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Contudo, foram a fé, esperança e caridade de Paulo que impressionaram os contemporâneos que o ouviram pregar. Tiveram a sorte de passar algum tempo com ele, de o ver durante uma assembleia ou numa conversa pessoal.
Pensemos na quantidade de eloquência vazia que está muito presente no nosso tempo, em todas as esferas da vida pública, tanto no comércio como na política. «Fala-se muito, diz uma infinidade de nadas. As suas razões são dois grãos de trigo perdidos em dois feixes de palha. Têm-se de procurar o dia todo para os achar, e, quando se encontram, não valem a procura». Estas palavras ríspidas do dramaturgo inglês, William Shakespeare, aplicam-se também a nós, comunicadores cristãos.
A rede, com as suas inumeráveis expressões nos social, pode multiplicar a capacidade de relato e partilha: muitos mais olhos abertos sobre o mundo, um fluxo contínuo de imagens e testemunhos. A tecnologia digital nos dá a possibilidade de uma informação em primeira mão e rápida, por vezes muito útil. Pensemos nas emergências em que as primeiras notícias e mesmo as primeiras informações de serviço às populações viajam precisamente na web. É um instrumento formidável, que nos responsabiliza a todos como usuários e desfrutadores. Potencialmente, todos podemos tornar-nos testemunhas de acontecimentos que de contrário seriam negligenciados pelos meios de comunicação tradicionais, oferecer a nossa contribuição civil, fazer ressaltar mais histórias, mesmo positivas. Graças à rede, temos a possibilidade de contar o que vemos, o que acontece diante dos nossos olhos, de partilhar testemunhos.
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O convite a «ir e ver», que acompanha os primeiros e comovedores encontros de Jesus com os discípulos, é também o método de toda a comunicação humana autêntica. Para poder contar a verdade da vida que se faz história, é necessário sair da presunção cômoda do «já sabido» e mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em algum dos seus aspectos.
Ir para a Galileia significa, em segundo lugar, percorrer caminhos novos. É mover-se na direção oposta ao túmulo. As mulheres procuram Jesus no túmulo, isto é, vão recordar o que viveram com Ele e que, agora, se perdeu para sempre. Vão repassar a sua tristeza. É a imagem duma fé que se tornou comemoração duma coisa linda mas que acabou, apenas para se recordar. Muitos – nós também – vivem a «fé das recordações», como se Jesus fosse um personagem do passado, um amigo da juventude já distante, um fato sucedido há muito tempo quando, ainda criança, frequentava a catequese. Uma fé feita de hábitos, coisas do passado, belas recordações da infância, uma fé que já não me toca nem interpela.
As mulheres esperavam encontrar o cadáver para o ungir; em vez disso, encontraram um túmulo vazio. Foram chorar um morto; em vez disso, escutaram um anúncio de vida. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16, 8), cheias de medo, assustadas e maravilhadas. Maravilha: neste caso, é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca. É maravilha pelas palavras escutadas: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou» (16, 6). E depois por este convite: «Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá O vereis» (16, 7). Acolhamos, também nós, este convite, o convite de Páscoa: vamos para a Galileia, onde nos precede o Senhor Ressuscitado. Mas, que significa «ir para a Galileia»?
«A paz esteja convosco»: diz o Senhor, acrescentando: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio» (v. 22). E dá aos discípulos o Espírito Santo, para torná-los agentes de reconciliação: «A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (v. 23). Não apenas recebem misericórdia, mas tornam-se dispensadores da mesma misericórdia que receberam. Recebem este poder, mas não pelos seus méritos ou pelos seus estudos. Não! É um puro dom da graça, mas que se baseia na sua experiência de homens perdoados.
Os discípulos alegraram-se – o texto especifica – ao ver o Senhor» (v. 20). São desviados de si mesmos e dos seus fracassos, e atraídos pelo olhar do Senhor, onde não há severidade, mas misericórdia. Cristo não acusa a propósito do passado, mas concede-lhes a benevolência de sempre. E isto reanima-os, infunde nos seus corações a paz perdida, torna-os homens novos, purificados por um perdão concedido desinteressadamente, um perdão concedido sem méritos.
A paz esteja convosco» é a saudação do Ressuscitado, que vem ao encontro de todas as fraquezas e erros humanos. Vamos então seguir as três saudações de paz de Jesus: nelas descobriremos três ações da misericórdia divina em nós. Esta, em primeiro lugar, dá alegria; depois, suscita o perdão; e finalmente, consola no cansaço.
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