Nota importante: No episódio, falamos do caso de Gisèle Pelicot, que nem todos poderão querer ouvir
Sara Barros Leitão vem falar-nos de travessias: da de uma complicada tradução, da de milhares de migrantes e da que temos de fazer entre nós. Com Sofia Frade, a dramaturga está a terminar de traduzir “As Suplicantes”, de Ésquilo, do grego para português. Revela que é “uma tradução viva, que dialoga com os tempos de agora, a quatro mãos”.
O mundo exigiu-lhe uma tarefa que ponderava fazer quando fosse velinha: Sara reescreveu a peça “Suplicantes”, que parte da história mitológica de 50 mulheres que, obrigadas a casar com os 50 primos, decidem ser donas do seu destino e atravessam o mar mediterrâneo, pedindo asilo na Grécia. É uma história de migração. Quando aí atracam, são descritas como bárbaras, o que se traduz para “o estrangeiro, o que vem de fora, o que não é grego”.
A partir da reescrita desta peça de 2500 anos, com os olhos de hoje, a fundadora da estrutura artística Cassandra, com raízes no Porto, leva-nos à origem do palavrão “Bárbaros” e aponta possíveis porquês de ser instigado o medo do outro.
Neste Palavrão, a atriz, encenadora e agora livreira explica por que razão abrir a Livraria da Cassandra é um gesto político, e manter uma livraria independente num bairro multicultural é um ato de resistência.
Temos ainda tempo para descobrir que objetos vão na cápsula do tempo da Sara, para abrirmos daqui a 20 anos.
O Palavrão é um podcast original da Livraria Lello Porto. É conduzido por Magda Cruz e conta com música original de Cláudia Pascoal.