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  • T2E16 | Perturbação Obsessivo-Compulsiva: Porque Enfrentar Medos Ajuda

    Neste episódio, exploramos um estudo científico que analisou os mecanismos psicológicos responsáveis pela eficácia da Exposição com Prevenção de Resposta (ERP) no tratamento da Perturbação Obsessiva-Compulsiva (POC). Com base numa amostra de 110 pacientes, os investigadores procuraram perceber se a melhoria clínica resulta sobretudo da habituação — a diminuição natural do medo ao longo da sessão — ou da violação de expetativas, isto é, a discrepância entre o pior cenário antecipado pelo paciente e o que realmente acontece.

    Os resultados revelam uma conclusão fundamental: ambos os processos são relevantes, mas atuam de forma independente. A habituação observada na primeira sessão previu uma redução percentual significativa dos sintomas, enquanto a violação de expetativas foi determinante para que os pacientes atingissem a remissão clínica. De forma particularmente interessante, a experiência vivida na primeira sessão de exposição destacou-se como o preditor mais forte do sucesso terapêutico a curto prazo.

    Ao longo da conversa, refletimos sobre as implicações práticas destes achados para terapeutas e pacientes, sublinhando a importância de permitir que o medo diminua naturalmente, mas também de criar experiências corretivas que desafiem crenças catastróficas. Um episódio essencial para compreender como a ERP funciona na prática e como pequenos momentos terapêuticos podem ter um impacto decisivo na recuperação.


    Referência Bibliográfica:

    Elsner, B., Jacobi, T., Kischkel, E., Schulze, D., & Reuter, B. (2022). Mechanisms of exposure and response prevention in obsessive-compulsive disorder: effects of habituation and expectancy violation on short-term outcome in cognitive behavioral therapy. BMC Psychiatry, 22.

    29 min
  • T2E15 | Entre o Medo e a Mente: Compreender a Perturbação de Pânico e a Agorafobia à Luz do Modelo Cognitivo-Comportamental

    Neste episódio, mergulhamos na natureza clínica da Perturbação de Pânico e da Agorafobia. Ao longo da conversa, exploramos os critérios de diagnóstico que distinguem um ataque de pânico isolado de uma perturbação crónica, esclarecendo como a recorrência e o medo persistente de novos episódios transformam uma experiência pontual numa condição clínica estruturada.

    O episódio destaca o papel central da interpretação catastrófica das sensações corporais — como palpitações, tonturas ou falta de ar — explicando como estas leituras distorcidas alimentam um ciclo vicioso de ansiedade antecipatória e evitamento. Com base no modelo cognitivo-comportamental, analisamos os mecanismos psicológicos subjacentes e a forma como crenças disfuncionais contribuem para a manutenção do problema.

    São ainda apresentados métodos de avaliação rigorosos e protocolos de intervenção baseados na evidência, com especial enfoque na reestruturação cognitiva e na exposição interoceptiva. Discutimos como estas estratégias promovem a habituação terapêutica e ajudam a desconstruir padrões de pensamento desadaptativos, permitindo uma recuperação progressiva e sustentada.

    Em suma, este episódio funciona como um guia técnico e acessível para compreender a manifestação clínica da Perturbação de Pânico e da Agorafobia, oferecendo uma visão clara sobre os caminhos terapêuticos disponíveis e a importância de uma intervenção estruturada.


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    YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCZPWdJ9gGWLo0kFiU5UUsXA

    14 min
  • T3E09 | O mito do fosso geracional digital (Geração Z)

    Neste episódio, exploramos como a disrupção digital molda as atitudes da Geração Z, comparando os “nativos digitais” com gerações anteriores. A investigação destaca a diferença entre meios de comunicação digitais, que fornecem informação factual, e redes sociais, que exercem pressão normativa através da interação entre pares. Os resultados mostram que, embora a Geração Z seja mais sensível às mensagens digitais, a influência das redes sociais atravessa todas as idades, mostrando como a prática constante em ambientes virtuais tende a uniformizar comportamentos. Discutimos as implicações destes achados para empresas, gestores e estratégias de comunicação na era digital.


    Referência:

    Chang, Chin-Wen & Chang, Sheng-Hsiung. (2023). The Impact of Digital Disruption: Influences of Digital Media and Social Networks on Forming Digital Natives’ Attitude. SAGE Open. 13. 10.1177/21582440231191741.

