Novos Cientistas - USP

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Novos Cientistas - USP episodes

  • Rede de mulheres fortalece o feminismo negro na América Latina e no Caribe
    Na entrevista desta quinta-feira (1º) ao podcast Os Novos Cientistas, a jornalista Tatiana Cavalcante de Oliveira Botosso descreveu como realizou seu estudo de doutorado no Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina (Prolam) da USP, em que teve a orientação do professor Dennis de Oliveira, da Escola de Comunicações e Artes (ECA). Na pesquisa intitulada Vozes insurgentes: o discurso do feminismo negro na América Latina e Caribe, Tatiana estudou o pensamento feminista negro na América Latina e Caribe e a Rede de Mulheres afro-latino-americanas, afro-caribenhas e da diáspora. A análise envolveu aspectos do racismo, gênero e classificação social do colonialismo.
    Para a jornalista, as vozes das mulheres negras sempre foram “insurgentes” na medida em que elas sempre lutaram pela liberdade. Essa luta, segundo a pesquisadora, vem desde o período escravista depois da Abolição. Mas há, segundo a pesquisadora, diferenças entre os países. “Dentro do movimento do feminismo negro o que é unificador é o combate à opressão racial e de gênero. Isso unifica, mas óbvio que cada país tem suas especificidades. No Brasil, por exemplo, temos o quesito de raça, cor, gênero recortado nos dados do censo do IBGE, mas em outras nações não há esses dados”, informou, lembrando que essas informações são importantes por serem geradoras de políticas públicas voltadas para essa população.
    A pesquisa de Tatiana teve início em 2018, quando foi realizado o Fórum da Rede de Mulheres afro-latino-americanas afro-caribenhas da diáspora, entre 10 a 14 de outubro daquele ano na cidade de Cali, na Colômbia. O encontro teve a participação de cerca de 200 mulheres de 21 países diferentes”, lembrou a jornalista. Ela acompanhou as discussões do fórum e entrevistou algumas lideranças da Rede de Mulheres afro-latino-americanas, afro-caribenhas e da diáspora. “Essa rede nasceu de uma necessidade das mulheres negras da região de ter uma articulação própria”, enfatizou Tatiana. O primeiro encontro de mulheres negras latino-americanas e caribenhas foi realizado do dia 19 a 25 de julho de 1992, na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana. “A rede surgiu desse encontro, que teve cerca de 400 participantes de 32 países diferentes. Foi quando foi criado o dia internacional da mulher afro-latino-americana e afro-caribenha, 25 de julho”, lembrou Tatiana.
    13 min
  • Memória negra do centro de SP é pouco visível nos circuitos oficiais de turismo
    O estudo Cidade em preto e branco: turismo, memória e as narrativas reivindicadas da São Paulo Negra, desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP mostra como o turismo “oficial” da cidade acabou reproduzindo uma política de branqueamento. “A presença negra pouco aparece nos guias e mapas elaborados por órgãos oficiais de Turismo”, afirmou a pesquisadora Denise dos Santos Rodrigues, na entrevista desta quinta-feira (24) no podcast Os Novos Cientistas.
    Em sua pesquisa de mestrado, que teve a orientação do professor Luiz Gonzaga Godoi Trigo, Denise analisa iniciativas de afroturismo que resistem, recontam e reivindicam uma São Paulo Negra. De acordo com a pesquisadora, apesar de existir nos órgãos oficiais de turismo um roteiro específico de temática afro, o documento encontra-se desatualizado, incompleto e carece de informações que versem sobre a negritude na formação da sociedade paulistana e brasileira. Ao mesmo tempo em que o Turismo reforça uma narrativa de apagamentos por meio de políticas oficiais que destacam a presença imigrante e bandeirante, essa narrativa é confrontada por meio de iniciativas de afroturismo que resistem, recontam e reivindicam a São Paulo Negra.
    A pesquisa analisou os distritos da Sé, República, Liberdade e Bela Vista, locais que remontam às origens e expansão de São Paulo. Ainda hoje, esses locais são considerados pontos turísticos importantes e são territórios fortemente marcados pela história negra na capital paulista. “Delimitei pelo centro porque São Paulo nasceu no Pátio do Colégio e, posteriormente, selecionei os outros distritos. A Liberdade, por exemplo, originalmente era um bairro de forte presença negra e há marcas que ainda resistem naquele local, como a Capela dos Aflitos”, contou a pesquisadora. “A Liberdade era conhecida como a Praça da Forca e na região havia o pelourinho da cidade.”
    14 min
  • Estudo busca desvendar as habilidades do drible no futebol
    Um drible bem-sucedido é, por vezes, mais bonito que um gol. E o que faz o sucesso de um drible no futebol foi tema de uma pesquisa de doutorado realizada na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP. “A habilidade de driblar envolve, no mínimo, um atacante e um defensor. E o objetivo do atacante é enganar o defensor e ultrapassá-lo sem perder a posse da bola”, explicou a professora de Educação Física Silvia Letícia da Silva, que foi a entrevistada desta quinta-feira (10) no podcast Os Novos Cientistas.
    Sob a orientação do professor Umberto César Correa, da EEFE, Silvia defendeu a pesquisa de doutorado intitulada As habilidades de driblar e não ser driblado no futsal e no futebol com base no tempo de reação e na antecipação. Para realizar esse estudo, ela filmou cinco jogos de futsal, com jogadores entre 15 e 16 anos de idade e diferentes níveis de experiência, e dois jogos de futebol de campo, sendo um do campeonato brasileiro da categoria sub-17 e o outro do campeonato paulista série A1. O objetivo do estudo foi investigar as hipóteses de que o sucesso em driblar e não ser driblado estariam relacionados, respectivamente, ao aumento do tempo de reação e à antecipação do defensor no futebol e no futsal.
