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Com a pandemia da Covid-19 vemos diariamente nos telejornais e na internet discussões que envolvem o uso de dados e informações sobre a população. Fala-se de média móvel, porcentagem de casos confirmados pelo total da população, entre tantos outros dados. Enfim, são indicadores para entender como evolui a doença e as sua dinâmica. Mais recentemente, um dos indicadores que vem ganhando destaque é a proporção de pessoas vacinadas. Esse indicador seria o número de pessoas que já foram vacinadas em relação ao total de pessoas daquele país, estado ou município. Para saber o número de pessoas já vacinadas, bastaria fazer o registro bem feito. E é muito importante registrar algumas informações demográficas dessas pessoas, como por exemplo, a idade delas. Afinal, temos uma fila de prioridades e o grupo de prioridades mais importante em termos do número de pessoas são os grupos de idade de pessoas com mais de 60 anos. Mas como saber quantas pessoas acima de 60 anos existem em cada município se a última pesquisa que fez esse levantamento foi o Censo Demográfico em 2010? Para isso precisamos estimar a população a partir de projeções demográficas.
O episódio #21 do Rasgaí conversou com o estatístico e demógrafo Flavio Henrique Miranda de Araujo Freire. Ele é professor do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e, com uma equipe de pesquisadores, vem desenvolvendo estudos para obter melhores estimativas e projeções populacionais. A área de demografia possui um arsenal de metodologias para realizar projeções populacionais e um dos desafios é obter bons resultados quando o objetivo é realizar projeções e estimativas para municípios com populações menores e também quando se pretende desagregar a projeção para os grupos de idade da população. Flavio explica os motivos pelos quais existe um efeito que os pequenos números afetam boas projeções e comenta como os estudos que vêm desenvolvendo contribuem para reduzir tais problemas. Ou seja, quando busca-se ter projeções demográficas para a população do país, sem distinguir suas características (como idade e sexo, por exemplo), há relativa segurança nos resultados. Mas quando desagregamos para populações de municípios menores e buscamos saber, por exemplo, a quantidade de pessoas com mais de 60 anos, há maior erro nos resultados.
Assim, no episódio #21, explicamos um pouco como isso funciona e como se pode reduzir esses erros. Os resultados encontrados a partir dessa metodologia se encontra disponível para acesso público no site do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN (www.demografiaufrn.net), dentro do Laboratório de Estimativas e Projeções Populacionais (LEPP). Quem tiver interesse ou necessidade pode fazer o download dos dados gratuitamente com as projeções populacionais para cada um dos municípios brasileiros com informações separadas por sexo e grupos de idade ano a ano, até 2030.
Créditos da trilha sonora:
Robo-Western by Kevin MacLeod
Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4298-robo-western
License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Electro (Sketch) by Kevin MacLeod
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A conversa do episódio #20 do Rasgaí é com o geógrafo e demógrafo, Ricardo Dagnino, docente do campus Litoral da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele é o coordenador do Projeto SIG Litoral Norte que, desde 2018, vem desenvolvendo um importante trabalho de sistematizar informações populacionais, ambientais, sociais e econômicas, entre outras, em um sistema integrado que permita o acesso público destas informações. O recorte do projeto é para a região do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
Trata-se de uma iniciativa importante de integração de dados de características populacionais com outras informações, principalmente pelo fato dessas informações serem disponibilizadas de modo público e gratuito. A utilização dessas informações contribuiu para a gestão pública, uma vez que muitas vezes essas informações se encontram dispersas e sem um devido tratamento acabam sendo difíceis de serem incorporadas no planejamento. Destaca-se que, desde o início da pandemia da Covid-19 a equipe direcionou esforços para mapear e analisar a evolução socioespacial das informações epidemiológicas na região e no Rio Grande do Sul.
O acesso às informações públicas são fundamentais para o planejamento e desenho de políticas públicas mais eficazes. Sabemos que, muitas vezes, a grande dificuldade para planejamento e gestão municipal esbarra em limitações de recursos financeiros e de recursos humanos para desenvolver tais estudos. Assim, iniciativas como o Sig Litoral são de muita relevância e colocam em destaque o papel da Universidade Pública dentre tantas outras contribuições que são geradas por elas.
