1 – Reinado de Deus
Pelo fato de ser criador, Deus é rei de sua criação, possui total poder sobre ela, goza de uma realeza inalienável sobre ela.
Como essa realeza decorre necessariamente da criação, tanto no sentido da produção dos seres quanto de sua permanência na existência, ela não pode ser delegada a mais ninguém. Nossa Senhora, portanto, não participa dessa realeza do Criador.
Mas ela está na melhor posição, como mãe do Criador, para compreender, admirar e adorar esta realeza. Ela é sua primeira adoradora. E aqui realmente vemos um dos aspectos do Magnificat. Maria exalta a Deus e se alegra nele, porque este Rei eterno se dignou olhar para ela apesar de sua pequenez, porque realizou grandes coisas nela, porque governa o universo com misericórdia e justiça, porque cuidou especialmente de seu povo Israel.
No Antigo Testamento, a realeza de Deus é um tema importante, que inspira oráculos proféticos e sobretudo numerosos salmos. Maria lia, recitava e meditava assiduamente estes textos grandiosos. Ninguém melhor do que ela compreendeu a sua insondável riqueza e ninguém mais do que ela se deixou levar por aqueles textos na grande corrente de adoração que os anjos cantam sem fim perante a mais perfeita das criaturas.
Durante sua existência terrena, ela foi a primeira adoradora da realeza de Deus, e agora no céu, como rainha dos anjos, ela é a rainha dos adoradores desta realeza!
Quando as ladainhas dizem que Nossa Senhora é:
a rainha dos anjos,
a rainha dos patriarcas,
a rainha dos profetas,
a rainha dos apóstolos,
a rainha dos mártires,
a rainha dos confessores,
a rainha das virgens,
a rainha de todos os santos,A palavra “rainha” não é em sentido estrito, pois não implica verdadeira realeza; quer simplesmente atribuir a Maria o termo mais nobre possível, evocar a sua grandeza e a sua santidade, que a colocam acima das mais perfeitas criaturas de Deus e acima das mais veneráveis personagens da humanidade.
Em que sentido se pode dizer que a Nossa Senhora é rainha?
O termo “rainha” é usado em três situações diferentes:
1) para uma governante que é mulher;
2) para a esposa de um rei;
Os dois primeiros significados devem claramente ser excluídos no caso de Nossa Senhora, mas o terceiro lhe convém perfeitamente, já que é a mãe de Jesus, rei da criação e rei de seu reino espiritual. Chamar Nossa Senhora rainha significa reconhecer a sua maternidade divina e a realeza de Jesus, seu Filho, que é Deus.