    As filmagens permitiram a Silvia classificar os dribles em três categorias: simples, escolha e PPR (Período Psicológico Refratário). “Num drible simples, o atacante muda a direção da bola. Como num chapéu, por exemplo”, descreveu a pesquisadora. O defensor, nesse caso, segundo Silvia, tenta acompanhar a direção da bola. Já num drible da categoria escolha, Silvia deu como exemplo o chamado “drible da vaca”, onde a bola vai para um lado e o atacante para outro. “O drible PPR é aquele que envolve dois movimentos de forma sequencial. Quando o defensor começa a responder ao estímulo de ir para um lado, o atacante muda a direção”, explicou a professora, destacando que esse tipo de drible foi a marca registrada de Garrincha, um dos maiores dribladores do futebol brasileiro.
    12 min
  • Sistemas híbridos são alternativas para suprimento de energia em regiões isoladas
    Na entrevista desta quinta-feira (3) dos Novos Cientistas, o engenheiro químico Thales Borges Amaral explicou sobre sua pesquisa desenvolvida no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP em que analisou alternativas para abastecimento de energia elétrica em localidades no Sistema Isolado (Sisol). No Brasil, até o início deste ano, havia cerca de 271 localidades nesta situação. Muitas delas com acesso precário à energia elétrica. “Nesses locais, a energia é disponibilizada por sistemas de geração térmica alimentados a óleo diesel, que implica alto preço final de energia”, descreveu Amaral. Segundo o engenheiro, estas localidades situam-se, em sua maioria, na região Norte do País, a longas distâncias das capitais, em locais de florestas densas, onde não há integração com o Sistema Interligado Nacional (SIN).
    No estudo intitulado Alternativas para o provimento de energia elétrica em regiões isoladas da Amazônia: análise de viabilidade de sistemas híbridos com diesel, solar FV e bateria, que teve a orientação da professora Virgínia Prente, Amaral analisou, por meio de um estudo de caso, outra viabilidade de fornecimento a essas localidades. “Nesses locais, minha sugestão é substituir a geração de energia por fonte exclusivamente térmica por um sistema híbrido composto de painel fotovoltaico, bateria e gerador térmico a diesel” explicou o engenheiro.
    Este foi um estudo técnico econômico realizado para um lote selecionado da 2º Etapa do Leilão 02/2016 do Sistema Isolado da Amazônia, que considerou a especificidade de demanda energética local e os custos de equipamentos e do combustível necessário para atender à demanda local de cada um. “No lote composto de 20 localidades da região amazônica, observamos que o valor da energia no sistema híbrido seria menor em 13 das 20 localidades estudadas”, afirmou. Estas 13 localidades representam, segundo o engenheiro, 97% de toda a demanda do lote. Os resultados encontrados indicam que 65% das localidades isoladas conseguiram ter um custo nivelado da eletricidade menor, quando comparado com o sistema exclusivamente térmico alimentado a óleo diesel.
    10 min
  • As estratégias dos movimentos negros nas denúncias de violência policial e discriminação
    Na pesquisa de doutorado intitulada Gramática Negra contra a violência de Estado: da discriminação racial ao genocídio negro (1978-2018), o sociólogo Paulo César Ramos identificou o que denomina “pontes semânticas” que pautaram os movimentos negros em suas denúncias contra a violência de Estado, mais especificamente a policial. “Esse estudo é uma continuidade de meu programa de […]
    11 min
  • As estratégias dos movimentos negros nas denúncias de violência policial e discriminação
    Na pesquisa de doutorado intitulada Gramática Negra contra a violência de Estado: da discriminação racial ao genocídio negro (1978-2018), o sociólogo Paulo César Ramos identificou o que denomina “pontes semânticas” que pautaram os movimentos negros em suas denúncias contra a violência de Estado, mais especificamente a policial. “Esse estudo é uma continuidade de meu programa de mestrado e tem a ver com minhas relações com o movimento negro. Percebi que  emergia uma nova agenda de luta, que era contra o genocídio da juventude negra. No doutorado procurei localizar qual o papel da violência policial nessa denúncia contra o genocídio”, explicou o sociólogo.
    Em seu estudo, que teve a orientação da professora Márcia Lima, Ramos traçou um histórico, entre os anos de 1978 e 2018, das formulações políticas, denúncias, proposições e bandeiras de luta das organizações negras contra a violência policial no Brasil. Com base na análise de documentos políticos encontrados em acervos privados, fornecidos por lideranças dos movimentos negros, e entrevistas pessoais, Ramos reconstituiu alguns casos emblemáticos de violência policial que ganharam a atenção das organizações negras, da mídia e da política institucional.
    O trabalho foi construído, principalmente, a partir da reconstrução dos protestos em casos emblemáticos de violência policial e as análises permitiram ao pesquisador identificar o que ele denomina “pontes semânticas”. “É a partir dessas ‘pontes’ que o movimento então se organiza na luta”, descreve. Assim, ele estabeleceu três períodos de protestos: a discriminação racial (1978-1988), a violência racial (1989-2006) e o genocídio negro (2007-2018).
    11 min

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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