Novos Cientistas - USP

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Novos Cientistas - USP episodes

  • Ebook registra personagens que viveram boa parte da história do Conjunto Residencial da USP
    O Conjunto Residencial da USP (CRUSP), complexo destinado a moradia de estudantes da USP menos favorecidos financeiramente, ou que sejam oriundos de outras cidades do Brasil, é o tema principal do ebook Blocos de Memórias“, de autoria do jornalista Ivan Conterno. A obra é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Conterno para a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e teve a orientação do professor Dennis Oliveira. Ambos estiveram presentes no estúdio da Rádio USP, na entrevista desta quinta-feira (4) do podcast Os Novos Cientistas.
    No artigo “O Crusp é moradia estudantil”, veiculado no Jornal da USP em outubro do ano passado, assinado por Ana Duarte Lanna, pró-reitora de Inclusão e Pertencimento da USP, e Ester Gammardella Rizzi, assessora da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP, as autoras trouxeram a informação de que na moradia estudantil da USP, a maior de todos os campi, havia aproximadamente 1.600 vagas, distribuídas em oito blocos. “Creio que existam cerca de 1.400 moradores atualmente”, disse o jornalista.
    Ao relatar o prazer de ter orientado o trabalho que resultou no ebook, o professor Dennis Oliveira destacou a importância política do Crusp e seus diversos atores que, no decorrer dos tempos, sempre mantiveram a “efervescência” do local. Conterno em seu trabalho destaca muitas histórias inéditas de personagens que foram importantes, resistindo mesmo em períodos como a ditadura militar. Ambos os entrevistados destacaram que há a necessidade de sempre se estar repensando as políticas de habitação estudantil na USP. Dennis Oliveira lembrou que a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), também conhecida como USP Leste, também é um ponto de atenção. “Lá não existe ainda moradia estudantil”, lembrou o docente.
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    14 min
  • Núcleo de Consciência Negra (NCN) da USP surgiu como forma de resistência e combate ao racismo
    Pesquisa de mestrado apresentada na Faculdade de Educação (FE) da USP investigou e analisou diversos aspectos da fundação do Núcleo de Consciência Negra (NCN) da USP, que aconteceu em 1987, dois anos após o final da ditadura militar no Brasil. “Apresentei meu estudo em 2024, mas as pesquisas terminaram por volta de 2021 a 2022 “, contou a pesquisadora Juliana da Silva Siqueira, na entrevista desta quinta-feira (20) no podcast Os Novos Cientistas. Ela é autora do estudo A formação do Núcleo de Consciência Negra na Universidade de São Paulo : uma trajetória política apoiada na educação como forma de resistência e luta antirracista. “O NCN surgiu como forma de resistência e com a missão de promover um grande debate sobre o racismo”, disse Juliana.
    Segundo Juliana, entre as motivações que levaram à fundação da entidade, algumas reclamações de racismo na Universidade e a constatação da pouca representatividade negra nos diversos setores da USP. “A população de mulheres e homens negros dentro da USP trabalhava em atividades de menor prestígio”, disse Juliana no bate-papo com o jornalista Antonio Carlos Quinto. Assim, como narrou a pesquisadora, o NCN surgiu com um questionamento: O que fazer para chamar a atenção da Universidade para  chamar a atenção da universidade para a questão do racismo?
    E o racismo na USP, como informou a pesquisadora, fazia parte da estrutura. Ela lembrou, por exemplo, o caso de três faxineiras negras que almoçavam dentro de um banheiro por que não havia um refeitório. “Além desta reclamação, tantas outras surgiram e acabaram por justificar a existência do NCN”, contou. Com o passar do tempo, o debate político também se transformou em ações educacionais direcionadas para a comunidade negra e não negra, e até fora da Universidade. Como informou Juliana, o Núcleo de Consciência Negra ainda é presente e atuante dentro da USP, “promovendo ações afirmativas que visam educar a população negra em atos públicos, cursinho pré-vestibular, cursos de idiomas, alfabetização, cultura e arte”.
     
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    15 min
  • Aluno da USP apresenta pesquisa em evento inédito da Harvard University no Brasil
    Entre os dias 10 e 12 de julho deste 2024, acontecerá no campus da USP, em São Paulo, pela primeira vez no Brasil a Terceira Conferência Continental de Estudos Afro-Latino-Americanos 2024 do Afro_Latin_American Research Institute at Harvard University ALARI/ Harvard-USP. Na oportunidade, professores, alunos, pesquisadores , acadêmicos, ativistas, artistas e formuladores de políticas públicas, que trabalham com comunidades afrodescendentes na América Latina, apresentarão propostas para a conferência. Este encontro busca promover o campo acadêmico dos Estudos Afro-Latino-Americanos, por meio de diálogos entre os atores envolvidos na produção e implementação de agendas acadêmicas e de justiça racial na América Latina.
