Paixão pelo vinho é importante. Mas, sem planejamento, conhecimento de mercado e visão empresarial, ela pode transformar um sonho em um negócio difícil de sustentar. Neste episódio do PodVenda+Vinho, Diego Bertolini recebe Luís Campos, proprietário da Vinícola Revvo, para uma conversa direta sobre os desafios de construir uma vinícola boutique e tomar decisões capazes de tornar o projeto comercialmente viável.
Luís conta como deixou de ser apenas um apreciador para empreender no vinho ao lado da esposa, Maria Alice, depois de quase quatro décadas dedicadas à medicina. A conversa percorre a escolha da propriedade em Alto Feliz, o plantio de diferentes variedades, a criação antecipada da marca, o desenvolvimento do portfólio e a busca por uma identidade contemporânea. Mais do que produzir bons vinhos, o episódio mostra a importância de definir público, posicionamento, canais de venda e ritmo de crescimento antes mesmo de colocar a primeira garrafa no mercado.
O papo também mergulha nas decisões que impactam diretamente a rentabilidade: vender para o consumidor final ou trabalhar com revendedores? Investir em e-commerce, ponto físico, enoturismo ou equipe comercial? Ampliar o portfólio ou concentrar recursos? A principal reflexão é clara: nenhum canal resolve o negócio sozinho. Rentabilidade vem da combinação entre margem, presença de marca, relacionamento, processos comerciais e capacidade de priorizar investimentos.
Destaques
🍷 Vinho sem estratégia vira hobby
Um projeto vitivinícola precisa nascer com plano de negócio, objetivos claros e capacidade de gerar receita. Produzir milhares de garrafas sem saber para quem vender pode transformar uma boa safra em estoque parado.
🌱 Do vinhedo ao mercado
A Revvo começou com uma propriedade coberta por eucaliptos e o desejo de plantar uvas próprias. Decisões sobre solo, variedades, manejo e capacidade produtiva influenciaram diretamente o portfólio e o posicionamento comercial.
🏷️ Embalagem também vende
Em um mercado com milhares de rótulos, qualidade por si só pode não bastar. Nome, design, garrafa e storytelling participam da decisão de compra e ajudam a diferenciar o produto.
🛒 Um e-commerce precisa de opções
Poucos rótulos limitam recorrência, kits, novidades e ticket médio. Um portfólio mais amplo aumenta as possibilidades de venda, desde que os lançamentos tenham propósito e não sirvam apenas para preencher catálogo.
🤝 B2B e B2C trabalham juntos
A venda direta oferece maior margem, enquanto restaurantes, lojas e revendedores ajudam a construir presença, relacionamento e reconhecimento. O B2B pode fortalecer futuras vendas no e-commerce, no ponto físico e no enoturismo.
📲 Multicanalidade exige integração
E-commerce, redes sociais, WhatsApp, CRM, representantes, eventos e loja física precisam compartilhar informações e conduzir o cliente por uma jornada organizada.
📊 Vendas são processo, sistema e pessoas
Relacionamento ajuda, mas não substitui segmentação, rotina de prospecção, acompanhamento e disciplina comercial. A empresa precisa transformar contatos em um processo replicável.
🏠 Experiência também gera receita
A proposta de um espaço da Revvo em São Paulo vai além de uma loja tradicional. Degustações, confrarias, cursos e encontros empresariais podem unir experiência, relacionamento e conversão.
💰 Margem não conta toda a história
O canal com maior margem por garrafa nem sempre é o mais rentável quando se consideram aquisição de clientes, logística, equipe, volume e recorrência.
⏳ Crescer exige cadência
Campo, estoque, marca, equipe, e-commerce e enoturismo disputam recursos. Fazer tudo ao mesmo tempo pode comprometer o caixa. Crescer com sustentabilidade exige prioridades claras.
🚀 Rentabilidade começa com clareza
Antes de vender mais, é preciso saber o que vender, para quem, por qual canal e com qual margem. No vinho, crescer não significa apenas produzir mais, mas tomar decisões melhores.