Natan Rufino | Áudio
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Natan Rufino | Áudio episodes

  • A Morte e Ressurreição do Espírito Humano
    O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, uma "duplicata em espécie da categoria divina". Não é por acaso que Lucas, ao construir a geneaologia de Jesus, quando chega em Adão ele diz que este era filho de Deus. De tudo que foi criado no início do mundo, o homem foi o único que não fora criado por uma palavra de comando de Deus. Todas as coisas foram criadas pela Palavra de Deus, menos o homem.
    Gênesis 2.7
    Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.
    O corpo do homem veio do pó, o espírito do homem veio de dentro de Deus e a alma humana é o resultado da união entre este espírito e o corpo criado. O homem, como filho de Deus, foi destinado para ser o Senhor de toda a terra, sujeitando-a e subjugando os animais e todo o restante da criação.
    Acredito que a Bíblia se trata de uma revelação progressiva. É quando chegamos no Novo Testamento que entendemos melhor a constituição do gênero humano. Paulo é aquele que faz a declaração mais precisa das Escrituras sobre a natureza humana:
    1 Tessalonicenses 5.23
    O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Este é o homem: espírito, alma e corpo! Alguns chegaram a pensar que apenas o espírito de Adão tinha vindo diretamente de Deus, ao passo que o espírito dos outros seres humanos viriam de seus pais. Alguns cristãos até chegaram a usar o texto de Gênesis 2.21-24 para tentar argumentar em favor desta ideia. Como o texto em questão, ao relatar a criação de Eva, não fala explicitamente sobre o seu espírito ter sido uma extensão divina representada pelo sopro de Deus, como no caso de Adão, alguns passaram a pensar que isso significasse que o espírito de Eva tinha vindo junto com a costela que fora retirada do corpo de Adão.
    Desde os primórdios do Cristianismo o debate sobre a mais provável origem do espírito humano vem sendo travado. Os assim chamados "pais da igreja" como Orígenes, Pelágio, Tertuliano, Agostinho e outros, estiveram envolvidos em discussões filosóficas e doutrinárias tentando chegar ao que seria a ideia mais bíblica sobre o assunto. Podemos citar pelo menos três das principais ideias que surgiram a esse respeito:
    A suposta pré-existência do espírito humano;
    O espírito humano viria dos pais;
    O espírito humano seria criado na gestação.
    Acredito que o espírito humano seja gerado por Deus no momento em que um novo ser humano é gerado na terra. Afinal, Deus é chamado de Pai dos espíritos em Hebreus 12.9. O corpo vem dos pais, mas o espírito vem de Deus.
    Se cada nova criança já nasce espiritualmente separada de Deus como sugerem algumas interpretações, então este novo espírito humano gerado por Deus ou já vem com "defeito de fábrica", ou morre espiritualmente no momento em que entra no corpo. Além disso, se a criança já nasce espiritualmetne morta, separada de Deus, por quê Jesus teria dito que elas são as verdadeiras cidadãs do reino dos céus?
    Em defesa da ideia de que as crianças nascem espiritualmente alienadas de Deus alguns gostam de usar Romanos 5.12. No entanto, acredito que as pessoas que se baseiam neste texto não devem ter prestado muita atenção ao que está escrito.
    Romanos 5.12
    Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
    O que Paulo está dizendo é que "assim como aconteceu com Adão, assim também aconteceu com todos", ou seja: Adão pecou e morreu; da mesma forma, a morte passou a todos, porque todos pecaram! Contudo, por incrível que pareça, algumas pessoas acharam que neste texto Paulo estava dizendo que as crianças já nascem pecadoras, espiritualmente mortas, por causa do pecado de Adão.
    Alguns acreditam que o pecado é passado desde Adão a cada nova pessoa que nasce. Mais ou menos como as características de um pai é passada ao filho através de informações genéticas. Porém, as Escrituras ensinam que o filho não seria culpado do pecado do seu pai, mas cada alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18.19-20). Cada um dará contas de sua própria vida diante de Deus.
    Em Romanos 5.12 Paulo não está ensinando que o homem nasce espiritualmente morto, mas sim que morre epiritualmente quando peca. "Porque o salário do pecado é a morte" (Romanos 6.23). O pecado vem primeiro e a morte vem depois, é sempre assim.
    Neste momento alguém poderia se perguntar se é possível que algum ser humano consiga viver sem pecar desde a infância. Eu diria que é simplesmente impossível que qualquer ser humano consiga crescer neste mundo sem cometer qualquer pecado. Claro que Adão é culpado de os homens se tornarem pecadores, mas a questão é: Como isso acontece? Adão é responsável pelo meu pecado? Eu sou pecador por causa de Adão ou me torno pecador por causa dos meus pecados?
    A Bíblia diz que "no princípio a palavra estava com Deus e era Deus". Diz também que "todas as coisas foram feitas por intermédio desta palavra", e, que, "sem ela, nada do que foi feito se fez". De fato, "a vida estava nesta palavra e esta vida da palavra era o que iluminava os homens" (João 1.1-4). Este texto do Evangelho de João nos ensina que a vida da palavra era aquilo que iluminava o espírito humano. Ainda que a Árvore da Vida fosse uma árvore literal, ela tinha em si a ideia de uma verdade superior que Deus pretendia comunicar ao homem. A vida que iluminava o homem não dependia de uma mordida no fruto certo, mas da comunhão do homem com aquilo que Deus lhe dizia. Não seguir a palavra de Deus significava perder a vida. E foi exatamente isso o que aconteceu.
    Gênesis 3.24
    E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.
    O versículo acima demonstra que o homem perdeu o acesso à vida, que segundo o texto do Evangelho de João, estava na palavra de Deus. O homem perdeu a "vida da palavra", à qual tinha acesso antes do pecado. Deste dia em diante, os homens ficaram fadados a enfrentar as tentações sem a força espiritual que somente a palavra poderia lhes ter dado. Ainda que as crianças nascessem com a vida de Deus em seus espíritos, à medida que estivessem crescendo neste mundo onde Satanás havia se tornado deus, elas seriam sufocadas e contaminadas.
    Jesus, diferentemente das outras crianças, cresceu fisicamente e espiritualmente.
    Lucas 2.52
    E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.
    Lucas 2.40
    Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.
    Os outros seres humanos não tiveram essa mesma oportunidade, pois perderam o acesso à vida. Ao crescerem fisicamente neste mundo, sem crescerem espiritualmente, os homens vão se tornando espiritualmente insesíveis, acabam entregando-se ao pecado e ficam alienados da vida de Deus. Por isso Paulo diz que "todos pecaram" e não que todos "já nasceram pecadores" (Romanos 3.23).
    A condenação que veio sobre os homens por causa do pecado de Adão não transforma os homens em "pecadores por nascimento", assim como a graça de Deus sobre a humanidade por causa de Jesus não transforma automaticamente os homens em justos. O pecado de Adão não matou os espíritos humanos pelo simples fato de nascerem, tanto quanto a obediência de Jesus não leva todos os homens ao céu só porque "o preço já foi pago". Tanto a morte espiritual causada pelo pecado de Adão, quanto a salvação proporcionada por Cristo, precisam ser individualizadas na experiência humana.
    Romanos 5.18,19
    18 Pois assim como, por uma só ofensa, veio o JUÍZO SOBRE TODOS OS HOMENS para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a GRAÇA SOBRE TODOS os homens para a justificação que dá vida.
    19 Porque, como, pela desobediência de um só homem, MUITOS SE TORNARAM PECADORES, assim também, por meio da obediência de um só, MUITOS SE TORNARÃO JUSTOS.
    O que Cristo fez libera sobre todos os homens a graça de Deus para serem salvos, mas apenas quando a pessoa crê em seu coração é que ela é finalmente justificada. O que Adão fez condena os homens a cresceram sem a palavra de Deus em seus corações, mas apenas quando a criança perde a sensibilidade espiritual e passa a pecar é que ela morre espiritualmente e se transforma em uma pecadora que precisa de salvação.
    Por falta de compreensão a respeito destas questões algumas pessoas até gostam de citar versículos dos Salmos que, segundo eles, parecem provar que o homem já nasce espiritualmente mau. Veja o exemplo a seguir:
    Salmo 58.3
    Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.
