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Em 1988, o seringueiro e ambientalista Chico Mendes foi assassinado por um grileiro de terras, pessoa que toma possa de terras com documentos falsos. Passados 34 anos, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, foram assassinados em junho, no Amazonas. Apesar da longa distância desta linha do tempo, haveria alguma conexão entre esses dois fatos?
A reflexão que propomos com este episódio percorre outros momentos, que pareciam ser mais marcantes e positivos para o meio ambiente do que acabaram sendo. Havia uma grande expectativa com a realização no Rio de Janeiro, há exatos 30 anos, da ECO 92, conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Em pauta, temas como aquecimento global, gases do efeito estufa, riscos com a carbonização, altas taxas de desmatamento, assim como agricultura e pecuária. Duas décadas depois, veio a Rio+20, que focou em economia verde, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
Chegamos em 2022. O Brasil é conhecido por ser destruidor de florestas e produtor de commodities agrícolas, como café, trigo, milho, açúcar e carne bovina. Alimentos que, não necessariamente chegam à mesa dos brasileiros. No país, 33 milhões de pessoas passam fome todo dia.
Fome, emergências climáticas, destruição da natureza e negacionismo científico. A temperatura da cobertura de meio ambiente está nas alturas. Sobre isso, vamos ouvir os nossos convidados:
Fred Santana, jornalista graduado pela Universidade Federal do Amazonas, é fotógrafo, produtor de podcast, além de criador e editor do site vocativo.com, que trabalha com notícias de conjuntura política, ciências e meio ambiente. Fred foi vencedor do 1º prêmio InfoVacina de Jornalismo na categoria "Checagem de fatos".
Neste episódio, um epidemiologista e um jornalista de ciências abordam o tema “Uma infodemia necessária?”.
Na atual onda de Covid-19, a baixa mortalidade é uma boa notícia. Porém, poderia ser melhor. Estamos abaixo dos 80% de pessoas totalmente imunizadas (que tomaram as duas primeiras doses ou dose única). Outro agravante é a baixa adesão à terceira dose (primeira dose de reforço). Ao mesmo tempo, o papel da mídia em noticiar doenças infecciosas não pode se limitar à Covid-19. Temos a sazonalidade da gripe, assim como outras doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Mais recentemente, entrou em pauta também a varíola do macaco.
Um cenário que impacta na cobertura jornalística que, se não for feita com qualidade e na medida certa, pode provocar uma infodemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica infodemia como sendo o excesso de informação, incluindo informações falsas ou enganosas em ambientes digitais e físicos durante um surto de doença. Segundo a entidade, a infodemia causa confusão e comportamentos de risco que podem prejudicar a saúde. Também leva à desconfiança nas autoridades de saúde e prejudica a resposta da saúde pública.
Uma infodemia, afirma a OMS, pode intensificar ou prolongar os surtos quando as pessoas não têm certeza sobre o que precisam fazer para proteger sua saúde e a saúde das pessoas ao seu redor. Com a crescente digitalização – uma expansão das mídias sociais e do uso da internet – as informações podem se espalhar mais rapidamente. Isso pode, por um lado, ajudar a preencher lacunas de informações mais rapidamente, porém, podem também amplificar mensagens prejudiciais.
Diante deste cenário trazido pela OMS, a reflexão que propomos é de buscar o equilíbrio na transmissão de informação, alertando na medida certa, sem causar pânico, porém, sem que a população deixe de perceber o risco ao redor dela. Sobre este desafio, vamos ouvir nossos convidados:
Rafael Garcia, jornalista graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Foi bolsista do programa Knight Science Journalism do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Com 25 anos de experiência em redações (20 dos quais dedicados à cobertura de ciência), atuou em veículos de imprensa como Folha de S.Paulo, Scientific American Brasil, Galileu e G1. Foi vencedor do Prêmio Exxon de Jornalismo de 2015 na Categoria Informação Científica. Desde 2019 é repórter de ciência do jornal O Globo, onde cobriu a pandemia de Covid-19 desde o início.
A relação entre mídia, profissionais de saúde e indústria tabagista é antiga. Quando os males do cigarro ainda eram desconhecidos, na década de 1930, médicos e dentistas estampavam anúncios publicitários de inúmeras marcas, dentre elas Lucky Strike, Viceroy e Cammels.
O discurso na época era que o cigarro oferecia o alívio de sintomas de ansiedade e depressão e o produto ainda era associado com conceitos de liberdade e sofisticação.
Um anúncio da Cammels, de 1949, trazia os dizeres “médicos fumam mais Cammels do que qualquer outra marca de cigarro”.
Com o passar dos anos, os discursos da indústria tabagista foram desconstruídos, pois se tornaram evidentes os muitos malefícios do cigarro, como ser o principal fator de risco para mais de uma dezena de tipos de câncer e estar fortemente associado com a ocorrência de doenças cardiovasculares.
Foram impostas restrições para a publicidade do cigarro em veículos de comunicação e organização de eventos com associação direta às marcas de cigarro, como os extintos “Free Jazz Festival”, “Hollywood Rock” e “Carlton Dance”.
Com isso, as gigantes corporações do fumo como Philips Morris e Souza Cruz viram-se obrigadas a reinventar seus discursos.
A indústria apostou na bravura dos homens que fumavam. Os comerciais com caubóis, da marca Marlboro, são exemplos emblemáticos.
Também falaram em cigarros com menor teor de nicotina, os chamados light, para atrair principalmente o público feminino, que lutava para ser livre, inclusive para fumar.
Com eficazes políticas antitabagistas e repercussão na mídia, a população passou a se conscientizar sobre os reais males do tabagismo.
Dentre as medidas, imagens impactantes nos maços de cigarros, alta taxação do produto, proibição do fumo em lugares públicos fechados, dentre outras medidas, sobre as quais os nossos convidados abordam:
Mônica Andreis, diretora-executiva da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), psicóloga, com mestrado em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em psicologia hospitalar.
A apresentação é do jornalista Moura Leite Netto, doutor em ciências e diretor da SENSU Consultoria de Comunicação.
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