Papotência Podcast

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By Varlei Xavier NogueiraArtsPerforming Arts
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Papotência Podcast episodes

  • Desequilíbrio (Trup´iê) por Miguel Tescaro – Cobertura Colaborativa do Festival FASCS de Teatro Estudantil
    Dando prosseguimento à cobertura do “Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil 2018” e inaugurando a Cobertura Colaborativa, Miguel Tescaro, diretor do Núcleo Cativar de Teatro e integrante da equipe pedagógica do Grupo Brinquedo Torto, faz sua análise de “Desequilíbrio, da Trup´iê de Diadema.
    Se você quiser também quiser participar dessa cobertura, é só entrar em contato conosco pelo whatsapp no número 11 983897889.
    Vamos ao texto:
    TRUP’IÊ – “Desequilíbrio”
    Esse texto não é uma crítica, é o olhar carinhoso de um fã de longa data.
    Trup’Iê é o grupo de teatro estudantil do Colégio IEMANO, em Diadema, dirigido por Roberta Conde. Já na ativa a seis anos, também integra o coletivo de grupos do Projeto Potência e posso dizer com orgulho que acompanho o trabalho deles desde seu nascimento.
    Começo essa análise compartilhando meu olhar como fã do grupo. Sinto que a Trup’Iê tem falado sobre desequilíbrios desde antes do processo criativo desse ano. O desequilíbrio pode ser visto nas relações na escola de “Quem é você por detrás de todos?” (2013/2016), no casamento de Luísa e Raul em “Lembra-te por mim” (2015), no descontentamento da população em “Sonho sem cor” (2014) e em “Do que você precisa?” (2016), na repressão em “Nem um ruído” (2017) e até nas pessoas ignoradas em “Samba Invisível” (2012), primeiro exercício cênico do grupo.
    Ou seja: o tema não é desconhecido, mas agora eles resolveram analisar o desequilíbrio dentro de nós mesmos, onde o medo e a coragem se misturam a tantos outros sentimentos pra ver quem vai tomar conta das nossas ações quando perdemos nosso equilíbrio.
    A linha narrativa de “Desequilíbrio” é basicamente essa: quando o rei “Equilíbrio” morre, seus filhos “Destemor” e “Fobia” brigam para ver quem vai reinar sobre os outros sentimentos, polarizando a opinião do povo (onde eu já vi isso?) que sabe que o novo reinado só será bom se uma certa profecia, ainda desconhecida, se cumprir.
    Os personagens alegóricos da peça, como a “Culpa”, o “Amor”, a “Esperança”, entre tantos outros, nos refletem ali no palco. Facilmente nos conectamos com a narrativa, pois vivemos ela todos os dias.
    Agora indo para um olhar mais técnico, é possível dizer que o grupo estreou o espetáculo bem, rendendo um bom debate após a apresentação, com apontamentos muito interessantes da banca que fez a análise após a apresentação. Destaco também a marca registrada da Trup’Iê, que sempre traz esse elemento com muita força: o coro. Dessa vez, vem para unificar a voz do povo, onde todos os sentimentos falam juntos ou vem nos movimentos que criam formas no palco ao virem coletivamente. Ainda falta um pouco mais de precisão, expansão do corpo e da voz que só a experiência e o bom ensaio vão trazer.  Também amaria que cada sentimento tivesse uma construção corporal mais expansiva e característica, já que estão brincando com alegorias, mas aí já uma opinião beeeem subjetiva e nem um pouco objetiva.
    Encerro meu raciocínio torcendo para que essa juventude ativa e cheia de vontade que é a Trup’Iê traga um pouco de equilíbrio em tempos tão desequilibrados.
    Ouça os comentários de Camilly, Victor e Priscila, integrantes do elenco.
    Depois, Gabriel e Rodrigo, ex-integrantes do grupo, fizeram questão de comentar o que acharam da peça. Muita atenção para o que eles dizem no final do áudio.
    3 min
  • Começando mais um Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil
    Ontem, dia 14 de outubro de 2018, teve início uma das ações mais importantes para o Teatro Estudantil na Região do Grande ABC, o Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil. Recebendo desde grupos das cidades próximas até de outros estados, os espetáculos integrantes do evento apresentam um recorte da produção teatral realizada em escolas e a potência do teatro neste contexto, que possui suas peculiaridades em relação à pratica teatral em escolas de teatro ou em caráter amador e/ou profissional.
    A semana em que acontece o festival costuma ser bastante puxada para mim, mas extremamente prazerosa. Costumo assumir o compromisso de acompanhar ao máximo os espetáculos e escrever carinhosamente uma resenha para cada um deles. Sempre acaba faltando algum grupo, porque acabo não dando conta. Por isso, pensei neste ano em realizar uma “Cobertura Colaborativa”, como já vi acontecer no Festival Estudantil de Belo Horizonte – FETO. Fica então o convite para quem quiser compartilhar com a gente suas experiências, suas análises, suas fotos, suas considerações, seus áudios e qualquer outro tipo de material. Basta entrar em contato pelo número 11 983897889.
    Como tradição, o Festival tem sua abertura realizada pelo Núcleo de Teatro Adolescente da Fundação, instituição realizadora do evento. Nunca tive a oportunidade de assisti-los, já que festival sempre ocorre concomitantemente à realização da Temporada do Grupo Brinquedo Torto, do qual sou diretor. Este ano, finalmente as datas não bateram e pude conhecer o trabalho sobre o qual carinhosamente escreverei algumas linhas a seguir. Vale lembrar que a coluna “Isso não é uma crítica” é uma reflexão pessoal sobre o trabalho assistido, em observo características do grupo e sua obra no tempo e no espaço, o trabalho de ator dos alunos e os traço pedagógicos mais marcantes, sem o objetivo nem a intenção de me apresentar como um crítico de teatro e sim como um colega de trabalho, que procura organizar em forma de texto, os impactos produzidos pela obra, pelo elenco e pela pedagogia deles emanada.
    Espetáculo: “Cartão de Embarque”, de Daniel Herz
    Grupo: Núcleo de Teatro Adolescente da Fundação das Artes de São Caetano do Sul
    Orientação: Vanessa Senatoria e George Vilches
    Sinopse: Vinícius, um jornalista renomado que acaba de perder o emprego, tenta manter sua sanidade enquanto procura um novo trabalho. Ao fugir de tudo e de todos, mal sabe ele que as pessoas à sua volta o conhecem melhor que ele mesmo.
    ISSO NÃO É UMA CRÍTICA
    … é uma mensagem de “Dia dos Professores”
    Fui aluno de Vanessa Senatori durante o Curso Técnico em Arte Dramática da Fundação das Artes. Nunca escondi o afeto que nutro por ela e que de todos os excelentes professores que tive lá, ela é certamente aquela por quem tenho mais carinho. Fico muito contente quando a vejo na plateia, acompanhando meus trabalhos como diretor e me orgulho muito de dizer dentre todos os professores que tive, ela é a que mais me acompanha.. Fui colega de George Vilches no mesmo curso, colega de trabalho no Programa Tempo de Escola e admiro seu trabalho como artista e como educador e já pude conversar sobre isso com ele algumas vezes.
    Essas duas pessoas não só tiveram e têm influência sobre meu trabalho como também me orgulho de conhece-los de compartilhar com eles uma jornada de resistência de paixão pela educação, pelo teatro e pela transformação do mundo. E é por isso que a escolha da temática “violência”, me deixa extremamente feliz e só reforça a admiração e o carinho que tenho por ambos. Em nosso contexto atual, um jornalista que perde um emprego por dizer que a violência é algo latente no ser humano, é um assunto necessário, urgente e certamente terá ecos muito positivos nos alunos que participaram deste processo.
    Questões técnicas e pedagógicas relativas ao trabalho existem como em qualquer trabalho com um texto complexo como “Cartão de Embarque” e sendo ainda uma apresenta...
    3 min
  • Alice no CEF 316 e o que ela encontrou por lá – Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil
    Disclaimer: Dessa vez, vou direto, sem introdução, porque conhecer o Grupo de Teatro Estudantil do CEF 316 foi uma das experiências mais transformadoras que vivi no ano. Amei conhecê-los e não há muito mais que eu diga numa introdução.
    Quarta – 18/10
    15h – Alice no CEF 316 e o que ela encontrou por lá – CEF316 – Santa Maria – DF
     
