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O episódio 37 do Política ao Quadrado traz o ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para falar de Brasília, a capital que abriga o centro do poder político nacional, mas também a Estrutural, o Sol Nascente, o Paranoá, o Varjão e uma enorme desigualdade social. O convidado afirmou sua intenção em concorrer ao cargo de deputado federal em 2022 e considerou Lula como o candidato que teria as melhores condições de fazer enfrentamento a Bolsonaro na disputa à presidência da República.
Rollemberg acredita haver a consolidação de um cenário de polarização para as próximas eleições presidenciais, em razão da dificuldade de se encontrar um candidato que represente uma terceira via. Para ele, há uma parcela cada vez maior de pessoas que entendem como prioridade a derrota do atual governo. O político ainda avaliou a candidatura de Moro como fraca, já que o ex-juiz perdeu força no eleitorado mais à direita, bolsonarista, e também no eleitorado de centro, que apoiava a Lava Jato.
Governador do Distrito Federal entre 2015 e 2018, Rollemberg apontou como o momento mais difícil de sua trajetória política o rombo bilionário encontrado ao assumir a gestão da capital, que era governada por Agnelo Queiroz (PT). “Só na saúde, eram R$ 600 milhões de dívidas. O governo anterior não tinha pagado os professores, não tinha pagado 13º, não tinha pagado férias. E não tinha dinheiro! Isso me consumiu bastante.” Como ponto positivo de seu mandato, o ex-governador afirma ter orgulho do processo de democratização da orla do Lago Paranoá, onde grande parte da região era fechada pelas casas de parte da população com alto poder aquisitivo.
Ele também destacou as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma como outro episódio sensível de seu governo. E recordou a ideia do cercamento da Esplanada como um milagre que evitou confrontos. A área foi dividida ao meio por alambrados, com a Polícia Militar e a cavalaria separando os manifestantes por meio de um corredor de isolamento. “Aquilo ali foi a solução mais adequada, porque a gente conseguiu ultrapassar esse processo extremamente tenso da história do país sem que houvesse nenhuma vítima”. Para Rollemberg, o momento foi a semente da divisão que tomou proporções danosas ao país.
Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.
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O ex-ministro e ex-deputado federal Aldo Rebelo está no 33º episódio do Política ao Quadrado. O político, que anunciou recentemente pré-candidatura à presidência da República de forma independente, afirmou não ter identidade com as principais agendas que estão em disputa em 2022, a do PT e a do presidente Jair Bolsonaro. “Não tenho partido, não estou filiado, não represento nenhuma grande corporação”.
Para Aldo, a agenda de Bolsonaro é desorientada. Com relação ao ex-presidente Lula, o convidado esclarece que sua agenda é autônoma em relação ao PT, que teria, segundo ele, uma visão ressentida e identitária. E cita as composições realizadas pelo petista: colocou um representante do agronegócio no Ministério da Agricultura (não um sem-terra); no Ministério da Indústria e Comércio, um grande empresário (não um sindicalista); buscou um grande industrial como vice; além de ter colocado na presidência do Banco Central um quadro do PSDB. Para Aldo, Lula deve repetir tais escolhas, o que pode produzir uma vitória eleitoral, “mas não tira o Brasil do lugar”.
Aldo afirma existir, no campo progressista, uma falta de compreensão acerca do agronegócio, expressão que engloba atividades muito distintas, desde criadores e agricultores a atividades industriais de transformação sustentadas pelo campo. Ser um grande produtor agrícola não representaria uma deficiência, uma morbidez, e não se deve creditar à agroindústria a desindustrialização do país. Ele lembra ainda que a acumulação cafeeira financiou o início da industrialização nacional. “O sujeito que está criando vaca em Araçatuba ou plantando soja em Sinop não pode ser responsabilizado pelo país ter se desindustrializado”.
Para ele, os excedentes agrícolas poderiam ser bem aproveitados. Criminalização do desenvolvimento - Rebelo criticou as forças progressistas urbanas que não conhecem o campo, setor com a relevante função social de produção de alimentos num país do tamanho do Brasil. Na conversa, o ex-ministro opinou sobre as leis ambientais brasileiras, que seriam excessivamente rigorosas, burocráticas e antidesenvolvimentistas. “Eu dizia para o presidente Lula e para a presidente Dilma: com essa legislação, não se faz um metro de estrada, não se faz uma ferrovia, não se faz uma ponte, não se faz nada. Licenciar uma obra no Brasil é uma coisa quase impossível”.
