Monica Resende carrega Minas na memória, no paladar e na forma de olhar para o alimento. Proprietária e queijista da Mestre Queijeiro, ela chega ao A Origem do Sabor para uma conversa que vai além da loja, da vitrine e da tábua: fala de origem, virada de vida, depressão, pão de queijo, coragem e de como um produto artesanal pode conectar campo, cidade, cultura e identidade.
No papo com Elvio Rocha, Monica revisita sua trajetória da infância entre Minas e Goiás até a chegada ao universo dos queijos artesanais, passando pela biomedicina, pela vida em Londres, pelo mercado de eventos e pela decisão de assumir a Mestre Queijeiro em 2018. A conversa entra nos bastidores reais de quem trabalha com queijo no Brasil: logística cara, estoque imprevisível, produtores familiares, maturação, perdas, oscilação de mercado e o desafio de explicar por que um queijo artesanal não pode ser comparado apenas pelo preço.
Mais do que falar de queijo, este episódio fala sobre valor. Sobre entender que cada casca, textura e aroma carregam tempo, cuidado, território e gente. Monica defende a democratização do acesso ao queijo artesanal, mas sem reduzir sua importância cultural. Uma conversa para quem ama comer bem, quer entender melhor o Brasil pela mesa e acredita que sabor também é memória, pertencimento e escolha.
Destaques
🧀 A trajetória de Monica Resende
De Uberaba e Abadia dos Dourados até São Paulo, Monica construiu uma história marcada por mudança, reinvenção e vínculo com o alimento. Antes dos queijos, passou pela biomedicina, viveu em Londres, trabalhou com eventos e encontrou no pão de queijo o primeiro caminho para empreender.
🌾 Queijo como expressão de origem
A conversa mostra como o queijo artesanal brasileiro vai além da técnica. Cada produtor imprime sua história, sua região, seu jeito de viver e sua personalidade no produto. O queijo vira uma leitura do território, da família, do manejo e da cultura de quem faz.
🚚 Os bastidores da cadeia artesanal
O episódio também fala da parte menos romântica do mercado: logística, estoque, variação de demanda, custo de transporte e imprevisibilidade. Trazer um queijo do Marajó, do Ceará, de Minas ou do Amazonas até São Paulo envolve uma cadeia complexa, cara e cheia de ajustes.
💰 Preço, valor e percepção do consumidor
Um dos pontos mais fortes é a diferença entre “estar caro” e “não valer”. Monica provoca uma reflexão importante: um queijo maturado por 14 ou 15 meses, feito com leite selecionado e cuidado manual, não pode ser comparado com um produto industrial apenas pelo preço por quilo.
🇧🇷 A brasilidade do queijo
O episódio defende uma ideia central: o Brasil precisa olhar para seus queijos com menos comparação estrangeira e mais orgulho próprio. Canastra, Mantiqueira, Marajó, Ceará, Amazonas, Rio Grande do Sul e São Paulo aparecem como parte de um mapa vivo de sabores.
🍫 Harmonizações que arrepiam
Entre queijos brasileiros, chocolate baiano, cremosos, azuis e maturados, a conversa passa pelo prazer da mesa. Monica e Elvio mostram que harmonizar não é regra engessada: é encontro, surpresa e sensação.
🐑 Leites, complexidade e diversidade
Monica fala sobre a riqueza dos queijos de vaca, cabra, búfala e ovelha, destacando a complexidade dos queijos de ovelha quando bem maturados. O tema abre uma reflexão sobre diversidade produtiva, sazonalidade e repertório.
🌱 O futuro do queijo artesanal brasileiro
Para Monica, o crescimento do setor deve ser moderado, mas consistente. O caminho passa por cultura, educação do consumidor, valorização dos produtores e mais acesso. Comer um bom queijo artesanal é também se conectar com o país, com o campo e com quem produz.