    Isso não é uma crítica
    … é um culto e um brinde à Resistência do Teatro Estudantil…
                    “Você está atrasado, você está atrasado…”, eu ouvia dentro de mim mesmo, enquanto corria contra o tempo a caminho da apresentação desta tarde. Não podia perder a oportunidade de conhecer mais um grupo de teatro estudantil. Vieram de longe, diretamente do Distrito Federal. Eu não podia perder esta oportunidade. “Você está atrasado!”. Eu sei que estou, mas segura a porta um pouquinho que estou chegando. Não posso perder isso de jeito nenhum…
                    Cheguei, atrasado, sim, mas ouvi “Começou agora”; fiquei mais aliviado, já que não tinha perdido muito. A primeira imagem que vi foi um grupo de alunos, sentados em fileiras, representavam uma sala de aula. Todos com a camiseta da escola. Ouço uma risada do público, piada que perdi, já que não havia sequer sentado. Tudo bem. Logo descubro o que está acontecendo. Enquanto sentava, já tocava em alto e bom som “Another Brick in the Wall”. Gostei deles assim de cara. Quando os vi em movimento, reconheci elementos de grupos irmãos como Trup´iê, Colibri, Núcleo Cativar. Aquele trabalho de coro legal, que preenche o palco e gera uma descarga de energia. PURA POTÊNCIA.
                    “Olha a hora, você está atrasada…”, logo ouvi novamente. Dessa vez, não era para mim. Era para Alice. Ri gostosamente pois parecia que o elenco dizia aquilo para que eu ouvisse. Neste momento, já estava completamente envolvido, tomado, sugado para o palco. Aqueles meninos me ganharam da mesma forma que outros grupos já o fizeram anteriormente. Parecia um flashback, um Déjà vu, era como se eu conhecesse novamente Cia Tal&Pá, Grupo Cênico Tatu Bola e tantos outros. Vivi cada momento, cada instante e cada palavra com aqueles meninos e meninas em cena. E me pergunto: estou apaixonado por mais um grupo? Mais um? Como é que tem tanto espaço dentro desse coração velho e magro? Não sei, mas sei que o espaço existe e já foi preenchido. Que eu tenha outros espaços vazios.
                    Terminado o espetáculo, ao ouvir os professores e alunos do CEF 316 e saber que eles estava há 15 horas viajando e tinham chegado meio dia, para se apresentarem às 15:00, fiquei embasbacado. De onde vem tanta energia depois de uma jornada tão cansativa? Ouço um pouco mais o professor Adriano, carinhosamente chamado de “Amadinho” pelos alunos e toda sua história de resistência, de como lutou com seus alunos para fazer a diferença, de como cada jovem enfrenta as mais diversas dificuldades para fazer teatro e vir a São Caetano, de como o teatro transformou a vida de cada um… logo preciso me abaixar para recuperar meu queixo, caído por entre as cadeiras. “Cara, quanta força!”
                    Minha vontade é de abraçar cada um, dar um beijo na testa, agradecer pelo encontro e pedir, implorar com todas as minhas forças para que continuem, para que sigam transformando suas vidas, transformando a mim e a cada pessoa que os assiste. Agora a frase “Você está atrasado!” pesa-me menos. Cheguei atrasado, mas principalmente neste caso, antes tarde do que perder a oportunidade de conhecê-los. Acho que agora  posso dizer que tenho amigos no DF. Obrigado por terem me proporcionado uma experiência como esta.
     