    Na oportunidade, o estudante José Farias dos Santos Júnior, que cursa o bacharelado em Saúde Pública, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, apresentará sua pesquisa de iniciação científica. Como ele contou, em entrevista aos Novos Cientistas, sua apresentação será no painel 150 – “Saúde Pública: a ausência dos direitos institucionais na vida das pessoas negras”. “O título de meu trabalho é “Relações Raciais, História e Saúde Pública: Uma Revisão Sistemática – resultados parciais”, onde vou expor as considerações analítico teóricas dos resultados da pesquisa, entre as quais encontram-se elementos como racismo, epistemicídio e colonialidade”, descreveu.
    Assim José definiu sua pesquisa na entrevista ao jornalista Antonio Carlos Quinto:  “Minha pesquisa é projeto de iniciação  científica onde parto de uma perspectiva construída a partir do campo de estudos das Relações Raciais na Saúde [cunhado pela Dra. Mônica Mendes Gonçalves], que tem como proposta o uso, compreensão e apreensão da raça e suas categorias de forma crítica no campo da saúde, em confluência aos estudos críticos da raça e da racialidade dentro das ciências humanas e sociais”, descreveu. “Assim, meu estudo busca verificar como as produções sobre a temática racial no campo da saúde se encontram na atualidade, especificamente nos últimos 3 anos.”
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    16 min
  • Cineasta indígena atua como tradutor de seu povo em seus filmes
    No episódio desta quinta-feira (16) do podcast Os Novos Cientistas, a jornalista Veriana Ribeiro Alves contou como realizou seu estudo de mestrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Na pesquisa intitulada O cinema documentário de Zezinho Yube, Veriana analisou duas produções do diretor José de Lima Kaxinawá, conhecido como Zezinho Yube. O estudo contou com a orientação do professor Henri Pierre Arraes de Alencar Gervaiseau.
    As produções analisadas pela jornalista foram Ma Ê Dami Xina – Já me transformei em imagem (2008) e Kene Yuxi – As voltas do Kene (2010). “Esses filmes nos mostram que ele acaba sendo um tradutor do seu povo, para aqueles que não fazem parte da comunidade indígena. Ele nos insere, por meio do audiovisual, num universo particular que é criado a partir da relação entre quem filma e quem é filmado”, descreveu Veriana.
    Veriana iniciou sua pesquisa em 2020, após ter contato com as produções de Zezinho Yube por intermédio do projeto “Vídeo nas Aldeias”, que trabalha na formação de cineastas indígenas. Como narrou a jornalista, a mediação exercida pelo cineasta vem do trabalho próximo que ele faz com as comunidades. De acordo ela, nas produções do Vídeo nas Aldeias, uma metodologia muito comum é fazer uma oficina de captação de vídeo para que os cineastas escolham seus personagens. “Nas oficinas, o processo de escolha dos personagens se dá junto com a comunidade. Em todos os dias de gravação, no final do trabalho, as cenas são exibidas à comunidade que opina sobre o que foi gravado”, descreveu Veriana.
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    15 min
  • Publicações humorísticas de Brasil e Argentina veiculavam, no início do século 20, conteúdo antifeminista
    Entre os anos 1904 e 1918, repercutiam na imprensa discussões sobre possíveis reformas para implementar direitos políticos e civis para as mulheres. Contudo, duas publicações de teor humorista, uma argentina e outra brasileira, buscavam deslegitimar os ideais das feministas da época. “Em primeiro lugar é preciso lembrar que os feminismos já possuíam, naquele período, um caráter plural”, disse a historiadora Thaís Batista Rosa Moreira ao jornalista Antonio Carlos Quinto. A pesquisador foi a entrevistada desta quinta-feira (2) no podcast Os Novos Cientistas.
    Thaís é autora do estudo de mestrado Na mira do traço: representações antifeministas nas revistas humorísticas PBT e O Malho (Argentina e Brasil, 1904-1918), apresentado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Sob a orientação da professora Stella Maris Scatena Franco, a pesquisa analisou uma série de publicações de teor antifeminista veiculadas nas revistas ilustradas humorísticas PBT (argentina) e O Malho (brasileira). “E eu escolhi PBT e O Malho pois foram as duas revistas onde eu encontrei um corpus documental mais significativo na etapa de busca de fontes, quando montei o projeto de pesquisa. Mas isso não quer dizer que esse conteúdo não aparecia em outras publicações da época”, destacou Thaís.
