Novos Cientistas - USP

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Novos Cientistas - USP episodes

  • Antropólogo registra costumes de povos indígenas do Mato Grosso em linguagem audiovisual
    Na entrevista desta quinta-feira (5) no podcast Os Novos Cientistas, o antropólogo André Lopes descreveu parte de seu estudo de doutorado realizado no Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP intitulado Ijã Mytyli: Os Manoki e os Mỹky em seus novos caminhos-histórias audiovisuais. A pesquisa, que teve orientação do professor Renato Sztutman, foi a vencedora do Prêmio Tese Destaque USP 2024, na categoria Inovação.
    Durante a conversa, o antropólogo narrou como, por meio da linguagem audiovisual, os povos indígenas Manoki e Myky, do Mato Grosso, encontraram uma forma de compartilhar suas práticas e histórias. O engajamento dos jovens com o audiovisual levou à reativação de tradições desses povos, à criação de um coletivo de cinema e à produção de alguns filmes premiados. “Foi daí que surgiu a minha tese de doutorado”, contou o pesquisador ao jornalista Antonio Carlos Quinto.
    Formado em Ciências Sociais, André Lopes trabalha desde 2008 com os Manoki no estado do Mato Grosso e, desde 2009, auxilia no processo de filmagem e produção de filmes, oferecendo oficinas audiovisuais. O primeiro documentário, “O Batizado dos Meninos Manoki”, foi produzido em 2009. O filme apresenta o ritual de iniciação dos jovens à vida adulta, que não era feito havia 14 anos. “A possibilidade de gravar essa cerimônia foi um dos fatores que contribuíram para a reativação dela. Esse foi o primeiro trabalho e depois a gente continuou fazendo vídeos. O mestrado e doutorado foram formas de continuar a relação de colaboração e parceria com essas pessoas nas aldeias”, descreveu Lopes.
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    16 min
  • Imprensas de Brasil e Espanha têm diferentes narrativas em relação a atos racistas contra Vinicius Júnior
    Gabriel Gusmão Santos, formado em Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, foi o entrevistado desta quinta-feira (21) no podcast Os Novos Cientistas. Sob a supervisão do professor Paulo Nassar, Gusmão desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado Baila, Vini Jr.! A luta antirracista dentro e fora de campo: uma análise das narrativas da imprensa espanhola e brasileira sobre os ataques racistas sofridos por Vinicius Júnior na temporada 2022-2023 da La Liga. O trabalho analisou as narrativas da imprensa espanhola e brasileira sobre os ataques sofridos pelo jogador Vinícius Junior, do Real Madrid, na temporada 2022 2023 do torneio de futebol espanhol.
    “Há, basicamente, uma diferença cultural”, destacou Gusmão na conversa com o jornalista Antonio Carlos Quinto. Mas ele considera que talvez a principal diferença seja que no país europeu existe a valorização do jogador enquanto profissional. “Aqui no Brasil, o atleta é um produto midiático, uma celebridade”, disse. Ele destacou que Vini Jr. ficou muito marcado na Espanha por ser um jogador diferente nos seus dribles e nas comemorações de seus gols. “Para nós brasileiros, trata-se de algo natural. Afinal, crescemos vendo isso e ouvindo sobre o futebol arte”, analisou.
    Gusmão ressaltou que o Brasil também é um país racista. “A diferença entre os dois países é que por aqui não se deixa de falar sobre o tema, enquanto que, na Espanha, há uma certa omissão, tanto dos veículos de imprensa quanto da sociedade e instituições, de forma geral”, avaliou Gusmão. O estudioso lembrou ainda que, entre o início de 2021 e maio de 2023, o atleta registrou nove processos de racismo na Espanha. Nesse mesmo período, três desses processos foram arquivados sem resolução. “Por aqui, casos de racismo que acontecem no futebol são noticiados e viram publicações nos principais portais e programas de televisão. Na Espanha, o que ocorre é a omissão de muitos casos de racismo”, observou Gusmão.