    Assim que acabou o espetáculo, eu conversei com a Giovanna, com o Bruno e com a Luana. Ouve só e diz se eles não são uns fofos.
    Depois, conversei com Ana e Isadora, que assistiram ao espetáculo e colhi mais algumas impressões sobre o trabalho.
    5 min
  • Beleza não é tudo – Singular SCS – Festival Fundação das Artes 2017
    Na tarde desta terça, fiz uma visita à Escola Stagium, de Diadema, a convite da minha amiga Renata Stort, onde pude acompanhar a Experiência STG, projeto incrível em que os alunos colocam toda sua criatividade, intenção e vontade para resolver seus próprios incômodos. Pude apreciar a apresentação de 15 projetos de impacto social. Fiquei encantado com a estrutura da escola, com o carinho com que cada detalhe é pensado e, principalmente, pelo profundo diálogo que se estabelece entre educadores e jovens. Mas você deve estar se perguntando : por que razão estou comentando sobre isto aqui, neste momento, se este espaço destina-se à cobertura de um Festival de Teatro de que a escola em questão não está participando?
    Eis a explicação: pude acompanhar duas meninas apresentando um projeto de uma revista chamada “Maria Bonita”, cujo principal objetivo era combater a ditadura da beleza, valorizando os encantos presentes em cada mulher. O “pitch” de 4 minutos, apresentados por duas meninas de aproximadamente 14 anos, foi apresentado de forma tão arrebatadora, que levou muitos dos presentes às lágrimas. Saindo de lá, ainda extremamente tocado por tudo aquilo que vi e, principalmente pela experiência (muito teatral) proposta pelas meninas do “Maria Bonita”, fui para São Caetano acompanhar mais um dia de Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil. O espetáculo da noite era “Beleza não é tudo”, do Grupo de Teatro do Colégio Singular, de São Caetano do Sul. As conexões borbulhavam em minha cabeça. Não podia deixar de associar o que vivi à tarde, com o que vivi à noite. Assim, meu relato será sobre o que as duas experiências suscitaram em mim. Falarei de a falar de “Maria Bonita” e “Beleza não é tudo”.
    Mas antes de começar, preciso dizer que senti fortíssima relação do espetáculo do Grupo do Colégio Singular, com meu próprio espetáculo “Grande Altar ou Palco de Miseráveis Notáveis”, que será apresentado no sábado. Aproveito para reiterar o convite, para que possamos aprofundar a discussão. Mas vamos à minha resenha, minha análise, minha leitura.
     
