Poesia com Mel

Poesia com Mel

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Poesia com Mel episodes

  • Pés
    PĖS
    Sem máscaras.
    Efeitos de outras estradas
    Sem medo de perder
    O fardo do tempo
    Sem vergonha
    Das largas estrias de dentro
    Um honesto sentimento
    Um naco de vermelho
    Um súbito adormecimento
    Nos olhos o futuro Invisivel
    Na parada
    Um ônibus sem passageiro
    Pés que andam
    Que transitam
    Pés que vagam
    Que caem
    Atropelam
    Pés
    Melina Guterres
    #poesia #poeta #poema #semfiltro #semmaquiagem #poesiacommel #melinquieta #melinaguterres #pés
    1 min
  • Nata, um dia para amar
    Um dia para amar...
    É Natal
    tem um ruído
    Entre o trilho do trem
    E o apito de um ano Novo
    Que lembra que a cada dia
    Mais velho fica o tempo
    E a ponta dos meus dedos
    Noel voou sem trenó
    Deixou lá fora meu sono
    Infantil mergulhado na
    Fantasia da inexistência
    Uma figura que todo ano vem e
    não vem
    Deixa à espera
    Como muitos cristãos
    Que brindam o nascimento aguardam a volta de seu Deus
    Tanto céu,
    Pouca terra
    Impossíveis de trenós e renas
    Num sistema de visão externa
    Cadê os olhos de dentro?
    Papai Noel é aquela moça que
    Preparou a sopa a um desconhecido Cristo que tem fome.
    Uma mãe que trocou o dia pela noite
    Para ter um panetone
    Um pai que não dormiu a noite
    Uma avó doce
    Um irmão que trouxe a cerveja
    Um tio que assa o churrasco
    A prima que prepara a maionese
    A tia que traz o pudim
    Em volta da árvore,
    Carências disfarçadas
    De presentes.
    Símbolos por uma troca de abraços
    Natal
    Um dia, uma desculpa para amar
    Melina Guterres
    #natal #feliznatal #poesia #amar #umdiaparaamar #poeta #poesiacommel #melinquieta #melinaguterres
    2 min
  • Seja Forte - Poema de Melina Guterres Música de Nilze Benedicto
    Seja Forte - Agradável Ironia
    Seja Forte
    Todo dia
    Seja Forte
    Noite
    Dia
    Seja Forte
    Ontem
    Hoje
    Amanhã
    Seja Forte
    Numa tempestade
    Numa travessia
    Num desespero
    No dia-dia
    Seja Forte
    Estimulam os fortes
    E o que resta a nós, os fracos?
    Poesia!
    Publicado no Instagram em:
    https://www.instagram.com/p/BkbKelKnS39/?igshid=tn15plxiqeas
    4 min
  • Todo dia - Melina Guterres
    Todo dia
    Tem um poema na esquina
    Na bolsa que gira
    Tem um poema na louça suja
    No jantar mais frio que carne crua
    Tem um poema na mãe,
    Na menina, na idosa
    Tem um poema atravessando
    O tempo
    Tem um poema quebrando silêncios
    Tem colheres sendo usadas
    Tem uma nova sopa
    Um sal ação
    Uma mulher fazendo o próprio pão
    Tem uma legião
    Um país em mãos
    Um Cristo morto na esquina
    Todo dia um número ressuscita
    Do pó à capa de notícias
    Todo dia uma mulher é vítima
    Um novo tempero soluça, implora, grita:
    Empatia!
    Está servido o jantar?
    Melina Guterres
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    Arte:
    #quino
    #poema #poesia #poeta #melinquieta #mulheres #melinaguterres #empatia
    2 min
  • SEM VIAS / Melina Guterres
    Sem vias
    Amanheceu Belchior
    Adormeceu Romaria
    Numa quadra
    Sem vias
    Só havia subida
    Pés tortos
    Cegos
    Sentiam a vida
    No forno
    A comida
    A espera do sal
    Na avenida
    Romaria
    O encontro
    Do chão do sertão
    Com o erudito de portão
    Meu olhar
    Nas estranhezas
    De um suco
    Sem áçucar
    Paladar
    Tinha voz
    Pigmentos
    Esculpiam
    A porta
    Coração
    Selvagem
    Mordia
    Uma corda
    Perdia
    Seu fio
    Alucinação
    Do dia-dia
    Na areia no Rio de Janeiro
    Na terra vermelha do interior da Bahia
    Na montanha removida do Pará
    No frio da fronteira do Sul
    Na capital dos negócios
    "Um preto, um pobre
    Uma estudante
    Uma mulher sozinha"
    "De sonho e de pó"
    Melina Guterres - @melinquieta
    Músicas referénciadas:
    Alucinação e Coração Selvagem de Belchior
    Romaria de Renato Teixeira
    Foto reprodução.
    #poesiacommel #poema #poeta #poesia #sertao #romaria #belchior #alucinação
    2 min
  • OXIGÊNIO

    Mergulhar num oceano

    Poesia
    Beber palavras engasgadas

    Vomitar um reino
    Ser forte como uma abelha rainha
    Dona e criadora
    Do próprio mel

    Um molusco
    Que transforma lixo
    em pérolas

    Ora, ora
    Pra que serve um oceano, afinal?

    Se o corpo pesa,
    Que o sal reine
    Como o mar morto
    Onde nada afunda

    E se algo finda
    Seja o confinamento
    De uma consciência
    Que esqueceu de reproduzir
    O próprio oxigênio

    Que toda guerra
    Sejam guelras

    Melina Guterres / Mel Inquieta

    escrito em 22/10/2020


    https://www.instagram.com/p/CGyt_mqj_Q4/

    2 min
  • NEGAÇÃO

    Negação

    Desejou felicidade aos demônios

    Retirou armas do campo de batalha

    Escalou montanhas

    Aprendeu a ter as garras de uma fera

    Descobriu o sopro do vento

    Desenvolveu afiadas orelhas
    Correu tanto
    Que seus pés viraram patas
    Guardou tanto rancor que
    Seus ossos cresceram
    como facas no alto de sua cabeça

    Esculpiu a luxúria com arte sacra

    Deglutiu a ira sufocada
    Escondeu a prata

    Fingia não sentir nada

    Negou a própria dor

    Negou tanto o próprio ódio,

    Inveja e desejo de vingança

    Negou tanto que se tornou
    Seu próprio demônio.

    Temia espelhos

    Os demônios?
    Eram sempre os outros

    Do alto de uma pedra

    Um animal

    Em metamorfose

    Abandonava seu casulo

    Fez da dor as asas mais belas

    Ergueu poeiras

    De uma era

    E de si mesmo

    Se libertou

    A borboleta

    Não olhou pra trás

    Ela só voou


    MELINA GUTERRES  / MEL INQUIETA

    www.instagram.com/poesiacommel

    3 min
  • O CORVO

    O corvo

    Tinha o latido de um porco

    Uma faca na garganta

    Palavra afiada

    No aço dos dias


    Um cuspe

    Mentira

    Uma lágrima

    Publicada

    Na era passada


    Um apelo por socorro

    Um futuro numa vela

    Fria e apagada


    Um corvo

    Cruzava a beira

    Da estrada

    Faminto

    Devorava

    Uma velha

    Caça


    Tinha sede

    De sangue

    Quente

    Partia

    Voava


    O tempo em rodas

    O asfalto

    Vermelho cinza


    A chuva,

    Lavava as carcaças

    Uma pedra quicava

    No meio da estrada

    Até a próxima

    Selvageria



    MELINA GUTERRES / MEL INQUIETA 

    www.instagram.com/poesiacommel

    2 min

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