A catequese não acontece apenas na cabeça. Ela passa pelocoração, pelas mãos, pelos olhos, pela vida toda. Por isso, o ministério docatequista exige mais do que conhecer doutrinas: exige um conjunto de atitudes,posturas e disposições interiores que tornam possível a missão de educar na fécom autenticidade e fecundidade. Não se trata de “ter jeito”, mas de cultivarum modo de ser catequista, que nasce da intimidade com Deus e seexpressa no relacionamento com os outros.
A primeira atitude essencial é a escuta atenta. Ocatequista precisa aprender a escutar Deus na oração, nas Escrituras, na voz daIgreja, mas também a escutar os catequizandos, suas famílias, suas histórias,suas dúvidas. Escutar é mais do que ouvir: é acolher, compreender, dar espaço.Um catequista que escuta com o coração evangeliza mesmo antes de começar afalar.
Outra atitude fundamental é a humildade de aprendersempre. Nenhum catequista está pronto. A fé é um caminho, e todos estamosem formação contínua. Quem se fecha no “eu já sei” perde a oportunidade decrescer. O bom catequista se alegra com cada descoberta, estuda com dedicação,pergunta quando tem dúvidas e se deixa formar pelos irmãos.
O catequista também precisa ter um olhar misericordioso eencorajador. Muitas vezes, encontrará pessoas feridas, distantes da fé, comdificuldades de compreensão ou de vivência cristã. Nessas horas, é preciso sersinal da ternura de Deus. Corrigir com doçura, animar com esperança, acolhersem julgar. Como Jesus fazia com os que se aproximavam d’Ele.
A coerência de vida é outra atitude indispensável.Não se pode anunciar a verdade e viver na mentira, falar de perdão e cultivarrancores, ensinar o amor e agir com indiferença. O catequista é chamado a sertestemunha, e isso significa viver aquilo que anuncia, ainda que comfragilidades. A coerência não exige perfeição, mas sinceridade e esforçocontínuo.
Além disso, o catequista precisa ser comunitário,saber trabalhar em equipe, respeitar a caminhada dos outros, colaborar com osprocessos paroquiais e diocesanos. A catequese nunca é obra de um só. Ela ésempre ação da Igreja, feita em comunhão, com espírito de serviço.
Essas atitudes não se improvisam. São cultivadas na oração,na escuta da Palavra, na vivência da fé, na vida fraterna. E cada gestoconcreto do catequista — um olhar, uma palavra, um silêncio, uma acolhida — setorna catequese viva, quando brota de um coração moldado por Cristo.
Reze hoje pedindo ao Espírito Santo que renove em você essasatitudes. Deixe-se formar por Ele. Porque mais do que métodos ou técnicas, é asua presença amorosa que transforma vidas.
Na próxima gota, vamos refletir sobre o perfil do catequistacomo discípulo missionário. Até lá!