    Espetáculo:  Beleza não é tudo

    Grupo de Teatro do Colégio Singular – São Caetano do Sul

    Direção: Júnior Docini
    Isso não é uma crítica
    …é uma reflexão de encantamento…
    Meninas fitam plateias. Respirações rápidas, corações acelerados. “Estou exposta. “Tenho medo de não gostarem de mim. De acharem que eu não sirvo. Tenho tanto dentro de mim, um universo para colocar pra fora… Acho que não sou como querem que eu seja.” É medo de rejeição que bate à porta no abrir da cortina, no disparar do cronômetro. É o medo, é o medo, é o medo…
    Mas “Mesmo que sua voz estremeça, que sua mão trema, que o coração acelere, FALE A PARTIR DA SUA VERDADE”. E de repente, o jogo se estabelece. O olhar de quem vê e ouve, se funde ao olhar de quem diz. O medo cede espaço ao jogo, à relação. “Vai fundo que eu vou junto com você.” O jogo permeia a cena, a apresentação da ideia. A vontade de reorganizar, as cadeiras, os espaços e as mentes sujeitas à ditadura do “seja assim ou seja assado”. Um desejo pulsante: transformar o mundo que se curva ao culto da imagem. Silenciosamente ouve-se um grito vindo das mentes e dos corações destas meninas. “Não podemos compactuar com isso”.
    A plateia colabora, seja em lágrimas ou risos, embarca no sonho proposto. Sonhemos, sonhemos juntos por um mundo onde a beleza esteja não só no que se vê, mas no que se sente, no sonhar, no fazer, no realizar, no viver junto. Por alguns momentos, vivemos o que há de mais belo, em comunhão, num encontro de olhares permeados por riso e choro. Que seja esta a beleza que predomina. Ela não tem prazo de validade.

     
    Assim que acabou o espetáculo, conversei com as meninas do elenco e elas comentaram sobre a experiência.
    No caminho de volta para casa, Roberta e Leandro comentaram sobre o trabalho do grupo.
    4 min
  • DNA – Escola da Vila – Festival Fundação das Artes 2017
    Aqui estamos de volta à Cobertura do Festival Fundação das Artes de Teatro Estudantil 2017, depois de um hiato de um ano, já que não estivemos presentes na edição de 2016, por conta de toda a loucura do Projeto Potência, que ano passado, aconteceu aqui no ABC e nos consumiu uma energia sobre humana. A cobertura continuará como sempre. Infelizmente não poderemos acompanhar todos os espetáculos, mas com todo o carinho, assistiremos a todos os espetáculos possíveis e deixaremos um relato amoroso de cada experiência.
    O que eu mais gosto do Festival é a oportunidade de encontrar outros tipos de fazeres teatrais. Vivenciar a diversidade é extremamente enriquecedor, apaixonante. Realizar esta cobertura é delicioso. Termino a semana super cansado, mas saio tão feliz e transformado, que é por isso que continuo.
    E lá vou eu para aquela rotina gostosa. Começo com a “Escola da Vila”, que conheci em 2015, quando escrevi sobre o espetáculo “Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir e destruir-me.” 
    Espetáculo: DNA 

    Grupo de Teatro “Escola da Vila”

    Texto: Dennis Kelly

    Direção Tuna Serzedello
    Sinopse: DNA retrata o dia a dia de adolescentes tentando enfrentar a realidade depois de um acontecimento que muda suas vidas. O que parecia ser uma brincadeira sem consequências acaba extrapolando limites e desafiando a ética e a moral do grupo de amigos.



