Novos Cientistas - USP

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Novos Cientistas - USP episodes

  • Samba é estudado como instrumento pedagógico em escola fundamental
    O jornalista e gestor cultural Ítalo Leopardi Bosco de Azevedo desenvolveu na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP a dissertação de mestrado As representações do Samba na prática escolar como estudo de caso. Sob a orientação do professor André Chaves de Melo Silva, o trabalho mostra como as letras de samba podem servir de instrumento pedagógico a docentes. “A experiência é positiva e possível, desde que haja espaço na instituição escolar para um planejamento de aulas. Afinal, fazer a conexão de letras de samba com temas correlatos é preciso ter um planejamento”, disse o pesquisador, que foi o entrevistado desta quinta-feira (28) no podcast Os Novos Cientistas.
    Ítalo realizou suas análises numa escola pública de ensino fundamental em São Paulo. “As letras de sambas serviram como complemento para ajudar a melhorar os estudos e percepções dos alunos sobre temas trabalhados em classe”, descreveu o pesquisador. No início dos experimentos, Ítalo trabalhou com sambas de enredo, principalmente nas disciplinas de Projeto de Vida e Geografia. O pesquisador cita como exemplo um samba que falava sobre o Museu Nacional do Rio de Janeiro. “Foi num período próximo ao incêndio daquele museu”, comentou. O samba Uma Noite real no Museu Nacional foi tema da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, em 2018.
    Outro samba utilizado em sala de aula pelo pesquisador foi Brasil, Ciência e Arte, tema da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, de 1947. Mas, de acordo com a experiência em salas, o pesquisador passou a utilizar outras letras, além dos sambas de enredo. Foi quando chegou a estudar em aula um samba de Paulo Vanzolini, compositor que também foi pesquisador da USP. “Analisamos e estudamos a letra do samba Capoeira do Arnaldo que fala um pouco sobre sobre a questão migratória”, destacou Ítalo. O pesquisador lembrou ainda que, dentro da disciplina Projeto de Vida, utilizou conteúdos de uma tradicional comunidade de samba da zona sul da cidade chamada Pagode da 27. “Eles têm um trabalho importante no bairro do Grajaú e foi importante promover esse link nas salas de aula”, afirmou o pesquisador.
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    12 min
  • Estudo resgata trajetória do músico de choro Esmeraldino Salles
    Nascido em São Paulo, em 1916, o músico e compositor Esmeraldino Salles teve a sua obra investigada pelo pesquisador, e também músico, Felipe Siles de Castro. Na pesquisa intitulada Uma noite no Sumaré: o choro negro e paulistano de Esmeraldino Salles, o pesquisador evidencia que o músico é um compositor com uma assinatura bastante pessoal e que foi capaz de trazer outras linguagens para o choro. Na entrevista desta quinta-feira em Os Novos Cientistas, Felipe Siles falou de seu estudo de mestrado, que foi realizado sob a orientação do professor Marcos Câmara de Castro.
    “Podemos dizer que Esmeraldino influenciou toda uma geração de músicos por seu estilo composicional”, disse o pesquisador, destacando que ele já foi gravado por músicos importantes, como Canhoto, Laércio de Freitas, Dominguinhos e Yamandu
    Costa. Além disso, foi homenageado e celebrado por meio dos álbuns Ao nosso amigo Esmê (1980), Tributo a Esmeraldino
    Salles (2002) e Esmê (2017), e por diversas composições de músicos relevantes como Izaías Bueno de Almeida,
    Maurício Carrilho e André Mehmari. “Mas, atualmente, a importância de Esmeraldino para a comunidade no choro não condiz com aquilo que até o momento foi pesquisado sobre sua trajetória”, lamentou Felipe.
    O trabalho do pesquisador també traz uma análise de três composições do músico mais conhecidas: Arabiando, Perigoso e Uma Noite no Sumaré. “Foi onde procurei compreender as características do estilo composicional de Esmeraldino e analisar em que as suas músicas deferem dos choros mais tradicionais”, explicou.  O pesquisador também buscou compreender as características específicas da indústria cultural paulista e o impacto sobre a produção de Esmeraldino. “Afinal, podemos sim considerar que ele também foi vítima do racismo estrutural, pois mesmo sendo tão importante, não ocupou o merecido destaque no cenário musical do choro paulistano”, destacou Felipe.
