“O que você quer ser quando crescer?” é uma das perguntas mais feitas a uma criança desconhecida. Espera-se uma profissão como resposta; não uma qualidade, um feito. Com ela percebemos o reconhecimento social da saída da menoridade associado ao domínio de um exercício funcional/produtivo legitimado por critérios eficientes. Tal expressão semântica evidencia a despersonificação do sujeito: importa “o que”, não “quem”. Ainda, construída no singular (“o que”) e no tempo presente (“você quer”), a referida pergunta admite uma unidade perene como resposta e implica na antecipação do pensar infantil acerca da sua função futura na cadeia produtiva (“ser quando crescer”).