    Isso não é uma crítica
    …é um relato caótico da experiência vivida…
    Dividiram a gente em dois. DIVIDIRAM A GENTE EM DOIS. Colocaram a gente na coxia. Na coxia, entende? Uma parte foi pra lá, outra parte foi pra cá. A peça ia acontecer simultaneamente aqui e lá. Entrei e fiquei esperando. Tinha bastante gente. Estava lá conversando e apagaram a luz. Ficou tudo escuro. TUDO COMPLETAMENTE ESCURO, CARA! Eles entraram com umas lanternas. Desesperados, mano! Completamente desesperados. E parecia verdade mesmo. Alguém morreu e deu ruim, deu merda, a casa caiu, fodeu. Fodeu muito porque eles eram culpados. Responsáveis. Fizeram uma cagada, uma cagada das grandes.
    E eu ouvia tudo. Ouvia e via o que estava acontecendo na minha frente, bem na minha frente mesmo. Mas eu também ouvia tudo que rolava do outro lado. Tudo mesmo. Estava ouvindo as duas coisas ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo mesmo. Alguém falava algo na minha frente, eu ouvia o mesmo do outro lado. Era meio igual, mas era diferente também. Eu me angustiava. E me angustiava pra caralho. Confunda minha cabeça. Eu quase enlouqueci, dava vontade de se angustiar. Porque eles estavam angustiados de um lado, angustiados de outro e doía na minha cabeça como se estivesse acontecendo ao mesmo tempo tudo aquilo dentro da minha cabeça.
    A merda ia ficando mais fedida, a cada minuto mais fedida. Eles fizeram uma puta de uma merda e conseguiram cagar e sentar em cima. Puta que pariu. E a coisa acontecia de um lado, acontecia de outro e tudo junto na minha cabeça. Tudo ao mesmo tempo. Todo mundo desesperado e um moleque ficava com o olhar perdido, comendo um monte de coisa, todo mundo desesperado, ele arruma um jeito de sentar em cima da cagada e todo mundo vai junto. Conclusão: deu merda geral, mano! Deu ruim mesmo! A punição: a loucura. Enlouqueceram, enlouqueci também. Enlouquecemos todos. Mas eu juro. A Culpa é deles, não é minha. Eu não fiz nada, só estava presente. Conivente? Eu? O que eu poderia ter feito?
    A história é uma sucessão de cagadas. Mas neste caso, se deu ruim para os personagens, deu bom, deu ótimo para a gente, público. O teatro nos dá a possibilidade de enlouquecer por um tempo. Normalmente essa possibilidade é dada ao ator,
    7 min
  • “Lembra-te por mim” – Trup´iê
    Último espetáculo que comento aqui.Já estou com saudades e já aguardo ansiosamente o ano que vem. Mas creio que fecho com chave de ouro ao falar da Trup´iê. Falar deles, é como falar de um irmão mais novo. A intimidade me permite conhecê-los melhor e conhecendo-os, posso falar com mais carinho, mais propriedade, e é impossível não falar com emoção, já que a diretora é a mulher da minha vida. Perdoem-me os outros. Mas Roberta é Roberta e Trupe é Trupe. Não há como manter a parcialidade.
    IEMANO – Instituto Manoel da Nóbrega – Diadema – SP
    Grupo Trup’IÊ
    Espetáculo: Lembra-te por mim, autoria coletiva (Núcleo de Dramaturgia: Camila Helena, Giovana Zômpero, Giovanni Aguiar, Giulia Angelini, João Satelis, Júlia Jerônimo, Roberta Conde).
    Sinopse: Vida, vivência, convivência. Tempos, ciclos, fases. Memória da memória. Um casal. Raul e Luíza, Luíza e Raul. Aproximação, identificação… ou não. A dor sempre cai para um dos lados. Cai mesmo? Lembra-te.
    Tempo de duração: 1h10
    Classificação etária: Livre
    Elenco: Caio Cesar, Edson Martins, Giovanni Aguiar, Lucas Kaczorowski, Rodrigo Sousa, João Satelis, Victor Castro, Camila Helena, Flávia Grangeia, Giovana Zômpero, Giulia Angelini, Roberta Darós, Júlia Jerônimo, Mariana Reis, Marina Simão, Viviane Veríssimo.
    Ficha Técnica: Direção: Roberta Conde. Figurino: Margarete Aguiar. Cenografia: Roberta Conde. Sonoplastia: Cleide Evelin, Giovanni Aguiar, João Satelis. Iluminação: Varlei Xavier.