    Alguns pensam que o texto acima está confirmando a ideia de que assim que a criança nasce, ela já é pecadora. Como se fosse possível que no dia do parto ela já pudesse abrir a boca e “proferir uma mentira”. Ora, está claro que o salmista está simplificando a situação para dizer que “desde muito novo” o homem já começa a mentir e a pecar. Quando ele diz “nascem e já se desencaminham” é óbvio que ele não está dizendo que um bebê nasce pela manhã e já pela tarde estará pecando e mentindo para os parentes que vierem lhe visitar. Quando o escritor diz que os homens “assim que nascem já se desencaminham proferindo mentiras”, ele quer dizer que pela época que a pessoa já é capaz de articular frases inteligíveis e argumentos objetivos, ela se desencaminha do bem ao começar a mentir e a pecar. Além disso, observe também que o salmista diz que aqueles que em sua fase adulta podem ser considerados como ímpios, um dia tiveram que “se desviar” ou “se desencaminhar” para que se tornassem mentirosos. Ora, não se usaria as expressões "se desviam" e "se desencaminham" se não fosse para indicar que a pessoa sai de uma condição positiva para uma condição negativa.
    Eis aí outro texto citado equivocadamente:
    Salmo 51....
    1 hr 10 min
  • Reunião de Homens - Tentação, Pecado, Sofrimento e Recuperação
    AS PRIMEIRAS COISAS PRIMEIRO
    Se você chegasse na cidade de um amigo e o ligasse dizendo que gostaria de encontrar-se com ele, é provável que a primeira coisa que ele te perguntasse seria: onde você está? Afinal, como ele poderia te dar orientações que te ajudassem a sair de onde você estava para chegar até ele, se ele não soubesse precisamente o lugar onde você se encontrava? É por isso que não adianta tentar chegar a algum lugar se não sabemos onde estamos e não conhecemos o caminho. Não dá para avançar se primeiro não soubermos onde nos encontramos.
    Assim também, com respeito a algumas questões da Bíblia, precisamos nos certificar de que entendemos alguns pontos fundamentais, que servirão de ponto de partida, para que, assim, possamos avançar nos próximos passos da nossa caminhada cristã com segurança.
    DEUS NÃO TENTA NINGUÉM
    Este primeiro ponto que pretendo falar é um ponto básico, primário, no que diz respeito ao contexto de tentações. Sei que pode parecer muito elementar, mas todo cristão, quando começa sua caminhada, precisa entender que as tentações que virá a enfrentar não serão jamais trazidas ou promovidas por Deus.
    Tiago 1:13,14
    13 NINGUÉM, ao ser tentado, DIGA: SOU TENTADO POR DEUS; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ELE MESMO A NINGUÉM TENTA. 14 Ao contrário, CADA UM É TENTADO pela sua própria cobiça, QUANDO ESTA o atrai e seduz.
    Considerando o texto acima precisamos aceitar que a despeito das tentações que venhamos a experimentar nessa vida, jamais podemos pensar ou dizer que é Deus que está fazendo isso conosco, pois as Escrituras declaram de forma bem positiva que: DEUS NÃO TENTA NINGUÉM. De fato, o versículo em questão está explicando que se dissermos isso sobre Deus, nós é que o estaremos tentando!
    Tiago explica que “AO SER TENTADO, o crente, NÃO DEVE DIZER: DEUS ESTÁ ME TENTANDO”, PORQUE “Deus não pode (não deve) ser tentado pelo mal”. Alguns cristãos pensam que a expressão “Deus não pode ser tentado pelo mal” significa que “é impossível que Deus seja tentado de alguma forma”, mas o que Tiago está dizendo ali é que Deus NÃO DEVE ser tentado e não que “não seja possível Deus ser tentado”. A palavra tentação tem também o sentido de teste ou prova, e, claro, quando as Escrituras ensinam que é possível que Deus seja tentado, o sentido não é o mesmo quando a palavra aparece, na maioria dos contextos, associada à tentação humana.
    Quando Tiago diz que Deus “não pode ser tentado”, o seu objetivo é deixar claro que Deus “não deve ser tentado” e não como alguns estão interpretando a passagem em questão. Afinal, se fosse mesmo impossível tentar a Deus, não encontraríamos textos que dizem “não tentarás o senhor teu Deus”. O autor de Hebreus, por exemplo, relatou o momento histórico mais popular na cultura judaica quando os homens tentaram a Deus: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como FOI NA PROVOCAÇÃO, NO DIA DA TENTAÇÃO no deserto, onde os VOSSOS PAIS ME TENTARAM, PONDO-ME À PROVA, e viram as minhas obras por quarenta anos” (Hebreus 3.7-9). O texto está dizendo que os homens TENTARAM A DEUS colocando-o à prova, mesmo tendo conhecimento de quais eram as obras de Deus. O texto de Hebreus está fazendo referência ao acontecimento registrado em Êxodo onde os israelitas “TENTARAM ao Senhor, DIZENDO: o Senhor está no meio de nós ou não?” (Êxodo 17.1-7).
    Tiago, em sua epístola, está ensinando aos crentes que, quando passarem por alguma tentação, não digam que é Deus fazendo isso com eles, pois DIZER ISSO DE DEUS, seria tentar a Deus com o mal. Da mesma forma os Israelitas tentaram a Deus dizendo “Deus está com a gente ou não?” Provocar a Deus, testando-o, dizendo que ele está fazendo coisas ruins com você, é tentar a Deus. De forma simples e direta: Dizer que Deus está me tentando, é tentar a Deus! Tiago está, resumidamente, tentando explicar que, atribuir a Deus aquilo que ele não faria, ou duvidar do seu caráter e natureza, é uma forma de tentar a Deus e provocá-lo à ira.
    Um dos problemas para a interpretação da passagem em questão é que as pessoas entram em curto-circuito intelectual quando se deparam com este texto de Tiago, pois, numa mesma declaração, ele fala sobre “o homem ser tentado” e sobre “Deus ser tentado”; e isso acaba confundindo com a cabeça de qualquer um.
    Todavia, a conclusão de Tiago é impossível de não ser compreendida: DEUS NÃO TENTA NINGUÉM!
    O CRENTE É TENTADO
    Tendo compreendido o ponto teológico fundamental de que nossas tentações não vêm de Deus, pois Deus não tenta a ninguém, podemos avançar um pouco mais.
    Saber que não é Deus que nos tenta, não quer dizer que não sejamos tentados. Por isso, outro ponto importante a ser considerado é que Tiago diz que “CADA UM É TENTADO pela sua PRÓPRIA COBIÇA, quando esta o atrai e seduz”.
    Em outras palavras: o crente É tentado! A expressão no presente do indicativo traz a ideia de uma situação atual, presente. Ele não disse que o crente, em sua vida passada, “um dia foi” tentado; ou, que, dependendo do dia ou das circunstâncias, ele até “pode vir a ser” tentado. Tiago disse muito claramente que “cada um É tentado”. Por isso ele usou a expressão “ao ser tentado” e não “se for tentado”. Nós somos tentados!
    Podemos nos esforçar em Deus para tentar viver uma vida sem pecado, mas é impossível viver uma vida sem tentação. Obviamente que ser tentado não é pecado, ainda que, tecnicamente falando, o pecado seja aquilo que vem depois de cedermos à tentação. Porém, o simples fato de experimentar a tentação não se constitui, por si só, em pecado. Jesus foi tentado em todas as coisas como nós, porém, sem pecado; isso porque, ser tentado, não é pecado!
    NOSSOS PRÓPRIOS DESEJOS
    Outro ponto importante no texto de Tiago é que ele diz que “cada um de nós é tentado pela SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA”. Não pela cobiça ou desejo do nosso melhor amigo, não pela cobiça do nosso cônjuge, mas pela NOSSA PRÓPRIA. Cada cristão, mesmo nascido de novo em seu espírito, ainda tem uma natureza terrena, animal, em seu corpo, com cobiças atreladas a ela. Além disso, nossas emoções foram condicionadas ao longo dos anos a servir estas inclinações da nossa carne, que é o nosso corpo. Como temos vidas diferentes, histórias diferentes, cada um de nós luta contra as cobiças que nos são próprias. Você não luta contra as minhas cobiças e eu não luto contra as suas, pois, como disse Tiago, cada um luta contra as SUAS PRÓPRIAS concupiscências.