Ainda conforme o político, o Brasil não se encontra em risco ambiental grave e a política internacional do atual governo, desastrada e de conflito, teria sido responsável pela rearticulação de ONGs. Sobre a Amazônia, Rebelo afirma que as redações da grande imprensa (do Sul e Sudeste) seriam controladas por estas organizações ambientalistas, que tratam da região a partir dos escritórios do Jardins, bairro paulista. E nega o processo de desmatamento irreversível das florestas. O ex-ministro cita que nem cerca de 3% do estado do Amazonas – com 1,6 milhão de quilômetros quadrados de área – apresenta ocupação econômica e demográfica. “Como é que isso vai ser destruído daqui para amanhã, minha gente?”
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O Política ao Quadrado desta semana tem como convidado o vereador Leonel Radde (PT-RS). Policial civil (agora licenciado para cumprimento de mandato), ele falou sobre a desmilitarização da Polícia Militar, fascismo, descriminalização da maconha, carreira policial, entre outras questões relativas à segurança pública.
Radde também expôs a dificuldade de diálogo entre os movimentos de esquerda e a polícia, muitas vezes situados em campos opostos, tanto nas ruas como nos debates ideológicos. Na conversa, o episódio de agressão a policiais militares por um empresário em Alphaville, condomínio de luxo de São Paulo, é ilustrado pelo vereador como exemplo de posicionamento antipolícia muitas vezes adotado por discursos da esquerda. Os agentes haviam sido chamados pela esposa do empresário, que temia ser agredida. “Quando o policial é vítima, a esquerda vai lá e malha (…) Ah, se fosse na periferia esse policial vagabundo tinha sentado o pau”.
Os agentes agiram corretamente ao serem acionados: o agressor foi conduzido à delegacia e autuado, inclusive por desacato. Segundo Radde, tanto o policial trabalhador quanto o corrupto votam majoritariamente na direita, que teria um posicionamento mais brando com relação a condutas erradas cometidas por forças policiais em operação. Ele ainda esclarece que a categoria faz parte do aparato repressivo do Estado e que tem uma lógica de manutenção do status quo.
Outra questão levantada pelo convidado é a visão do policial herói, reforçada por programas policialescos cujo palco é a perseguição a bandidos em periferias. Muitos políticos policiais se beneficiariam dessa fama para se eleger sem nunca terem atuado na linha de frente. Desmilitarização da PM – O vereador esclarece que a desmilitarização não significa retirar armas de policiais ou perda da ostensividade. A mudança passaria pela reformulação da formação e treinamento das forças repressivas, retirada do código penal militar (que excluiria as hipóteses de prisões administrativas), além da possibilidade de sindicalização e de manifestações trabalhistas.
Ele diferencia tais prerrogativas do episódio abusivo de motim de policiais em Sobral (CE). Para ele, a desmilitarização traria melhorias para o debate interno das corporações e na forma como o trabalhador da segurança pública lida com o dia a dia, mudanças que seriam refletidas de forma benéfica na relação do policial com a população.
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Nesta semana, o Política ao Quadrado conversou com o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM). O parlamentar tem sido uma das principais vozes de tensionamento no Congresso com o governo Bolsonaro. Sobre o presidente, ele mantém o tom crítico e resume: “é um autoritário, comprometido com as pautas mais atrasadas do país, ele é tudo menos um liberal-conservador”. O deputado também apontou o que considera um erro dos partidos de centro (inclusive o seu), a guinada em direção ao governo.
A postura de Bolsonaro, segundo Ramos, faz mal para o próprio governo e afasta investidores: “quem é que vai investir num país em que amanhã o presidente pode invadir o Supremo Tribunal Federal?”. Para 2022, o parlamentar lembrou que será necessário eleger um presidente disposto a reconciliar o país e que também enfrente nossos desafios imediatos – desemprego, fome, juros crescentes e a inflação sentida nos preços dos alimentos, energia, gasolina e gás de cozinha. A solução passaria pela estabilidade política e institucional.
Sobre as últimas declarações de Bolsonaro relativas ao processo eleitoral, Marcelo Ramos explica que a simples ameaça ao Estado Democrático de Direito já configura crime de responsabilidade, tipo penal previsto na Lei do Impeachment. E lembra que o processo de afastamento não é apenas jurídico, mas também político. Segundo o parlamentar, enquanto o presidente tiver sustentação popular (e lembra os 20% de aprovação em pesquisas), há sustentação de base no Congresso Nacional e, portanto, não estariam postas as condições políticas para o processo.
Construção de guerrilha – De acordo com Ramos, a estratégia do presidente de criação de narrativas busca mobilizar suas milícias governistas, desviando a atenção das pautas essenciais que precisam ser discutidas. O deputado lembrou o episódio da votação do Fundo Eleitoral, quando entrou em embate com o presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro. Naquele momento, o parlamentar conta que teve suas redes sociais atacadas pelos bolsonaristas e seu celular vazado.