Créditos da trilha sonora:
Robo-Western by Kevin MacLeod
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Um dos aspectos mais perversos da desigualdade de gênero é o feminicídio. Mas o que é isso? O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher ou em decorrência de violência doméstica. Trata-se, portanto, a uma diferença na motivação do crime. Ou seja, quando a motivação desse homicídio está relacionado à violência sexual, o menosprezo pela condição feminina, uma discriminação de gênero, entre outros. O termo foi usado pela primeira vez em 1976 pela socióloga sul-africana Diana Russel em uma conferência em Bruxelas, sendo promulgada lei no Brasil em 2015 que a tipifica como crime hediondo e, portanto, com penas mais altas.
A despeito de avanços ao longo dos últimos anos, ainda há muito a ser feito. No Rio Grande do Norte, ao longo dos últimos dez anos, uma mulher foi vitima de morte violenta a cada 3 dias. No episódio #19 do Rasgaí, último de uma série especial de 4 episódios no mês de março, vamos conversar com a docente do programa de pós-graduação em demografia da UFRN, Karina Cardoso Meira. Ela comentou os resultados de um artigo que ela acaba de publicar na revista Cadernos de Saúde Pública em coautoria com outros pesquisadores. O artigo é intitulado “Efeitos temporais das estimativas de mortalidade corrigidas de homicídios femininos na Região Nordeste do Brasil” e clicando no link você pode acessar todas as informações dos autores.
Enfim, a perspectiva da violência contra a mulher é a mais grave e assertiva, mas como analisado pela pesquisa da Karina, é resultado perverso e cruel de um conjunto de aspectos negativos que afetam a vida das mulheres no nosso dia-a-dia. Precisamos romper com esse ciclo urgentemente. Finalizamos aqui nossa série de 4 episódios especiais sobre o dia internacional da mulher neste mês de março. Mas não se encerram aqui os episódios que discutirão aspectos da desigualdade de gênero a partir de uma abordagem da demografia e estudos populacionais.
Créditos da trilha sonora:
Robo-Western by Kevin MacLeod
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Nesse mês de março de 2021, os episódios do Rasgaí tratarão do tema: desigualdade de gênero em referência ao Dia Internacional da Mulher. Embora hoje as mulheres sejam maioria com acesso ao ensino superior no Brasil, o direito à educação formal é uma conquista relativamente recente. Os registros históricos datam do final do século 19 o ingresso das primeiras mulheres ao nível superior no Brasil, entretanto, ainda estava longe de ser um direito garantido. Foi só em meados de 1960 que começa a crescer a participação de mulheres no ensino superior. Até então, o avanço na educação formal foi reservado à formação no magistério. É interessante que fosse reservado dedicado às mulheres o espaço de ensinar crianças, mas que as mesmas não pudessem exercer outras ocupações. Se você ouviu os episódios #16 e #17 do Rasgaí, perceberá que isso tem grande relação com o fato de que o cuidado com crianças e idosos é culturalmente marcado como uma atividade feminina. Enfim, avançamos nessa agenda, mas apesar das mulheres serem maioria nos cursos superiores no Brasil hoje, ainda enfrentam desigualdades no mercado de trabalho formal e em outras esferas da vida.
No episódio #18 do Rasgaí, vamos conversar com a docente da Universidade Federal do Paraná: a economista e demógrafa, Raquel Guimarães. Ela conversou conosco sobre o artigo recentemente publicado por ela com colegas na Revista de Desenvolvimento Econômico onde se discutiu o viés de gênero no acesso e na intensidade do uso de internet na população em idade ativa brasileira. Para acessar o artigo completo, você pode clicar AQUI. O contexto da pandemia da covid-19 destacou a dependência cada vez maior da nossa sociedade no uso de ferramentas digitais e, principalmente, o acesso à internet. Desde o acesso aos aplicativos de celular para cadastro para acesso ao auxílio emergencial até o uso de internet para acesso à disponibilidade de vagas de emprego, o letramento digital é uma habilidade imprescindível nos dias de hoje. A pesquisa desenvolvida pela Raquel e colegas identificou que mulheres e homens não apresentam diferenciais significativos no acesso à internet. Entretanto, a intensidade do uso sim possui diferenciais importantes. Homens apresentam maior utilização da internet quando comparado com as mulheres, reproduzindo as desigualdades de acesso à informação. Além disso, reproduz-se a desigualdade do uso do tempo das mulheres e homens, como vimos nos episódios anteriores dessa série especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher.
