Novos Cientistas - USP

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Novos Cientistas - USP episodes

  • Baterias biológicas transformam resíduos de esgoto e da agroindústria em energia elétrica
    Um grupo de pesquisa liderado pelo professor Marcelo Nolasco, do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP desenvolveu um sistema capaz de gerar eletricidade a partir de águas residuárias urbanas e agroindustriais, a exemplo da vinhaça, resíduo obtido na produção de bioetanol. Na entrevista desta quinta-feira (15) nos Novos Cientistas, os gestores ambientais Vitor Cano e Júlio Cano, que integram a equipe de pesquisadores, descreveram como foram concebidas as Células a Combustível Microbianas (CCM), que também podem ser chamadas de “baterias biológicas” ou “biobaterias”.
    Vitor e Júlio Cano integram o Grupo de Pesquisa Água, Saneamento e Sustentabilidade – GEPASS que mantem seis unidades de geração na EACH e que apresenta potência em torno de 48 watts por metro cúbico (m3) de volume do sistema. “Na melhor condição, até agora, normalizando para uma capacidade de 1 metro cúbico (m³), nossa CCM gerou 48 watts de potência. Mantendo a célula a combustível microbiana em operação por um mês seria possível carregar um smartphone por até dez meses, ou uma lâmpada de LED (equivalente a 60W) por quatro meses”, estimou Vitor Cano.
    Atualmente, os pesquisadores trabalham em processos de otimização da CCM. Dentre os diversos pontos investigados, há a otimização dos bioprocessos, a automatização do sistema, a identificação e uso de materiais para a construção das câmaras que compõem a CCM. Júlio Cano, que vem fazendo seu mestrado na EACH, trabalha nesse sentido e avalia como as condições de funcionamento afetam os custos do equipamento. “Estamos buscando ampliar o potencial de geração de eletricidade alcançado na primeira etapa do estudo para valores que permitam avançar no ganho de escala da CCM”, citou. A solicitação de depósito de patente baseada no projeto foi efetuada no último mês de março.
    12 min
  • Resíduos da construção civil podem ser usados na recuperação de áreas degradadas
    A engenheira agrônoma Thayana Azevedo Lopes desenvolveu, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, uma pesquisa em que reaproveitou resíduos da construção civil tornando-os adequados para o crescimento de plantas. O trabalho de mestrado intitulado Tecnossolos elaborados com resíduos da construção civil: potencial para a recuperação de áreas degradadas foi realizado sob a orientação do professor Tiago Osorio Ferreira, da Esalq.
    Na entrevista desta quinta-feira (8) nos Novos Cientistas, Thayana descreveu como realizou seu estudo. “No Brasil o tecnossolo é uma tecnologia ainda recente. Os primeiros trabalhos e estudos sobre essa técnica são de 2007”, contou. Segundo a engenheira, os tecnossolos, elaborados a partir dos restos da construção, podem ser feitos sob medida. No estudo de Thayana o material foi aproveitado no estabelecimento e desenvolvimento de mudas de mutambo (Guazuma ulmifolia Lam.) e pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr.). “São duas espécies arbóreas nativas do Brasil amplamente utilizadas em projetos de restauração florestal”, descreveu a engenheira.
    Os experimentos foram realizados em casa de vegetação durante quatro meses. Nesse período os pesquisadores mediram a altura e o diâmetro do caule ao nível do solo das mudas a cada 15 dias e, no final, avaliaram a biomassa seca total das plantas e suas concentrações de macro e micronutrientes. Os resultados demonstraram que as plantas de mutambo cresceram mais em altura e obtiveram maior produção de biomassa total em todos os tecnossolos do que no solo controle, enquanto que as plantas de pau-jacaré apresentaram o mesmo crescimento em altura e a mesma produção total de biomassa nos tecnossolos e no solo. “Os resultados mostraram que os tecnossolos elaborados com os resíduos da construção, com ou sem adição de composto orgânico, têm potencial para permitir o crescimento de árvores nativas do Brasil em áreas onde houver perda ou degradação de solo”, disse a pesquisadora.
    9 min
  • Dois anos após o desastre de Mariana, cientistas detectaram excesso de manganês em peixes do rio Doce
    Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, analisaram o estuário do rio Doce, no Espírito Santo, e detectaram elevação dos níveis de manganês. As análises foram feitas em 2017, dois anos após o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais. O engenheiro ambiental Hermano Queiroz foi o entrevistado de Os Novos Cientistas desta quinta-feira (25) e deu detalhes de seu estudo realizado no Grupo de Estudo e Pesquisa em Geoquímica de Solos, do Departamento de Ciência do Solo (GEPGEoq) da Esalq.
