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O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva é o convidado do 28º episódio do Política ao Quadrado. Ele conta os bastidores da histórica apreensão de madeira ilegal no Amazonas, objeto de investigação da operação Handroanthus. O caso resultou na apresentação de notícia-crime contra o ex-ministro do meio ambiente Ricardo Salles e a posterior exoneração do delegado da Superintendência da PF no Amazonas.
Saraiva mostrou a dimensão dos lucros gerados pelo comércio ilegal de madeira no Norte do país, que chega a gerar US$ 500 mil por 100 hectares. “A mão de obra, o custo é zero praticamente, é trabalho análogo ao de escravo. A matéria-prima, custo zero. O segundo principal insumo da indústria madeireira, depois da madeira, é energia elétrica, eles não pagam. Não tem como o legalizado competir com esse pessoal”. E o ciclo da ilegalidade não se encerra na demolição da floresta, as terras são griladas e colocadas como garantia para obtenção de empréstimos públicos.
Para ele, a Lei Complementar 140/2011 foi o maior desastre para a Amazônia. A norma tirou do Ibama as atribuições administrativas para a emissão do Documento de Origem Florestal (DOF), que passou a ser emitido por secretarias estaduais. Saraiva relata a fragilidade desses processos, que passam por pressões de servidores, ausência de registros de digitalização e fraudes. Ainda de acordo com o delegado, a solução para o desmatamento passa por muitas áreas de conhecimento e setores.
Ao falar sobre a falta de efetividade do sistema de justiça, ele relata um dado alarmante, no Amazonas existe apenas uma vara de crime ambiental. Atualmente, os desdobramentos jurídicos da operação Handroanthus, por exemplo, passam por discussões de conflito de competência entre a Justiça Federal do Amazonas e do Pará.
O papo ainda tratou das tecnologias e expertise necessárias para investigação dos crimes de desmatamento, além da omissão dos países que compram a madeira ilegal a “preço de banana”, no fim do ciclo da devastação. Em palestra com embaixadores europeus em Manaus, o delegado disparou a provocação: “vocês não acham estranho estarem comprando eucalipto a preço de ipê? Eucalipto leva 5 anos para se formar e o ipê leva 400. Nunca acharam esquisito isso?”.
*Quem faz o quadrado?* O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto. Siga o programa nas redes sociais: twitter.com/politicaao2 instagram.com/politicaao2
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Neste 27º episódio, o político e advogado Roberto Freire fala sobre os desafios de ser contemporâneo do futuro. O presidente nacional do partido Cidadania defendeu reformas estatais para trazer respostas às novas demandas sociais do mundo globalizado e fez críticas às visões arcaicas do fascismo bolsonarista à esquerda tradicional brasileira. Para ele, o fazer político também passa por mudanças e defendeu o pluralismo e o respeito às individualidades dentro dos partidos.
Roberto Freire se define como homem de esquerda, com os mesmos valores de quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), ainda estudante, mas nega a política apegada a paradigmas do passado. Ele falou sobre o paradoxo de uma esquerda reacionária e avaliou que o PT ficou aprisionado, com dificuldades de entender a necessidade de reformas. “Você não pode ser um Estado burocrático, um elefante que não consegue ter respostas para essa sociedade nova. E as contradições que surgem não serão resolvidas como você imaginava resolver na época de uma contradição burguesia e classe operária”.
O advogado, que já foi ministro, deputado e senador, contou sobre seu ingresso na vida política, pelo PCB, em Pernambuco, no início da década de 1960. No período, Freire era estudante de Direito e participou da estruturação de sindicatos de trabalhadores rurais, por meio de atividades de uma secretaria do governo de Miguel Arraes, que culminaram na primeira greve no campo brasileiro. Freire também participou da fundação do MDB no estado, na luta pela redemocratização.
Ao analisar as próximas eleições, o político falou da necessidade de olhar para 2022 evitando disputas com retrocesso, representado, segundo ele, pela polarização entre o atual presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Atualmente ele participa da articulação de sete partidos que buscam como alternativa uma candidatura única, independente de coligação. Ele declarou que votou nulo em 2018 mas que não fará o mesmo nas próximas eleições. “O fascismo evidentemente tem que ser derrotado, isso é a barbárie, mais quatro anos com um governo desses, não sei para onde vamos”.
