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Uma vida sem desafios não existe, e um jovem ou uma jovem que não sabe enfrentá-los, pondo-se em jogo, é um jovem e uma jovem sem espinha dorsal! Recordemos a parábola do bom samaritano: Jesus não propõe o comportamento do sacerdote e do levita, que deixam de socorrer aquele homem vítima dos salteadores, mas do samaritano, que vê a situação daquele homem, enfrentando-a de maneira concreta, até com riscos. Maria viveu muitos momentos não fáceis na sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando «não havia lugar para eles na hospedaria», até ao Calvário.
Por ocasião da recitação do Rosário na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em maio de 2013, Francisco pediu que a Mãe leve os seus filhos a estarem cada vez mais unidos a Jesus. Escutemos o que ele proferiu:
Santo Ambrósio comenta: «A graça do Espírito Santo não permite demoras». O agir de Maria é uma consequência da sua obediência às palavras do Anjo, mas unida à caridade: vai visitar Isabel para lhe ser útil; e neste gesto de sair da sua casa, de si mesma por amor, leva consigo aquilo que possui de mais precioso: Jesus; leva o Filho. Às vezes, também nós nos limitamos à escuta, à reflexão sobre aquilo que deveríamos realizar e, talvez, compreendamos claramente a decisão que devemos tomar, mas não realizamos a passagem para a ação.
Na vida é difícil tomar decisões e, muitas vezes, tendemos a adiar, a deixar que outras pessoas decidam por nós, frequentemente preferimos deixar-nos levar pelos acontecimentos, seguir a moda do momento; às vezes sabemos o que devemos levar a cabo, mas não temos a coragem de o fazer, ou parece-nos demasiado difícil porque significa ir contra a corrente. Na Anunciação, na Visitação e nas bodas de Caná, [conforme meditamos em mistérios do Rosário] Maria vai contra a corrente; põe-se à escuta de Deus, medita, procura compreender a realidade e decide confiar-se totalmente a Deus, e embora esteja grávida decide ir visitar a sua parente idosa, decide confiar-se ao Filho com insistência para salvar a alegria das bodas.
Na conclusão do mês mariano, em 2013, o sumo pontífice presidiu a recitação do Rosário na Praça de São Pedro e, assim, falou sobre essa oração:
Façamos um breve momento de silêncio e cada um diga em seu coração: «Mãe, o que é que me estás a indicar? (...) E Ela nos fala ao coração, para que Jesus venha até ele. E assim como nos indica Jesus, a Jesus indica o coração de cada um de nós. Queridos irmãos, sintamos hoje a presença de Maria Mãe; a Mãe que não cessa de dizer: «Fazei o que Jesus vos disser»; indica-nos Jesus. Mas também a Mãe que diz a Jesus: «Faz o que estes Te estão a pedir». Esta assim é Maria. Esta é a nossa Mãe, Nossa Senhora solícita em estar perto de nós.
Estamos aqui, sob o olhar materno de Maria, estamos aqui como Igreja, Igreja mãe. A peregrinação é precisamente uma caraterística mariana, porque a primeira a fazer uma peregrinação, depois da anunciação de Jesus, foi Maria. Logo que soube que sua prima se encontrava grávida – esta estava já em idade avançada –, Maria saiu correndo. Traduzindo um pouco livremente a expressão do Evangelho «dirigiu-se à pressa», diríamos que «Ela saiu correndo»; saiu correndo levada pelo desejo de ajudar, de estar presente. Temos muitos títulos de Maria, mas, se pensarmos bem, há mais este que também poderíamos dizer: a Virgem «que sai correndo», sempre que há um problema; sempre que A invocamos, Ela não demora a vir; é solícita.
Hoje a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta que fez, há cem anos, aos Pastorinhos: «Quereis oferecer-vos a Deus?» A resposta «Sim, queremos!» nos dá a possibilidade de compreender e imitar as suas vidas. Viveram-nas com tudo o que elas tiveram de alegria e de sofrimento, em atitude de oferta ao Senhor. Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que querem se oferecer a Deus de todo o coração. Não se considerem apenas receptores de solidariedade caritativa, mas sintam-se inseridos a pleno título na vida e missão da Igreja.
A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto»: disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através de alguma cruz, lembremos que Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.
Como uma âncora, depositemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai. Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro. Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as inúmeras bênçãos que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra.
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