Rasgaí

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By Programa de Pós-Graduação em Demografia | UFRNScience
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Rasgaí episodes

  • #31 | Situação dos migrantes e refugiados nos países da América do Sul durante a pandemia | Gisela Zapata

    No episódio #31 do Rasgaí nossa convidada é a Gisela Zapata. Ela é professora do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais e integra um grupo de pesquisa (CAMINAR) que foi criado em 2020 para estudar os impactos da pandemia da Covid-19 na dinâmica da mobilidade populacional e no bem-estar das populações migrantes, deslocados e refugiados. A conversa neste episódio se concentrou no artigo de autoria de Gisela e Victoria Prieto Rosas no Bulletin of Latin America Research que fez uma análise comparativa da situação desses grupos populacionais em 6 países da américa do sul.

    É considerado um movimento migratório todo deslocamento voluntário de residência habitual quando o mesmo ocorre entre diferentes limites político-administrativos. Entretanto, há movimentos populacionais que não são voluntários. O deslocamento forçado praticamente dobrou na última década. Segundo os dados mais recentes da Agência da ONU para refugiados (o ACNUR), 1% da humanidade foi afetada por esse tipo de situação, sendo que 40% dessas milhares de pessoas são crianças. O ACNUR mantém um monitoramento do número de refugiados, deslocados internos, retornados, solicitantes de refúgio e pessoas apátridas.

    Não bastasse ser um grupo populacional invisível para a maior parte da sociedade, muitas vezes também são invisíveis ao Estado. Agora, imagine passar por uma pandemia nessa condição? Somando-se à uma parte expressiva da sociedade que tbm é invisível, mas além disso, fora do seu contexto social, cultural e familiar. Se as desigualdades sociais já condicionam formas de enfrentamento diferentes da pandemia de uma forma geral, imagine passar por isso numa situação de refugio ou de deslocamento forçado. Se o acesso à saúde já é diferenciado por camadas sociais, imagine para o migrante que tem dificuldades culturais, sociais, de idioma e ainda sendo discriminado num país diferente do seu. Enfim, vale a pena saber mais sobre esse tema.

    23 min
  • #30 | Dispersão e fragmentação urbana com dados da grade estatística de população | José Diego Alves e Alvaro D'Antona

    As questões urbanas no Brasil sempre foram alvo de intenso debate. Sobretudo a partir da metade do século 20, quando o país experimentou um importante fluxo de movimentos migratórios das áreas rurais para áreas urbanas. O que foi chamado por muitos autores como êxodo rural, moldou um padrão de urbanização excludente e associado a um processo de marginalização da população. Com isso, estigmatizou-se o papel do migrante no contexto desse processo de transição para uma sociedade urbana. Do ponto de vista da estrutura urbana e da dinâmica populacional, portanto, entender as idiossincrasias e características das cidades e regiões urbanizadas no Brasil é fundamental para compreender a sociedade. Mas com a diminuição do ímpeto da migração rural-urbana e a redução do ritmo de crescimento populacional, como está o processo de urbanização contemporâneo? Como as cidades médias e pequenas se encaixam nesse contexto?

    No episódio 30 do Rasgaí, conversamos com José Diego Gobbo Alves e Alvaro D’Antona. O José Diego é geógrafo e doutorando em Ambiente e Sociedade na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Álvaro é economista, antropólogo e demógrafo, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp e está vinculado aos programas de pós-graduação em Demografia e no mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Falamos sobre o artigo que eles publicaram na Revista Brasileira de Cartografia em 2020 com o título: “Dispersão e fragmentação urbana: uma análise espacial com base na distribuição da população”. O texto apresentou uma metodologia baseada em métricas da distribuição espacial da população em uma grade estatística regular a partir dos dados do Censo Demográfico, potencializando o uso de dados demográficos de acesso público e gratuitos para o estudo dos processos contemporâneos da urbanização.

    É possível saber mais sobre o tema também no e-book gratuito "Dispersão Urbana e Mobilidade Populacional: implicações para o planejamento urbano e regional".

