O que faz uma mulher, criada na fé evangélica, se tornar uma mãe religiosa a favor da legalização do aborto?
Simony é antropóloga, pesquisa sobre as mulheres negras evangélicas, a Justiça reprodutiva e as condições de uma maternidade com dignidade.
Ela conta aqui as dificuldades que passou na primeira gravidez : o diabete, as vinte sete consultas de pré-natal, as internações e a cesárea. Simony deu à luz uma segunda vez. Ela relata o nascimento da filha, como se libertou graças a teologia feminista, fez as pazes com a sua sexualidade e se tornou uma militante para a legalização do aborto.
Será que hoje ainda podemos opor a vida cristã e a interrupção de gravidez? Como entender que 25% das mulheres que abortam no Brasil são evangélicas e 64% são católicas? Simony tem uma resposta : além da fé, as necessidades da vida vão mostrar a necessidade de interromper uma gestação.
Legalizar é necessário porque salva vidas, mas prevenir também é. Sabemos o que precisa ser feito: aumentar a informação, dar acesso à uma educação sexual relevante, à um contraceptivo de qualidade, combater o abuso sexual infantil. O que estamos esperando?
Eis o fruto de uma gravação de três horas no calor de maio em São Paulo.