
Sign up to save your podcasts
Or


Nesta sexta, a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e, na mesma ocasião, se celebra o Dia de Santificação do Clero. Em uma carta ao clero, o papa explicou o que é “Ser sacerdote segundo o Coração de Cristo” significa revestir-se dele até ao ponto de ter os seus mesmos sentimentos. Entre tantas virtudes, o Coração de Jesus está aberto à gratidão; ele agradece ao Pai pelos prodígios que realiza aos olhos dos pequenos, escondendo-os a quem, ao invés, fechado na presunção da sabedoria humana, não consegue vê-los”. E destaca: “Ser sacerdote é ter um coração agradecido, semelhante ao Coração de Cristo.”
“O Sagrado Coração é o ícone da paixão: nos mostra a ternura visceral de Deus, sua paixão amorosa por nós e, ao mesmo tempo, sob o peso da cruz e cercado de espinhos, nos mostra quanto sofrimento custou nossa salvação. Na ternura e na dor, esse Coração revela, em suma, qual é a paixão de Deus: o homem”.
Esta é ainda uma semana muito especial com a celebração do Sagrado Coração de Jesus na próxima sexta e, no dia seguinte, a festa do Imaculado Coração de Jesus.
Em sua Exortação Apostólica, Gaudete Et Exsultate, o Santo Padre menciona o santo do dia ao se referir à carta escrita por São Francisco de Assis ao seu confrade. O Pobrezinho de Assis ao ver que alguns dos seus discípulos ensinavam a doutrina, quis evitar a tentação do gnosticismo. Então escreveu assim a Santo Antônio: «Apraz-me que interpreteis aos demais frades a sagrada teologia, contanto que este estudo não apague neles o espírito da santa oração e devoção». Vemos aí como o próprio fundador da Ordem confiou a Santo Antônio a missão como pregador da Palavra.
«É preciso coragem para formar uma família»: palavras pronunciadas por Francisco a 4 de outubro de 2013, em Assis. «É uma verdadeira vocação, como o são o sacerdócio e a vida religiosa», acentua. «Dois cristãos que se casam reconheceram na sua história de amor o chamamento do Senhor, a vocação para formarem, homem e mulher, uma só carne, uma só vida. E o sacramento do Matrimônio envolve este amor com a graça de Deus, enraizado no próprio Cristo. Com este dom, com a certeza deste chamamento, pode-se partir em segurança, não se tem medo de nada, pode enfrentar-se, juntos, tudo.»
Em uma celebração com os Frades Menores Conventuais, o Santo Padre Papa recordou que, em 1220, em Coimbra, Portugal, "o jovem cônego regular agostiniano Fernando, natural de Lisboa, ao saber do martírio de cinco franciscanos, mortos por causa da fé cristã no Marrocos, no dia 16 de janeiro daquele ano, decidiu transformar a sua vida". O religioso deixou sua terra e embarcou numa viagem, "símbolo de seu próprio caminho espiritual de conversão", explica Francisco.
É assim que faz Jesus, vindo ter conosco com mansidão, na fragilidade da Hóstia. Assim faz Jesus, o Pão partido que rompe a carapaça dos nossos egoísmos. Ele que Se dá para nos dizer que só abrindo-nos é que nos libertamos dos bloqueios interiores, das paralisias do coração. O Senhor, oferecendo-Se a nós tão simples como o pão, convida-nos também a não desperdiçar a vida, correndo atrás de mil coisas inúteis que criam dependências e deixam o vazio dentro. A Eucaristia apaga em nós a fome de coisas e acende o desejo de servir. Levanta-nos do nosso estilo cômodo e sedentário de vida, lembra-nos que não somos apenas boca a saciar, mas também as mãos d’Ele para saciar o próximo.
Com a Eucaristia, o Senhor cura também a nossa memória negativa, aquele negativismo que frequentemente se apodera do nosso coração. O Senhor cura esta memória negativa, que sempre faz vir ao de cima as coisas mal feitas e deixa-nos na cabeça a triste ideia de que não servimos para nada, que só cometemos erros, que nos fizeram «errados». Jesus vem dizer-nos que não é assim. Ele é feliz quando está na nossa intimidade e, sempre que O recebemos, lembra-nos que somos preciosos: somos os convidados esperados para o seu banquete, os comensais que Ele deseja.
Deus sabe como é frágil a nossa memória e realizou, em nosso favor, uma coisa singular: deixou-nos um memorial. Não nos deixou apenas palavras, porque é fácil esquecer o que se ouve. Não nos deixou só a Escritura, porque é fácil esquecer o que se lê. Não nos deixou apenas sinais, porque se pode esquecer também o que se vê. Deu-nos um Alimento, e é difícil esquecer um sabor. Deixou-nos um Pão em que está Ele, vivo e verdadeiro, com todo o sabor do seu amor. Ao recebê-Lo, podemos dizer: «É o Senhor! Ele lembra-Se de mim». Foi por isso que Jesus nos pediu: «Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11, 24). Fazei.
Para celebrar e viver a Eucaristia, também somos chamados a viver este amor. Não se pode partir o Pão do domingo, se o teu coração estiver fechado aos irmãos. Não pode comer este Pão (com P maiúsculo), se não der o pão aos famintos. Não se pode partilhar deste Pão do Céu, se não há partilha dos sofrimentos de quem passa necessidade. No fim de tudo, inclusive das nossas solenes liturgias eucarísticas, restará apenas o amor. E, já desde agora, as nossas Eucaristias transformam o mundo, na medida em que nós mesmos nos deixamos transformar, tornando-nos pão partido para os outros.
From the publisher's feed