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Ouviremos, a seguir, uma importante lição do papa: “a Palavra que salva não procura lugares refinados, esterilizados, seguros. Vem à complicação dos nossos dias, às nossas obscuridades”. Escutemos:
Se observarmos onde Jesus começou a pregar, descobrimos que o fez precisamente a partir das regiões então consideradas «tenebrosas». De fato, como aponta o Evangelho de Mateus, são os habitantes da «terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios». Galileia dos gentios: assim se chamava a região onde Jesus começou a pregar, porque estava habitada por pessoas muito diferentes entre si formando uma verdadeira mistura de povos, línguas e culturas.
Como iniciou? Com uma frase muito simples: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu». Esta é a base de todos os seus discursos: dizer-nos que o Reino do Céu está próximo. E que significa isto? Por ‘Reino do Céu’, entende-se o Reino de Deus, ou o seu modo de reinar, de situar-se relativamente a nós. Ora Jesus diz-nos que o Reino do Céu está próximo, que Deus está próximo. Aqui está a novidade, a primeira mensagem: Deus não está longe, Aquele que habita nos céus desceu à terra, fez-Se homem. Removeu as barreiras, eliminou as distâncias. Não é mérito nosso: Ele desceu, veio ao nosso encontro. E esta proximidade do seu povo é um hábito de Deus, desde o princípio, mesmo do Antigo Testamento.
O Santo Padre continua a fazer uma bela relação entre as Escrituras e a Transfiguração de Cristo no Monte Tabor. Vamos ouvir o papa e aprender mais com ele:
Ainda em seu documento pelo qual instituiu o Dia da Palavra de Deus, Francisco ressalta que uma outra provocação que nos vem da Sagrada Escritura tem a ver com a caridade. Podemos ouvir o que o Santo Padre nos diz:
A Sagrada Escritura desempenha a sua ação profética, antes de mais nada, em relação a quem a escuta, provocando-lhe doçura e amargura. Vêm à mente as palavras do profeta Ezequiel, quando, convidado pelo Senhor a comer o rolo do livro, confessa: «Ele foi, na minha boca, doce como o mel». Também o evangelista João revive, na ilha de Patmos, a mesma experiência de Ezequiel de comer o livro, mas acrescenta algo de mais específico: «Na minha boca era doce como o mel; mas, depois de o comer, as minhas entranhas encheram-se de amargura».
É necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada crente faz dela a sua norma espiritual. Neste sentido, podemos compreender as palavras ditas por Jesus aos discípulos, depois que estes Lhe asseguraram ter compreendido o significado das suas parábolas: «Todo o doutor da lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro».
O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida». Por conseguinte, o Espírito Santo transforma a Sagrada Escritura em Palavra viva de Deus, vivida e transmitida na fé do seu povo santo.
Mais uma vez, as palavras do santo padre iluminam o nosso entendimento sobre a Palavra de Deus. Escutemos:
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