Créditos da trilha sonora:
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Apesar da oficialização dessa data ter ocorrido em 1975 pela ONU, o dia 8 de março já era usado desde o início do século 20 para lembrar a luta das mulheres pela igualdade de gênero. A marca dessa data faz referência aos protestos das operárias russas em 1917 protestando contra a fome e a primeira guerra mundial. Entretanto, em 1909 uma grande passeata de mulheres ocorria em Nova York exigindo melhores condições de trabalho. No Brasil, em 1927, no Rio Grande do Norte, após mobilizações intensas ao longo dessa década lideradas pela pesquisadora Bertha Lutz, registrou-se a primeira mulher a ter direito a voto na América do Sul. Aos 29 anos de idade, a professora mossoroense Celina Guimarães Viana inaugura esse importante marco na conquista de direitos. Enfim, as reivindicações das mulheres datam de mais de um século. Avanços ocorreram, mas ainda há muito para refletir e conquistar
No episódio #17 do Rasgaí, conversamos com a atuária e demógrafa, Luana Myrrha, que é docente do programa de pós-graduação em demografia da UFRN. Luana falou conosco sobre resultados de seu projeto de pesquisa que investiga as condições de trabalho das empregadas domésticas no contexto da pandemia da Covid-19 no Brasil. Como discutimos no episódio #16, o cuidado com os afazeres domésticos é uma atribuição que recai predominantemente sobre as mulheres. E isso ocorre tanto no contexto da divisão do trabalho entre os membros do domicílio, como também quando esse trabalho é contratado. O tempo de trabalho doméstico não remunerado diminui entre as mulheres com maior renda, pois aumenta a possibilidade de contratação de serviços para essa substituição. Entretanto, a contratação desse serviço reproduz a desigualdade de gênero fazendo com que os serviços de trabalho doméstico sejam essencialmente femininos.
A pesquisa analisou, entre outros aspectos, as relações de trabalho das empregadas domésticas no contexto da pandemia da Covid-19. Entre os resultados da pesquisa, grande parte dos contratantes de trabalhador(a) doméstico(a) afastaram seu empregado(a) ou suspenderam o contrato durante o período para cumprir o distanciamento social. Mesmo entre as famílias que tiveram redução da sua renda, foi da ordem de 40% a proporção de casos onde isso ocorreu. Com a pandemia, o trabalho doméstico foi a segunda ocupação mais afetada no país. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE), 90% dos trabalhadores domésticos são mulheres e antes da pandemia eram cerca de 6,3 milhões. No final de 2020 esse volume caiu para 4,6 milhões. Uma redução de 27% que afeta a vida de um conjunto expressivo de famílias onde a renda do trabalho doméstico é predominante.
A pesquisa foi aplicada entre os dias 25 de maio e 06 de junho de 2020, portanto, refletem a conjuntura da pandemia desse período. Uma segunda rodada da coleta de dados em 2020 deve ocorrer no mês de abril e maio de 2021 e estará disponível no site do projeto DOMÉSTICAS UFRN. Acessando os dados do projeto é possível obter mais informações sobre a pesquisa, as publicações e os resultados da primeira rodada da pesquisa.
Créditos da trilha sonora:
Robo-Western by Kevin MacLeod
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Electro (Sketch) by Kevin MacLeod
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Nesse mês de março de 2021, os episódios do Rasgaí tratarão do tema "desigualdade de gênero" em referência ao Dia Internacional da Mulher. Formalizado pela ONU em 1975, o dia 8 de março simboliza mais do que um dia para homenagens, mas principalmente para trazer à tona reflexões sobre a luta histórica das mulheres em busca de menos injustiças e desigualdades de gênero. Assim, para contribuir com espaços de reflexão, os 4 episódios do Rasgaí no mês de março convidaram pesquisadoras que discutem o tema a partir de um olhar dos estudos de população e demografia.
Neste primeiro episódio da série especial vamos conversar com a docente do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN, Jordana Cristina de Jesus. Jordana é atuária e demógrafa e suas pesquisas recentes têm se concentrado em um aspecto da desigualdade de gênero que é pouco visível, mas que no contexto da pandemia da Covid-19 (sobretudo no seu início) acabou sendo mais visibilizado. Ela vai falar conosco sobre o trabalho doméstico não remunerado. Cuidar da casa, limpeza, arrumar a cama, cuidar das crianças, cuidar dos idosos, preparar as refeições, enfim, um sem número de atividades do dia-a-dia que consomem parte importante do tempo das pessoas e concorre com as atividades de trabalho remunerado.