    Ver podcast: PsyAI

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    14 min
  • T3E08 | Uso Problemático da Internet (UPI)

    Neste episódio, exploramos a relação entre desregulação emocional e uso problemático da Internet em adolescentes e jovens adultos. A partir de uma revisão de literatura com participantes entre os 13 e os 25 anos, analisamos como o consumo excessivo de tecnologia pode funcionar como uma estratégia de coping desadaptativa — uma forma de lidar com emoções difíceis quando faltam competências de regulação emocional. Discutimos fatores de risco como a ausência de suporte social e relações familiares frágeis, bem como fatores protetores, incluindo capacidades metacognitivas. Abordamos ainda diferenças de género na vulnerabilidade ao comportamento online compulsivo e refletimos sobre implicações práticas para prevenção e intervenção terapêutica centrada no treino emocional. Um episódio essencial para compreender os desafios psicológicos da juventude na era digital.

    Referência: Gioia F, Rega V, Boursier V. Problematic Internet Use and Emotional Dysregulation Among Young People: A Literature Review. Clin Neuropsychiatry. 2021 Feb;18(1):41-54. doi: 10.36131/cnfioritieditore20210104. PMID: 34909019; PMCID: PMC8629046.
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    17 min
  • T3E07 | Esvaziar a mente para largar o telemóvel. Meditação e Dependência de Smartphone em Adolescentes (Choi et al., 2020)

    Neste episódio, exploramos um estudo científico que investigou o impacto da meditação de subtração da mente na dependência de smartphone e no bem-estar psicológico de adolescentes na Coreia do Sul. Ao longo de um programa escolar de 12 semanas, jovens que praticaram esta técnica apresentaram menos sintomas de abstinência digital e menor interferência do telemóvel no quotidiano. Falamos sobre como a meditação pode fortalecer o autocontrolo, promover estratégias de coping mais saudáveis e ajudar adolescentes a substituir impulsos imediatos por escolhas mais conscientes. Discutimos ainda o potencial de integrar práticas contemplativas no currículo escolar como forma preventiva de enfrentar as pressões psicossociais e comportamentos aditivos na era digital.

    Referência:
    Choi EH, Chun MY, Lee I, Yoo YG, Kim MJ. The Effect of Mind Subtraction Meditation Intervention on Smartphone Addiction and the Psychological Wellbeing among Adolescents. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020;17(9):3263. https://doi.org/10.3390/ijerph17093263

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    22 min
  • T3E06 | Como a vinculação precoce molda o adulto

    Neste episódio, exploramos o célebre Estudo de Minnesota, uma investigação longitudinal de três décadas liderada por Alan Sroufe e colegas, que demonstrou como a qualidade da vinculação na infância atua como um alicerce organizador do desenvolvimento humano até à idade adulta.

    A partir de uma perspetiva do desenvolvimento ao longo da vida, o estudo mostra que as primeiras relações com cuidadores não determinam rigidamente o destino psicológico, mas estabelecem trajetórias probabilísticas que influenciam a forma como o indivíduo regula emoções, constrói relações e responde a desafios futuros. O desenvolvimento é descrito como um processo transacional e não linear, no qual experiências precoces moldam padrões de adaptação que se reorganizam em cada etapa.

    O modelo hierárquico proposto pelos autores sugere que a continuidade da personalidade não se encontra em comportamentos idênticos ao longo do tempo, mas na coerência da organização comportamental perante tarefas evolutivas sucessivas. Assim, padrões precoces de adaptação tendem a manifestar-se de formas diferentes, mas funcionalmente consistentes, na infância, adolescência e vida adulta.

    Principais implicações destacadas:

    • Vinculação segura → base para competência social, autorregulação emocional e resiliência ao longo da vida.

    • Vinculação desorganizada → forte preditor de psicopatologia, dificuldades relacionais e problemas de adaptação.

    • Continuidade desenvolvimental → estabilidade baseada na organização interna, não em comportamentos fixos.

    • Mudança possível → novas experiências podem alterar trajetórias, embora padrões iniciais tenham peso estrutural.

    Neste episódio, discutimos como o Estudo de Minnesota reformulou a compreensão da personalidade e da psicopatologia, mostrando que o desenvolvimento humano é simultaneamente aberto à mudança e profundamente enraizado nas primeiras relações — uma visão essencial para a psicologia do desenvolvimento, a clínica e a prevenção.


    Sroufe, L. Alan. (2005). Attachment and development: A prospective, longitudinal study from birth to adulthood. Attachment & human development. 7. 349-67. 10.1080/14616730500365928.

    16 min
  • T3E05 | O lado sombrio da identidade segundo Erikson

    Neste episódio, exploramos uma introdução teórica que assinala o cinquentenário da obra de Erikson, "Identity: Youth and Crisis. O texto propõe revitalizar aspetos da teoria da identidade que foram progressivamente simplificados ou negligenciados pela psicologia académica contemporânea.