    A pesquisadora também contou que tanto a PBT como O Malho manifestaram uma tendência hegemônica da imprensa da época, retratando as demandas feministas e a luta pelo sufrágio feminino em tom satírico, de modo a ridicularizar e deslegitimar a ação política desses setores. “As revistas ilustradas humorísticas, que eram razoavelmente acessíveis e impressas em formato moderno e visualmente atrativo, tiveram um papel de destaque na proliferação desses discursos contrários ao feminismo, uma vez que mantinham um alto número de tiragens e que suas principais fontes de conteúdo eram as atualidades do campo político”, disse Tahís. Além do direito de voto, a perspectiva de alcançar outras reivindicações, como igualdade de direitos civis e acesso ampliado à educação e profissionalização, gerava desconfiança e oposição nos periódicos.
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    13 min
  • "Tias da Portela" são fundamentais na preservação das memórias da escola de samba
    Na edição desta quinta-feira (18) de Os Novos Cientistas, recebemos a pesquisadora Maria Paula Pinheiro que nos descreveu parte de seu estudo de doutorado desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Na pesquisa Na Roda das Donas do Samba: um estudo sobre histórias, memórias e saberes das Tias do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, ela investigou a participação e o protagonismo de mulheres negras reconhecidas como Tias nos processos de formação, organização, promoção e difusão da cultura das escolas de samba no Rio de Janeiro.
    Na conversa com o jornalista Antonio Carlos Quinto, Maria Paula ressaltou que as Tias cumpriram e cumprem um papel primordial na escola de samba. “São lideranças comunitárias reconhecidas e atuam como guardiãs da memória e mantenedoras dos vínculos grupais, preservando modos de vida e universos culturais, conduzindo os ritos por onde os saberes circulam e são transmitidos entre gerações.” As Tias, como descreveu Maria Paula, são as mulheres mais velhas e experientes das comunidades de samba que se reconhecem e são reconhecidas por serem detentoras de um amplo complexo de saberes que remonta à herança civilizatória negro-africana recriada no Brasil.
    A pesquisadora lembrou ainda que sua pesquisa destaca as personalidades femininas que estiveram à frente da direção de departamentos, presidência de alas e coordenação de grupos de trabalho na agremiação. Atualmente, Tia Surica (Iranette Ferreira Barcellos) é uma dessas lideranças, atuando como integrante veterana da Velha Guarda da Portela, membro do Conselho Deliberativo e detentora do título de matriarca e do posto de presidente de honra da escola. Maria Paula também deixou sua opinião em relação à instituição do Dia Nacional da Mulher Sambista, 13 de abril. “Vem simplesmente coroar longa trajetória de luta e resistência das mulheres sambistas.”
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    13 min
  • Mulheres negras que atuam em profissões elitizadas impactam a estrutura do racismo
    Na edição desta quinta-feira (4) do podcast Os Novos Cientistas, a convidada foi a pesquisadora Adriana Sousa. Ela é autora de um estudo de doutorado realizado na Faculdade de Educação (FE) da USP que mostra como as mulheres que atuam em profissões elitizadas acabam causando o que ela denomina “práticas de fissuras” na estrutura racial brasileira.
    Durante o bate-papo com os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré, Adriana contou que sua pesquisa teve como base entrevistas com 11 mulheres atuantes em profissões elitizadas nas áreas do Direito, Medicina e Engenharia. Numa sociedade marcada pela desigualdade racial, como a brasileira, essas mulheres negras que chegam ao topo de suas profissões causam impactos nas estruturas de trabalho e abrem caminhos para mais pessoas pretas, entre outras consequências. “Um desses impactos é o que denomino em meu estudo como as ‘práticas de fissura’”, explicou a pesquisadora.
    A pesquisa intitulada Mulheres negras em profissões elitizadas: as práticas de fissura, foi concluída em 2022 e contou com a orientação da professora Fabiana Augusta Alves Jardim. Adriana considera que seu tema de pesquisa seja inédito, visto que não há dados e existe pouca literatura que permita avaliar questões de raça com relação à trajetória de mulheres negras inseridas em áreas de prestígio do mercado de trabalho. “Há silêncios acerca dos lugares profissionais de mulheres negras nas áreas do direito, da medicina e da engenharia. Ainda assim, é a academia brasileira que mais carece avançar nos estudos sobre a atuação profissional de mulheres negras em áreas do trabalho elitizado”.
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    14 min
  • Deficientes visuais podem ter criação e experimentação em exposições artísticas
    Uma pesquisa de mestrado desenvolvida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP foi o tema do bate-papo desta quinta-feira (21) no podcast Os Novos Cientistas. Os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré conversaram com a artista visual e fotógrafa Karen Montija. Ela é autora da pesquisa Picasso Pinta Feio: Proposta de acessibilidade à experiência estética com a arte por meio da mediação com pessoas cegas e com baixa visão em espaços culturais, que teve a orientação da professora Maria Christina Rizzi. Karen também é educadora e especialista em acessibilidade cultural e o principal objetivo de seu estudo foi promover a integração e participação de pessoas cegas e de baixa visão em exposições de arte.