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    14 min
  • Cientistas reproduzem, em laboratório, espécies de plantas e frutas nativas da Mata Atlântica
    Na entrevista desta quinta-feira (14), no podcast Os Novos Cientistas, o engenheiro agrônomo Marcelo Almeida de Oliveira Júnior contou como realizou seu estudo na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, com duas plantas nativas da Mata Atlântica, a cerejeira-do-Rio-Grande (Eugenia involucrata) e cambucizeiro (Camponesia phaea (O.Berg) Landrum), ambas da família Myrtaceae. Utilizando o método de micropropagação, o engenheiro avaliou protocolos de germinação e multiplicação in vitro das espécies. “São plantas que apresentam grande potencial de uso comercial e têm extrema importância no reflorestamento e arborização urbana”, destacou Almeida. O estudo de mestrado denominado Cultivo in vitro de cerejeira-do-Rio-Grande (Eugenia involucrata DC.) e de cambucizeiro (Campomanesia phaea (O. Berg) Landrum) teve a orientação do professor Francisco de Assis Alves Mourão Filho, da Esalq.
    A cerejeira-do-Rio-Grande e o cambucizeiro produzem frutos de alta riqueza nutricional, podendo serem comercializados in natura ou processados, contribuindo com a diversificação de produção de fruticultores brasileiros. De acordo com o cientista, a multiplicação comercial dessas fruteiras é realizada por sementes, e é dificultada devido ao baixo potencial de armazenamento das sementes. Os métodos convencionais de multiplicação assexual em ambas fruteiras são ineficientes, e estudos visando as suas otimizações são escassos. “A micropropagação, multiplicação de plantas através de técnicas de cultivo in vitro, vem a ser uma alternativa na produção de mudas comerciais em larga escala dessas fruteiras”, informou Almeida. Para realizar sua pesquisa, o engenheiro agrônomo contou com financiamento do projeto através da chamada universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além da bolsa de estudos financiada também pela entidade.
    12 min
  • Medição de temperatura por sensores instalados em pivô central pode melhorar produtividade de cana-de-açúcar
    O engenheiro agrônomo Luciano Sobral Fraga Júnior realizou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, experimentos em que mediu a temperatura do dossel da cana-de-açúcar utilizando sensores instalados no pivô central de irrigação. Os resultados constam na tese de doutorado de Fraga Júnior intitulada Medição da temperatura do dossel da cana-de-açúcar por sensores de infravermelho fixados no pivô central , que teve a orientação do professor Marcos Vinicius Folegatti. Na entrevista desta quinta-feira (30) em Os Novos Cientistas, o engenheiro descreveu sobre seu trabalho, que foi realizado na fazenda experimental Areão da Esalq.
    Segundo o pesquisador, o dossel é a parte superior da folhagem de uma cultura como a cana-de-açucar. “O manejo de água é essencial para aumentar a produtividade e garantir a longevidade dos canaviais”, explicou. De acordo com Fraga Júnior, o objetivo deste trabalho foi determinar a temperatura do dossel e do solo utilizando sensores de infravermelho com diferentes ângulos de visão fixados no pivô central e avaliar a distribuição espacial da temperatura obtida enquanto o pivô se desloca na área cultivada. O pivô central é um equipamento de irrigação que aplica água por aspersão e se desloca ao longo da área. Durante o deslocamento, ele vai aplicando uma lâmina d’água que foi previamente calculada.
    A medição de temperatura utilizando sensores infravermelhos, segundo Fraga Júnior, vem desde a década de 1980. A temperatura da folha, segundo o engenheiro agrônomo, é um indicativo de estresse hídrico. “Quando a planta transpira, ela perde água da folha para atmosfera e nesse processo ela acaba arrefecendo, ou  seja, reduzindo a sua temperatura em relação a temperatura do ar no ambiente em que ela está sendo cultivada”, descreveu. Hoje existem tecnologias como imagem de satélite e drones capazes de medir a temperatura de uma só vez. “No caso dos sensores que utilizei, eles fazem a leitura pontual. Mas, como eu usei o deslocamento do pivô central para fazer essa leitura  foi possível  gerar um mapa de temperatura e estimar um índice de estresse hídrico”, explicou o pesquisador.
