desta forma, o sentido de “desvio ou afastamento espiritual” é o mais frequentemente usado no meio cristão em relação à palavra apostasia. Contudo, a verdade é que no Novo Testamento a palavra apostasia, juntamente com outros derivados, são mais frequentemente usados como “afastamento físico” do que “afastamento espiritual ou doutrinário”.
    O léxico grego de Liddell & Scott, conhecido e respeitado nos Estados Unidos, define a palavra APOSTASIA apresentando 4 possíveis significados de acordo com o contexto em que ela apareça:
    Deserção, Revolta; especialmente no sentido espiritual: Rebelião contra Deus. Esse é o sentido mais conhecido para “apostasia” no meio evangélico de forma geral (e pela sua forma de falar imagino que deva ser o sentido que você também conheça).
    Partida (saída, afastamento), Desaparecimento;
    Distinção;
    Distância.
    A mesma palavra aparece na forma de verbo (“Aphistemi”) mais 15 vezes no Novo Testamento e apenas em três delas no sentido de “afastamento espiritual” ou “afastamento doutrinário”. Todas as outras 12 vezes se referem a AFASTAMENTO FÍSICO.
    No sentido de afastamento espiritual, temos:
    1 Timóteo 4.1
    “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos APOSTATARÃO alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”;
    Lucas 8.13
    “E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se DESVIAM”
    e Hebreus 3.12
    “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para SE APARTAR do Deus vivo”.
    Todas as outras vezes que essa palavra aparece em sua forma verbal no Novo Testamento estão no sentido de afastamento físico e não espiritual ou doutrinário, veja alguns exemplos:
    Lucas 2.37
    E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se AFASTAVA do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.
    Atos 15.38
    Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha APARTADO deles e não os acompanhou naquela obra.
    Lucas 4.13
    E, acabando o diabo toda a tentação, AUSENTOU-SE dele por algum tempo.
    Atos 19.9
    Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, RETIROU-SE deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.
    2 Coríntios 12.8
    Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se DESVIASSE de mim.
    Além disso, a palavra “apostasion”, que vem da mesma raiz, aparece em Mateus 19.7 no contexto de SEPARAÇÃO CONJUGAL e foi traduzida em algumas das nossas bíblias como “divórcio”, veja: “Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de DIVÓRCIO (“Apostasion”), e repudiá-la?”.
    Não é curioso que na grande maioria das vezes que a palavra “apostasia” e outros derivados apareçam no Novo Testamento eles estejam em contextos de separação física e mesmo assim as pessoas insistam em querer interpretar o seu aparecimento em 2 Tessalonicenses no sentido espiritual?
    Como se não bastasse, os primeiros tradutores da Bíblia traduziram 2 Tessalonicenses 2.3 como “partida” ou “retirada”. Somente depois da influência da versão do Rei Tiago (King James Version produzida em 1611) que os futuros editores passaram a imitar a sua linha de interpretação colocando a palavra como “afastamento espiritual”. Todavia, quase todas as versões até então a traduziam como “afastamento físico”, dentre elas estão:
    Ano 1384 Wycliffe Bible
    Ano 1526 Tyndale Bible
    Ano 1535 Coverdale Bible
    Ano 1539 Crammer Bible
    Ano 1576 Breeches Bible
    Ano 1583 Beeza Bible
    Ano 1608 Geneva Bible
    Finalmente, mas não menos importante, uma leitura mais atenciosa de 2 Tessalonicenses poderia ajudar numa possível melhor interpretação do texto em questão. Se não, vejamos.
    2 Tessalonicenses 2.3
    3 Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto (o Dia do Senhor, o Juízo Divino mencionado no final do versículo anterior) não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, Observe que Paulo disse que após a apostasia o destruidor seria revelado.
    2 Tessalonicenses 2.6
    6 E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Novamente Paulo repete que o Anticristo será “revelado”, mas desta vez ele diz que não será antes do tempo, pois até lá algo o detém. 
    2 Tessalonicenses 2.7,8
    7 Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; 8 então, será, de fato, revelado o iníquo…Pela terceira vez Paulo diz a mesma coisa: Antes tem que acontecer algo, para somente depois, o Anticristo ser revelado.
    Fica claro que Paulo está repetindo a mesma verdade nos versículos acima, observe:
    Primeiro a apostasia e o Anticristo será revelado (v.3);
    O Anticristo será detido, até que seja revelado (v.6);
    Tem que ser afastado aquele que o detém, então o Anticristo será revelado (v. 7,8).
    Veja que Paulo não foge do assunto. Ele repete o mesmo ponto com pequenos acréscimos de informações usando palavras levemente diferentes. Com as três frases acima podemos enxergar com mais clareza que Paulo está falando que: Algo está detendo a manifestação do Anticristo e assim continuará até que isto seja retirado do caminho.
    Ao ler o contexto, observa-se claramente que Paulo não está falando sobre alguma coisa que estava ausente que precisaria chegar para que o Anticristo pudesse ser revelado, e sim de algo que estava presente que precisava ser afastado para que o Anticristo pudesse ser manifesto. Em momento algum Paulo pareceu dizer que precisaria acontecer uma grande heresia ou afastamento espiritual primeiro para que assim a revelação do Anticristo não fosse mais detida. Isso nem sequer faz sentido. Em relação à manifestação do Anticristo Paulo estava falando sobre um “empecilho” que teria que ser retirado e não sobre um “auxílio” que precisaria ter chegado. É a retirada daquilo que o detém que lhe permitirá agir livremente e não a chegada daquilo que estivesse faltando que o daria força para revelar-se.
    Isso quer dizer que também aqui, em 2 Tessalonicenses, a palavra “apostasia” parece estar sendo usada como “afastamento FÍSICO”  e não “afastamento espiritual ou doutrinário”. Paulo está falando sobre algo que deve ser RETIRADO ou AFASTADO fisicamente, para que, somente então, o Anticristo possa ser revelado pelo mistério da iniquidade.
    O Espírito Santo, que atua através do Corpo de Cristo, é aquele que detém a possibilidade da manifestação do Anticristo. Somente após o término desta atuação específica do Espírito Santo nesta Aliança, através da igreja, é que começará uma nova fase do desenrolar da história humana. Aquele será o tempo em que o Anticristo se manifestará e desencadeará outros acontecimentos já previstos.
    35 min

About Natan Rufino | Áudio

From the publisher's feed

Ministrando a Palavra de Deus com Graça e Muita Alegria!