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Como surgiu o projeto do Política ao Quadrado? Após 25 episódios, os apresentadores do programa, Lívia Carolina e Caio Barros, conversam com outros integrantes da equipe, o diretor e produtor Germano Neto e o editor de áudio Brunno Rossetti. Eles fizeram um balanço da primeira fase do podcast, conversaram sobre perspectivas eleitorais para 2022, o papel dos militares no atual governo, manifestações de junho de 2013 e ainda revelaram alguns dos próximos convidados.
O episódio apresenta ao público quem faz o P2 e o objetivo do projeto, realizado por uma equipe atualmente integrada por outros quatro profissionais: Kauê Pinto (edição de som e imagem), Gabriel Rocha (mídias sociais), Camila Neves (jornalismo) e Luigi Pepe (apoio técnico).
O papo relembra os principais desafios do grupo, que vem trazendo conteúdo político semanalmente sem cair no varejo da “enxurrada” de notícias factuais. Nos 25 primeiros episódios, o programa trouxe políticos, acadêmicos, artistas, jornalistas, analistas políticos, entre outras personalidades das mais diversas correntes do pensamento democrático.
Uma das curiosidades reveladas sobre o programa e que exemplifica a pluralidade almejada nas conversas são os dois episódios mais ouvidos até o momento: o #18, com a escritora Michele Prado; e o #24, com o professor João Cezar de Castro Rocha. Ambos trouxeram análises críticas ao fenômeno do bolsonarismo sob perspectivas políticas opostas.
Ainda não ouviu o Política ao Quadrado? O podcast de primeira vai ao ar todas as segundas, ouça nas principais plataformas de streaming de áudio! E não deixe de conferir os destaques das nossas conversas nas redes sociais, estamos no Twitter, Instagram e YouTube.
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Do mainstream à independência, Lobão fala sobre o processo de construção da liberdade na sua carreira de músico neste 25º episódio do Política ao Quadrado. E Lívia Carolina e Caio Barros não podiam deixar de perguntar sobre posicionamento político e expectativas para as eleições de 2022. Para o artista, não se deve cogitar a possibilidade da volta ao poder de Lula ou Bolsonaro, duas figuras que, nas palavras dele, precisam ser minadas.
No programa, Lobão conta que, durante a pandemia, não tem sentido diferença de ficar em casa, onde se sente bem, se considera um ermitão, um “homem para dentro”. O artista tem se dedicado a gravações de clássicos na nova etapa do seu projeto “Canções de quarentena”. Para não deixar escapar a sua marca de rebeldia e contradição, no início deste mês, lançou a música de protesto “Bunda Suja”, com críticas ao presidente, que chegou a apoiar em 2018.
Lobão também falou sobre a revolução do rock nacional dos anos 80, responsável por levantar a indústria fonográfica brasileira, que estaria na “pré-história” até então. Para ele, o novo gênero foi uma locomotiva transformadora do show business nacional, tanto em termos de tecnologia de gravação como de venda: “vendeu-se disco como nunca (…) as gravadoras te paparicavam”.
Apesar da pujança do novo estilo, o artista revelou a tentativa, pelos diretores de gravadoras, de direcionamento do conceito estético do gênero musical como uma nova jovem guarda, fru-fru e inofensiva. No início dos anos 2000, Lobão revela que começou a produzir seus próprios discos e a estudar outros instrumentos: de guitarra à harpa e piano clássico. O músico avaliou as limitações impostas pelos produtores e, a partir de então, ele mesmo resolve estudar recursos digitais e engenharia acústica.
Ao se definir como crítico da MPB e de sua própria geração, o artista afirma a necessidade de enfrentamento do “coronelato” e dos “monstros sagrados” dentro da música. E também critica a neofobia, que limitaria a criação a partir de movimentos e gêneros cristalizados. “Toda a música brasileira tende a virar uma língua morta. Então a bossa nova, não mexe porque aquilo é uma pérola”. Ele ainda faz duras críticas à cultura brasileira da malandragem em qualquer área, que seria cultivada por nós, e fala sobre a Lei Rouanet e a distorção do direcionamento do incentivo a grandes artistas.