    19 min
  • #29 | População idosa e a Covid-19 em países da América Latina | José Vilton Costa

    No final de maio de 2021 foi divulgado que o Brasil sediaria emergencialmente a Copa América deste ano. A competição estava prevista para ocorrer pela primeira vez com dois países sede: Colômbia e Argentina. Entretanto, a Colômbia cancelou sua participação por conta da onda de protestos e tensão social e, logo em seguida, a Argentina também comunicou sua decisão de não sediar a competição por conta da evolução da pandemia. A América do Sul é a região mais afetada pela pandemia atualmente e os países do cone sul, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai lideram o número de casos por milhão de habitantes. Mas que aspectos sociais, políticos e demográficos estão relacionados à essa situação na região? Como foi o enfrentamento da pandemia em países da América do Sul? Particularmente entre os idosos, grupo mais vulnerável, como evoluiu a pandemia nesses países?

    Para entender algumas das questões sobre a evolução da pandemia na região, o episódio# 29 do Rasgaí conversou com o docente do programa de pós-graduação em demografia da UFRN, o estatístico e demógrafo, José Vilton Costa. Ele publicou juntamente com pesquisadores de diversos países (entre eles também o docente do PPGDem Flavio Henrique Freire) um artigo na Revista Latinoamericana de População (Relap). O artigo “Las personas mayores frente al COVID-19: tendencias demográficas y acciones políticas” foi publicado em abril de 2021, mas se baseou em dados da pandemia do início do segundo semestre de 2020 para analisar e comparar a Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Ecuador, México y Uruguay. Também foram utilizados dados da Espanha neste mesmo período, o que serviu de parâmetro importante para as comparações. O artigo teve como objetivo analisar a tendência de casos e óbitos confirmados por Covid-19 na região com particular atenção aos grupos idosos (que em espanhol são as “personas mayores” contidas no título do artigo). O artigo se baseou em uma análise de tendências demográficas e das ações políticas implementadas nos países.

    19 min
  • #28 | Avaliação da Pós-Graduação: quais itens impactaram na quadrienal 2013-2016 | César Augusto Marques

    O episódio #28 do Rasgaí conversou com o professor e pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), o demógrafo Cesar Augusto Marques. Ele desenvolveu, junto a outras pesquisadoras, um estudo (acesse aqui) analisando os dados do ciclo de avaliação de 2013 a 2016 da pós-graduação brasileira. É importante ressaltar que os critérios de avaliação usados no ciclo 2013-2016 são substancialmente diferentes do atual, que avaliará o ciclo 2017-2020. Entre outras mudanças, por exemplo, a ficha que avaliava antes 5 dimensões, agora será baseada em 3 dimensões e os critérios buscam tornar a avaliação mais qualitativa na direção de valorizar os impactos e contribuições da produção científica dos programas de pós-graduação. Mesmo assim, é importante entender os processos passados para analisar o atual e o futuro.

    A história da pós-graduação no Brasil remete à primeira metade do século 20. Um marco fundamental para sua institucionalização e organização foi a criação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 1951, através do decreto nº 29.741, de 11 de julho 1951. O mesmo decreto estipulou um prazo para que a Comissão apontasse o formato da estrutura organizacional da entidade, deixando claro que a autonomia burocrática da agência foi um princípio original e que, em grande medida, confere até hoje o seu prestígio enquanto instituição de estado. Em 1965, o Parecer 977 de Newton Sucupira institucionaliza a conceituação que fundamentaria a pós-graduação brasileira. Com isso, institui-se as práticas e processos uniformizados para o que seria ratificado no Plano Nacional de Pós-Graduação na década de 70 e a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Pós-Graduação, em 1976.

    Hoje o sistema de pós-graduação está organizado em 49 áreas de avaliação que se organizam dentro dos colégios de "Ciências da Vida", "Humanidades" e "Ciências exatas, tecnológica e multidisciplinar". Segundo a pesquisa desenvolvida por Cesar e colegas, os  resultados  do  último  processo  avaliativo  indicaram  que  o crescimento no número de cursos foi acompanhado pela manutenção da qualidade. 63,8% tiveram   suas   notas   mantidas,   27,9% aumentaram as notas e apenas 8,3% apresentaram queda. Os itens que mais tiveram impacto nas variações de nota foram "Produção Intelectual" e "Corpo Discente, Teses e Dissertações". No ciclo avaliativo 2013-2016, a dimensão de "Inserção Social" teve pouca interação com as alterações de nota e, portanto, justifica-se as mudanças em relação ao ciclo avaliativo 2017-2020. Além disso, o artigo destaca algumas diferenças em cada um das áreas/colégios. Enfim, confira o episódio #28 e acesse o artigo completo para obter mais detalhes.