    “O excesso de manganês chegou a 880% em comparação aos valores observados em 2015, dias após a chegada dos rejeitos”, aponta Queiroz, que realizou sua tese de doutorado sob orientação do professor Tiago Osório Ferreira, do Departamento de Ciência do Solo. Os valores encontrados em 2017, segundo o pesquisador, foram cinco vezes maiores do que o limite definido pelas diretrizes brasileiras de qualidade da água (Conama, 2005).
    De acordo com os resultados, o risco das elevadas concentrações de manganês em água se refletiram em altos teores de manganês em duas espécies de peixes, o bagre amarelo (Cathoropus spixii) e o peixe-gato marinho (Genidens genidens), ambas comumente consumidas pela população local, fato que representa um risco crônico para a saúde das comunidades ali presentes. Queiroz explicou que o manganês é um elemento abundante na natureza e por isso muitas vezes não é percebido como tóxico, mesmo quando encontrando em elevadas concentrações no solo e na água. “Não existem valores limites de manganês para solos, apesar de pesquisas apontarem efeitos tóxicos em plantas, animais e seres humanos”, disse o engenheiro. Mas ele alertou que, nos seres humanos, as elevadas concentrações de manganês são associadas a doenças como o Alzheimer, além de outros distúrbios neurodegenerativos e do sistema nervoso central. O estudo que faz parte da tese de doutorado de Hermano Melo Queiroz (Esalq/USP) e foi publicado na revista Environment International, liderado pelo professor Tiago Osório Ferreira, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, com financiamento da FAPESP, FAPES, CAPES e CNPq.
    10 min
  • Estudo destaca a malandragem feminina nas letras de canções brasileiras
    A jornalista Aniele Caroline Avila Madacki foi a entrevistada desta quinta-feira (18) no podcast Os Novos Cientistas e falou sobre o seu estudo em que analisou a “malandragem feminina” na música brasileira. A pesquisa de mestrado Do samba ao funk: a malandragem feminina nas letras de canções da música contemporânea no Brasil teve a orientação do professor Stelio Alessandro Marras, do IEB.
    Segundo a jornalista, a palavra malandragem possui vários significados que podem variar de acordo com o período histórico. Enfim, se há um malandro sambista, esperto e sedutor, há também um malandro preguiçoso, arruaceiro, corrupto. “Em diferentes momentos da história do Brasil o malandro foi uma espécie de símbolo da brasilidade”, descreveu Aniele. Ela mostra em seu estudo que existem também as malandras, que foram retratadas na nossa música desde as décadas de 1930 até os dias atuais.
    No estudo, a jornalista buscou, por meio de uma revisão bibliográfica caracterizar as malandras a partir de letras de músicas de três momentos diferentes: as décadas de 1930 e 1940, as décadas de 1970 e 1980 e os anos 2000- 2010. “Trabalhei as canções como se fossem depoimentos etnográficos ou entrevistas concedidas a uma jornalista, ou seja, não me concentrei nos aspectos “musicais” das canções, mas sim nos dizeres-cantos daquelas que se deixaram chamar de malandras”, explicou.
    14 min
  • Questão racial e fecundidade são fatores influentes na desigualdade social brasileira
    No estudo de doutorado Fecundidade, identificação racial e desigualdade, desenvolvido na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, o economista Michael Tulio Ramos de França analisou como esses fatores contribuem para a manutenção das desigualdades. Ele foi o entrevistado desta quinta-feira (11) no podcast Os Novos Cientistas e nos contou como realizou sua pesquisa.
    Desde quando estava na oitava série de uma escola pública, França percebia que algumas de suas amigas já tinham filhos, o que chamava sua atenção. Mais tarde, já no seu doutorado, resolveu então buscar associações entre a fecundidade e a desigualdade. “Sabemos que, de um modo geral, as mulheres ricas tendem a ser mães mais velhas e a ter poucos filhos. Já as mulheres pobres, ao contrário, são mães precoces e tendem a ter muitos filhos. E isso é um dos fatores que influenciam na desigualdade”, informou. “Embora o diferencial de fecundidade entre as mulheres pobres e as ricas tenha caído ao longo do tempo, ele continua expressivo”, salientou o pesquisador.
    Em outra frente da pesquisa, França analisou a dinâmica da desigualdade ao longo do tempo no que diz respeito à identificação racial. Ele então testou a hipótese de que a TV afeta a percepção racial. “Naqueles municípios em que a Rede Globo chegou primeiro aumentou a probabilidade de os pais declararem seus filhos como brancos. Isso tendo em vista fatos como a imagem branca na TV estar associada com maior valor social”, destacou. “Os grupos populacionais são assim representados na televisão: de um lado você vai ter brancos aparecendo como um ideal de beleza ser perseguido e de outro os negros, representados com os estereótipos negativos”, enfatizou.
    12 min

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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