    Isso não é uma crítica
    (É minha carta, com a certeza de minha lembrança)
    Querida Trupe,
    Escrevo-te esta carta com muito carinho. E é com carinho que espero que a recebam. Trupe fala de amor e de paixão. Amor, paixão é o que tentarei exprimir nestas linhas. Peço-te que ouça apenas. É pra você. Sinto o desejo profundo do grupo, quase um pedido neste espetáculo: Lembra-te! Não te esqueças! Guarde-me na memória!
    Lembranças trazem muitas alegrias, mas podem doer. Não ser lembrado, ou ser esquecido também deve machucar. A trupe é uma Luiza doce quando teme cair no esquecimento e é Raul amargo quando quase esquece do amor. Amor fica amargo sem a doçura da lembrança de quem somos. Creio que sabem do que eu estou falando. Por isso lembra-te, sempre, Trupe. Lembra-te de cada detalhe, de cada gesto doce, de cada carinho.
    Quando os vejo em cena, vejo a consolidação de uma natureza doce, de uma proposta firme, de senso de coletividade belíssimo e uma identidade forte no trabalho mais lindo e consistente de sua jovem história. Atores defendendo melhor seus personagens, dramaturgia mais consistente, mais pegada e mais energia na interpretação. A Trupe chega com “Lembra-te” para não esquecermos dela e tudo o que podemos pedir é que ela siga sendo Trupe, sem se preocupar com o resto e sendo Trupe, será lembrada.  Eu de minha parte, garanto que me lembrarei. Para sempre!
    Com muito amor e boas lembranças,
                                                                                                                                                   Varlei Xavier
    Depois, conversei com Marina e Camila, duas lindas que eu conheço há tempos e que cresceram lindamente.
    E para finalizar, os queridos Dudu Oliveira e Maria Julia, do Grupo Acalanto, falaram sobre o trabalho da Trupe. Essa parceria do grupo acalanto durante o Festival renderá belos frutos. Logo contaremos mais detalhes.
    3 min
  • “Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me” – Escola da Vila
    Desde as primeiras edições do Festival, venho querendo conhecer o trabalho da Escola da Vila, mas o horário nunca bateu com o meu. Finalmente, este ano aconteceu da apresentação estar numa data favorável. E lá fui eu para, enfim, conhecer o trabalho da galera.
    Escola da Vila – São Paulo – SP



    Grupo de Teatro da Escola da Vila



    Espetáculo: Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me, de Pablo Fidalgo Lareo.



    Sinopse: Esta noite algo feito com palavras/ Vai mudar a tua ideia do medo/ Olha-me e pergunta-se se sei o que faço/ Se sei o que toco/ Se sei o risco que assumo.



    Tempo de duração: 50 min.



    Classificação etária: Livre



    Elenco: Rodrigo Grosbaum, João Pedro Jabor, João Pedro Dubau, Rafael Tomanari, Fernando Greco, Carolina Alayon, Gabriela Janninni, Rafaela Serpico, Marina Yazbek, Sabrina Cardoso, Julia Padovan, Carlos Navas, Giulia Valadares, Giulia Bragaglia, Zoe Rozembaum, Daniel Rocha, Laura Barcellos, Gabriel Carvalho, Gabriel Rosa, Isadora Falconi, Luma Santos de Oliveira Flora Sakata, Karen Werebe, Olívia Ferraz,  Luara Macari, Luiza Hastings, Lira Siqueira, Luiza Kehdi, Letícia Pedroso, Lia Morena Leirias.



    Ficha técnica: Direção: Tuna Serzedello. Assistência de direção: Luíza Zaidan. Figurino, cenografia, sonoplastia e iluminação: Grupo de teatro da Escola da Vila.

    Isso não é uma crítica
    (É um exercício de imaginação)
    Perguntas nos movem, nos tiram no cômodo, nos fazem pensar. Quem nunca foi arrebatado por uma pergunta inesperada? Quem nunca fez uma pergunta incômoda?
    Um texto cheio de perguntas e afirmações fortes. Um elenco grande, sapatos no chão desenhavam cenas. Figurinos que lembram “heróis do apocalipse”, como disse Dudu Oliveira. Coro que se move no palco e na plateia. Tudo para nos provocar, nos instigar, nos tirar do confortável. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo dentro e fora de mim. Isso foi a peça:desconstrução.
    Mas o espetáculo de fato aconteceu quando os alunos da Escola da Vila sentaram no palco e começaram a falar sobre o texto, a proposta, fazer reflexões sobre a importância daquilo que faziam, o impacto do teatro, do texto em suas vidas e tantas outras coisas quanto o desejo adolescente e a efervescência da idade pode abarcar. Aquilo foi lindo, foi heroico,  digno de ovação. A cada aluno que erguia a mão e começava a falar, emergia um resultado de uma educação libertadora, crítica, apaixonante. Eu ficaria horas, talvez virasse a noite naquele bate-papo. Fiquei com vontade de vê-los em cena dizendo aquele texto autoral, improvisado e cheio de verdade dentro de uma estrutura teatral. Tive o desejo de pedir para que começassem “tudo de novo”, esquecendo o texto catalão  e usando suas próprias palavras. E até agora fico imaginando o impacto das perguntas daquelas mentes inquietas seriam capazes de proferir. Esses meninos são frutos de uma educação que permite que eles pensem. Parabéns Escola da Vila. Este tipo de educação é UM ESPETÁCULO.
    Duvida do que eu disse? Então ouça Luara e Giulia, duas atrizes do grupos.
    Depois, Izabelle, Leandro e Dudu comentaram sobre o espetáculo.