    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

    Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western

    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    Beauty Flow by Kevin MacLeod

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    License: https://filmmusic.io/standard-license

    21 min
  • #27 | Entendendo as desigualdades: o Observatório das Desigualdades da UFRN | Mariana Mazzinni

    A desigualdade é um conceito complexo e deve ser entendido a partir das suas diversas manifestações e a partir de uma perspectiva interdisciplinar. Em uma sociedade como a nossa, marcada por inúmeros processos históricos que conduziram para ampliação de desigualdades, compreendê-las é mais relevante ainda. Não há sociedade justa sem que as desigualdades sejam enfrentadas e isso passa por um desafio coletivo e constante. Assim, todos os esforços precisam ser empreendidos e, principalmente, divulgados. O episódio 27 do Rasgai conversou com Mariana Mazzini, docente do Departamento de Administração Pública e Gestão Social que coordena o Observatório das Desigualdades da UFRN. Trata-se de uma iniciativa da qual o PPGDem faz parte e que busca compreender, analisar e produzir conhecimento a partir de uma perspectiva integrada, interdisciplinar e participativa as desigualdades brasileiras.

    Apesar dos desafios orçamentários que passam a universidade pública brasileira, são inúmeras as contribuições que ficaram mais evidentes ainda nesse período de pandemia. A integração entre ensino, pesquisa e extensão é fundamental para que as atribuições das universidades públicas sejam compreendidas em toda a sua amplitude. São cíclicos os momentos em que a universidade passa por momentos difíceis e temos certeza que superaremos mais esse, pois mesmo nesse contexto abundam iniciativas colaborativas, interinstitucionais e com grande retorno social.

    Site: https://ccsa.ufrn.br/portal/?page_id=11940

    Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCo0ft6UR_R-gdNydeR_ZtLw

    Facebook: https://www.facebook.com/observadesigualdades

    Instagram: https://www.instagram.com/observadesigualdades

    Inscrições e mais informações concurso de podcast: https://www.even3.com.br/concursopodcast2021/ (inscrições) https://www.youtube.com/watch?v=Z0zmh86tGgA&list=PLhkrFd57-VQCupNMgLn0YmoO211TzEXHo&index=6

    Inscrições 2a edição do Conversatório Descomplicando Gênero Link para inscrição: https://bityli.com/conversatorio Para saber mais: [email protected]

    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

    Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western

    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    Beauty Flow by Kevin MacLeod

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    22 min
  • #26 | Quem são os estudantes internacionais no Brasil? | Karenine Lago

    No episódio #26 do Rasgaí conversamos com a Karenine Oliveira Lago que é graduada em turismo e mestre em demografia pelo Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN. Ela defendeu em 2020 a dissertação: “Migração internacional com fins de estudo: uma análise contextual do perfil dos estudantes estrangeiros no Brasil no período recente”, sob orientação do docente Wilson Fusco. A migração é a mais complexa das componentes da dinâmica demográfica, pois diferentemente da natalidade e da mortalidade, não tem uma definição única. Depende do recorte espacial privilegiado na análise (por exemplo, se é entre municípios, entre estados, entre países). Assim, em um estudo podemos considerar migrantes aqueles que mudam de um município para outro, mas em outro, desconsideramos esses movimentos, pois nos interessa apenas aqueles que saíram de um país para outro. É também um componente que responde rapidamente ao contexto social e econômico e, se comparado à natalidade e mortalidade, pode mudar de direção e intensidade em um curtíssimo período de tempo. Assim, está também muito sujeito à diretrizes políticas. Como é o caso das políticas de intercâmbio internacional estudantil.

    Há quem possa considerar que essa mobilidade não possa ser considerada migração no seu sentido mais restrito, pois haveria uma mudança de local de residência temporária durante o período de realização dos estudos. Entretanto, são fluxos de movimentos de pessoas que constituem redes de importantes aspectos sociais, econômicos e geopolíticos, principalmente quando considerados os fluxos internacionais. Assim, entender essa mobilidade motivada por estudo é uma agenda relevante para pensar a posição do país no contexto internacional. Conforme a pesquisa de Karenine, a China era o terceiro país no ranking de receptores de estudantes internacionais em 2019, mas não figurava entre os 10 principais destinos no início dos anos 2000. Houve uma política intencional de atração de pesquisadores e estudantes que vem mudando as direções e a posição estratégica do país no cenário global também em termos educacionais.

