Entrevistei José Garcia 3 vezes, duas em 2007 e uma em 2018, meses antes de sua passagem. Em todas as vezes ele me deu uma atenção absurda, aquela coisa de quem se importa com o outro e sabe que conectar-se bem com o próximo é uma sabedoria de vida, uma forma de ancestralidade. Constatei isso mais pra frente no convívio com essa potência chamada José Garcia.
Neste episódio tentei mesclar partes das entrevistas que fiz com as de Gladys Guimarães, amiga e outra pesquisadora da temática racial em Volta Redonda. Resumidamente posso dizer que José Garcia parte de sua própria história, conta sobre sua ancestralidade e o passado de sua família atrelado à condição de trabalho escravizado no interior de Minas Gerais, na cidade de Santa Cruz do Escalvado. Migra para Volta Redonda e chega na cidade em 1952, ao contrário de muitos dos outros trabalhadores ele possuía uma boa formação escolar, mesmo assim, segundo ele, não foi fácil conseguir emprego na Companhia Siderúrgica Nacional. A empresa, à época, era expressão maior de um pensamento racista que perpassava o Estado e a sociedade brasileira, isso impactou a experiência do senhor José Garcia, tanto no ambiente fabril como fora dele. De construções e encontros com "leis trabalhistas", atuação de luta por direitos civis-sindicais e tendo como norte a negritude e o conceito de classe trabalhadora, José Garcia nunca esqueceu sua origem e sempre teve um olhar "enegrecido" para as questões da cidade. Foi precursor e militou em movimentos negros, atuou como negro e trabalhador, negro e político, negro e religioso... Atuou muito!
Em 1989 se elegeu vereador na cidade de Volta Redonda com o apoio do Movimento Negro Unificado!
Pós mandato continuou atuando como sempre fez, o conheci em 2007, quando ela já estava com 80 anos e a última entrevista que fiz com ele foi em 2018 (91 anos) meses antes de seu falecimento.
José Garcia, presente!!!
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