É uma dimensão tão presente no cotidiano, mas muitas vezes não nos damos conta da sua importância. Sobretudo pelo fato de que essas atividades são predominantemente realizadas por mulheres. Mesmo quando elas também exercem atividades remuneradas fora do domicílio. E, em parte, tais desigualdades ainda afetam a carreira das mulheres no trabalho remunerado formal, pois servem de justificativas (mesmo que não verbais) para que elas não consigam promoções, salários e postos de trabalho superiores. Confira o episódio para entender um pouco mais sobre as motivações e consequências desse desequilíbrio nas relações de gênero.
Confira os outros episódios do Rasgaí no Spotify (bit.ly/rasgai), no Anchor (anchor.fm/rasgai) ou no agregador de podcast de sua preferência. Estamos disponíveis em mais de dez plataformas. Acompanhe outras pesquisas e informações sobre demografia e estudos de população no nosso blog ou nas redes sociais: www.demografiaufrn.net | www.facebook.com/ppgdem | www.twitter.com/ppgdem | www.instagram.com/ppgdem | www.youtube.com/demografiaufrn.
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O episodio #15 do Rasgaí conversou com o Ythalo Hugo da Silva Santos sobre os resultados da sua dissertação de mestrado no programa de pós-graduação em demografia da UFRN. O Ythalo é estatístico de formação e defendeu sua dissertação em dezembro de 2020 sob a orientação da docente do PPGDem, Luciana Lima, e co-orientação da docente Iloneide Ramos. O título do trabalho do Ythalo é “Lei de cotas no ensino superior: uma análise da permanência e desempenho da coorte de ingressantes em 2014 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O tema das cotas para o acesso ao ensino superior no Brasil sempre foi cercado de alguma controvérsia entre diversos setores da sociedade e se torna mais relevante este ano, pois a lei que a criou em 2012 prevê a necessidade de sua renovação pelo congresso após 10 anos. Sendo assim, até lá, será preciso entender os impactos sociais e resultados dessa política para subsidiar as discussões fundamentadas com evidências empíricas.
Há inúmeros trabalhos desenvolvidos sobre a temática e a pesquisa do Yhalo se soma a esse esforço para entender e esclarecer com dados os efeitos das políticas de ação afirmativa e de redução de desigualdades de acesso ao ensino superior no Brasil. O episódio #10 do Rasgai já havia abordado esse tema, com base em dados da pesquisa desenvolvido pelo demógrafo Kleber Oliveira na Universidade Federal do Sergipe. Esse e muitos outros convergem para resultados similares: não há diferenciais de desempenho dos alunos cotistas no contexto do seu percurso acadêmico após o ingresso. Assim, os efeitos positivos de inclusão social e redução de desigualdades, associado à ampliação de vagas, apontam para o fato de que os resultados são positivos. Como mencionado pelo Ythalo, os resultados obtidos na pesquisa contribuem, ainda, para o aprimoramento das políticas e estratégias para ampliar esses efeitos positivos.
Para acessar o material da pesquisa Trajetória de Cotistas, mencionado pela professora Luciana Lima no podcast, basta acessar este LINK. O livro “Reafirmando Direitos: trajetória de estudantes cotistas negros(as) no ensino superior brasileiro” apresenta uma coletânea de resultados de pesquisas realizadas no país analisando perfis, depoimentos e o impacto das cotas raciais no acesso ao ensino superior brasileiro.
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O episódio #14 do Rasgaí convidou o arquiteto-urbanista e demógrafo, Tiago Augusto da Cunha, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) para comentar as relações entre o programa "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV) e os movimentos migratórios. Ele utilizou diversas bases de dados, incluindo o cadastro de empreendimentos do programa habitacional brasileiro para entender quais são as conexões com a direção em que ocorrem as migrações. Como estudo de caso, ele analisou a região metropolitana ampliada de Belo Horizonte e mostrou que os empreendimentos vinculados ao MCMV acabaram reproduzindo uma lógica de periferização da população, reforçando as tendências já existentes de localizar empreendimentos habitacionais voltados à população de mais baixa renda para regiões distantes dos centros consolidados.
