Rosangela Ataíde

Rosangela Ataíde

By Rosangela AtaideArtsBooks
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Rosangela Ataíde episodes

  • A Efemeridade das Asas
    A Efemeridade das Asas
    signo e significado
    hoje pensei em borboletas
    na liberdade a que suas asas remetem
    no vôo
    nas flores que elas alcançam suavemente
    pensei no casulo que as transformam
    pensei na transmutação espiritual
    como um véu bailando ao ar
    na breve vida
    por mais bela que seja!
    pensei em asas delicadas
    indicando
    que é necessário tato ao lidar com a liberdade dos inválidos
    dos insanos
    dos que como eu
    apreciam quando o que é bom perdura
    e ao pensar em algo tão delicado
    como permanência
    cumplicidade
    tolerância
    compreende
    ...a liberdade é tão limitada!
    as borboletas tão efêmeras
    há os que se enganem
    eu prefiro a verdade
    e ainda assim apreciar o vôo
    aceitar o pouso
    ou me rebelar com tudo
    que vejo diante de meus olhos
    e não entendo
    é necessário cuidado
    ao lidar com arquétipos
    - me disse um sábio -
    borboletas no estômago
    são as que mais ferem
    também as que mais nos deixam
    humanos
    eu às sinto
    fazendo cócegas
    mas as deixo partirem quando querem
    mesmo que elas prefiram voltar
    eu sei que sou
    eu sei que somos
    apenas sacos de ossos
    e não temos asas, é verdade!
    mas podemos rodopiar nossos corpos
    de olhos fechados
    rosa ataíde
    2 min
  • Um Não Lugar, poema Rosangela Ataíde na voz e tradução de Hérnan Brandolin
    Un no lugar – tradução Espanhol: Tchian Hérnan, poeta argentino
    Puede ser dentro
    Puede ser fuera
    Puede ser en la línea del horizonte
    En el azul que tus ojos contemplan
    Al erguir la nariz
    Puede ser en mí
    Cuando tiro la sal de mis labios con la lengua
    Y trago
    Puede ser en el outro que dobló la esquina debajo de la lluvia
    Un no lugar marea
    Un no lugar que no hace ola
    Un no lugar, hábitat de vida primitiva
    Rayo de sol , luz de estrella, polvo
    Mástil clavado en tierra
    En el lodo de los mangles
    En el cañón donde la piel enflaquece
    Un no lugar, música
    Oración
    Un no lugar en la palma de mano
    ...un no lugar mano extendida
    El rostro atónito
    Un no lugar corazones de enamorados
    - el corazón es dentro y ya estuvimos en algunos
    Vuelvo las manos
    El tuyo en la izquierda
    El mío en contramano
    Un no lugar...Sí, un no lugar, No
    Pensé un no lugar
    Perdón, intuición, abrazo
    Dirección universal
    - tu nombre
    - tu fecha de nacimiento
    Un no lugar, reloj de arena
    Tierra que termina
    Y que al movimiento opuesto
    Retorna la ilusión del tiempo
    Pues dentro de ella existe un vacío
    - ¿ya percibió?
    -
    Un no lugar, hasta un día...
    No lo sé,
    Alguien que termine este poema
    Para mí...
    3 min
  • Selváticas - Rosa Ataíde - interpretação - Jéssica Voguel
    Selváticas
    mulheres
    são por essência selvagens
    e pintam as unhas
    pois estas lhes servem de garras.
    as garras afiadas das que nutrem
    ao seio,
    pelo cordão umbilical
    com o sangue nutritivo que semeiam pela terra mês a mês...
    nossos filhos inatos.
    ouçam os tiros...
    são milhares os disparos!
    eles estão a estilhaçar os corações delas.
    silêncio quando morre uma delas,
    silêncio nas matas, nas cidades.
    até às anciãs se calam
    e choram as mulheres nutridoras de Gaia.
    chorem por nós...,
    os infiéis
    os estupradores,
    os marginais fardados,
    os algozes aliançados .
    pois morremos após
    nos silenciarem
    em suas fogueiras
    e com suas facas
    perfurarem nossas carnes.
    não aos punhos fechados!
    não aos queixos trincados!
    selvagens,
    bicho, mulher,
    selváticas!
    do colo de nossos úteros
    preparamos cama à humanidade.
    são nossos os corpos
    que de nós foram tomados pela estigma do sexo frágil.
    por instinto...
    somos medicinais,
    cura e nascimento,
    eis então que somos fortes!
    selváticas!
    nos refazemos às adversidades
    como a mata que rompe o concreto,
    vem dessa essência de bicho
    a gana que nos tira o eixo
    quando lascamos uma unha.
    ...mas esperem, elas crescem!
    ou as substituímos por postiças adornadas.
    rosa ataíde
    3 min
  • Short Distorcion
    talvez você devesse revirar meu lixo
    para decifrar eu, pessoa, gente
    é verdade que meu lixo denuncia meus podres
    tem meus detritos misturados a minha alegria
    tem minha ansiedade nas guimbas manchadas de batom 
    meu desleixo nas pilhas de maços vazios
    minha miséria no tubo de pasta espremido
    minha angustia nos maços de cabelo que cato pelo piso
    minha infância em embalagens de pirulito
    minha alergia nos em lenços e embalagens de Vick
    minha chaga uterina no papel ensanguentado
    alguns rabiscos escritos, uns pincéis de cerdas endurecidas
    eu deveria olhar atenta debaixo de sua cama
    talvez eu mirasse  mais do homem que não decifro
    entre as embalagens de Bis e pratos de macarrão vazios
    talvez assim eu entenderia quando você silencia
    e me deixa muda
    sem saber nada além de zelo, carinho, vórtices e vertigens
    rosangela a.
    2 min
  • Cotidiano - Rosangela Ataíde
    Cotidiano
    amor,
    dieta de engorda,
    cigarros,
    analgésicos,
    ansiolíticos e vitaminas...
    - o tempo se alonga
    enquanto eu, dilacero dias.
    no vai e vem do sol poente,
    nas ondas do mar batendo
    entre o concreto e a areia.
    nas demarcações das páginas que vibro
    ou ainda,
    nas sombras opostas
    das imagens que crio...
    - todo entorno do que vivencio
    cabe uma nota,
    um delírio,
    umas linhas.
    assim reciclo a vida,
    mesmo que vá me esvaindo
    nos insanos afazeres de minha via...
    meus vestígios
    estão fincados nas palavras,
    as que ficam na ponta da língua
    estremecendo minha voz
    e que teimam...
    virar poesia.
    1 min

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