    TODA TENTAÇÃO É HUMANA
    Finalmente, a despeito do grau de dificuldade que enfrentemos ao resistir nossas tentações, que, por sua vez, são potencializadas pelos nossos próprios desejos, nunca devemos pensar que elas sejam uma coisa “sobre-humana” ou “sobrenatural” ou “fora do comum”. Mesmo que os demônios participem direta ou indiretamente no contexto das tentações, não podemos desconsiderar o ensino claro das Escrituras que dizem que não existe tentação que não seja humana. O que também está em linha com o texto de Tiago que diz que somos tentados pelas nossas próprias concupiscências.
    1Coríntios 10:13
    Não vos sobreveio TENTAÇÃO QUE NÃO FOSSE HUMANA; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das VOSSAS FORÇAS; PELO CONTRÁRIO, juntamente com a tentação, VOS PROVERÁ LIVRAMENTO, de sorte que a POSSAIS SUPORTAR.
    Sei que é ridículo eu ter que falar isso, mas existe gente que acredita que Deus é quem controla inclusive a tentação na vida do crente. Veja, o texto não está dizendo que DEUS ENVIA A TENTAÇÃO e, “juntamente com a tentação”, ele provê o livramento. O texto está simplesmente dizendo que A DESPEITO da tentação (que é sempre humana e não divina) Deus provê, para cada tentação, um livramento. É sempre bom saber que a cada nova tentação sempre existe um livramento que já está disponível. Veja, porém, que, o livramento provido por Deus, é a “capacidade para poder suportar” a tentação e não a ausência do desejo de ceder à tentação. É exatamente por isso que sofremos quando somos tentados, pois estamos querendo fazer o que não devemos, e, nessa luta, sofremos ao resistir os desejos da nossa própria carne. Por outro lado, Paulo afirma que não seremos tentados além das NOSSAS FORÇAS. O que me parece muito justo, pois se estamos lidando com as NOSSAS PRÓPRIAS CONCUPISCÊNCIAS, nada mais coerente do que a Bíblia mencionar a importância das NOSSAS FORÇAS para vencermos NOSSOS DESEJOS.
    O SOFRIMENTO E O AMADURECIMENTO QUE ELE TRAZ
    Há pelo menos três tipos de sofrimentos bíblicos, que, como cristãos, podemos esperar em nossa vida:
    Sofrer a perda de alguma coisa renunciada por amor ao Evangelho. Como Paulo, que sofreu a perda de sua posição social e cultural em troca da sublimidade do conhecimento de Cristo;
    Sofrer perseguição; pois, “todos que quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus sofrerão perseguição”;
    E sofrer a tentação.
    Tiago 1.12
    Bem-aventurado o varão que SOFRE A TENTAÇÃO; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
    A versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida diz “Bem-aventurado o homem que SUPORTA, com perseverança, a PROVAÇÃO”. A palavra que, neste versículo, nesta versão, é traduzida por “provação”, é, na verdade, a mesma palavra que aparece nos versículos seguintes e é traduzia por “tentação”. A única diferença é que uma está na forma nominal e a outra na forma verbal, assim como “amor” e “amar”, mas o significado é exatamente o mesmo e o próprio contexto mostra isso. De fato, Tiago está falando sobre a bem-aventurança de “suportar” ou “sofrer” a tentação. É preciso que entendamos que ao ceder à tentação a pessoa tem prazer, mas ao resistir à tentação, a pessoa irá sofrer. Por isso Tiago diz “bem-aventurado aquele que sofre” ou “aquele que suporta” a tentação, diferentemente daquele que cede à ela.
    Em Hebreus 2.18 está escrito que “Jesus mesmo sofreu ao ser tentado”. Hebreus 5.8 diz que “Jesus aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” e Hebreus 2....
    54 min
  • A Lei e a Graça: Na Lei Moisés mandava mantar. Na Graça Cristo faz viver!
    Este não é um estudo exaustivo sobre as questões bíblicas relacionadas à Lei de Moisés ou à graça de Deus expressa através de Cristo Jesus, mas uma abordagem mais especifica com o propósito de promover um relacionamento mais amoroso entre os irmãos. Um relacionamento mais compassivo, misericordioso e cheio de amor. Por esta razão o texto da mulher apanhada em flagrante adultério serve como pano de fundo para este objetivo.
    Quando os escribas e fariseus procuraram Jesus com a mulher apanhada no ato do adultério eles não tinham o menor interesse em fazer aquilo para "agradar a Deus". A preocupação deles não é "fazer o que Deus deseja". O texto deixa claro que o objetivo deles é contrastar a abordagem compassiva de Jesus com as ordens diretas de Moisés a respeito da questão. Eles sabiam que Jesus tinha fama de ser amigo de pecadores, amigo de publicanos corruptos e prostitutas. Claro que isso não significava que Jesus aprovasse os comportamentos errados das pessoas com quem tinha contato, mas a verdade é que ele não se esquivava da presença de tais pessoas por se achar superior ou por não querer "manchar sua reputação", como costumam fazer líderes religiosos. Enquanto o texto citado pelos escribas e fariseus dizia que Moisés havia mandado matar "tais mulheres", eles sabiam que, pelo que conheciam do perfil ministerial de Jesus, ele faria tudo para deixá-la viver. O objetivo deles era fazer Jesus se pronunciar claramente contra a ordem de Moisés, para terem de que o acusar. Todavia, o que eles não esperavam, era que Jesus conseguisse fazer a mulher viver, não executando-a como Moisés havia determinado, sem necessariamente dizer: "Não façam o que está escrito na Lei de Moisés".
    Jesus havia vindo à terra justamente com o objetivo de estabelecer uma Nova Aliança, um novo tipo de lei. A sua vinda encerraria o período da Lei de Moisés e iniciaria um novo tempo. No entanto, esta Nova Aliança, esta nova lei, só iniciaria depois que Jesus houvesse morrido, sido sepultado, subido aos céus e enviado o Espírito Santo. Durante todo o tempo que o Senhor Jesus esteve na terra, ele ministrou debaixo da Antiga Aliança, sob a Lei de Moisés, que até então, ainda era a "lei de Deus" vigente na época. Exatamente por isso ele não poderia falar abertamente tudo que tinha para falar, pois seria incompreendido e perderia seus ouvintes. Por esta razão ele disse que "vinho novo se conserva em odres novos" e que seria tolice tentar "usar pedaço de pano novo para remendar buraco de tecido antigo". Ele precisava esperar até que o povo estivesse pronto para ouvir e receber as coisas do Espírito Santo que haveria de vir. Nem para os discípulos ele falava tudo que gostaria. Em certa ocasião ele disse: "tenho muita coisa para vos dizer, mas não podereis suportar ainda; mas quando vier o Espírito Santo ele vos guiará a toda verdade, e nesse tempo vocês vão se lembrar das coisas que eu dizia". A "lei de Deus", que até então estava diretamente associada à Lei de Moisés, só iria mudar quando houvesse uma mudança no sacerdócio instituído por Deus, como explica o autor de Hebreus ao dizer que somente "quando se muda o sacerdócio, que se faz necessária uma mudança na lei" (Hebreus 7.12). Quando Jesus estava na terra nem sacerdote ele poderia ser de acordo com a Lei de Moisés, pois o mesmo era da tribo de Judá, tribo a respeito da qual Moisés nunca atribuiu sacerdócio (Hebreus 7.13,14). Por causa de questões dessa natureza, Jesus tinha que andar "pisando em ovos" em suas declarações e abordagens, pois seu objetivo era "cumprir as preceitos da Lei durante a sua crucificação no Calvário e não revogá-la antes do seu pleno cumprimento profético".
    A Lei de Moisés não havia sido dada com o objetivo de justificar, e sim com o objetivo de condenar! Exatamente por isso, para "cumprir a lei", Jesus seria condenado, amaldiçoado por Deus na cruz de acordo com os símbolos proféticos da Lei. Por isso Paulo explica que "ele se fez maldito em nosso lugar; poque está escrito: maldito aquele que for pendurado no madeiro". De fato, ele foi ferido de Deus, traspassado, moído, castigado e punido. A Deus agradou moê-lo pois a nossa paz dependeria do castigo divino que seria derramado sobre ele na crucificação. Este evento consumaria todas as figuras proféticas exigidas pela Lei de Moisés, que havia sido dada não para justificar, e sim para condenar.