    Os autores defendem que a investigação recente reduziu a complexidade da teoria de Erikson a modelos individualistas e lineares, ignorando dimensões centrais como o contexto cultural, as relações sociais e a história coletiva. Em resposta, o artigo convida a um retorno à visão mais ampla de Erikson, que entende a identidade como um processo psicossocial, dinâmico e profundamente enraizado na cultura e na estrutura social.

    Entre os temas discutidos estão:

    • Identidade na era digital – o impacto das redes sociais na construção e performance identitária.

    • Marginalização e opressão – como desigualdades sociais moldam trajetórias de identidade.

    • Pseudoespeciação e identidade negativa – conceitos eriksonianos pouco explorados que ajudam a compreender polarização, exclusão e conflito intergrupal.

    • Dimensão inconsciente e intergeracional – a identidade como processo que atravessa gerações e sistemas simbólicos.

    Este episódio reflete sobre como atualizar a teoria de Erikson para o século XXI, propondo uma agenda de investigação e prática que reconheça a identidade como um fenómeno relacional, cultural e histórico — essencial para compreender juventudes em contextos de mudança social acelerada.


    Schachter, E. P., & Galliher, R. V. (2018). Fifty years since “identity: Youth and crisis”: A renewed look at erikson’s writings on identity. Identity: An International Journal of Theory and Research, 18(4), 247–250. https://doi.org/10.1080/15283488.2018.1529267

    14 min
  • T3E04 | Adolescência é negociação e não guerra

    Neste episódio, exploramos como as relações entre pais e filhos continuam a moldar profundamente as amizades e o mundo social dos adolescentes. A partir da análise de Brown e Bakken (2011), desmontamos a antiga ideia de que a influência familiar e a dos pares competem entre si, mostrando antes como se entrelaçam ao longo do desenvolvimento.

    Discutimos o papel da monitorização parental, revelando que o conhecimento que os pais têm da vida dos filhos depende muitas vezes da autorrevelação voluntária dos próprios adolescentes — e não apenas de vigilância ou controlo direto. Abordamos também como os estilos de vinculação e a forma como os pais orientam ou gerem as amizades contribuem para o ajustamento psicológico e o comportamento social dos jovens.

    Ao longo da conversa, refletimos sobre a necessidade de uma perspetiva mais dinâmica e recíproca da adolescência, que reconheça a diversidade cultural e a influência mútua entre contextos familiares e sociais. Um episódio que convida a repensar o papel da família na construção das relações entre pares.


    Brown, B. B., & Bakken, J. P. (2011). Parenting and peer relationships: Reinvigorating research on family–peer linkages in adolescence. Journal of Research on Adolescence, 21(1), 153–165. https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010.00720.x

    16 min
  • T3E03 | Adolescência: Os Cinco C´s do Potencial Adolescente.

    Neste episódio analisamos a mudança paradigmática na forma como a adolescência é compreendida, passando de modelos centrados no défice e na patologia para a abordagem do Desenvolvimento Positivo da Juventude (DPJ). A discussão baseia-se em modelos de sistemas evolutivos relacionais que destacam a plasticidade humana e a influência mútua entre o indivíduo e os seus contextos sociais e ecológicos.

    Exploramos os principais fundamentos teóricos da área, bem como as evidências empíricas que sustentam intervenções orientadas para o fortalecimento de recursos pessoais e comunitários. Um dos focos centrais é o modelo dos “Cinco Cs” — Competência, Confiança, Conexão, Carácter e Cuidado — e o seu papel na promoção do bem-estar e do florescimento juvenil.


    Mais informação: https://www.researchgate.net/publication/292780943_Positive_Youth_Development_Processes_Programs_and_Problematics


    16 min
  • T3E02 | A Adolescência é Mudança e não a Crise!

    Neste episódio exploramos uma nova forma de compreender a adolescência, afastando-nos da visão tradicional que a retrata como um período inevitável de crise e instabilidade emocional. A partir de uma análise académica rigorosa, discutimos a evolução histórica do conceito de adolescência e confrontamos teorias clássicas com perspetivas contemporâneas da sociologia e da psicologia do desenvolvimento.

    Ao longo da conversa, abordamos como as transformações cognitivas, biológicas e sociais influenciam a construção da identidade juvenil e a forma como os jovens se posicionam perante a sociedade. Em vez de enfatizar apenas os riscos e dificuldades, o episódio propõe uma leitura mais equilibrada e humanizada, destacando a capacidade de adaptação, resiliência e o potencial de crescimento característicos desta fase da vida.

    14 min

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