    No Brasil, em 2018, o Censo da Educação Superior registrava uma participação muito pequena (0,2%) de estudantes estrangeiros lotados em Instituições de Ensino Superior. 44% deles são provenientes das Américas, com maior incidência nos países da América do Sul. 28% são provenientes dos países da África, com destaque para Angola e Guiné-Bissau. Quando são considerados apenas os estudantes convênio PEC-G, a predominância é de estudantes dos países Africanos (58%). O programa convênio PEC-G é uma forma de ingresso de estudantes estrangeiros em que as inscrições são feitas nas representações diplomáticas brasileiras no país de origem do candidato - países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordo educacional visando à formação de recursos humanos. Outras políticas também induziram a atração de estudantes para estrangeiros para o Brasil como, por exemplo, a criação da UNILA e UNILAB. Entretanto, segundo o estudo de Karenine, o país ainda está longe de ser um destino importante para estudantes internacionais.

    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

    Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western

    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    Beauty Flow by Kevin MacLeod

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    19 min
  • #25 | Na América Latina as mulheres têm mais ou menos filhos do que desejam? | Angelita Alves de Carvalho

    No imaginário da sociedade, há uma ideia de que a quantidade de nascimentos da população ainda é muito alta e que seria necessário medidas de controle da natalidade para evitar problemas sociais, econômicos e ambientais. Essa ideia é antiga e, em grande medida, está apoiada no argumento de Thomas Malthus que, na virada do século 18 para o 19, propôs uma teoria de população onde a população cresceria em progressão geométrica e a capacidade de produzir alimentos, numa progressão aritmética. Baseado nesse argumento, se não controlássemos o crescimento da população, não haveria futuro possível para o mundo. O que Malthus não previu foi que teríamos avanços tecnológicos para um ganho de produtividade da produção de alimentos e, principalmente, que haveria um processo de transição demográfica. Ou seja, a passagem de altas taxas de mortalidade e natalidade para um segundo momento, com baixas taxas de mortalidade e natalidade. Sendo que no interstício entre esses dois momentos, quando a mortalidade cai primeiro e a natalidade se mantém elevada, haveria um período de crescimento populacional mais intenso. Enfim, existem diversas discussões importantes sobre esse tema e que, com certeza, voltarão a ser discutidos aqui no nosso podcast. Mas considerada essa transição demográfica, uma das perguntas importantes é saber se as mulheres têm tantos filhos quanto desejam?

    O episódio #25 do Rasgaí conversou com a pesquisadora e docente da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), Angelita Alves de Carvalho. Ela falou conosco sobre o déficit de fecundidade na América Latina. Entre a década de 1960 e os dias atuais, o número médio de filhos por mulher na região passou de cerca de 6 para menos de 2. Uma queda na fecundidade muito importante em um curto período de tempo se comparado à outras regiões do mundo (aproximadamente metade do tempo que o mesmo processo na Europa, por exemplo). Essa discussão foi feita no artigo “Panorama del déficit de fecundidad en América Latina a partir de dos indicadores”, publicado na revista Notas de Población, em 2020.

    Os resultados mostram que existe um déficit da fecundidade na região, ou seja, as mulheres têm menos filhos do que desejam. E isso acontece com maior intensidade em países onde o número médio de filhos por mulher (taxa de fecundidade total) é mais baixa e nos países onde há maiores desigualdades de gênero. O estudo comparou 14 países latinoamericanos que dispunham de pesquisas nacionais com quesitos que perguntavam para as mulheres em idade reprodutiva sobre a sua intenção de ter filhos no futuro e a sua percepção sobre o número ideal de filhos. A partir dessas informações foram construídos dois indicadores para comparar os países em termos do que seria o deficit. Ou seja, a combinação da análise dos dois indicadores, levando em conta a diferença entre o ideal/planejado pelas mulheres e o efetivo número de filhos que as mulheres em idade reprodutiva têm.