    4 min
  • “Quiçá Romeu e Julieta” – Grupo Filosofia de Coxia
    Confesso que estava ansioso pela quinta-feira. Conheci os meninos do Filosofia de Coxia durante o Festival do Ano passado e, este ano, tive a alegria de visitá-los durante um ensaio. Além de estreitarmos ainda mais os laços, a visita rendeu uma Papotência Reportagem muito legal. Fiquei super feliz quando os encontrei no saguão do teatro ainda de tarde. O papo flui bem entre nós, afinal, já somos amigos.
    EE Carlos Gomes – São Paulo – SP



    Grupo Filosofia de Coxia



    Espetáculo: Quiçá Romeu e Julieta, adaptação coletiva de William Shakespeare.



    Sinopse: O final todos já conhecem, agora vamos desenhar o começo. Espelhados na transcendente história de amor escrita por William Shakespeare, o Grupo de Teatro Filosofia de Coxia aborda as relações de amor e de amar. O sublime amor dos herdeiros dos Capuletos e Montecchios é o fio condutor para as nossas próprias histórias em uma narrativa verídica, atual e apaixonante. Um verdadeiro encontro de cada um com o seu Romeu e com a sua Julieta.



    Tempo de duração: 1h20



    Classificação etária: 10 anos



    Elenco: Arthur Doná, Beatriz Possato, Diego Soares, Emerson Oliveira, Francine Lopes, Gabriela Prado, Gabriela Sales, Jaqueline Oliveira, João Manuel, Marcos Rodrigues, Natalie Araujo, Nathalia Vieira, Roberta Arethusa, Waleska Godoy.



    Ficha técnica: Direção: Renan Pena. Figurino: Criação coletiva. Cenografia: Renan Pena. Sonoplastia: Renan Pena. Iluminação: Renan Pena.

    Isso não é uma crítica
    (É um abraço de amigo)
    Falar do Filosofia de Coxia já é falar de um amigo querido. Conheço o grupo, sei de seu histórico, conheço a maioria pelos nomes. Apaixonei-me pelas suas peculiaridades, semelhanças e diferenças em relação ao meu trabalho. O legal de tudo isso que eu faço é poder me aproximar de cada coletivo e entender cada realidade. Já havia me afeiçoado a vocês com Roda Viva. Já havia sentindo que temos muito o que conversar. Com Quiçá, viramos amigos.
    Amizade é uma merda, diriam alguns. Você faz coisas que não faria na frente de qualquer um, diz coisas ridículas e às vezes até pega pesado. Eu gosto de pensar que a amizade é semente plantada em terra fértil e que merda aduba a vida. Deste ponto de vista, vejo o florescer e o amadurecer de uma proposta clara de identidade, estética e pesquisa. Uma pesquisa de encher os olhos. Algo realmente impressionante e com pegada, com verdade e ousadia: traço mais forte do grupo a meu ver. Sigam neste caminho e acreditem nele.
    E como amigo, abraço o grupo bem forte e repito aquele conselho dado durante minha visita. Invistam em vocês mesmos e não tenham medo de abandonar o Shakespeare. Sei que esse senhor é um puta cara legal, mas neste momento vocês são muito mais legais que ele; ele que me perdoe. Do ponto de vista do Romeu e Julieta, sejam mais Quiçá. Me chama pra essa festa, que eu vou dançar com vocês sem camisa a noite toda. Me leva pra chorar o teu choro, rir teu riso, e ouvir canções que me lembrem seus amores que eu entro na fossa junto. Vocês são legais demais. Me conta mais das cartas, que eu te ofereço meu ombro pra você chorar. E posso até dividir uma ou outra história de minha adolescência também.Chega mais que é só o começo. Essa amizade vai longe e meu carinho só aumenta. Vocês são legais de mais: Vaaaaaiiiiiiiiii!
    Procurei meus já amigos Emerson e Waleska para um papo. Eles ficaram muito felizes com o convite para falar para o Papo...
    3 min
  • “Sempre haverá um amanhã” – Cia Poeme
    ADVERTÊNCIA: Se você é diabético, favor não ler este texto. Se você é do Grupo Brinquedo Torto, provavelmente sentirá ciúmes, também não leia. Mas se você quer conhecer um elenco fofo, apaixonante e um trabalho lindo, boa leitura. Sem mais explicações, vamos à ficha técnica:
    Projeto Cultural  Vivarte ”Daniel Comboni” – São Paulo – SP



    Companhia Poeme de Teatro



    Espetáculo: Sempre haverá um amanhã. Criação Coletiva.



    Sinopse: O espetáculo Sempre haverá um amanhã é um conjunto de perguntas e respostas, na visão do próprio adolescente – com suas mais variadas indagações na vida cotidiana e familiar. A falta de relacionamento entre pais e filhos, e de interação de qualidade, ilustram como se estabelecem as relações em uma família com adolescentes.