    10 min
  • São Paulo invisibilizou personagens do centro em nome da modernização
    Entre os anos de 1905 e 1938, São Paulo passou por uma remodelação para se tornar uma cidade urbanizada e saneada. “Houve uma tentativa de transformá-la para ter padrões europeus”, conta a historiadora Maíra Cunha Rosin. Ela á autora da pesquisa de doutorado intitulada Dos bêbados, das putas e dos que morrem de amor: os marginais do embelezamento e dos melhoramentos urbanos (1905-1938) e foi a entrevistada desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. O estudo teve a orientação da professora Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno e foi defendido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. “Foi assim que a cidade tentou se adequar à modernidade para deixar de ser a ‘Cidade do Café’. Nesse contexto, diversas pessoas que habitavam o centro acabaram invisibilizadas e marginalizadas”, contou a pesquisadora
    De acordo com Maíra, embora as diretrizes do poder público apontassem para a expulsão desses indesejados do centro da cidade para zonas mais periféricas, muitos deles resistiram e permaneceram, seguindo com suas vivências à revelia das políticas públicas. “É quando bêbados, donas de botequim, prostitutas e mulheres vítimas de feminicídio aparecem, buscando manter suas existências ativas na cidade”, descreveu a historiadora, destacando que o período estudado é marcado pela demolição da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, e pela publicação do Relatório sobre os Divertimentos Públicos, do Departamento de Cultura da Capital.
    A pesquisa de Maíra é uma continuidade de seu mestrado que foi realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), então sob a orientação da professora Maria Odila Leite da Silva Dias. “Acabei indo para a FAU por que achei ser um lugar melhor para desenvolver a continuidade do estudo num programa de doutorado. Havia uma relação mais direta com as áreas de urbanismo”, justificou. Sua pesquisa foi feita em arquivos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo onde Maíra coletou cerca de 400 processos-crime.
    10 min
  • Pesquisa traz informações sobre a ingestão de compostos bioativos pela população brasileira
    O consumo de componentes bioativos na população brasileira é baixo, se comparado com outros países. “Nosso estudo fornece, pela primeira vez, dados da ingestão dos principais compostos bioativos  pela população”, informou a nutricionista Renata Alves Carnauba na entrevista desta quinta-feira (16) ao podcast Os Novos Cientistas. No seu estudo de doutorado intitulado Estimativa da ingestão de compostos bioativos pela população brasileira, que teve a orientação do professor Franco Maria Lajolo, Renata analisou dados de consumo alimentar individual de 34.003 indivíduos com idade igual ou superior a 10 anos, incluídos na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    De acordo com Renata, os resultados encontrados facilitarão a investigação dos efeitos à saúde desses compostos, contribuindo para futuras recomendações de ingestão. A pesquisa realizada pela nutricionista vem suprir lacunas, visto que há escassez de informações sobre a ingestão dos compostos bioativos pela população brasileira. “Procurei estimar a ingestão de carotenoides, compostos fenólicos e glicosinolatos”, descreveu Renata.
    De acordo com a nutricionista a ingestão de compostos fenólicos totais foi de 204 mg/dia. A classe mais consumida foi a dos ácidos fenólicos (83,2mg/dia), seguida dos flavonoides (64 mg/dia). O café, o suco de laranja e a laranja foram os três principais contribuintes para a ingestão de compostos fenólicos totais. Com relação aos carotenoides, o licopeno e o β-caroteno foram as classes mais consumidas (619,6 e 451,2 mcg/dia, respectivamente), contribuindo de forma importante para a ingestão de carotenoides totais, que foi de 1782,2 mcg/dia. A abóbora, o tomate e a couve foram os maiores contribuintes alimentares para o consumo de carotenoides. “Devido à presença de glicosinolatos em um reduzido número de alimentos, a ingestão desse grupo apresentou-se muito baixa”, contou Renata.