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    16 min
  • Técnica desenvolvida na USP, em Piracicaba, pode combater fitopatógeno prejudicial a espécies de abacateiros
    Na entrevista desta quinta-feira (7), no podcast Os Novos Cientistas, o engenheiro agrônomo e professor Edypol Guilherme Baptista descreveu sobre seu estudo realizado no Centro de Energia Nuclear da Agricultura (CENA), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Na tese de doutorado intitulada Estratégias in vitro para produção de mudas de abacateiro tolerantes a Phytophthora cinnamomi Rands, o cientista mostra como desenvolveu mudas “in vitro” resistentes ao fitopatógeno Phytophthora cinnamomi Rands, causador da podridão radicular, que é a principal doença da cultura. “Aqui no Brasil, mesmo com os avanços observados nos últimos anos, a produção de mudas para porta-enxertos é pouco tecnificada”, destacou o professor, que teve a orientação da professora Adriana Pinheiro Martinelli.
    Nos laboratórios do CENA, Edypol estudou a produção de mudas “in vitro” de Abacateiros Buck 7 e Touro Canyon. De acordo com o cientistas, o fitopatógeno em questão é danoso também a outros tipos de abacateiros e outras culturas. “Na verdade, ele é um ‘pseudo fungo’. Tem as estruturas bem parecidas mas não é classificado como um fungo”, explicou. Edypol contou ainda que o Brasil tem um papel bem diferenciado nesse mercado de abacate. “Temos um mercado bem consolidado voltado mais para produção interna que são esses abacates, mais aguados e mais doces, que são usados em vitaminas, sorvetes e sobremesas”, informou. Entre as principais regiões produtoras de abacate no Brasil, o professor lembra que São Paulo figura com o líder, tanto na produção quanto na exportação. “Há outros estados que tem suas produções crescendo, como Minas Gerais e Paraná, por exemplo”, destacou.
    No cenário mundial, Edypol informou que o México é protagonista, tanto na produção quanto na exportação. “Lá, o fruto é parte da cultura alimentícia deles. Assim, eles têm mais do que o dobro de produção do segundo colocado”, descreveu. Além do México, países como a África do Sul, Israel e Espanha são grandes produtores da fruta. “O Brasil, nos últimos anos, está entre o sétimo e o décimo produtor mundial”, observou. Para estudar as espécies Duke 7 e Toro Canyon, Edypol contou que teve até uma certa dificuldade. “Quando fui desenvolver o meu projeto eu fui atrás de alguns centros de pesquisa. Há poucos exemplares desses cultivares. Lá na Esalq, por exemplo, tem só três árvores de Duke 7 e uma de Touro Canyon”, contou o pesquisador, lembrando que pode ter outros representantes na UNESP de Jabuticabal. Outro intuito do trabalho, como explicou o cientista, foi justamente aumentar o número de indivíduos desses cultivares no Brasil.
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    14 min
  • Pessoas com deficiência precisam ser ouvidas para que se melhorem as politicas de inclusão no trabalho
    No podcast Os Novos Cientistas desta quinta-feira (24),  o entrevistado foi o jornalista Jamir Osvaldo Kinoshita. Sob a orientação da professora Roseli Fígaro, ele realizou um estudo de doutorado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP em que analisou a relação de pessoas com deficiência (PcDs) . “Eu já estudava comunicação no mundo do trabalho e sempre percebi que, apesar de notar que existia uma grande gama de pesquisas sobre a inclusão na atmosfera do  ensino, pouco era falado sobre a inclusão no universo do trabalho”, descreveu o jornalista.
    Na pesquisa intitulada Muito além da porta de entrada: as relações de comunicação no mundo do trabalho das pessoas com deficiência motora e suas contribuições no processo de inclusão social, Kinoshita examinou alguns aspectos que abordam a ligação entre comunicação e a esfera profissional, como o não cumprimento das cotas previstas da Lei nº 8213/1991, o papel do trabalho na identificação das pessoas e os discursos neoliberais de empreendedorismo social e inclusão.