    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

    Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western

    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    Electro (Sketch) by Kevin MacLeod

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    18 min
  • #24 | A pandemia em Perspectiva Regional: diálogo entre ciência e comunicação | Paiva Rebouças

    No episódio #24 do Rasgaí falamos sobre um projeto de extensão do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN. Como resultado deste projeto, concorremos e somos selecionados (no final de 2020) ao edital de publicações de e-books da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN) em parceria com a Fundação Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O livro reúne 61 textos que foram publicados no âmbito do projeto “Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica (ONAS)” que, desde 2020, vem desenvolvendo uma série de análises sociodemográficas dentro do contexto da pandemia da Covid-19 com especial atenção aos dados relativos à região Nordeste e o Rio Grande do Norte.

    O projeto não teria atingido sucesso se não tivesse contado com o apoio da Agência de Comunicação da UFRN que desde o início apoiou o projeto. Essa parceria foi fundamental para que nosso projeto também pudesse melhorar na direção deste formato de produção textual e o principal interlocutor foi o jornalista Paiva Rebouças, diretor da AGECOM, que falou conosco sobre essa parceria e deu seu depoimento sobre a importância da comunicação científica e o estreitamento da interlocução de cientistas e jornalistas.

    A grande maioria dos textos publicados no livro “A pandemia em Perspectiva Regional: Produções do Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19”, organizado por Marcos Gonzaga, Luciana Lima e Ricardo Ojima, tratam de temas e preocupações regionais. No âmbito do projeto, foram mais do que os 61 textos que selecionamos no e-book e eles podem ser acessados no nosso blog. O livro está organizado em 7 partes, que trataram dos temas: distanciamento social, Infraestrutura e Serviços de Saúde, saúde e mortalidade, qualidade dos dados e informações, Emprego e renda, Educação e Violência. Perpassaram esses temas, discussões de gênero, desigualdade social, pobreza, entre outros. Foram trabalhos coletivos, envolvendo professores e alunos do programa de pós-graduação em demografia, mas também envolveu e reuniu pesquisadores de outros grupos de pesquisa, pós-graduação e instituições no Brasil e fora dele.

    Entre os resultados que obtivemos com a criação do ONAS foi uma importante repercussão das nossas análises na imprensa local e regional. Foram mais de 100 reproduções de caráter jornalístico que se basearam nas nossas análises e, dentre elas, mais de 50 entradas em telejornais (reveja na playlist do Youtube) onde os pesquisadores comentaram os resultados e análises em reportagens e entrevistas. Nosso blog recebeu mais de 70 mil visualizações após o início das publicações do ONAS e algumas das nossas análises apoiaram a discussão e tomada de decisão em políticas de enfrentamento à pandemia no estado do Rio Grande do Norte. O ONAS continua em 2021 buscando responder às preocupações sociais com análises de dados e evidências empíricas dentro dos temas que cercam os estudos de população. Fica o convite para quem ainda não passou pelos textos do ONAS no nosso blog e também acessar o e-book no link abaixo.

    Download do livro “A pandemia em Perspectiva Regional”


    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

    Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western

    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

    Electro (Sketch) by Kevin MacLeod

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    17 min
  • #23 | Inteligência artificial e demografia aplicadas à saúde materno-infantil | Luciana Correia Alves

    É muito provável que vc já tenha ouvido falar em Inteligência Artificial. Um filme dirigido por Steven Spielberg no ano de 2001 com o título "I.A. - Inteligência Artificial" narra os dramas e dilemas de um menino-robô que foi programado para aprender a amar. Há uma quantidade considerável de filmes que discutem o dilema de máquinas que tomam decisões sozinhas e colocam os humanos em situação delicada. Desde "2001 – Uma Odisséia no Espaço", a franquia "O Exterminador do Futuro" ou a trilogia "Matrix", robôs/máquinas que conseguem aprender povoam o imaginário coletivo. Mas saindo da esfera ficção científica, o aprendizado de máquina (como é chamado), é um campo de estudos que vem ganhando cada vez mais espaço. Não é necessariamente novo, mas em projetos de cooperação interdisciplinar, ganham aplicações cada vez mais relevantes. Não seria interessante utilizar a inteligência artificial a nosso favor para conseguir planejar políticas públicas mais eficientes? Como, por exemplo, reduzir a mortalidade infantil?