    10 min
  • Os desafios do Mercosul em suas políticas de meio ambiente e transporte
    Em seus 30 anos de existência, o Mercosul passou por períodos de evolução, estagnação e até retrocesso. “Mesmo assim, podemos dizer que o bloco está consolidado”, descreveu a geógrafa e internacionalista Tatiana de Souza Leite Garcia na entrevista desta quinta-feira (9) no podcast Os Novos Cientistas. Ela é autora da tese de doutorado intitulada Desafios da integração sul-americana : as políticas de meio ambiente e de transportes no Mercosul (2009-2019), defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sob a orientação do professor Wanderley Messias da Costa.
    Em sua análise, Tatiana constata que houve, de fato, uma evolução na implementação dos acordos entre os membros do bloco, especialmente nas questões que envolvem circulação de pessoas. Contudo, no que se refere às questões relacionadas a políticas macroeconômicas comuns, ainda não se chegou a um ideal. “É comum ouvirmos comentários sobre a possibilidade de adoção de uma moeda comum. Isso não acontecerá no Mercosul porque depende muito dos interesses dos chefes de Estados que compõem o bloco econômico”, disse a pesquisadora.
    A pesquisa de Tatiana teve início em 2017. Ela mostra em seu estudo que dentro do Mercosul existem entendimentos sobre como harmonizar as legislações ambientais e fortalecer compromissos que são levados ao cenário internacional. No que se refere a transporte, estão as questões mais ligadas ao nosso dia a dia. “Posso citar, como exemplos, os documentos para circulação de veículos, em que já existe um padrão de documentação para a circulação entre as fronteiras de Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina e a própria placa Mercosul, que vem sendo implantada nos veículos”, destacou. O Mercosul conseguiu favorecer seus países membros junto ao comércio internacional e, para o Brasil, é muito importante. “Nosso país possui o maior contingente populacional e tem a maior fronteira. Além disso, a maior parte dos nossos produtos manufaturados é exportada aos outros membros do bloco”, afirmou a pesquisadora.
    15 min
  • Nas relações conjugais de amarelos com negros e de amarelos com brancos, negros sofrem mais discriminação
    Na entrevista desta quinta-feira (26) no podcast Os Novos Cientistas, a psicóloga Laura Satoe Ueno relatou sobre seu estudo em que analisou as percepções acerca de raça-etnia em casamentos inter-raciais de amarelos com negros e com brancos em São Paulo. “Procuramos compreender como as diferenças eram vividas pelos parceiros na interação com os familiares e em ambientes públicos”, disse a pesquisadora. O estudo de doutorado intitulado Amores (des)racializados: um estudo psicossocial dos casamentos de “amarelos” com negros e brancos em São Paulo foi defendido no Instituto de Psicologia (IP) da USP, sob orientação do professor Geraldo José de Paiva.
    Para elaborar seu estudo, Laura realizou uma revisão de literatura, observou relatos e discussões sobre o tema, principalmente nas redes sociais e também manteve conversas informais com dois sujeitos e dois casais. “Realizei ainda entrevistas, em profundidade, com quatro casais”, contou a psicóloga, lembrando que, “os significados de raça no relacionamento conjugal eram negados ou atenuados no discurso da maioria dos participantes”.
    Porém, contrariamente, as experiências narradas do convívio com a família e o meio social eram racializadas, e traços biológicos e/ou culturais eram associados a características pessoais. “Brancos e amarelos não encontraram resistências da família dos parceiros ao casamento inter-racial, enquanto manifestações racistas com profundos impactos psicológicos foram experienciadas por cônjuges negros, não aceitos automaticamente nas famílias asiáticas”, descreveu Laura. De acordo com a pesquisadora, a branquitude como norma permeava não só a busca da brasilidade pelos amarelos casados com brancos, mas também o cotidiano das famílias afro-asiáticas. “Percebi maior ansiedade social em relação aos casais amarelo e negro, e em torno do nascimento de seus filhos”, disse, destacando que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior parte dos casamentos dos amarelos no Brasil é inter-racial, representando cerca de 60%.
     
    14 min

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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