    Tempo de duração: 45 min.



    Classificação etária: 10 anos



    Elenco: Ana Beatriz da Silva Neves, Ayara Fernanda Nunes da Silva, Eliezer Rodrigues, Estela Souza Oliveira, Gabriel  Negroni, Gabryela  Moraes, Geovanna Aparecida  Costa, Ilana Grasielle, Jady Raquel Ferreira da Silva, Renan Rodrigues, Tamires  Cavalcanti, Thayssa  Méllo.



    Ficha técnica: Direção/Orientação: Monique Tomazi. Assistente de Direção: Fernanda Borges. Figurino: Gabryela Moraes e Tamires Cavalcante. Cenografia: Monique Tomazi e Ayara Fernanda. Sonoplastia: Monique Tomazi Gondin de Lima e Carla Domiciano. Iluminação: Monique Tomazi Gondin de Lima e Carla Domiciano.

    Isso não é uma crítica
    (… é minha vontade de morder.)
    Todos sabem o quanto eu gosto dos pequenos. Isso gera uma ciumeira entre meus meninos do Brinquedo Torto. E quando eu os vejo em cena então? Paixão. E quando eu os vejo BEM em cena, num trabalho bacana, bem construído e cheio de verdade?  Vontade de morder, coisa linda de viver. Já nas primeiras cenas eu me via entortando a cabeça, colocando a mão nas minhas bochechas e suspirando apaixonado.
    Sim, vocês me arrancaram suspiros. Os jovens do meu lado, como se fossem meus filhos pensavam “Para o jovem não tem nada de abraço e de carinho.”. Rolou uma cena de ciúmes ali, na hora, durante a peça. Mas a magia de vocês é tão forte, vocês são tão verdadeiros e tão incrivelmente fofos que o ciúme se transformou em olhares cute-cute e suspiros cheios de “owwnnn”. Vontade absoluta de morder! E depois da peça? Todos de mãos dadas, ouvindo atentamente as apreciações da banca examinadora. Querem acabar comigo, né?
    Alguns desavisados podem pensar que desvio para a fofura de vocês com o intuito não falar do trabalho em si, o que definitivamente não é verdade. Acontece que o trabalho, muito bem feito, pensado e embasado, é tão genuíno, tão verdadeiro, tão vocês mesmos, que falar de vocês é falar do espetáculo. E ele é lindo. Lindo como cada um do grupo que o concebeu. Fico pensando o quão orgulhosa deve estar a professora de vocês. O quão orgulhosos devem ou deveriam estar seus familiares. “Sempre haverá um amanhã”, pois há no mundo gente como os meninos do Projeto Vivarte. Gente que se preocupa com o entorno, com os amigos e pensa em melhorá-lo usando a arte. O espetáculo me fez sair do teatro melhor do que eu entrei. E acredito que a arte deve ter esta função. Vocês me tocaram da forma mais linda que alguém poderia tocar. Sejam sempre assim, e os amanhãs serão melhores. Muito melhores.
      
    Preparados para ouvir Ilana e Eliezer? É fofura demais!

    E fiquei tão encantado com a turma que fui ao camarim pedir ...
    3 min
  • A Exceção e a Regra – Núcleo de Cultura TWL – Mogi das Cruzes
    Infelizmente não pude estar presente na apresentação deste grupo, mas fica aqui meu carinho por eles. Nos próximos dias, alguns alunos prepararão um texto para vocês. Por enquanto deixo aqui o áudio que o João Satelis, membro de nosso Coletivo, captou durante papo com uma das atrizes da peça.
     

    EE Dr. Washington Luís – Mogi das Cruzes – SP



    Núcleo de Cultura TWL
    Espetáculo: A exceção e a regra, de Bertolt Brecht



    Sinopse: A exceção e a regra, de Bertolt Brecht, fala sobre uma viagem pelo deserto, realizada por um comerciante, um guia e um carregador (cule). O objetivo da viagem é chegar antes dos concorrentes do comerciante à cidade de Urga, para realização de um negócio de concessão de exploração de petróleo. Direitos trabalhistas, e luta de classe são questões abordadas neste enredo que tem um final surpreendente a plateia.



    Tempo de duração: 45 min.



    Classificação etária: 12 anos



    Elenco: Alyce Luna, Lívia Lotito, Leonardo Narciso, Daniela Nakasato, Lais Repullo. Luis Gustavo Coroni, Guilherme Carolino, Daniel Miranda.



    Ficha técnica: Direção: Erika de Cassia Capella e Gilberto Pereira Paulo. Figurino e Cenografia: o grupo. Sonoplastia: Erika de Cassia Capella. Iluminação: Gilberto Pereira Paulo.
    2 min