
Sign up to save your podcasts
Or


Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que a víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu. Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus».
«Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes. Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização». Possamos, com Maria, ser sinal e sacramento da misericórdia de Deus que perdoa sempre, perdoa tudo.
Com Cristo e Maria, permaneçamos em Deus. Na verdade, «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele». Assim, sempre que rezamos o Terço, neste lugar bendito como em qualquer outro lugar, o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo.
O centro é sempre Jesus, que se abaixa para caminhar com nós homens, para que possamos subir ao céu com Ele. Na oração do Terço, nós nos dirigimos à Virgem Maria, para que nos conduza sempre mais perto do seu Filho, Jesus, para conhecê-Lo e amá-Lo sempre mais. Enquanto meditamos sobre as etapas da vida de Cristo, nos detemos também sobre a nossa vida porque nós caminhamos com o Senhor.
Falei da rigidez como uma das tentações da Igreja. E esta – a de procurar uma espiritualidade angélica – de algum modo é a outra tentação de hoje: os movimentos espirituais gnósticos, o gnosticismo, propondo-te uma Palavra de Deus que te coloca «em órbita» e não te faz tocar a realidade. A Palavra que Se fez carne, quer tornar-Se carne em nós. Não nos aliena da vida; mas mergulha-nos nela, nas situações do dia a dia, na escuta dos sofrimentos dos irmãos, do clamor dos pobres, das violências e injustiças que ferem a sociedade e a terra, a fim de sermos, não cristãos indiferentes, mas atenciosos, cristãos criativos, cristãos proféticos.
Cristo, quando chamou os discípulos, falou na linguagem deles: “farei de vós pescadores de homens”. Conforme esclarece o papa, com o tempo é que Jesus lhes explicou como seria a missão deles. Ouçamos o papa:
A propósito, há um significativo detalhe no Evangelho, quando se observa que a pregação de Jesus chega «depois» da de João Trata-se de um depois decisivo, que marca a diferença: João acolhia as pessoas no deserto, aonde iam só aqueles que podiam deixar os lugares da sua vida. Diversamente, Jesus fala de Deus no coração da sociedade humana, a todos, onde quer que estejam. E não fala em horários e tempos pré-estabelecidos: «passando ao longo do mar», fala a pescadores enquanto «lançavam as redes». Dirige-se às pessoas nos lugares e momentos mais comuns. Tal é a força universal da Palavra de Deus, que alcança a todos em cada uma das áreas da sua vida.
Jesus anuncia o Reino de Deus. Ouçamos, das palavras do Santo Padre, o que Cristo diz e a quem o diz:
Atrai-os a partir da sua vida: chama-os onde estão e como são, para os envolver na própria missão d’Ele. «E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-No». E por que imediatamente? Simplesmente porque se sentiram atraídos. Não aparecem preparados e prontos por terem recebido uma ordem, mas porque foram atraídos pelo amor. Para seguir a Jesus, não bastam os bons propósitos; é preciso ouvir dia a dia a sua chamada. Só Ele, que nos conhece e ama profundamente, nos leva a nos lançarmos no mar da vida, como fez com os discípulos que O escutaram.
From the publisher's feed