Poesia com Mel

Poesia com Mel

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Poesia com Mel episodes

  • Algodão
    Algodão
    Na curva
    Da perna
    Bate latente
    Um peito
    Ardente e
    Castigado
    Que sangra
    Um dia sim
    Um dia não
    Nenhum passo
    É tão firme
    No caos do
    Sertão
    Nenhum arroz
    Nasce sem
    Regar um grão
    Na fervura da
    Massa quente
    O furacão da
    Revolução
    Um grito de aia
    Ainda esperando
    O pão
    Provoca
    Um canhão
    Pés tem bolhas
    Sapatos
    Nunca foram de
    Algodão
    Mel Inquieta/ Melina Guterres
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    1 min
  • Poema FIM
    FIM Quando meus músculos
    Não corresponderem mais
    Aos meus desmandos
    Quando meu corpo
    Tiver virado pó
    Quando o silêncio
    Aparentemente reinar
    A minha inquietude
    Permanecerá
    Na minha palavra
    Na minha história
    E ainda
    Incomodará!
    Melina Guterres/ Mel Inquieta
    24/06/2021 foto: Renan Mattos
    1 min
  • Carretel de Fogo
    Um vidro
    Uma papagaio mudo
    Uma óca oca
    Um pingo no céu
    Uma lua no vão
    Um córrego voa
    Tem sangue nas entrelinhas
    Tem uma carta no Tarô
    Tem a cegueira nos dentes
    A língua amordaçada no medo
    Um frio corrói o aço
    Um espelho vira gelo
    O fogo vira farpa
    Aveia vira pó
    A morte vira vida
    A ruína vira hoje
    O mar morto sufoca
    A criança parte
    Uma canoa é miragem
    Mergulho profundo no eco
    Uma planta nasce
    Um meteoro evapora
    Um navio de carga se desloca
    Emerge um berço
    Leve não são os tempos
    A vista piora
    Era um soco no estômago
    Aquela ameixa podre
    E num profundo ar de dento
    Respira numa bolha
    Um tempo
    Força aterisagem um avião
    Cai a tarde o luto
    O luto de uma nação
    O fruto é mordido
    A isca pesca
    Um moeda é jogada
    A sorte nunca foi nítida
    As transparências desaparecem
    Um estrondo vibra
    Uma piscina lambe o chão
    Tem uma noiva afogada na multidão
    Um cadáver atravessa
    A rua para sem sinal vermelho
    Uma mulher vai a lua
    Nenhuma estrela desce
    Nuvens adormecem
    Um vulto passa
    A manicure desenha
    Um carretel late
    Uma oca parte
    Um ruído rosna
    Um luto
    E veio a escuridão
    No corrimão daquela louca escada
    Onde nenhuma flor valia nada
    Hora do churrasco
    Há hipocrisia numa pérola
    Um chumbo cai
    Era pra matar
    Mas salvou
    Um morto atravessa...
    Espumas borbulham
    Há raiva na caixa de correspondência
    Uma amaldiçoada pedra
    Aquece a horta
    Era pra ser uma caneta
    Virou apenas um pênsil
    Ossos removem o aparelho
    De um mão
    Tocou o chão
    Um laço de fita suja
    Arames num pão
    Uma janela
    Sem saída
    Era tudo
    Naquela avenida
    Onde as minhocas
    Fabricavam o verde
    Dos musgos
    Na linha de uma coleira
    Enfeitada com seda
    Dormiam os remendos
    Até o amanhecer
    O tremor
    Tinha olfato
    Relapso
    Um canarinho
    Preso
    Voa menino
    Ele não voa
    Cresça menino
    Ele não crescia
    Nasça menino
    Ele não pária
    Escravos de jó
    Jogavam cachimbo
    Nenhuma praia a vista
    Piratas de avenidas
    Pediam um tostão
    Mendigar a luz fosca
    Era receita antiga
    Um botão da camisa
    Caiu
    O relógio parou
    Nem fim
    Nem começo
    Vazio e silêncio
    Compunham a
    valsa de partida
    A ouro eram escritas
    As partituras
    Um raio de sol tocou a noite
    Tinha arte na ardência do broto
    Nas roseiras
    Os espinhos sentiam fome
    Os vômitos
    Escorriam pelo esgoto
    Nas veias
    O sangue endureceu
    E um branca de neve
    Desapareceu
    As fantasia adormecem
    Era tarde pra deslocar os corvos
    As aves já devoram as carniças
    As picadas eram sentidas
    A pele arrancada em vida
    ...
    Carretel em fogo
    Mel Inquieta / Melina Guterres
    04/08/21
    5 min
  • A Travessa
    Nem uma luz na rua
    Vozes cruzam o tempo
    Uma moto acelera
    O silêncio atravessa
    No forno
    Barulhos da fervura
    Na travessa
    Cozinha o caos
    Gargalhadas
    Temperadas com sal
    Sem argilas
    Nem arte esculpida
    Na tênue
    Terna
    Terra
    Um polvo enfeita o medo
    Lantejoulas em lajotas frias
    Adubo em ruínas
    Café frio
    No bolicho
    Um assalto
    Leva a alma
    Resgate pago
    Em pedra
    TicTac
    Nenhum despertador
    Desperta
    Mel Inquieta
    WWW.INSTAGRAM.COM/POESIACOMMEL
    2 min
  • Liberati
    Lorenzo Pascucci recita em italiano o poema Liberte-se de Melina Guterres / Mel Inquieta. Leia em: https://www.instagram.com/p/CPL1uBsDK8y/?utm_medium=copy_link
    2 min
  • Liberte-se
    Leia no Instagram @poesiacommel https://www.instagram.com/p/CPL1uBsDK8y/?utm_medium=copy_link
    2 min
  • Tempo Bandido
    PĖS
    Sem máscaras.
    Efeitos de outras estradas
    Sem medo de perder
    O fardo do tempo
    Sem vergonha
    Das largas estrias de dentro
    Um honesto sentimento
    Um naco de vermelho
    Um súbito adormecimento
    Nos olhos o futuro Invisivel
    Na parada
    Um ônibus sem passageiro
    Pés que andam
    Que transitam
    Pés que vagam
    Que caem
    Atropelam
    Pés
    Melina Guterres
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    2 min

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