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Em outubro deste ano, acontecerá a primeira sessão da 16ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, cuja preparação teve início com um processo inédito de consulta, de forma descentralizada, a nível de cada diocese. Com a síntese nacional em mãos, foi a vez de acontecer a etapa continental, nos últimos meses. “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” é o tema do processo sinodal, convocado pelo Papa. Ouçamos as palavras do Santo Padre o falar e escutar com o coração diante deste caminho sinodal, conforme apontou em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2023:
Iremos ouvir, hoje, o que o Papa aponta como um dos exemplos mais luminosos e, ainda hoje, fascinantes deste «falar com o coração»: o testemunho de São Francisco de Sales, Doutor da Igreja, sobre quem Francisco dedicou, recentemente, a Carta Apostólica Totum amoris est, por ocasião dos 400 anos de morte do santo. Ouçamos o Santo Padre:
Num período da história marcado por polarizações e oposições – de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial está imune – o empenho em prol de uma comunicação «de coração e braços abertos» não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. De modo particular nós, cristãos, somos exortados a guardar continuamente a língua do mal, pois com ela – como ensina a Escritura – podemos bendizer o Senhor e amaldiçoar os homens feitos à semelhança de Deus (cf. Tg 3, 9). Da nossa boca, não deveriam sair palavras más, «mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam» (Ef 4, 29).
Após o nosso treino na escuta, que requer saber esperar e paciência, e o treino na renúncia a impor em detrimento dos outros o nosso ponto de vista, podemos entrar na dinâmica do diálogo e da partilha que é, em concreto, comunicar cordialmente. E, se escutarmos o outro com coração puro, conseguiremos também falar testemunhando a verdade no amor. Não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incômoda, mas de o fazer sem amor, sem coração. Com efeito, «o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é “um coração que vê”». Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido. Isso leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir, no próprio coração, também o pulsar do outro. Então, pode ter lugar o milagre do encontro, que nos faz olhar uns para os outros com compaixão, acolhendo as fragilidades recíprocas com respeito, em vez de julgar a partir dos boatos semeando discórdia e divisões.
Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar». Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade. [Em 2021], teve início o processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs.
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