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Na segunda parte da conversa com João Cezar de Castro Rocha, o convidado faz uma profunda análise do bolsonarismo. O professor de literatura da UERJ e historiador mostra a coerência e coesão do fenômeno que levou o capitão reformado à presidência do Brasil, sem qualquer projeto para o país e com uma pauta antissistema.
Recebendo salário público desde sempre – como militar, a princípio, depois ingressando na vida política como vereador e, mais tarde, deputado federal –, Jair Messias Bolsonaro é descrito pelo convidado como um “case” de propaganda e marketing para estudo. Com três filhos levados a cargos eletivos, Castro Rocha compara a família do presidente a uma franquia, cujo projeto é a manutenção do poder para os seus. “Que Flavio Bolsonaro, com as suas curiosas transações financeiras, tenha aberto uma franquia Kopenhagen, do ponto de vista freudiano, é um ato falho, uma confissão”, destaca.
O professor descreve o bolsonarismo como um movimento com características próprias: não é fascista, nem nazista, é bolsonarista. Ele ainda descreve a retórica do ódio e a recusa sistemática do outro como estratégias para manter as massas digitais permanentemente excitadas, com a criação de inimigos constantes. “Ou eu sou o seu espelho, ou eu não tenho direito à existência; ou eu sou a sua cópia, ou devo ser varrido do mapa”. Ele mesmo foi silenciado das redes governistas nesta semana. Em menos de 24 horas, foi bloqueado pelos perfis de Twitter do presidente e do ex-ministro e deputado federal Osmar Terra.
A conversa ainda aborda o intuito autoritário do projeto pela intenção da ausência de mediação de poder (com intenções de extinção do Congresso e escolha de ministros no STF). A habilidade nas redes sociais com o pioneirismo no uso de ferramentas digitais desde a campanha, a criação de teorias conspiratórias, discursos polarizadores, notícias falsas como mecanismos da guerra cultural bolsonarista são outros assuntos tratados neste episódio. E o papo ainda traz um paralelo deste período com a ditadura militar. Para o professor, o atual cenário é uma ameaça à democracia ainda maior.
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Francisco José Pereira de Lima, o Preto Zezé, está no 22º episódio do Política ao Quadrado. O ativista e produtor cultural é o atual presidente da Central Única das Favelas (CUFA), organização brasileira que promove a conscientização de camadas desprivilegiadas da população, com oficinas de capacitação, esporte, lazer, ações culturais e de cidadania. Os impactos da pandemia nas favelas, racismo, ações da CUFA e, claro, representação política são alguns dos temas debatidos com Zezé neste programa.
Atuante em mais de 26 estados, além do DF, Zezé conta que a CUFA articula mais de 5 mil favelas no Brasil. E suas ações já extrapolam as fronteiras nacionais desde 2015. A organização tem o escritório da CUFA Global em Nova Iorque, lugar que sedia a ONU e onde estão as principais representações de chefias de Estado. Mas o reconhecimento internacional nem sempre encontra ecos no nosso território. Ele conta que, muitas vezes, por aqui, ser da CUFA tem sido motivo de ser criminalizado. “Curiosamente a gente foi premiado fora do Brasil pelos mesmos motivos que, no Brasil, fomos incriminados”.
São mais de 100 mil pessoas atuando nas ações da organização, um impulso coletivo, segundo o ativista. “A pessoa preta de favela no Brasil dificilmente vai fazer alguma coisa sozinha. Sempre vem alguém junto com ela. E quando ela se move, ela move uma porrada de gente junto”.
Ficar em casa como? Sobre os impactos da pandemia nas favelas, o ativista é preciso: como fazer isolamento? Como se fala de campanha com álcool em gel se tem um monte de gente sem acesso à água e sabão? E explica que os moradores dessas regiões, já isolados socialmente de direitos, são exatamente os que estão nos chamados serviços essenciais. “Inclusive aumentou o número de mortes de quem trabalha nas farmácias, supermercados, postos de gasolina, o cara que entrega comida na sua casa... Essas pessoas foram tratadas como essenciais para servir mas nunca prioritárias para vacinar”, arremata.