No episódio, o vice-presidente da Câmara ainda falou sobre as incoerências do sistema tributário brasileiro e projetos de reforma, além das baixas expectativas para o crescimento econômico nacional. Ele também explicou um pouco sobre a necessidade de criação de um modelo econômico sustentável para o bioma amazônico, por meio da preservação da Zona Franca de Manaus, de investimento em pesquisa aplicada de biotecnologia e bioindústria e da regulamentação do mercado brasileiro de créditos de carbono.
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A relatora da CPMI das Fake News, Lídice da Mata (PSB-BA), está no episódio #30 do Política ao Quadrado. A deputada contou sobre sua trajetória pioneira como mulher atuante para a composição de forças progressistas na Bahia, desde o período da redemocratização, e também avaliou o atual contexto de conjuntura política nacional, com o progressivo retorno dos trabalhos das comissões de inquérito.
Atualmente a única comissão em funcionamento no Senado Federal é a CPI da Covid, conforme esclareceu a deputada. Durante a pandemia, a comissão da qual é relatora foi suspensa, já que depende dos trabalhos técnicos e de assessoramento do Senado. Na Câmara, Lídice informou que os trabalhos das comissões começaram a ser retomados neste ano. E agora a CPMI das Fake News deve fornecer apoio técnico à CPI da Covid.
Criada a princípio para investigar crimes contra crianças e adolescentes na internet, a deputada falou sobre as mudanças pelas quais passaram a CPMI das Fake News, que também lançou seu olhar para o fenômeno das notícias falsas nas eleições de 2018 e o ataque às instituições democráticas. Ao revelar os antagonismos sofridos na criação da comissão, ela lembra que mesmo a imprensa via com desconfiança suas intenções, julgando ser uma busca do PT para o 3º turno eleitoral.
Lançada ainda em momento de euforia bolsonarista, com a vitória recente nas urnas, os trabalhos da comissão atingiam diretamente os métodos usados pelo governo. “Se vocês veem agora, na CPI da Covid, este ambiente de luta, imagine aquele (com o governo mais forte)”. Enquanto naquele período ainda existia um discurso de contestação às “fake news”, hoje Lídice avalia que ninguém mais pode negar a existência desse fenômeno no Brasil, onde há uma pandemia de notícias falsas paralelamente à pandemia do coronavírus.
No episódio, Lídice ainda mostrou que a desinformação não é um fenômeno exclusivo da atualidade. A deputada lembrou a guerra de notícias durante o período em que esteve à frente da prefeitura de Salvador, de 1993 a 1996. Na Bahia, o problema era agravado pela concentração de poder político e monopólio de grandes veículos de comunicação nas mãos da família do ex-governador do estado Antônio Carlos Magalhães. Atualmente, ela avalia que o uso de ferramentas digitais fazem com que as mentiras, calúnias e campanhas de ódio cheguem a todos com uma velocidade maior, inviabilizando o direito de resposta a tempo e, por isso, o crime deve ser olhado de outra forma.
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A conversa desta semana é com o economista Paulo Rabello de Castro. Ex-presidente do IBGE e do BNDES, ele é um crítico da tentativa de liberalismo do chefe da agenda econômica de Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes. Além de xarás, os dois têm em comum a formação na Universidade de Chicago, mas visões de estado e mercado bem diferentes.
Rabello considera o atual governo como a primeira tentativa de condução liberal dos rumos da economia, apesar de não ter sido exitosa. “Na realidade, nós não conseguimos nem ser bons capitalistas!” Mostrar para os empresários que se deve fazer com o Brasil o que eles fazem para a perenização de suas empresas é um dos desafios apontados pelo convidado, que defende inovação, metas e decisões estratégicas como elementos norteadores da administração pública e privada.
O economista não acredita em uma terceira via, mas em uma única alternativa para o Brasil. Para ele, a fórmula jé está estruturada e passa pela concepção do sociocapitalismo, um capitalismo para todos ou humanista. “Se vai privatizar, é para fazer fundos para alguma coisa da qual o Estado seja devedor, por exemplo, o futuro dos brasileiros, o capital previdenciário”.
Lulismo ou Bolsonarismo? Na vertente política e eleitoral, o entrevistado considera que há uma tendência perigosa para o Brasil em se adotar determinada posição como simples forma de se opor a outra. Ele tem conversado com o pré-candidato à presidência Ciro Gomes e afirma que as propostas do Instituto Atlântico, do qual é um dos fundadores, conversam com o programa de desenvolvimento nacional do pedetista. Nessa linha, Rabello cita iniciativas como a racionalização da despesa pública e uma reforma tributária eficiente, voltada para a justiça fiscal e social.
O episódio também tratou dos problemas históricos do crescimento nacional, eficiência estatal e reforma da previdência, além de trazer esclarecimentos sobre os empréstimos do BNDES, tão atacado pelos simpatizantes do atual do governo.
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