Você já parou para pensar que sociedade, sujeito e política não são noções/áreas do conhecimento que se encontram fora do campo psicanalítico? Freud demonstra isso no decorrer de suas obras – em especial naquelas tidas como sociais – e Lacan também o faz. Em psicologia das massas, Freud comenta da impossibilidade de dissociar a psicologia social da individual. Em “Mal-estar na civilização”, Freud lança mão de ferramentas psicanalíticas para discutir processos culturais necessários para que os humanos consigam viver em sociedade. Em uma troca de cartas com Einstein, a pedido da Liga das Nações, Freud, mais uma vez, utiliza da psicanálise para refletir acerca de um tema de interesse geral dos povos, nesse caso, as motivações que envolviam as guerras. No que concerne à relação sociedade, sujeito, política e psicanálise em Lacan, pode-se citar como exemplos: O Seminário 16, em que Lacan, ao relembrar uma afirmação de Freud, realiza uma breve aproximação entre o inconsciente e a política; e, O Seminário 17, em que Lacan, ciente da relevância do discurso psicanalítico na compreensão dos laços sociais, analisa sintomas coletivos de maio de 1968 e pontua que a psicanálise age e, portanto, não permanece alheia à cultura e à política de sua época. Além dessas discussões, outras que perpassam temas como racismo e relações grupais podem ser pensadas a partir da aproximação da psicanálise com teorias sociais. Para discutir esse assunto, no quarto episódio do quadro Perspectivas em Cena, temos a companhia de Lucas Alves, psicólogo, psicanalista e Doutorando em Psicologia pela UFSC (na linha de psicanálise, cultura e política).