    Até hoje muitos cristãos não entendem o que Jesus quis dizer quando disse que veio para "cumprir a lei" (Mateus 5.17,18). Alguns pensam que Jesus quis dizer que tinha vindo para "praticar tim-tim por tim-tim do que estava escrito na lei". Mas as Escrituras parecem indicar que não era esse o sentido que Jesus tinha em mente quando proferiu aquelas palavras sobre a Lei e o seu cumprimento. Acredito que apenas três textos já são suficientes para nos ajudar a entender o significado bíblico para a expressão "cumprimento da lei" usada por Jesus no texto de Mateus 5.
    Antes da Cruz:
    Lucas 18.31
    Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que SUBIMOS para JERUSALÉM, e VAI CUMPRIR-SE ALI tudo quanto ESTÁ ESCRITO POR INTERMÉDIO DOS PROFETAS, no tocante ao Filho do Homem;
    Na Cruz:
    Atos 13.29
    Depois de CUMPRIREM TUDO o que a respeito dele ESTAVA ESCRITO, TIRANDO-O DO MADEIRO, puseram-no em um túmulo.
    Depois da Cruz:
    Lucas 24.44
    A seguir, Jesus lhes disse: São estas AS PALAVRAS QUE EU VOS FALEI, estando ainda convosco: IMPORTAVA SE CUMPRISSE tudo o que de mim está ESCRITO NA LEI DE MOISÉS, nos Profetas e nos Salmos.
    Veja que estes textos apontam para o cumprimento da Lei como um acontecimento pontual, e, como demonstram os textos, isso aconteceu na crucificação! Por isso Jesus, na cruz, deu o brado: "Está consumado!". Com este brado Jesus fazia menção à consumação ou cumprimento da Lei. Ele houvera falado que tinha vindo para cumpri-la, e aquele era o verdadeiro sentido a que ele se referia. A Lei se consumava ali, em Jerusalém, na cruz do Calvário! A lei, que havia sido dada para condenação e não justificação, teve seu cumprimento profético pleno na crucificação de Jesus, quando este foi condenado em nosso lugar.
    Daí, alguém poderia perguntar: "Se a Lei de Moisés não deveria perdurar para sempre, e seria encerrada na crucificação do Cordeiro de Deus, qual pois a razão de ser da lei?". Paulo responde dizendo:
    Gálatas 3.19
    Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi ADICIONADA por causa das transgressões, ATÉ que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.
    Veja que Paulo disse que a lei foi, na verdade, um "acréscimo temporário com prazo de validade". Adicionada, até que Cristo viesse! Não é por outra razão que as Escrituras ensinam que "o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê" (Romanos 10.4).
    Jesus, depois de conseguir salvar a vida daquela pecadora que merecia a morte pela Lei de Moisés, se volta para ela e a despede em paz dizendo "não peques mais". Nesse episódio Jesus expressa o coração, a essência, da nova lei que viera implantar para substituir a lei de Moisés: o amor do tipo de Deus. Como diria João, a lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo (João 1.16,17). O amor é o novo mandamento! A nova lei!
    Observe, porém, que este mandamento do amor que nos foi deixado por Cristo não é "amar o próximo como a nós mesmos". Muita gente boa, que se encontra nas igrejas cristãs espalhadas pelo mundo, até hoje, ainda pensa que este é o novo mandamento. Mas, como um mandamento antigo poderia ser considerado novo? Afinal, este mandamento está escrito em Levítico 19.18: "Não te vingarás, nem guardarás ira contra os FILHOS DO TEU POVO; mas AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO". "Amar o próximo como a si mesmo" segue o padrão limitado das coisas da lei! Veja que este mandamento de Levítico diz para "amar o próximo", mas não inclui amor aos inimigos, amor a qualquer pessoa, amor aos que nos perseguem. Além disso, o mandamento fala sobre "amar o próximo como eu me amo", ou seja, um tipo de amor humano normal, que nem sempre satisfaz os padrões divinos. Por isso este não poderia jamais ser o novo mandamento para os cristãos da Nova Aliança.
    Até hoje muita gente ainda se confunde com textos do Novo Testamento que falam sobre amar o próximo como a si mesmo, pois não observam o contexto no qual eles estão inseridos, e assim, acreditam que tais textos estão confirmando a ideia de que "amar o próximo como a si mesmo" é realmente o novo mandamento da Nova Aliança confirmado pelas Escrituras neotestamentárias.
    Alguns dos textos que citam, pensando que os tais confirmam que "amar o próximo como a si mesmo é o novo mandamento da Nova Aliança", podem ser vistos logo abaixo:
    Mateus 22:36-40
    36 Mestre, qual é o grande mandamento NA LEI? 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: AMARÁS o TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. 40 Destes dois mandamentos dependem TODA A LEI e os Profetas.
    Gálatas 5.14
    Porque toda a LEI se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
    Romanos 13.8-10 8
    A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem CUMPRIDO a LEI. 9 Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: AMARÁS o TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. 10 O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o CUMPRIMENTO da LEI é o amor.
    Talvez as pessoas não tenham percebido que estes textos se referem a questões conceituais relacionadas à essência da Lei e não da Nova Aliança. As palavras que fiz questão de deixar em caixa alta tem o objetivo de chamar a atenção do leitor para esse fato. Todos os contextos estão tratando sobre aquilo que é o essencial DA LEI e não sobre o NOVO m
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  • Repreensão, Amor, Zelo e Arrependimento
    Jesus disse em Apocalipse 3.19:
    Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê , pois, zeloso e arrepende-te.
    Nós sabemos que a repreensão não é dirigida àquele que faz o que é certo. Somente quem erra, quem peca, merece ser repreendido. Jesus repreende aquele que está errado e precisa ser conscientizado que está errado. No entanto, observe o que está por trás das repreensões de Jesus: “Eu repreendo os que eu amo”. Eu sei que nem todos os homens repreendem com a mesma atitude ou pelas mesmas razões, mas é bom saber que aquele a quem devemos prestar contas é o mesmo que nos repreende porque nos ama. Assim, se desprezarmos todos os conceitos humanos de disciplina e correção e ficarmos com os princípios das Escrituras a respeito do assunto, entenderemos que a repreensão é uma expressão de amor! Por outro lado, o pecador repreendido também pode responder à altura da dignidade que a repreensão bíblica contém; observe: “Sê pois zeloso e arrepende-te”.
    Alguma vez você se perguntou de onde Jesus tirou a ideia que um homem que merece repreensão e que precisa se arrepender possa ser ZELOSO por ter sido repreendido? Será que Jesus não fez um bom curso bíblico para entender que um cristão que precisa de arrependimento não pode estar nesta condição e ser zeloso ao mesmo tempo? Bom, como Jesus não pode estar errado, talvez, quem sabe, nós estejamos? A verdade é que para Jesus, um cristão repreendido que se arrepende, demonstra zelo pelas coisas de Deus!
    Assim como a repreensão de Jesus é uma expressão de amor pelo cristão que está vivendo em pecado, o arrependimento deste cristão após ter sido repreendido é uma expressão de zelo pelas coisas de Deus! Nunca se esqueça disso! E não permita que Satanás tire isso do seu coração, ainda que ele use os melhores argumentos e o melhor desprezo que lhe possa ser dispensado em meio à comunidade religiosa que você vive.
    Se você percebe que está preso ao pecado, ou se mesmo preso insiste em fingir que não percebe, quero que você saiba que pelo fato de você ainda estar vivo talvez isto indique que ainda lhe resta uma esperança de restauração!
    O que lemos no texto acima são palavras do próprio Jesus Cristo, o ÚNICO  juiz dos que ainda estão vivos e de todos os que já estão mortos; aquele perante quem se dobrará todo joelho e ao qual toda língua confessará como Soberano e único Senhor. Não são apenas “palavras bonitas” de “uma bela pregação”. É a mais pura verdade à qual qualquer homem pode se apegar confiadamente sem qualquer hesitação.
