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Às vezes, de noite, Kumar, marido de Pragna, que morreu nos Cuidados Intensivos, ainda ouve as máquinas de suporte de vida. Diz que um dia, quando estiver bem disposto, leva o diário até ao mar, para o ler. Paula, uma sobrevivente, confessa que é o objecto mais precioso que tem.
Durante ano e meio, escreveram-se mais de cem diários no Hospital de Santo António, no Porto, no âmbito de um estudo europeu. As notas procuravam facilitar a comunicação entre profissionais de saúde, doentes e famílias. Os diários também de mostraram úteis na prevenção do stress pós-traumático. A TSF foi ouvir médicos, enfermeiros, gente que esteve na linha de fronteira e famílias que acompanharam dias de sofrimento e noites brancas.
Veja AQUI a reportagem video.
Na cantiga de uma mulher misturam-se as águas do mar e deste rio. Da margem, segue os movimentos de um barco. É preciso chegar perto para escutar os remos a bater na água, fazendo saltar os peixes para as redes.
Por aqui passa a memória dos avieiros, pescadores de Vieira de Leiria que, ainda no século XIX, procuraram o sustento no Tejo (e também no Sado). É esta memória que várias instituições, lideradas pelo Instituto Politécnico de Santarém, candidataram a Património Nacional. As casas palafíticas, as bateiras e outras embarcações, as várias artes de pesca mas também as histórias que ainda se contam, os gestos, alguns sabores.
A imagem de um jovem, de camisa branca, tentando parar o avanço de uma coluna de carros blindados na praça Tiananmen, ficou para sempre associada ao brutal desfecho das manifestações de Pequim.
O que as imagens não registaram, a memória de muitos guardou, gravado fundo. Vinte anos depois do massacre, as autoridades de Pequim ainda não revelaram os nomes das vítimas da repressão sobre os estudantes que pediam democracia. A TSF foi ouvir uma das Mães de Tiananmen, vigiada 24 horas por dia, e também testemunhas e activistas dos Direitos do Homem. Uma viagem pela História recente que é também o retrato da actualidade política chinesa.
Brincavam à apanhada e ao que a fantasia quisesse. Brincavam com pedras, com caricas, com frutos, com bichos e, como diria Miguel Torga, “instintivamente como um bicho”.
Há cerca de dois meses, no Dia Mundial da Criança, a TSF pediu boleia às memórias de mais velhos. Alguns lembraram “uma infância pobretana”, outros recordaram carros miniatura e louça faz-de-conta. Nestes dias em que muito do divertimento das crianças passa por consolas e computadores, longe da rua, as brincadeiras antigas contam histórias de tempos rijos, tempos felizes, com todo o tempo do mundo que era a rua.
Vivem em montes isolados, brincam com bacorinhos e galinhas e alguns nunca viram o mar. A distância e os recursos das famílias não lhes permite o acesso aos jardins de infância. Por isso, algumas vezes por semana, as educadoras fazem-se ao caminho.
O projecto de Educação Pré-Escolar Itinerante da Direcção Regional de Educação do Algarve já apoiou muitas crianças. Há dez anos, um milhar recebia a visita de 32 educadoras. Hoje, o número de crianças ronda a centena e as educadoras são 11. A desertificação das zonas mais interiores é evidente mas, mesmo quando só há um menino, a viagem não fica por fazer. Entre números, letras e desenhos aprendem miúdos e graúdos.
«Só um bocadinho no cimo» costuma dizer Zé Ralha, sorridente, ao encher mais um copo, na taberna da Rua Direita, em Coimbra. Este é um dos 27 locais assinalados no roteiro turístico que a câmara da cidade resolveu criar.
Há umas décadas eram mais de uma centena. Entre as resistentes, apenas algumas mantém a decoração antiga e o vinho nos pipos de madeira. Os petiscos e o tradicional ramo de loureiro à porta são marcas de muitas A LATA (Liga dos Amigos das Tabernas Antigas) defende que elas devem ser uma montra da gastronomia portuguesa.
Durante a Queima das Fitas, os estudantes somam penáltis, no Peddy Tascas mas já houve um tempo em que, sem a concorrência de cafés e bares, as tabernas eram ponto de encontro habitual.
Veja também a fotoreportagem «Tinto? Cheio!».
Telhas painéis solares, “lenha” feita com os desperdícios dos lagares de azeite, roupa e sacos de plástico biodegradável que aproveitam as penas de frango. Eis alguns exemplos da investigação portuguesa amiga do ambiente.
A TSF foi conhecer uma dezena de projectos que estendem pontes entre a universidade e o mundo empresarial, sempre com os olhos num futuro mais sustentável. Conversámos com cientistas e visitámos os locais onde estão a ser testadas as novas ideias. De Lisboa a Trás-os-Montes, passando pelo Minho, Porto e Viseu, há quem prepare jangadas para criar peixes nos rios e quem investigue novos materiais para substituir os plásticos dos automóveis.
«Palcos? Isso era um luxo!», lembra Francisco Fanhais, à sombra da memória de concertos sobre tractores, dando força a ocupações populares. Ainda no tempo da outra senhora, já o padre Fanhais tinha percebido que era preciso «cantar mais do que as asas dos anjos».
35 anos depois do 25 de Abril, nos testemunhos de alguns cantores e músicos, reencontramos o antes e o depois da revolução. O médico Rui Pato recorda como, ainda rapaz novo, conheceu Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira: «tempos de risco, tempos de fascínio». O informático AP Braga aprendeu a «não fazer aos outros aquilo que não gosto que não me façam a mim». O professor universitário José Barata Moura pensa que «continua a justificar-se um lugar para o canto político de intervenção e de crítica social».
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