Nas ações da CUFA contra a covid, Preto Zezé revelou a estratégia do programa Mães da Favela. Cerca de 80% e 90% do que é arrecadado é repassado para essas mulheres líderes de família. Ele explica que, ao chegar nelas, a ajuda desencadeia uma série de outras redes de potência impressionantes, já que são elas as responsáveis por lares, cuidados de filhos e de idosos.
O ativista ainda tratou da falta de legitimidade dos partidos para promover uma agenda conectada com as necessidades das favelas. E esclarece que os representantes políticos não têm origem, não representam e nem tem identidade com aquele território. A CUFA vem atuando para constituir uma frente das favelas e promover uma rede de lideranças constituída por homens e mulheres negras que venham a ocupar os espaços de decisão.
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Como a ex-senadora Heloísa Helena avalia o Brasil no contexto da pandemia de covid-19? A política alagoana é enfermeira e epidemiologista, mas ficou nacionalmente conhecida como parlamentar de postura combativa e por sua oratória forte. Com formação acadêmica em planejamento de saúde pública, a convidada do nosso 21º episódio contou que gostaria de poder participar, neste momento, dos debates da “CPI da Covid”.
Atualmente porta-voz nacional do REDE Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar, hoje não detém mandato eletivo. Na conversa, Heloísa Helena confessou que faz militância política por obrigação cidadã e senso de justiça, mas que a atividade não lhe traz alegria. Nas suas palavras, política é “uma máquina de moer gente, sonhos e dignidade”.
Heloísa Helena explicou que a história das epidemias mostra aspectos da vida como ela é: como a riqueza é distribuída, as diferentes condições de isolamento e de acesso a saneamento, água potável, recursos de higiene, além de revelar a forma predatória de exploração da natureza, que traz consequências para a humanidade na forma de doenças. Ela criticou o falso dilema entre saúde e emprego, no início da pandemia. Segundo ela, não existe política de saúde sem políticas econômicas, inserção produtiva (emprego) e políticas de renda, um debate já superado pelos profissionais da área de saúde pública.
Ao falar sobre a dureza e o rigor de seu discurso, a ex-senadora confessa que pagou um preço alto por seu temperamento, mas que não se vendeu por cargos e prestígio. “Queríamos nós estar em um mundo onde as pessoas não precisassem alterar a voz para apresentar um argumento, que a força do argumento fosse infinitamente maior que a elevação da voz (…) Existem pessoas que parece que o conduto auditivo só ouve com o aumento dos decibéis”.
A conversa ainda tratou de reforma da previdência, sua relação com o Partido dos Trabalhadores, governabilidade e CPI da covid, segundo ela uma importante ferramenta capaz de trazer elementos para enquadrar o atual presidente em crime de responsabilidade. E o episódio não pôde deixar de trazer o pinga-fogo, quadro em que a ex-senadora definiu brevemente figuras políticas como Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer. Sobre o presidente Bolsonaro, Heloísa Helena resume de forma reiterada: um soldado, covarde, sem honra, que deixa os feridos para trás.
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A historiadora internacional focada em Oriente Médio Monique Sochaczewski está no Política ao Quadrado desta semana para explicar as várias narrativas históricas por trás dos conflitos entre israelenses e palestinos. Para a professora, nesta recente rodada de tensionamento, saem vencedores, de um lado, o hamas, e o político israelense Benjamin "Bibi" Netanyahu, pelos judeus.
Monique chama este último conflito de “Guerra das Eleições” e observa que os extremistas religiosos têm ganhado força em ambos os lados. Ao avaliar o saldo de mortos nos conflitos recentes, 232 palestinos mortos (65 crianças) e 12 israelenses (2 crianças), a historiadora ressalta a proteção civil israelense e a importância de Israel ter um Estado formado.
“É um conflito recente”. A convidada esclarece que tais povos não se odeiam milenarmente, e contextualiza a trajetória antiga dos povos judeus pelo mundo e a ligação do islamismo com a palestina desde o século VII. A partir do imperialismo global do século XIX, ela explica a formação do Estado Judaico, Israel, em 1949, e a não formação de um Estado Palestino. O papo ainda tratou de terrorismo, o histórico religioso, a questão eleitoral, a perda de espaço da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o crescimento do hamas.
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