Ele comentou esses resultados com base em um artigo recém publicado na revista EURE (Revista Latinoamericana de Estudios Urbano Regionales). A revista é chilena e especializada em estudos urbanos e regionais e, desde 1971, publica trabalhos relacionados ao estudo do território em diversas dimensões e com abordagem interdisciplinar. O artigo “À sombra da periferização: possíveis diálogos entre o Programa “Minha Casa, Minha Vida” e a dinâmica migratória” contou com a autoria do Tiago e mais dois pesquisadores da UFV.
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O décimo terceiro episódio do Rasgaí conversou com a economista e demógrafa, Cristina Guimarães Rodrigues, para discutir sobre a sua experiência de trabalho fora de instituições de ensino e pesquisa. A demografia é uma área de conhecimento interdisciplinar, mas muito especializada, pois só possui formação em nível de pós-graduação. Em geral, nos cursos de graduação em economia, saúde, geografia, estatística ou ciências sociais, são oferecidas disciplinas que tratam de temas populacionais. Entretanto, os conceitos e técnicas mais amplos e detalhados são realizados em cursos de pós-graduação strito sensu (mestrado e doutorado). Por isso, grande parte da atuação do profissional demógrafo acaba sendo direcionado para ensino e pesquisa.
Por um lado, isso se deve à formação na pós-graduação strito sensu enfatizar a trajetória acadêmica e, por outro, pelo próprio mercado na iniciativa privada desconhecer o perfil e competências da formação em demografia. Nossa convidada concluiu seu doutorado em demografia há 10 anos e, desde então, tem atuado em diversos projetos na iniciativa privada e organizações não-governamentais onde habilidades da área de demografia foram demandadas: uma ciência social aplicada com habilidades quantitativas de dados populacionais. Ela comentou como foi sua trajetória, os projetos em que atuou e quais são os principais desafios para desbravar esse campo que é amplo, mas ao mesmo tempo desconhecido.
Esse episódio abre uma discussão sobre a necessidade de se ampliar a divulgação das áreas de atuação para uma pessoa com pós-graduação em demografia no mercado privado, como o jovem estudante que se interessa pela área pode e deve desbravar outros caminhos além da carreira de docência e de pesquisa e, ainda, a necessidade da própria área buscar uma maior popularização para que oportunidades novas sejam criadas. Como nossa convidada alerta, muitas vezes os contratantes precisam de uma expertise, mas não sabem que podem encontrá-la em um demógrafo. E quase sempre não sabem que existe um profissional com essa formação. Por fim, ela ainda destaca que a formação científica em si já é um diferencial: aprender a investigar fontes e dados confiáveis no contexto da Era da Informação não é tão trivial quanto parece e uma das habilidades desenvolvidas na pesquisa científica é explorar esses caminhos.
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As projeções mais recentes do IBGE confirmam o rápido processo de envelhecimento da população brasileira assinalando que em 2060 (daqui a apenas 40 anos), a proporção de pessoas com mais de 65 anos no Brasil corresponderá a um quarto da população total do país. Para se ter um padrão de comparação, hoje a população mais envelhecida no mundo é a do Japão (com 28%), seguida da Itália, com 23%. Conversamos com a atuária e demógrafa, Cristiane Silva Corrêa, docente do programa de pós-graduação em demografia e do departamento de demografia e ciências atuariais da UFRN. Ela comentou o capítulo de livro de sua autoria “Relações Intergeracionais no âmbito familiar: os perfis determinantes da qualidade da comunicação entre pais e filhos” que apresenta resultados de uma análise sobre a percepção da qualidade do cuidado afetivo dentro do amplo espectro de cuidados com o idoso.
Cristiane nos explica que na América Latina o cuidado com o idoso é predominantemente relacionado às redes familiares. Diante disso, a pesquisa investigou como a satisfação do idoso sobre sua qualidade de vida está relacionada à comunicação que este possui com sua rede de cuidados. Entre os resultados, Cristiane comenta que quanto maior o número de casamentos/uniões o idoso teve ao longo da sua vida, menor é o nível de satisfação e a frequência de comunicação relatada. Idosos que se casaram apenas uma vez tem 40% a mais de chance de se comunicar com seus familiares se comparado com aqueles que se casaram mais vezes. O livro “Desde la niñez a la vejez: Luchas, resistencias y actores emergentes”, organizado por Mariana Paredes e Lucia Monteiro, está disponível em acesso aberto e em formato digital para download. O livro foi editado pela CLACSO, que é o Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais no ano de 2019 e contém uma coletânea de 16 textos divididos em 3 seções.
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