    No episódio de hoje, vamos conversar sobre inteligência artificial, aprendizado de máquina, demografia e mortalidade neonatal. Conversamos com a fisioterapeuta e demógrafa, Luciana Correia Alves. Ela é professora no programa de pós-graduação em demografia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, junto com colegas do Instituto Federal de São Paulo (campus Campinas), desenvolveram o "SaMI - Plataforma Inteligente Voltada à Saúde Materno Infantil". Trata-se de um resultado de projeto que conta com financiamento da Gates Foundation, CNPq e Ministério da Saúde. A iniciativa foi vencedora do desafio Grand Challenges Explorations - Brazil, da Fundação Bill & Melinda Gates, e teve como objetivo desenvolver uma plataforma de suporte à tomada de decisão para políticas públicas voltadas à saúde gestacional baseada em técnicas de visualização de informações e aprendizado de máquina.

    Acesse o artigo comentado por Luciana Alves

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    21 min
  • #22 | A Covid-19 e as desigualdades sociais e demográficas nas Regiões Metropolitanas | César Augusto Marques

    A pandemia da Covid-19 escancarou as desigualdades sociais. Trouxe à tona aspectos da nossa sociedade que muitas vezes passavam despercebidos sem um olhar mais atento. Naturalizada, essa desigualdade permanece latente na sociedade e, apesar de estudos científicos darem conta de suas diversas formas de expressão, nem sempre ela é entendida como uma variável importante para dimensionar e planejar políticas públicas. A desigualdade social pode ser medida através de diversos indicadores e um dos mais conhecidos é o índice de Gini. Esse índice foi desenvolvido pelo italiano Conrado Gini para sintetizar a medida de desigualdade em um grupo populacional. O indicador compara a diferença dos rendimentos dos mais pobres com os mais ricos nessa população e resume o resultado em um número que varia de zero a 1. Quanto mais próximo de zero, maior a igualdade. No ranking do Banco Mundial, o Brasil ocupa a nona posição entre as maiores desigualdades medidas pelo índice de Gini. Fica atrás de países como Suriname, Zambia e Moçambique.

    O episódio #22 do Rasgai conversa com o pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE). Cesar Augusto Marques é sociólogo e demógrafo e publicou junto com outros pesquisadores, o artigo “A desigualdade de renda e a pandemia de Covid-19 nas regiões metropolitanas do Brasil” no volume 78 da Revista Brasileira de Estatística. O estudo foi publicado em 2020 e reflete dados da evolução da pandemia nas Regiões Metropolitanas brasileiras na primeira onda, até meados de julho. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), Cesar contextualiza que, no Brasil, os 10% mais ricos do país concentraram 43,3% da renda total e 46,9 vezes mais que os 10% mais pobres. Contudo, os valores variam conforme as regiões do país, inclusive entre as áreas metropolitanas, relativamente mais urbanizadas e densas.

    Assim, Cesar Marques conversou conosco sobre os resultados da pesquisa que analisou em que medida a desigualdade existente em cada uma das Regiões Metropolitanas (RM) pode ter se relacionado com o comportamento da pandemia. O coeficiente de mortalidade (por 100 mil habitantes) apresentou correlação com a taxa de pobreza relativa e a existência de aglomerados subnormais nas RMs. Enquanto que o coeficiente de incidência (por 100 mil habitantes) foi correlacionado ao menor percentual de idosos e à elevada concentração de renda (considerando os 10% mais ricos em relação aos 10% mais pobres). Na sua análise, a pobreza e a desigualdade social são componentes importantes para entender o agravamento da pandemia no país. Diante da ausência de uma ação coordenada entre os entes federativos, as consequências se tornaram mais graves ainda, pois mecanismos de proteção social precisariam de um esforço articulado e de longo prazo para minimizar tamanhos desafios. Como salientado pelo Cesar, reduzir as desigualdades é um projeto de longo prazo e deve ser um esforço de Estado para tornar nossa sociedade mais resiliente a choques como este que vivemos e outros tantos que virão.

    Créditos da trilha sonora:

    Robo-Western by Kevin MacLeod

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    Electro (Sketch) by Kevin MacLeod

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    19 min

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O Rasgaí é um podcast que fala sobre ciência. O foco é nos estudos que tratam sobre demografia e população. Episódios curtos trazem discussões diretas e objetivas sobre essa área de conhecimento. O Rasgaí é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Demografia (@ppgdem) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Produtor/Editor: Ricardo Ojima (@ricardoojima).