    Se você está “vivendo em pecado” como alguns presbíteros viveram nas comunidades cristãs lideradas por Paulo (1 Timóteo 5.20), você ainda pode restaurar sua vida de volta à dignidade e tornar-se um bendito exemplo daquilo que Deus faz por todo aquele que ouve seus conselhos e repreensões.
    5 min
  • A diabólica doutrina Calvinista da Predestinação para o inferno
    JUDAS: MÚSICA DE RAUL SEIXAS
    Parte de um plano secreto
    Amigo fiel de Jesus
    Eu fui escolhido por ele
    Para pregá-lo na cruz
    Cristo morreu como um homem
    Um mártir da salvação
    Deixando para mim seu amigo
    O sinal da traição.
    Mas é que lá em cima
    Lá na beira da piscina,
    Olhando simples mortais
    Das alturas fazem Escrituras
    E não me perguntam se é pouco ou demais
    Mas é que lá em cima
    Lá na beira da piscina,
    Olhando simples mortais
    Das alturas fazem escrituras
    E não me perguntam se é pouco ou demais
    Se eu não tivesse traído
    Morreria cercado de luz
    E o mundo hoje então não teria
    A marca sagrada da cruz
    E para provar que me amava
    Pediu outro gesto de amor
    Pediu que o traísse com um beijo
    Que minha boca então marcou.
    Mas é que lá em cima
    Lá na beira da piscina,
    Olhando simples mortais
    Das alturas fazem escrituras
    E não me perguntam se é pouco ou demais
    Mas é que lá em cima
    Lá na beira da piscina,
    Olhando simples mortais
    Das alturas fazem Escrituras
    E não me perguntam se é pouco ou demais
    CARTA DA AMIGA
    Eis aqui a transcriação da Carta da minha amiga cristã que, na época, estava sendo oprimida pela ideia calvinista de Deus escolher pessoas para ir para o inferno, para a sua glória:
    Fortaleza, 10 de agosto de 1997
    Saudades...
    São tantas coisas que passam pela minha cabeça que não sei por onde começar. Primeiramente, queria te confessar que tenho medo de abrir-te meu coração porque sei que vou levar muita bronca pelo que você vai ver lá. Eu não gostaria de te decepcionar, muito menos preocupar, mas também não quero aparentar o que não sou (mais).
    Se você quer mesmo saber como estou, vou começar pelo pior: o espiritual. (Posso quase ouvir você dizendo agora: misericórdia) Meu relacionamento com Deus esta complicado. Talvez você diga que devo buscá-lo mais, orar mais e etc mais. O fato é que cansei de fazer isso exatamente porque não obtive dele resposta alguma, pelo menos não pessoal, como indivíduo (como sempre pensei que fosse), mas sempre fazendo parte de uma coletividade, no povão. Nada direcionado a problemas e decisões específicos. NADA. Você me conhece um pouco e sabe como sempre o busquei com sinceridade e tinha meu coração sedento. Não é que me ache a melhor (ou pior, agora) das criaturas. Só gostaria de me sentir, aliás, saber que sou especial pra ele, se faço diferença ou não no seu tão seleto número de escolhidos.
    Cada dia mais acho que ele faz acepção de pessoas. Imagino que você deva estar de queixo caído ao ler tudo isso, altamente decepcionado e super aflito. Desculpe-me. Sei que devo estar beirando o abismo da blasfêmia, mas gostaria que ele se manifestasse de alguma maneira, nem que fosse pra me repreender. Tudo que fiz ou disse nesses tempos foi só pra chamar sua atenção, afinal: Deus corrige o filho a quem ama, então, ou não sou filha, ou ele não me ama. Não sei mais nem o que pensar. Estive bem pior, sabe. Vivia deprimida, chorava o tempo inteiro, clamava a ele (sim), por alguma resposta, uma palavra amiga, e nada. A dúvida de tudo o que sempre cri ser verdade, deu-me medo de tentar o suicídio, com por duas vezes quis.
    Pra falar a verdade, não sei quem sou. Sinto-me abandonada por ele, por mais que você vai dizer que não. Sinto-me órfão de pai pela segunda vez. Tenho medo de tudo. Acho-me vulnerável, não sei no que crer, acho que no final, ele conspira contra mim (porque me rebelei), e vivo temendo sua vingança. Se a predestinação existe, como alguns acham, será que eu não fui escolhida pra outra coisa e estive insistindo em ser parte do povo eleito?
    Sabe o que eu queria? Eu queria respostas, dialogar com alguém que me conhecesse e não me recriminasse de cara. Preciso de ajuda e sei disso, mas tenho tanto medo de conversar com alguém a respeito de tudo isso... talvez ninguém entenda que eu, que sempre fui tão firme, tão crente, esteja passando por uma crise (mais ou menos 18 meses) tão forte quanto essa, mas quanto maior o gigante, maior a queda. Minha mãe talvez suspeite, mas não tem certeza do que esteja acontecendo, e quero que continue assim, ela já tem preocupação demais. Além do mais, quem devia ser o mais preocupado com a ovelha que se perde, continua pra mim surdo, mudo e cego. Talvez eu me aproximando de você, ele agora me note. E você também, vê se não me esquece.
    Desculpe o besteirol acima, mas não me abandone.
    P.s.: aguardo ansiosa os seus carões.
    1 hr 8 min
  • O Amor e o Perdão no Cristianismo
    JESUS ENSINAVA A AMAR!
    Jo 13:35
    Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
    No texto acima Jesus estava dizendo que a principal característica de um cristão seria o amor. De fato, Jesus falou que as pessoas "saberiam que eles tinham sido alunos de Jesus, se eles tivessem amor uns pelos outros". O interessante desta declaração de Cristo é que isso significa que o mundo saberia que os seguidores de Jesus teriam aprendido a amar com seu mestre. Ora, se o amor revela que os cristãos são aprendizes de Cristo, isto significa duas coisas: que Jesus ensinava a amar e que o amor é uma coisa que pode ser aprendida.
    Hoje em dia alguns seguidores de Cristo parecem confusos a respeito desse assunto, pois supõem que por serem cristãos já tem todo amor de que poderiam precisar; e alegam, equivocadamente, que "o amor de Deus JÁ foi derramado em seus corações" e, POR ISSO, não precisam "ter mais amor".
    Essa confusão parece ter surgido numa má interpretação de Romanos 5.5. As pessoas leem a parte do texto que diz que "o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado", mas não o entendem corretamente. Paulo não está dizendo que "todo o amor de Deus já foi derramado em nosso coração" ou que "não precisamos de mais amor" ou qualquer outra coisa parecida. Ainda que alguns nossos amigos interpretem esse versículo dessa forma, não é exatamente isso que ele está dizendo.
    Algumas versões em português traduzem o trecho do amor neste versículo da seguinte forma:
    NVI: "Derramou seu amor"
    ARC: "Está derramado"
    A21: "Foi derramado"
    TB: "Tem sido derramado"
    ARA: "É derramado"
    Alguém poderia usar uma das versões que mais parece adequada à sua interpretação e dizer: "O amor de Deus não será derramado no futuro, não está sendo derramado no presente, ele já foi derramado de uma vez por todas". Ainda que seja importante considerar as diversas traduções que fazem deste trecho, eu penso que o ponto central da questão não seja um problema de tradução em si. É no contexto onde muitas vezes encontramos as respostas para as dúvidas textuais mais intrigantes, e acredito que seja o mesmo em relação à Romanos capítulo 5.
    Embora seja importante falar sobre nosso amor uns pelos outros e por todos, não parece ser sobre isso que Paulo está falando no texto em questão. Paulo está falando sobre nossa confiança em Deus por conhecermos o amor dele POR NÓS e não sobre como podemos amar OS OUTROS. A Nova Versão Transformadora diz o seguinte: "essa esperança não nos decepcionará, pois sabemos quanto Deus nos ama, uma vez que ele nos deu o Espírito Santo para nos encher o coração com seu amor". No contexto de Romanos 5 Paulo na verdade está dizendo que não nos frustraremos em ter esperança de um dia participar da glória de Deus pois sabemos que Deus nos ama muito! Em outras palavras, semelhantemente a uma noiva que tem esperança de brevemente casar-se com seu noivo por saber o quanto ele a ama, assim também nós não nos decepcionaremos em ter esperança em nossa futura união com Cristo, pois sabemos o quanto Deus nos ama. O texto não está dizendo que podemos amar os outros porque temos muito amor em nosso coração ou porque "o amor do tipo Deus" já nos foi dado quando nascemos de novo. Ele está dizendo que pelo Espírito Santo que nos foi dado conhecemos sobre o amor que Deus tem por nós! No verso 8, inclusive, Paulo vai corroborar esta ideia afirmando que "Deus prova o seu amor para conosco". O contexto específico de Romanos 5 não está falando sobre amarmos os outros e sim sobre sermos amados.
