O Deputado Federal (PCdoB-SP) e ex-Ministro do Esporte (2006-2011) Orlando Silva está no 50º episódio do Política ao Quadrado. O programa inicia-se com a problematização a respeito do movimento “não vai ter Copa”. O convidado, autoridade máxima do Ministério do Esporte quando o país foi escolhido tanto para sediar a Copa do Mundo de 2014 quanto as Olimpíadas e as Paralimpíadas de 2016, analisa quais teriam sido as forças profundas e as agendas que protagonizaram, em torno do mundial, o conturbado ano de 2014 no Brasil. Posteriormente, ao ser indagado acerca da relação entre a grande mídia brasileira e os partidos de esquerda do Brasil, o Deputado relata sua experiência delicada com a imprensa durante seu período como Ministro de Estado e discute o papel social dos conglomerados brasileiros de comunicação.
O episódio adquire densidade, quando o ex-Ministro faz um breve apanhado histórico para explicar o estado da arte do debate a respeito do racismo no Brasil. Segundo Orlando, entre a crença de que há uma democracia racial no Brasil e a formulação de conceitos que isolem as políticas de identidade de outras pautas sociais importantes, há um vasto caminho do meio que deveria permitir a elaboração de uma síntese teórica que realmente impulsionasse tanto o combate ao racismo quanto a inserção social de todas as minorias: “classe, gênero e raça atravessam a luta popular”, o convidado declara. Em relação a outro tema que também suscita muito debate – a regulação das mídias sociais e a divulgação em massa de notícias falsas -, o Deputado, relator do Projeto de Lei das “Fake News”, discorre acerca da essência da discussão: liberdade, responsabilidade e transparência na internet. O ex-Ministro tem a expectativa de que, em março (2022), o referido PL seja votado no plenário da Câmara: “o Congresso está emitindo sinais de que pretende regular as plataformas digitais e combater a desinformação”, opina Orlando.
Por fim, ao avaliar a conjuntura política brasileira, o convidado analisa a relação histórica entre o PCdoB e o PT, em face de avaliações que imputam ao Partido dos Trabalhadores um excesso de realismo político no trato com outros partidos. No que concerne às federações partidárias, o Deputado afirma que, na sua opinião, a experiência da federação, a dinâmica que poderá ser criada com esse sistema, fará que, em pouco tempo, tenhamos uma esquerda federada ainda mais ampla, com um programa nítido, algo que seria muito importante para a disputa pela construção de um projeto nacional. O ex-Ministro revela, ademais, sua opinião a respeito da chapa Lula-Alckmin e quais são os seus projetos pessoais para as eleições de 2022.
Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.