    Como inclusão e trabalho se conectam com as ciências da comunicação? O próprio pesquisador responde: “O que nos difere dos outros seres vivos é a capacidade de se comunicar e de trabalhar. Esses aspectos conferem a todo indivíduo o autorreconhecimento e a identificação como ser humano. Só vai existir uma inclusão efetiva de pessoas com deficiência na esfera do trabalho quando as organizações derem voz e espaço a essas pessoas”.
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    14 min
  • Estudo analisa o trabalho doméstico feminino à margem do contrato de trabalho
    Uma pesquisa de mestrado desenvolvida na Faculdade de Direito (FD) da USP foi o tema do bate-papo desta quinta-feira (10) no podcast Os Novos Cientistas. A autora do estudo, a advogada Marianna Haug, é a autora do estudo intitulado Trabalho reprodutivo e forma jurídica: as novas conformações da mulher enquanto sujeito de direito no neoliberalismo. Sob a orientação do professor Flávio Roberto Batista, a pesquisadora buscou entender a relação entre forma jurídica e trabalho reprodutivo para analisar de que forma o direito garante a manutenção das desigualdades de gênero.
    “Acho que o grande objetivo que eu queria entender ao longo do mestrado eram as diferenças dentro do trabalho doméstico. A mulher em seu trabalho no lar, doméstico, lava a própria louça, limpa a própria casa e prepara a comida, entre outras atividades. Porque isso não é visto como um trabalho a ser remunerado?”, questiona Mariana, destacando que, fora da família, aí sim, esse trabalho pode ser remunerado. “Então por que o direito organiza a partir da estrutura familiar? É uma lógica em que tudo que a gente faz dentro da família é considerado um trabalho para si e nunca é passível de ser remunerado, de ter um salário em torno disso”, observa a advogada.
    Mariana contou que chegou a apresentar seu projeto de estudo à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Porém, disse que optou pela FD da USP. “Acabei preferindo ir pela faculdade direito porque eu senti que o meu projeto lá estava um pouco mais consolidado”, explicou. Ela também lembrou que o seu estudo resultou no livro Trabalho Reprodutivo e Forma Jurídica: como o direito permite a exploração das mulheres no capitalismo, publicado pela editora Lutas Anti Capital. “O livro foi lançado recentemente”, contou a advogada
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    15 min
  • Extrato de romã mostra potencial para prolongar a vida de prateleira de pães de forma
    Na conversa desta quinta-feira (26) de Os Novos Cientistas, a tecnóloga em alimentos Nara Hellem Brazão da Costa descreve como realizou experimentos utilizando extrato de romã na produção de pães de forma, visando o aumento de vida de prateleira do produto. Os resultados do experimento constam na pesquisa de mestrado de Nara, que foi apresentada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, sob a orientação da professora Fernanda Maria Vanin.
    Segundo a pesquisadora, existe na indústria alimentícia atualmente uma tendência em substituir o uso de aditivos e conservantes sintéticos por fontes de agentes antimicrobianos e antifúngicos de origem natural. “É o caso dos resíduos do processamento do fruto da romã que possuem elevado teor de compostos bioativos, especialmente fenólicos e flavonoides”, explicou a pesquisadora ao jornalista Antonio Carlos Quinto.
    Contudo, como disse Nara, ainda faltam estudos adicionais e testes para que se comprove essa possibilidade, e que se tenha o pão de forma acrescido do extrato de romã, no futuro disponível nas prateleiras dos supermercados. “O extrato de romã é rico em antioxidantes e também antioxidantes e flavonoides que podem ajudar a retardar o processo oxidativo e o processo de deterioração do pão de forma”, disse a pesquisadora. Os pães de forma comercializados nos supermercados têm, em média, duração entre 5 e 7. “Nosso estudo mostrou que os pães de foram enriquecidos com o extrato de romã tiveram o tempo de prateleira estendido em até 15 dias”, afirmou. “Acredito que a gente ainda tem uns bons anos de pesquisa pela frente para poder encontrar uma formulação que compreenda todos os aspectos de aceitabilidade e que estende a vida de prateleira do produto”.
