Uma paciente saiu de um episódio depressivo grave
e me disse que sentia ter perdido algo. Não era
recaída. Era outra coisa — o diagnóstico havia se
tornado quem ela era. E sarar parecia apagar isso.
Esse fenômeno tem nome na literatura clínica.
Tem dados. E ganhou escala com as redes sociais de
um jeito que muda o que acontece dentro dos
consultórios todos os dias.
Neste episódio do Notas de um Psiquiatra, parto
dessa cena para investigar o que acontece quando um
código diagnóstico ocupa o lugar de uma identidade —
o que a pesquisa diz, onde essa equação se complica,
e o que fica de nós quando o diagnóstico some.
Para quem está em tratamento, para quem cuida,
e para quem se pergunta: o que sou eu além disso?
[REFERÊNCIAS]
Cruwys, T. & Gunaseelan, S. “Depression is who I am”:
Mental illness identity, stigma and wellbeing. Journal
of Affective Disorders, 189, 36–42, 2016.
DOI: 10.1016/j.jad.2015.09.012
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DOI: 10.1080/15487761003756860
Haslam, N. Concept creep: Psychology’s expanding
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DOI: 10.1080/1047840X.2016.1082418
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no @drhamerpalhares.
Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
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