    É BÍBLICO ORAR PARA O AMOR AUMENTAR
    No entanto, se pretendemos falar sobre "nosso amor pelos outros", assunto do nosso texto inicial de João 13.35, é importante que saibamos que para amarmos como convém é preciso que oremos para que nosso amor cresça, e é bíblico também que nos estimulemos uns aos outros a amar como Deus espera que façamos. Não se iluda, não será uma coisa automática. Paulo disse: "FAÇO ESTA ORAÇÃO: Que o vosso amor aumente mais" (Filipenses 1.9) e em Hebreus 10.24 está escrito: "Consideremo-nos também uns aos outros, para NOS ESTIMULARMOS ao amor e às boas obras". Para que possamos amar no padrão bíblico é preciso estímulo, é preciso oração, é preciso que o amor cresça! Quem diria que a razão de muitos não estarem andando em amor como deveriam é porque não estão seguindo essas diretrizes? É bíblico dizer que o amor aumenta! É bíblico orar para que isso aconteça! Talvez seja exatamente este o problema de alguns: por pensarem que é antibíblico crer que o amor pode aumentar, estão fracos e pobres em seu amor pelos outros, pois estão crendo e vivendo contra o ensino claro das Escrituras.
    Existem outros textos no Novo Testamento que falam claramente sobre o crescimento do amor:
    1 Tessalonicenses 3.12
    O Senhor vos faça CRESCER e AUMENTAR NO AMOR uns para com os outros e para com todos...
    2 Tessalonicenses 1.3
    Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a VOSSA FÉ CRESCE sobremaneira, e o o vosso mútuo AMOR de uns para com os outros VAI AUMENTANDO
    Na versão Almeida 21 o último versículo acima foi traduzido da seguinte forma: "vossa fé tem crescido muito, e o amor de cada um de vós transborda de uns para com os outros.
    Outros textos também falam sobre o aperfeiçoamento do amor, dando uma ideia de amadurecimento ou "melhoramento" deste amor: 1 João 2.5, 1 João 4.12, 1 João 4.17, etc. De fato, aprendemos pelas Escrituras que o amor pode ser multiplicado a ponto de transbordar, como também parece poder ser reprimido e esfriar pela multiplicação de coisas contrárias a ele. Em Judas 1.2 o escritor revela que seu desejo é que "o amor seja multiplicado" na vida dos irmãos, e Jesus disse em Mateus 24.12 que "por se multiplicar a iniquidade, o amor poderia se esfriar". O amor multiplicado pode cobrir transgressões, mas a maldade multiplicada pode esfriar o amor. Textos como estes nos mostram uma possível oscilação do amor na experiência pessoal de cada um. Em dado momento da vida da pessoa o amor pode ser forte ou fraco, muito ou pouco, fervoroso ou frio.
    A Bíblia diz que o amor é sofredor, pois amar nem sempre é sentir-se bem pelo que fazem por mim ou comigo; amar, no sentido bíblico, muitas vezes é aguentar injustiças e não revidar o mal que nos é feito, e, além de não revidar, é também não ressentir-se do mal que é feito contra nós, tenha sido ele intencional ou não. Isso não é uma coisa simples, não é tão fácil como fazem parecer. Fácil é dizer que amamos quando não precisamos provar isso de forma prática. Fácil é amar aqueles que eu penso que me amam, aqueles que me fazem bem. O amor bíblico está muitas vezes associado ao sofrimento e à tristeza por suportar maus tratos do que à alegria e ao bem-estar pessoal de ser benquisto ou muito respeitado.
    Todavia, esse sofrimento bíblico, chamado de amor, oferece garantia de recompensas! Sempre valerá a pena amar!
    1 Coríntios 13.3
    E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, SE NÃO TIVER AMOR, nada disso me aproveitará.
    Veja que no texto acima Paulo disse que "não teremos proveito em fazer o bem aos outros SE NÃO FOR POR AMOR". Toda ação e reação praticada com base na motivação do amor pelos outros nos trará algum proveito! Seja nessa vida, seja na próxima, o amor sempre traz recompensas! Ainda que tudo passe, as recompensas alcançadas aqui por causa do amor continuarão conosco por toda eternidade. O amor transcende as coisas desta vida, e ainda que outras bênçãos, dons e graças divinas passem, o amor jamais acabará. Seus galardões nos encontrarão "do lado de lá" da eternidade.
    FÉ, ESPERANÇA E AMOR
    1 Tessalonicenses 1.3
    Recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa FÉ, da abnegação do vosso AMOR e da firmeza da vossa ESPERANÇA em nosso Senhor Jesus Cristo
    De todos os pilares do Cristianismo, podemos citar três dos principais pelo nome: Fé, Esperança e Amor. Destes três que hoje permanecem, o amor ainda é o maior deles (1 Coríntios 13.13). A fé é uma força espiritual concedida por Deus ao homem feito à sua imagem e semelhança, e como fruto do espírito humano é capaz de mudar coisas e circunstâncias ao redor daquele que a utiliza. A esperança é a graça de Deus atuando em nossas emoções e nos fazendo acreditar no futuro que ele tem para nós; quem tem esperança recupera o ânimo e não se abala, pois a esperança muda aquele que a tem em sua vida. O amor, no entanto, é o único capaz de mudar aqueles que estão ao redor daquele que o possui. A fé muda as coisas, a esperança muda a própria pessoa que a mantém no coração, mas o amor transcende o indivíduo e muda outros ao seu redor. Por essas e por outras é que o amor é maior que a fé e maior que a esperança, pois está destinado a alcançar o bem mais precioso com o qual podemos nos deparar nesta vida: Pessoas! Seres criados à imagem e semelhança de Deus!
    1 hr 23 min
  • O Anticristo Virá da Europa?
    Daniel 9.26,27
    26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e O POVO de um PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR DESTRUIRÁ A CIDADE E O SANTUÁRIO, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.
    27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.
    Que cristão estudante de Escatologia nunca leu o texto acima ou que nunca o ouviu sendo citado como ponto crucial na identificação do futuro inimigo de Israel no tempo do fim? É crença evangélica comum aceitar esse texto como uma das indicações da identidade do Anticristo.
    O Ungido mencionado no versículo 26, que seria morto, fala especificamente de Jesus Cristo, e, logo em seguida, ele acrescenta que um príncipe virá e menciona que o povo deste príncipe destruiria a cidade e o santuário dos judeus.
    Seria possível gastar um bom tempo falando sobre alguns dos aspectos apresentados apenas nos dois versículos que lemos, mas a parte que me interessa para este texto que escrevo é aquele que diz: “O povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade [de Jerusalém] e o santuário”.
    Acredito que todos concordariam em dizer que o povo mencionado por Daniel não seria o próprio povo judeu, pois tudo parece indicar que Daniel falava de um povo que atacaria o seu povo e não que seu próprio povo “se atacaria”. O povo mencionado não seria judeu, assim também o príncipe que virá não poderá ser judeu.
    Desde quando Daniel proferiu essas palavras até o dia em que o santuário mencionado fora realmente destruído, passaram-se centenas de anos. A história nos conta que a destruição mencionada se deu apenas no ano 70 d.C. durante a liderança de Tito, imperador romano.
    Exatamente por isso a “conclusão óbvia” por parte de inúmeros cristãos a respeito do texto de Daniel foi: “Se o príncipe que virá é o Anticristo previsto, e o povo que destruiria a cidade e o templo seria o povo do Anticristo, então, provavelmente o Anticristo será um líder romano, já que foram os romanos que destruíram o templo como profetizado por Daniel”.
    Com base nesse raciocínio a igreja cristã assimilou e propagou a ideia de um futuro Anticristo italiano, dando até margem para romances cristãos e filmes evangélicos que expressam essa percepção.
