Há dez anos, realizo desenhos à mão sobre papel, a partir de ilustrações ou fotografias previamente escolhidas. Com o tempo, os materiais tradicionais do desenho perderam espaço para outros mais "ordinários": carvão artesanal, pigmentos em pó, terra, prego, escova de aço, etc. Porém, o papel permaneceu. Durante a residência, pretendo explorar diferentes suportes, igualmente "ordinários", substituindo a pureza do papel pela rudeza do que está lançado na rua, na caçamba de entulho, na carroça do catador, por ser resto, bagaço, lixo. Pretende-se com isso liberar o vigor do traço e a potência da forma, ampliando a linguagem visual dos trabalhos.