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    12 min
  • Mulheres com deficiência e em situação de violência doméstica e familiar se tornam invisíveis
    Formada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a pesquisadora Thaís Becker Henriques, decidiu realizar seu mestrado na Faculdade de Direito (FD) da USP. Sob a orientação da professora Gislene Aparecida dos Santos, ela desenvolveu a pesquisa “Às vezes, eu acreditava que eu não tinha valor”: percepções de mulheres com deficiência e da Rede de Enfrentamento sobre a violência doméstica e familiar contra mulheres com deficiência. No podcast Os Novos Cientistas, desta quinta-feira (12), Thaís concedeu entrevista ao jornalista Antonio Carlos Quinto falando de seu estudo e de sua experiência pessoal.
    A chave que despertou Thaís a empreender seu estudo foi uma experiência de vida, após ter passado por uma situação de discriminação em seu ambiente profissional. “Foi quando decidi investigar sobre as barreiras que incidem no acesso de mulheres com deficiência à rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar”, contou. Em 2015, Thaís, então estudante da graduação, tornou-se pessoa com deficiência após um acidente de carro. Ao retornar ao curso no semestre seguinte, no início de 2016, já na sétima fase do curso, também retomou o estágio obrigatório que fazia.
    Nesta primeira experiência de Thaís, ela pôde perceber as barreiras que incidem cotidianamente na vida das pessoas com deficiência. “Fiquei muito preocupada com o trajeto até o Fórum, com a acessibilidade, mas consegui chegar até a audiência”, contou ela. Tudo pronto para a audiência, quando a conciliadora nomeada para cuidar do caso disse ao homem que era a parte acompanhada por Thais: “Por favor, peça para sua irmã esperar lá fora”. Foi nesse momento que Thaís percebeu que o fato de ela estar em uma cadeira de rodas interferiu na interpretação das pessoas em relação à sua situação.
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    15 min
  • Mulheres negras criam e incentivam estratégias de vida nas periferias de SP
    A entrevistada desta quinta-feira (29) nos Novos Cientistas foi a pesquisadora Cláudia Rosalina Adão. Ela é autora do estudo de doutorado Territórios de vida: resistências, existências e produção de cuidado por mulheres negras, defendido recentemente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design (FAU) da USP sob orientação do professor Caio Santo Amore de Carvalho. No bate papo com o jornalista Antonio Carlos Quinto, Cláudia relembrou de sua primeira participação no podcast, quando foi entrevistada sobre sua pesquisa de mestrado intitulada Territórios de morte: homicídio, raça e vulnerabilidade social na cidade de São Paulo, realizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH)
    Estudiosa da presença negra na cidade de São Paulo, Cláudia conta que o seu estudo mais recente é o que ela chama de “ponto de virada”. “Percebi que nas mesmas localidades em que havia violência, pobreza encontravam muitas manifestações e mobilizações sociais organizadas por mulheres negras”, descreveu. Segundo ela, há estratégias de vida e a população negra não assiste os episódios de violência passivamente. “Há séculos, essas populações vêm criando modos de vida que são, em geral, encabeçados por mulheres”, contou a pesquisadora.
    O estudo de Cláudia se deu a partir da atuação de quatro mulheres em bairros periféricos na zona leste de São Paulo: União de Vila Nova, Penha e Jardim Santa Inês. Além de entrevistas, ela também realizou pesquisas documentais e buscou dados estatísticos e mapeamentos sobre desigualdades de gênero e raça. “Também realizei uma revisão bibliográfica sobre o feminismo negro”, detalhou. Assim, a pesquisa procura demonstrar como a atuação destas mulheres negras no cuidado individual e coletivo de grupos sociais moradores dessas periferias, seja a partir de seus protagonismos e lideranças pessoais ou a partir de vinculações a organizações sociais, produz resistências contra formas diversas de opressão. “Procurei também reconhecer que essas formas de cuidado contemporâneas remetem a saberes ancestrais que foram preservados de forma lacunar e fragmentária, mas que foram reconstruídos, recriados e disseminados por estas mulheres sujeitas da pesquisa”.