    Meu objetivo aqui não é ser controverso com qualquer um dos meus irmãos que pensam diferente, mas a meu ver tem algo de errado na interpretação que temos feito do texto de Daniel, e vou explicar porquê.
    Primeiro, se vamos confiar nos dados históricos para desenvolver o raciocínio em torno desse texto, devemos manter consistente nossa consideração da história. Muitos até consideram o fato histórico da destruição do templo sob o período do domínio romano, mas não consideram as circunstâncias nas quais isso realmente aconteceu.
    Muitos gostam de citar o historiador Flávio Josefo para confirmar seus argumentos quanto à destruição do templo por parte dos romanos. No entanto, é o próprio Flávio Josefo quem nos ajudará a decifrar esse enigma. Iossef ben Matitahu ha-Cohen, mais conhecido em português por Flávio Josefo, nasceu no ano 37 d.C. e faleceu por volta do ano 100 d.C. Nascido em Jerusalém, e de família sacerdotal, foi criado na melhor tradição judaica, recebendo boa educação para os padrões da época. Segundo sua autobiografia, seu conhecimento era minucioso quanto aos ensinamentos nos textos tradicionais da Torá; sendo que mais tarde, Josefo procurou por iniciativa própria, os ensinamentos dos saduceus, fariseus e essênios. Ainda jovem, chegou a ser um dos líderes do reduzido exército que se rebelou contra os invasores romanos e depois da derrota entregou-se aos romanos, caindo nas graças de Vespasiano – comandante das legiões romanas – ao profetizar que este se tornaria imperador. Como sua profecia se confirmou, ele tornou-se protegido do imperador romano, recebeu o título de cidadão e foi nomeado Flávio, o nome da dinastia dominante na época. Passou a residir em Roma e escreveu algumas obras históricas, entre elas “A Guerra dos Judeus” onde relata os pormenores do conflito que resultou na destruição da cidade de Jerusalém e do templo. Tendo sido testemunha ocular de todo o processo de invasão e destruição, dedicou o término dos seus dias à história da catástrofe nacional: A destruição do Segundo Templo e o despovoamento da Judéia.
    Enquanto alguns supõem que os romanos invadiram e atacaram conscientemente a cidade e o templo de Jerusalém, Flávio Josefo registra algo bem diferente em seu livro “A Guerra dos Judeus”. No tomo de número seis, encontramos as seguintes declarações:
    Parágrafo 256:
    “CÉSAR INDICAVA com sua voz e com sua mão direita aos combatentes QUE APAGASSEM O FOGO, mas eles, com seus ouvidos aturdidos pelo ruído ainda maior, não ouviram suas palavras nem prestaram atenção aos sinais da sua mão, pois uns estavam distraídos pela luta, e outros, pela sua própria cólera”.
    Parágrafo 257:
    “Nem os conselhos NEM AS AMEAÇAS FREARAM o ímpeto DAS LEGIÕES que se dirigiam até ali, sendo que o furor capitaneava a todos...”
    Parágrafo 258:
    “Quando os soldados estavam próximos do Templo, agiam como SE NEM SEQUER OUVISSEM AS ORDENS DE CÉSAR e animavam os que iam adiante a jogar o fogo no interior”.
    Parágrafo 260:
    “CÉSAR, COMO FOI INCAPAZ DE CONTER O ÍMPETO DE SEUS SOLDADOS, que estavam cheios de entusiasmo, e o fogo que ia se estendendo, se dirigiu com seus oficiais ao interior...”
    Parágrafo 261:
    “Como as chamas não tivessem ainda alcançado o interior, mas assolavam as acomodações que rodeavam O SANTUÁRIO, TITO pensou, o que realmente era verdade, que ainda podia SALVAR-SE ESTA OBRA, e saiu fora.
    Parágrafo 262:
    “ELE MESMO TENTOU CONVENCER OS SOLDADOS PARA QUE APAGASSEM O FOGO e ORDENOU a Liberálio, centurião de seus lanceiros, OBRIGAR A GOLPES OS QUE DESOBEDECIAM”.
    Parágrafo 263:
    “NO ENTANTO, SEU FUROR, SEU ÓDIO CONTRA OS JUDEUS e um feroz ímpeto guerreiro ESTIVERAM ACIMA DO RESPEITO A CÉSAR e do medo à pessoa que os castigava”.
    Parágrafo 265:
    “Um dos que tinha entrado no interior, quando CÉSAR SAIU PARA CONTER AOS SOLDADOS, se apressou a deixar na escuridão a tocha ardendo nos umbrais da porta”.
    Parágrafo 266:
    “Então a chama brilhou imediatamente no interior. Os generais se retiraram junto com Tito, e NADA IMPEDIU OS SOLDADOS de fora continuarem com o fogo. Desta forma, CONTRA A VONTADE DE CÉSAR, O TEMPLO FOI INCENDIADO”.
    Parágrafo 268:
    “Há de admirar-se nesta circunstância a exatidão da coincidência temporal. Como lhes disse, a destruição se cumpriu no mesmo mês e dia em que antes tinha sido incendiado o Templo pelos babilônicos”.
    Parágrafo 269:
    “Desde sua primeira construção, que levou a cabo o rei Salomão, até a ruína de hoje, no segundo ano do principado de Vespasiano, passaram-se 1130 anos, sete meses e quinze dias”.
    Parágrafo 270:
    “E desde sua reconstrução posterior, feita por Ageo (N.T.: Esdras 5.1) no segundo ano do reinado de Ciro, até a conquista de Vespasiano temos seiscentos e trinta e nove anos e quarenta e cinco dias”.
    Roma, na pessoa do imperador Tito Flávio Vespasiano Augusto, não planejou, não incentivou e não concordou com a destruição do Templo! Os soldados das legiões presentes tomados por um ódio natural que lhes era comum contra os judeus, assolaram e destruíram a cidade e o Templo.
    Neste momento alguém poderia se perguntar: Mas por quê soldados de Roma teriam tanto ódio assim dos judeus? A questão é exatamente essa: Os soldados não eram de Roma! O fato é que do ano 15 em diante o império romano restringiu os soldados italianos apenas à chamada "guarda pretoriana", uma guarda especial responsável por guardar o imperador e as tendas dos generais. Todos os outros soldados arregimentados durante esse período eram de províncias locais debaixo do império.
    Outro historiador famoso chamado Públio Cornélio Tácito falando sobre o ataque romano à Jerusalém, nos dá informações importantes sobre as legiões que participaram do acontecimento: “Tito César... encontrou na Judéia três legiões: a 5ª, a 10ª, e a 15ª... a estas ele acrescentou a 12ª da Síria, e alguns homens que pertenciam às legiões 18ª e 3ª, que ele havia retirado da Alexandria. Esta força estava acompanhada por um poderoso contingente de Árabes, que odiavam os Judeus com o ódio comum de vizinhos”.
    Todas as legiões que atacaram e destruíram Jerusalém e o Templo eram do Oriente Médio. Todas elas consistiam majoritariamente de soldados orientais: Árabes, Sírios, Egípcios, etc. Por volta do ano 70 d.C. não apenas as legiões das províncias orientais, mas literalmente o exército inteiro chegou a ser dominado pelos “soldados provincianos”.
    Estas são as legiões mencionadas nos parágrafos acima:
    V Macedônia (Judéia);
    X legião fretensis – décima legião do estreito marítimo (Síria);
    XV Apollinaris (Síria);
    XVIII (Egito);
    III Gálica (Síria);
    XII Fulminata (Ásia Menor, Síria).
    Lembre-se que Roma era uma cidade europeia pertencente à Itália. A maioria esmagadora dos soldados que destruíram a cidade e o Templo eram Árabes, Sírios e descendentes de Ismael e Esaú!
    Alguém poderia pensar: “Tudo bem que os soldados das legiões romanas tenham sido árabes, mas eles estavam sob autoridade de comandantes italianos, então a responsabilidade deve recair sobre os romanos de qualquer forma!”. No entanto, já vimos que o imperador Tito jamais ordenou ou sequer aprovou o comportamento dos soldados em relação a destruição do Templo. Além disso, outro detalhe importante deve ser observado.