    Durante a conversa Karen explicou que sua pesquisa se dá em torno da criação e aplicação do que ela chama de “Proposta de Acessibilidade e Experiência Estética (PAEE)” de exposições artísticas para deficientes visuais. “A criação de uma experiência estética em artes visuais é, conforme o nome indica, pensada sobretudo para o público vidente, com espaço muito reduzido para outros sentidos”, explicou a pesquisadora. “Por conta disso, as ações educativas para pessoas cegas em exposições de arte, tradicionalmente, acabam sobrepondo a informação à experiência estética”, descreveu. Para Karen, a informação e a experiência estética não são rivais, elas têm que caminhar juntas.
    O problema está em como proporcionar uma experiência estética a partir de uma obra que o visitante não consegue ver, ou seja, como fazer a obra de arte ser sentida. Para isso, a PAEE propõe que sejam criadas novas formas de apresentar a obra. Ao invés de tentar fazer uma representação fiel da obra, são criadas possibilidades que exploram outros sentidos e perspectivas, como um enfoque histórico ou nas cores, por exemplo.
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    13 min
  • Candeia e sua obra estabeleceram uma postura crítica em relação aos rumos do samba
    O sambista e compositor Antonio Candeia Filho, o Candeia, é novamente tema no podcast Os Novos Cientistas. Desta vez, como objeto de pesquisa na tese de doutorado desenvolvida pelo músico e pesquisador Igor de Bruyn Ferraz. O trabalho intitulado “Quem quiser pode ir; eu vou ficar aqui”: política, antirracismo e identidade sonora no samba de partido-alto do Candeia, defendido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, destaca a postura política e crítica de Candeia em relação aos rumos do samba e do carnaval, de um modo geral.
    No programa desta quinta-feira (29), o Igor Ferraz explicou aos jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré que, entre as motivações que o levaram a empreender o estudo, está a experiência de ter realizado uma pesquisa de mestrado em que analisou parte da obra musical do sambista. Naquela oportunidade, o pesquisador elegeu como tema de seu estudo dois discos da coleção Partido em 5, volumes 1 e 2, que ele considera ainda inovadores.
    Neste doutorado, o músico e pesquisador aborda a postura de Candeia frente a três projetos que mostram a preocupação do sambista com as raízes do samba: a fundação do Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba (G.R.A.N.E.S.) Quilombo; o livro “Escola de Samba: a árvore que perdeu a raiz (1978)”, escrito em parceria com Isnard Araújo, e o lançamento de dois discos Lps intitulados Partido em 5, Vols 1 e 2 (1975 e 1976, respectivamente), analisados no mestrado. “A conjugação de tais eventos estabeleceram um movimento antirracista, cujas bases de sua enunciação política estavam atreladas ao maior símbolo cultural da identidade brasileira: o samba!”, destacou Igor Ferraz.
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    18 min
  • Monumentos "polêmicos" de São Paulo são analisados em pesquisa da USP
    Na edição desta quinta-feira (15) do podcast Os Novos Cientistas, a entrevistada foi pesquisadora Thabata Dias Haynal. Ela é autora do estudo de mestrado intitulado “Por quais estátuas os sinos do nosso luto dobram?”: construindo o argumentário do dissenso em torno de monumentos racistas e colonialistas no Brasil, apresentado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
    Em seu estudo, Thabata investigou diferentes perspectivas da discussão sobre monumentos da cidade, quando manifestantes reivindicavam a derrubada de estátuas homenageando traficantes de escravos e colonialistas. “Os monumentos históricos fazem parte da paisagem urbana e do cotidiano das cidades. Eles estão por toda parte e muitas vezes são vistos como um retrato fiel do passado. Entretanto, essas obras não são isentas de contradições e materializam visões de mundo particulares dos artistas e do contexto no qual estão inseridas”, explicou a pesquisadora.
    Para realizar sua pesquisa, Thabata analisou dez artigos de opinião publicados no jornal Folha de S.Paulo no mês de junho de 2020. Naquele período, o debate sobre monumentos estava em alta na sociedade. “O assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, um homem negro que foi sufocado por um policial branco, gerou uma série de protestos antirracistas ao redor do mundo. Em alguns deles, manifestantes reivindicavam a remoção de estátuas de figuras relacionadas ao racismo e ao colonialismo”, contou Thabata, destacando que o fato que ganhou mais repercussão foi a derrubada da estátua de um traficante de escravizados em Bristol, na Inglaterra. Apesar de ser uma discussão recorrente, Thabata comenta que há poucos trabalhos acadêmicos sobre o tema. “Pareceu muito difícil achar material conectando os monumentos dos bandeirantes com as discussões sobre memória e argumentação. É um dos únicos trabalhos nesse caminho, que unifica as abordagens”, descreveu.
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    14 min

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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