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    13 min
  • Estudo analisa normas de gênero impostas a atletas trans e com variação intersexual em competições olímpicas
    No podcast Os Novos Cientistas desta quinta-feira, 1º de agosto, a entrevistada foi a pesquisadora Waleska Vigo Francisco, do Grupo de Estudo Olímpicos da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP, que desenvolveu a pesquisa de doutorado intitulada A norma de gênero olímpica: mulheres legítimas e o tensionamento da bicategorização por atletas trans e intersexo. Sob a orientação da professora Kátia Rubio, da EEFE, Waleska faz um resgate sócio-histórico que objetiva compreender por que alguns corpos foram considerados legítimos para a categoria feminina, enquanto outros não. Ao contrário do que se pode pensar, este desafio está colocado para a gestão olímpica desde a década de 1930.
    Como descreveu Waleska, dirigentes do Comitê Olímpico Internacional e das Federações Internacionais, suspeitando que homens estivessem invadindo a categoria feminina, deram início às primeiras discussões sobre quais medidas protetivas deveriam ser tomadas. “Foi a partir disso que teve início a criação de uma política do corpo verdadeiro, somente para a categoria feminina, que pode ser conferida até os dias de hoje”, destacou a pesquisadora. “Um dos pontos de interesse para estudar o tema se dá quando eu vejo que existe uma total indiferença com essas atletas intersexuais e trans”, relatou a pesquisadora no bate-papo com o jornalista Antonio Carlos Quinto.
    O estudo, inicialmente um mestrado, ganhou corpo e tornou-se um projeto de doutorado na EEFE. Para tanto, Waleska trabalhou com duas entrevistas, com uma judoca e com uma jogadora de voleibol. “Além das entrevistas, fui trabalhando com documentos que me traziam a história de atletas internacionais, visto que a minha pretensão era estudar a categoria feminina como um todo”, descreveu. Waleska também trabalhou com jornais e documentos de internet, em especial, com os documentos das federações esportivas e do COI, os chamados regulamento de elegibilidade para pessoas trans e intersexo. “A nossa sociedade ainda vê essas pessoas como exóticas e que podem e devem sofrer discriminações que já são usadas nos ambientes esportivos”, lamentou a pesquisadora.
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    17 min
  • Violência racial pode não ser percebida quando é parte de outros contextos de violência contra a mulher
    Na edição desta quinta-feira (19) do podcast Os Novos Cientistas, o tema em questão foi a violência racial sofrida por mulheres negras, e nem sempre percebidas, quando estão num contexto de violência doméstica e familiar. A pesquisa intitulada Insubmissos relatos de mulheres negras: violências raciais em contexto de violência doméstica e familiar e seus desdobramentos judiciais, apresentada na Faculdade de Direito (FD) da USP, é de autoria da advogada Patricia Oliveira de Carvalho, que contou com a orientação da professora Gislene Aparecida dos Santos.
    No bate-papo com o jornalista Antonio Carlos Quinto, Patricia deu detalhes de como realizou seu estudo. “Caracterizamos violência racial contra mulheres negras em contexto de violência doméstica e familiar a partir de revisão bibliográfica na literatura especializada. Além disso, a partir da análise de decisões judiciais de primeira instância, caracterizamos como a categoria raça é mobilizada em decisões judiciais no tema de violência doméstica e familiar”, contou a pesquisadora.
    Utilizando entrevistas semiestruturadas, Patrícia conversou com defensoras da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e advogadas para analisar como as violências raciais em contexto de violência doméstica e familiar aparecem nas suas narrativas e identificou os encaminhamentos que lhes são conferidos. “De forma geral, percebemos que a violência racial se faz presente em contextos de violência doméstica e familiar porém é pouco percebida e tratada”, pontuou. Além disso, ela também identificou que as violências raciais seguiram majoritariamente adstritas ao encaminhamento como injúria qualificada na esfera penal e, por vezes, aparece na esfera cível caracterizando dano moral e/ou violência moral psicológica.
     
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    14 min

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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