    A questão é que diferentes povos eram romanos, inclusive os judeus, mas não eram italianos ou europeus. O próprio Apóstolo Paulo, hebreu de pais hebreus, era cidadão romano desde o nascimento, ao passo que o comandante militar de Atos 22.28 teve que gastar grande soma de dinheiro pelo título de cidadão romano,...
    1 hr 12 min
  • Tribulação em Lucas 21 - Arrebatamento em 2 Tessalonicenses 2
    PERGUNTA:
    Irmão Natan, eu discordo quando você cita 2 Tessalonicenses 2:3,6,7 e 8 afirmando que a igreja será arrebatada, pois, segundo você, a palavra apostasia, significa "afastamento" ou "partida". Esta apostasia não seria o afastamento da fé conforme Lucas 18:8 que diz "porventura quando vier o filho do homem achara fé na terra?" Eu penso que Israel deixará de ter fé em Deus e confiará no homem do pecado e em suas mentiras, que seria o mesmo homem iníquo mencionado em Tessalonicenses, não?
    RESPOSTA:
    Em relação a palavra "apostasia", que aparece em 2 Tessalonicenses na forma de substantivo, eu compreendo o porquê de tanta confusão na cabeça do povo, pois nas versões que temos disponíveis hoje em dia eles pararam de traduzi-la e passaram a fazer das duas uma: ou eles "interpretam" a palavra ou simplesmente (e menos mal) a "transliteram" para o Português. Transliterar consiste basicamente em substituir cada letra grega por uma letra do idioma Português que melhor a represente. Assim surgiu a palavra "apostasia" em nosso idioma, com o significado próprio que a nossa cultura lhe atribuiu.
    Assim como a palavra "Apóstolo", que não é uma tradução, mas uma transliteração que ganhou um "significado próprio", o mesmo aconteceu com a palavra apostasia. Por isso ao ler 2 Tessalonicenses muita gente fica perdida por não imaginar um possível significado diferente ao que está acostumada a ouvir. A maioria do povo só conhece um dos sentidos que a palavra grega possui, e parece nunca ter estudado à fundo sobre o assunto para obter uma compreensão melhor ou diferente. Desta forma, o sentido de "desvio ou afastamento espiritual" é o mais frequentemente usado no meio cristão em relação à palavra apostasia. Contudo, a verdade é que no Novo Testamento a palavra apostasia, juntamente com outros derivados, são mais frequentemente usados como "afastamento físico" do que "afastamento espiritual ou doutrinário".
    O léxico grego de Liddell & Scott, conhecido e respeitado nos Estados Unidos, define a palavra APOSTASIA apresentando 4 possíveis significados de acordo com o contexto em que ela apareça:
    Deserção, Revolta; especialmente no sentido espiritual: Rebelião contra Deus. Esse é o sentido mais conhecido para "apostasia" no meio evangélico de forma geral (e pela sua forma de falar imagino que deva ser o sentido que você também conheça).
    Partida (saída, afastamento), Desaparecimento;
    Distinção;
    Distância.
    A mesma palavra aparece na forma de verbo ("Aphistemi") mais 15 vezes no Novo Testamento e apenas em três delas no sentido de "afastamento espiritual" ou "afastamento doutrinário". Todas as outras 12 vezes se referem a AFASTAMENTO FÍSICO.
    No sentido de afastamento espiritual, temos:
    1 Timóteo 4.1
    "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos APOSTATARÃO alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios";
    Lucas 8.13
    "E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se DESVIAM"
    e Hebreus 3.12
    "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para SE APARTAR do Deus vivo".
    Todas as outras vezes que essa palavra aparece em sua forma verbal no Novo Testamento estão no sentido de afastamento físico e não espiritual ou doutrinário, veja alguns exemplos:
    Lucas 2.37
    E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se AFASTAVA do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.
    Atos 15.38
    Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha APARTADO deles e não os acompanhou naquela obra.
    Lucas 4.13
    E, acabando o diabo toda a tentação, AUSENTOU-SE dele por algum tempo.
    Atos 19.9
    Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, RETIROU-SE deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.
    2 Coríntios 12.8
    Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se DESVIASSE de mim.
    Além disso, a palavra "apostasion", que vem da mesma raiz, aparece em Mateus 19.7 no contexto de SEPARAÇÃO CONJUGAL e foi traduzida em algumas das nossas bíblias como "divórcio", veja: "Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de DIVÓRCIO ("Apostasion"), e repudiá-la?".
    Não é curioso que na grande maioria das vezes que a palavra "apostasia" e outros derivados apareçam no Novo Testamento eles estejam em contextos de separação física e mesmo assim as pessoas insistam em querer interpretar o seu aparecimento em 2 Tessalonicenses no sentido espiritual?
    Como se não bastasse, os primeiros tradutores da Bíblia traduziram 2 Tessalonicenses 2.3 como "partida" ou "retirada". Somente depois da influência da versão do Rei Tiago (King James Version produzida em 1611) que os futuros editores passaram a imitar a sua linha de interpretação colocando a palavra como "afastamento espiritual". Todavia, quase todas as versões até então a traduziam como "afastamento físico", dentre elas estão:
    Ano 1384 Wycliffe Bible
    Ano 1526 Tyndale Bible
    Ano 1535 Coverdale Bible
    Ano 1539 Crammer Bible
    Ano 1576 Breeches Bible
    Ano 1583 Beeza Bible
    Ano 1608 Geneva Bible
    Finalmente, mas não menos importante, uma leitura mais atenciosa de 2 Tessalonicenses poderia ajudar numa possível melhor interpretação do texto em questão. Se não, vejamos.
    2 Tessalonicenses 2.3
    3 Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto (o Dia do Senhor, o Juízo Divino mencionado no final do versículo anterior) não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, Observe que Paulo disse que após a apostasia o destruidor seria revelado.
    2 Tessalonicenses 2.6
    6 E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Novamente Paulo repete que o Anticristo será "revelado", mas desta vez ele diz que não será antes do tempo, pois até lá algo o detém.
    2 Tessalonicenses 2.7,8
    7 Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; 8 então, será, de fato, revelado o iníquo...Pela terceira vez Paulo diz a mesma coisa: Antes tem que acontecer algo, para somente depois, o Anticristo ser revelado.
    Fica claro que Paulo está repetindo a mesma verdade nos versículos acima, observe:
    Primeiro a apostasia e o Anticristo será revelado (v.3);
    O Anticristo será detido, até que seja revelado (v.6);
    Tem que ser afastado aquele que o detém, então o Anticristo será revelado (v. 7,8).
    Veja que Paulo não foge do assunto. Ele repete o mesmo ponto com pequenos acréscimos de informações usando palavras levemente diferentes. Com as três frases acima podemos enxergar com mais clareza que Paulo está falando que: Algo está detendo a manifestação do Anticristo e assim continuará até que isto seja retirado do caminho.
    Ao ler o contexto, observa-se claramente que Paulo não está falando sobre alguma coisa que estava ausente que precisaria chegar para que o Anticristo pudesse ser revelado, e sim de algo que estava presente que precisava ser afastado para que o Anticristo pudesse ser manifesto. Em momento algum Paulo pareceu dizer que precisaria acontecer uma grande heresia ou afastamento espiritual primeiro para que assim a revelação do Anticristo não fosse mais detida. Isso nem sequer faz sentido. Em relação à manifestação do Anticristo Paulo estava falando sobre um "empecilho" que teria que ser retirado e não sobre um "auxílio" que precisaria ter chegado. É a retirada daquilo que o detém que lhe permitirá agir livremente e não a chegada daquilo que estivesse faltando que o daria força para revelar-se.
    Isso quer dizer que também aqui, em 2 Tessalonicenses, a palavra "apostasia" parece estar sendo usada como "afastamento FÍSICO"  e não "afastamento espiritual ou doutrinário". Paulo está falando sobre algo que deve ser RETIRADO ou AFASTADO fisicamente, para que, somente então, o Anticristo possa ser revelado pelo mistério da iniquidade.
    O Espírito Santo, que atua através do Corpo de Cristo, é aquele que detém a possibilidade da manifestação do Anticristo. Somente após o término desta atuação específica do Espírito Santo nesta Aliança, através da igreja, é que começará uma nova fase do desenrolar da história humana. Aquele será o tempo em que o Anticristo se manifestará e desencadeará outros acontecimentos já previstos.
    1 hr 24 min

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