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“Num segmento de imagens, vemos cadáveres a flutuar na água ou no tecto de carros. São projectadas em sequências de tempo suficiente para registarmos o horror do abandono (...)”. Esta citação faz parte da crítica da New Yorker ao documentário de Spike Lee - “When The Levee’s Broke” - sobre a devastação do Katrina. É um registo avassalador do sofrimento humano, após uma catástrofe natural, que teve, politica e socialmente, uma resposta desumana. Neste episódio, mergulha-se no cancioneiro tradicional de Nova Orleães, nas bandas de metais, com versões de clássicos incontornáveis pela Treme Brass Band ou a Rebirth Brass Band. Nina Simone e Beyoncé também fazem parte desta banda-sonora, dando a glória e dimensão dos seus palcos à cultura negra americana.
Foto capa: Roy Guste
“Ele, o nada, no seu nadificar, remete-nos justamente para o ente.” É com a citação acima, de Heidegger, que degelo descreve o tema “Nada”, que integra esta edição e também lhe dá título: “Do nada descobre-se tudo”. degelo é o projecto musical de Pedro Ruela Berga, artista e estudante de mestrado em filosofia, que assina a carta publicada no site de NUCLEAR. Foi a partir das reflexões estimuladas por Pedro Ruela Berga, tanto na música como na escrita, que surgiram as canções a integrar o episódio. A banda-sonora divide-se entre a pop, dura e intemporal, com canções de Beyoncé, Depeche Mode e Eurythmics, o ambient post-rock de degelo, e o indie rock de Radiohead e Bon Iver. Fiquem connosco!
Foto capa: The Lovers, René Magritte’s (1928)
Que relevância damos em 2021 a clássicos da Broadway das décadas de 60 e 70 e da era dourada de Hollywood? Pode dizer-se que são documentos cristalizados no tempo, para um nicho aficionado. Esta edição explora a sua relevância cultural, mas também social e humana: falando tanto no impacto de Judy Garland na comunidade LGBT (até na criação da sua bandeira); como na figura arrebatadora de Barbra Streisand; ou ainda a mensagem sublime que Nat King Cole nos transmitiu na sua arte. Há espaço para a transgressão de Amália Rodrigues e o portento kitsch de Moulin Rouge. Fiquem connosco!
Capa: Barbra Streiseand por Steven Meisel (1993)
Quantas vezes nos desafia a vida a emancipar-nos? Quão apaixonada é a nossa emancipação? Este episódio nasce do confronto e da complementaridade destes dois conceitos: o da emancipação e o da paixão. Tem na base uma carta dedicada à obra de Björk, assinada por Dora Santos Silva, professora na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Foi a partir dessa Carta, da paixão impressa nela, que escolhi a canção de Björk e de Madonna que integram esta edição. Também há músicas de emancipação: com a dor de Arca, na profunda transgressão que o seu trabalho nos transmite, mas também na singularidade de Grace Jones e David Bowie, assim como o novo rumo criativo de Ana Moura.
Foto capa: Ana Moura por Wide Boy
A Mulher tem uma imensidão colossal inscrita em si. O documentário “Woman” (2019), entrevistou mais de 2000 mulheres de 50 países diferentes. Leva-nos numa viagem pelo espectro da experiência humana, nas mais distintas culturas, com realidades dilacerantes, brutais, e, muitas outras, comoventes. Nas reflexões inspiradas pelo filme selecionaram-se os temas desta edição. Abrimos com Patti Smith, que rejeita a ideia do pecado original. Passamos por Savages, Sade, Chavela Vargas, Gisela João e ANOHNI. Todas cantam sobre sentimentos, questões e ímpetos que não podem continuar a ser reprimidos.
Capa: Sade, Love Deluxe (1992)
Abre-se hoje um novo ciclo de mais sete episódios de NUCLEAR. Esta edição foi construída entre dois pólos: Nick Cave e Madonna. Viaja pelo luto e pela dor até chegar à liberdade, com toda a perseverança necessária pelo meio. É central a carta assinada pela jornalista Ana Ventura, publicada em www.culturanuclear.pt e que versa sobre a sua relação com Madonna. Existem ainda canções de Rita Vian, The National, Christine and The Queens e George Michael. Fiquem connosco!
Capa: Ben Smith
A nossa percepção do que foi a escravatura é uma miragem. No século XIX, nos EUA, criou-se o Underground Railroad. Um movimento formado por abolicionistas e escravizados para libertar pessoas da escravatura. Colson Whitehead escreveu um romance com o mesmo nome, adaptado numa série por Barry Jenkins, em 2021. Em “The Underground Railroad” retrata-se o caminho para a liberdade de uma mulher escravizada e a procura da individualidade. O direito a ela. Seja há dois séculos atrás, seja hoje em dia. Faz-nos pensar no legado deixado por estas pessoas às gerações seguintes. É por isso que se inclui neste episódio Oprah Winfrey a recitar uma passagem de “Song of Solomon”, de Toni Morrison. No alinhamento de canções desta edição há um paralelo entre Marvin Gaye e Childish Gambino; Mahalia Jackson com a música interpretada em Washington no mesmo dia que Martin Luther King Jr. proferiu “I Have a Dream”; Michael Jackson, Mayra Andrade e Kendrick Lamar - este com “i” materializando a ideia e importância da individualidade. Fiquem connosco!
Tina Turner é inquebrável. Este statement torna-se ainda mais claro na forma como a sua vida é abraçada no documentário biográfico “Tina” em que assume, logo nos primeiros minutos, que nunca foi feliz. É a figura central deste episódio, que tenta contextualizar e celebrar o seu legado enquanto mulher incontornável do rock & roll, que se reergueu após a relação com Ike Turner, reclamando o seu próprio nome e identidade num estóico acto de propriedade e inversão da história. Jamila Woods, Rufus e Chaka Khan, Stevie Wonder, Alicia Keys e Jessie Ware são os outros artistas a compor o alinhamento deste NUCLEAR em torno de figuras e ideias inquebráveis no contexto cultural das últimas décadas.
Foto: Tina Turner por Jack Robinson
A cultura suburbana do ballroom voltou ao circuito mediático com a série Pose. Mas como surgiu este movimento? A comunidade nasceu em Nova Iorque, na década de 70, entre pessoas LGBT, afro-americanas e latinas que, nas ruas, entre a pobreza extrema, a prostituição e o abandono criaram as suas próprias famílias e lares. “À procura da visibilidade” é a carta assinada por Bernardo Gonçalves em www.culturanuclear.pt. No seu texto, faz uma viagem por uma série de referências que trouxeram visibilidade, através da cultura, não só a pessoas trans como a todos os misfits ao longo dos últimos 40 anos. É nesta viagem que o episódio se inspira para ouvir e dançar com temas de Róisín Murphy, Malcolm McLaren, Aretha Franklin, Whitney Houston e Diana Ross.
Foto Capa: Octavia St. Laurent, Paris is Burning (1990)
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